Notícia
17/10/2017

Presidente do BC, no FMI: inflação e juros reais estão em queda; atividade econômica demonstra retomada gradual

Presidente do Banco Central destaca queda da inflação e juros reais, além da retomada gradual da atividade econômica no Brasil.

A economia brasileira está passando por um período de desinflação e de redução das taxas de juros, que culminou na retomada da atividade, resultados da reorientação da política econômica e firmeza da política monetária.

A inflação caiu consideravelmente desde o último trimestre de 2016. Essa queda, explicou o presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn, teve várias causas, inclusive a recessão observada nos últimos dois anos. Mas ele pontuou que, mesmo no cenário de recessão, as taxas de inflação permaneceram altas até o terceiro trimestre do ano passado:

“A inflação medida em 12 meses caiu modestamente de 10,7% em dezembro de 2015 para 9,0% em agosto do ano passado. A persistência da inflação alta, junto com a recessão, trouxe vários pedidos para uma elevação da meta inflacionária do país acima de 4,5%, o valor oficial para 2017. O BC optou por seguir um caminho aparentemente mais difícil, mirando na meta original de inflação e defendendo que ela era viável”, lembrou o presidente do BC. “A queda da inflação neste ano, atingindo 2,5% em setembro, mostra que a meta não era apenas viável, mas também possível, uma vez que as expectativas foram ancoradas. A retração econômica já estava presente no segundo semestre de 2016, mas o processo desinflacionário só começou depois da ancoragem das expectativas.”

Ilan lembrou que, analisando por uma perspectiva histórica, o atual nível da taxa de juros real, em torno de 3%, é baixo e tende a estimular a economia. De acordo com o presidente do BC:  “A aprovação e a implementação de diversas reformas e ajustes na economia brasileira no último ano – tais como a reforma trabalhista, a reforma educacional, o estabelecimento de um teto para gastos públicos, mudanças no setor de óleo e gás, anúncios de privatização e a reforma das taxas subsidiadas do Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES) – contribuíram para a redução da taxa de juros estrutural.”

O presidente do Banco Central do Brasil ressaltou o papel do aumento no consumo na melhoria da atividade econômica. “O rápido declínio da inflação levou a um aumento no poder de compra da população. Esse é um movimento calcado em bases mais sólidas do que no passado, uma vez que é baseado num ganho permanente de renda”, afirmou Ilan durante o Encontro Anual do Fundo Monetário Internacional (FMI), que ocorreu na semana passada, em Washington – leia mais sobre o evento abaixo.

O aumento no poder de compra do cidadão fica claro quando se observa o que era possível comprar com um salário mínimo – R$880,00 – no ano passado e neste ano. Em agosto de 2016, por exemplo, o salário mínimo comprava uma cesta básica de produtos em São Paulo com sobra de R$185. Em agosto deste ano, a mesma cesta pode ser obtida com sobra de R$294 – aumento real de 55%.

“Não obstante a recomposição do poder de compra e a recuperação do consumo, a retomada dos investimentos é o próximo passo esperado para gerarmos crescimento sustentável no médio e no longo prazo”, destacou Ilan. 


Ministros da Fazenda e presidentes de bancos centrais posam para foto conjunta no início do encontro do Comitê Financeiro e Monetário Internacional. Foto: IMF Staff Photo/Stephen Jaffe.


A agenda de trabalho do BC, Agenda BC+, tem implementado uma série de medidas, tais como a criação da Taxa de Longo Prazo (TLP) e a revisão dos ativos que poderão ser utilizados como garantia em operações de crédito.

Em reconhecimento aos bons resultados da gestão do Banco Central, o presidente Ilan Goldfajn foi eleito Governor of the Year for Latin America (melhor banqueiro central do ano para América Latina) pela publicação inglesa GlobalMarkets. Além disso, a revista estadunidense Global Finance concedeu ao presidente do BC a nota A-, a melhor avaliação feita ao Banco Central do Brasil e segunda nota mais alta na escala da publicação.

Saiba mais
Realizado desde 1946, o Encontro Anual do FMI reúne presidentes de bancos centrais, ministros das finanças e especialistas do setor privado, da academia e de entidades civis.

Durante o Encontro Anual, são realizadas reuniões do Comitê de Desenvolvimento, do Comitê Financeiro e Monetário Internacional e do grupo de países G20, entre outras atividades paralelas. Os prêmios que o presidente do BC recebeu de publicações financeiras internacionais integram essa programação paralela. Saiba mais sobre os encontros anuais do FMI.