A indústria de fundos de investimento, em que pese a volatilidade global dos últimos anos e o cenário doméstico incerto, segue registrando um crescimento robusto e sustentável. A conclusão surgiu em debate entre profissionais do mercado que participaram do ANBIMA Summit na manhã desta quarta, 27. E as perspectivas para os próximos anos seguem muito positivas, puxadas pela maior demanda e consequente oferta de produtos, pelo avanço das plataformas de investimento que facilitam o acesso dos investidores e pelas mudanças regulatórias que estão em debate. Novidades como os fundos ESG, que levam em conta critérios socioambientais e/ou de governança em suas análises de investimento, é um exemplo de produto que ganha espaço e atrai investidores.
Para Cacá Takahashi, nosso vice-presidente e charmain da BlackRock Brasil, o interesse dos investidores e a oferta de fundos ESG pelos gestores avançam a um ritmo forte, o que exige ferramentas que garantam transparência desses produtos. “A ANBIMA desde 2015 tem um grupo de trabalho em ESG e está com uma audiência pública para definir critérios para identificar fundos com essas características. A procura por produtos assim é alta e torna importante definir melhor os critérios de classificação”, comentou. A nova regra de classificação dos fundos ESG, destacou Takahashi, leva em conta aspectos principiológicos, avaliando também as gestoras que integrem questões ESG em sua gestão.
Outro ponto importante destacado durante o debate foi a revisão da regulação de fundos de investimento, em elaboração pela CVM. Para Pedro Rudge, nosso diretor e sócio fundador da Leblon Equities, o movimento é relevante para que a indústria entre em uma nova fase. “A revisão das normas da CVM para os fundos é essencial, será uma oportunidade para avançarmos nas práticas internacionais, de mercados maduros e desenvolvidos”, comentou.
+ ANBIMA Summit: confira a programação completa e cadastre-se para participar gratuitamente
Cacá Takahashi acrescentou, ao destacar a relevância da revisão em curso, um novo horizonte que se abre em termos de gestão. “Esta modernização se faz necessária. Os mercados evoluíram muito com novos segmentos, ativos e oportunidades, que inclui também a parte offshore. As mudanças devem criar classes de fundos com maior segmentação, alterar limites de investimento aqui e no exterior, enfim, serão avanços importantes”.
As mudanças em análise pelo regulador também devem abrir novas perspectivas para os fundos alternativos, que dão acesso a produtos de infraestrutura, venture capital ou imobiliários. “Para nós, que atuamos com alternativos, é super relevante ver o avanço da regulação. Do ponto de vista dos estruturados, como os FIPs, a expectativa é enorme”, comentou Daniel Sorrentino, gestor do Pátria Investimentos.
Sorrentino também apresentou dados sobre o crescimento dos fundos alternativos, algo entre 12% e 14% ao ano nos últimos cinco anos. “Quando olhamos para a penetração ainda é baixa, dependendo do produto é de 1% do portfólio em outros chega, muito pouco ainda. Há muito que avançar”.
Falando sobre os fundos líquidos, acessíveis ao investidor de varejo, como multimercados ou de ações, Carlos Salamonde, CEO da Itaú Asset, pontuou que as mudanças regulatórias serão relevantes sob todas as óticas, na criação de produtos, de novas classes e na atuação de gestores e administradores. “Claro que todos teremos um período de adaptação, mas a direção é correta e as mudanças necessárias”, comentou. Para ele, são mudanças que colocam o cliente no centro. “Quanto mais acesso a produtos, mais informação para suas decisões o cliente vai demandar. É um conjunto de mudanças no mercado que eleva nossa responsabilidade para garantir transparência e informação de qualidade”, concluiu.