Notícia
27/10/2021

ANBIMA Summit: investidores de varejo enxergam com bons olhos aplicações no exterior

Investidores de varejo veem vantagens em aplicações no exterior, mas enfrentam dificuldades para investir de forma assertiva.

Muitos investidores brasileiros estão percebendo que a aplicação em ativos no exterior traz benefícios, como a ampliação do leque de oportunidades para suas carteiras. No entanto, ainda há alguns entraves para que eles possam investir lá fora de forma mais assertiva. Participantes do vídeo “Papo reto com investidores sobre produtos no exterior”, produzido especialmente para o ANBIMA Summit, relataram perceber as vantagens desse tipo de alocação, mas que também encontraram dificuldades para realizá-las.

O gerente sênior de vendas Felipe da Silva Fernandes foi um dos investidores que notou as vantagens das aplicações lá fora: ele começou a investir no exterior no ano passado, quando viu seu patrimônio se deteriorar com o impacto da pandemia, que levou a bolsa a ter o pregão interrompido várias vezes por conta dos acionamentos de circuit breakers. “Eu entendi o quão importante era ter esse patrimônio dividido e, por muitas vezes, empregado em moeda forte”, afirmou.

O empreendedor Gleison Farias começou a aplicar em ativos no exterior após a regulação brasileira permitir que os investidores de varejo comprassem BDRs (Brazilian Depositary Receipts), em 2020. Antes, apenas os qualificados (com mais de R$ 1 milhão em aplicações financeiras) podiam adquirir esses papéis. Farias disse que essa permissão facilitou o investimento, já que eliminaria a necessidade de abrir conta em corretora no exterior.

A questão acende uma importante discussão para a indústria de fundos: enquanto os investidores de varejo podem aplicar diretamente em BDRs, sem restrições, os investimentos feitos em ativos no exterior via fundos estão limitados a 20% de seu patrimônio líquido. No caso de fundos para investidores qualificados, esse percentual sobe para 40%. A equiparação das regras entre fundos e BDRs poderia ampliar a internacionalização do mercado de capitais brasileiro, atraindo mais investidores para os fundos.

Em agosto deste ano, o patrimônio líquido dos fundos de investimento no exterior totalizava R$ 828 bilhões, o que representava 14,3% do total da indústria. Neste número estão incluídos fundos de renda fixa, ações e multimercados. No entanto, não é possível estimar o percentual dessas carteiras que realmente é aplicado em ativos lá fora.

Ainda existem outros obstáculos a serem vencidos para ampliar o acesso dos investidores a novas opções no mercado externo, como a disponibilização de informações acessíveis e confiáveis. A oficial de justiça Nadia Aparecida Cardoso, por exemplo, disse que gostaria de investir lá fora em busca de mais rentabilidade e segurança, mas que, como o assunto é novo para ela, ainda não há confiança nas fontes de informação sobre esses investimentos. É a mesma percepção de Fernandes: “Eu acho que quando você opera um mercado do exterior você ainda está um pouco no escuro”, concluiu. 

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