Promover a simplificação das regras na regulação da indústria de fundos e diminuir os custos que vêm acompanhados de sua implementação são desafios globais. Para Daniel Maeda, da CVM, o Brasil passou por um momento de muita regulação nos últimos anos e o exercício de rever essas exigências é constante. “Temos que ter a franqueza de nos mantermos abertos para ver o que funcionou, o que gerou efeitos colaterais indesejados e revisitar a regulação com a indústria”, disse em painel realizado nesta quinta-feira, 25, no 10º Congresso ANBIMA de Fundos de Investimento, em São Paulo. Segundo José Carlos Doherty, superintendente-geral da ANBIMA, temos visto tanto CVM como o Banco Central empenhados nessa tarefa. “Os reguladores estão buscando, por meio de suas medidas e posicionamento, reduzir os custos de observância”, afirmou.
Patrice Bergé-Vincent (ICI Global), Peter De Proft (Efama), Daniel Maeda (CVM) e José Carlos Doherty (ANBIMA)
Na Europa, o número de leis e de normas é extenso e pede por um mercado mais unificado. “Precisamos simplificar e estruturar a legislação que muitas vezes é contraditória para que seja implementada de forma positiva para os investidores”, disse Peter de Proft, da Efama. Segundo ele, os Estados Unidos devem seguir a mesma linha: “vemos o regulador com foco muito grande no custo dos fundos, mas é importante um regime de transparência de informações. Nos Estados Unidos, por exemplo, isso será essencial aos investidores de varejo neste momento de discussão de um sistema de previdência privada, no qual eles serão responsáveis por comparar os produtos do mercado”, disse Proft. Patricie Bergé-Vincent, da ICI Global, concordou: “a tendência é tornar as regulações mais eficientes e eficazes para que a gestão de ativos possa servir melhor os investidores”, opiniou.
Sustentabilidade
No entanto, os níveis de maturidade entre Brasil e outros países divergem em algumas tendências do mercado. Um exemplo são os investimentos com propósito, conhecidos como aqueles que adotam critérios ASG (ambientais, sociais e de governança) no processo de análise de investimentos. Enquanto a Europa avança a passos largos, o Brasil ainda engatinha no assunto. “Está em todos os lugares da Europa. Vemos empresas lançando fundos, benchmarks, CFOs sendo remunerados com base em como realizam as operações ASG. Isso chegará ao Brasil e está na agenda de todos os mercados. Não dá para desviar”, afirmou Proft. A estratégia é acompanhar a experiência europeia, captar os bons resultados e aplicar por aqui. “De um lado, o Brasil está tentando se ‘aproveitar’ de situações mais maduras, tentando se antecipar. De outro, prestamos nossa experiência em alguns temas para a comunidade internacional, como alavancagem”, afirmou Maeda.
Brexit
Como a regulação deve atuar com relação aos eventos geopolíticos, como o Brexit? A provocação, feita por Doherty, gerou incerteza entre os participantes internacionais do painel, Proft e Bergé-Vicent. “É uma decisão política e, por isso, é muito complicado saber no que vai dar”, disse. Por aqui, mesmo sem sabermos o desfecho, o regulador enxerga esse movimento de forma positiva. Apesar de trazer volatilidade ao mercado, episódios como esse reforçam o papel social do gestor de recursos. “Por mais que se fale de inteligência artificial, tem algum modelo para entender o que acontece no Brexit? O gestor de recursos deve entender e acompanhar os aspectos geopolíticos e econômicos a todo momento. Não é questão pontual, é uma tendência. É importante oferecer esse conforto para o investidor”, opinou Maeda.
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