Quando o presidente do BC, Ilan Goldfajn, assumiu o comando da instituição, em junho de 2016, a inflação chegava a 9% no acumulado de 12 meses. Havia batido 11% em dezembro de 2015. E a economia estava oficialmente em recessão, com quedas no desempenho de todos os setores econômicos. Um ano depois, a inflação acumulada em 12 meses chegou a 3,6%. E as expectativas para a frente estão em torno de 4,3%. A avaliação do presidente é de que o cenário é outro, com inflação menor e economia estabilizada com perspectivas de recuperação gradual.“O que se discute hoje não é mais se a inflação está alta, ou como devemos conduzir a taxa básica de juros da economia. Mas a velocidade e a extensão da redução da Selic. O caminho da desinflação e da redução de juros está dado”, afirma Goldfajn. “E as expectativas para a inflação estão melhores. No mercado, estão muito perto da meta, em 4,4%, 4,3%... e mesmo para os anos seguintes, para 2019 e 2020, está em 4,25%. São expectativas muito diferentes do que as que tínhamos há um ano”, lembra.
De acordo com o presidente, a avaliação do Banco Central é de que a economia se estabilizou e há perspectivas de recuperação gradual. O primeiro semestre de 2017, por exemplo, apresentou um crescimento razoável, de 1%. “Uma parte importante desse crescimento tem a ver com o setor agrícola. E, se a outra parte não teve o mesmo desempenho, apresentou ao menos uma estabilização”.
Muito dessa melhora, afirma ele, vem da mudança da direção da política econômica brasileira. Reformas e ajustes foram fundamentais. E o BC acompanha o desenrolar de outras medidas que Ilan considera determinantes para o desempenho da economia e para a sustentabilidade da desinflação, como a reforma da previdência.
“É o que dizíamos há um ano: se tivermos ajustes, se as questões fiscais e de produtividade passarem, se as reformas trabalhista e da previdência saírem, as incertezas sobre a economia diminuem e o juro neutro estrutural tende a cair”, explica o presidente. A queda do juro neutro, segundo ele, afeta a política monetária. “Seria determinante para a avaliação que fazemos sobre o ritmo ideal de queda da taxa básica de juros”, conclui.
Por parte do BC, ao longo do último ano, ganharam corpo uma série de mudanças estruturais no sistema financeiro – previstas na Agenda BC+, lançada pela instituição em dezembro de 2016 com o objetivo de baratear o custo do crédito, modernizar a legislação, aumentar a eficiência do sistema e fomentar a cidadania financeira.
“Entre outras medidas, já implementamos a simplificação da estrutura de compulsórios; enviamos ao Congresso, a MP 775, que estabelece a garantia de títulos e valores mobiliários por meio eletrônico, reduzindo o risco e o custo do credito, segmentamos o sistema financeiro de forma a implementar a proporcionalidade de aplicação da regulamentação prudencial e aumentar a concorrência; sugerimos a modernização da remuneração dos financiamentos concedidos pelo BNDES (Medida Provisória n. 777); fizemos uma série de mudanças no cartão de credito, o que tem reduzido o custo para o consumidor; e estamos implementando um novo marco legal dos processos administrativos punitivos conduzidos pelo BC (MP. 784). Tudo isso tem impacto estrutural na economia”.
Houve mudanças também na condução da política cambial, com redução dos estoques de swaps, dentro do regime de flutuação do câmbio, e ajustes importantes na comunicação do BC.
“Há ainda muito trabalho a fazer, com incerteza no cenário, mas podemos dizer que diferença um ano fez”, conclui o presidente.