Notícia
14/11/2023

LiveBC celebra três anos do Pix

LiveBC comemora os três anos do Pix e discute sua infraestrutura, segurança e evolução tecnológica.



Em apenas três anos de funcionamento, o Pix transformou a forma como os brasileiros pagam suas contas e fazem transferências. Hoje, operações que até pouco tempo poderiam levar horas, ou mais de um dia, acontecem em segundos. Do ponto de vista tecnológico, como isso foi possível? Que sistemas possibilitaram o desenvolvimento do Pix e que dão suporte ao serviço hoje?
 
Para explicar como o Pix saiu da teoria para a prática e como consegue funcionar de forma ininterrupta, a LiveBC desta segunda-feira (13) recebeu três servidores do banco que tiveram  papel fundamental na implementação e no funcionamento da ferramenta: Angelo José Mont Alverne Duarte, Chefe do Departamento de Competição e de Estrutura do Mercado Financeiro; Haroldo Jayme Martins Froes Cruz, Chefe do Departamento de Tecnologia da Informação; e Rogério Antônio Lucca, Chefe do Departamento de Operações Bancárias e de Sistema de Pagamentos.
 
Confira abaixo os alguns dos principais pontos debatidos durante o programa.

Marco
Angelo José Mont Alverne Duarte, Chefe do Departamento de Competição e de Estrutura do Mercado Financeiro, explicou que o BC já debatia há algum tempo o desenvolvimento de um serviço de pagamento instantâneo – a Lei 12.865/2013, por exemplo, representa um marco nesse sentido, já que deixou o mercado de pagamento de varejo sob a responsabilidade do banco.
 
“O mercado viu que estávamos sérios sobre o assunto em 2018 e 2019, quando divulgamos os parâmetros técnicos do que seria o Pix. Mesmo tendo achado nosso projeto ambicioso e com prazo desafiadores, viram que ele iria ser feito.”
 
Para Rogério Antônio Lucca, Chefe do Departamento de Operações Bancárias e de Sistema de Pagamentos, a história do Pix é a história do Banco Central como um todo. “Diz respeito à excelência do BC e de seu corpo funcional. O Pix é o aperfeiçoamento do Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB), de coisas importantes desenvolvidas pelo BC em prol da sociedade”, afirmou.

Infraestrutura
O BC já possuía a infraestrutura que permite o SPB rodar sem sobressaltos. Em 2002, foi desenvolvido o Sistema de Transferência de Reservas (STR), que já liquidava operações em tempo real, como a TED. Para o Pix, no entanto, o BC achou melhor criar outra infraestrutura, para ter maior capacidade e flexibilidade de evolução.
 
“O nosso sistema era muito bom, mas não operava de forma ininterrupta. Criamos, então, o Sistema de Pagamento Instantâneo (SPI) e o Diretório de Identificadores de Contas Transacionais (DICT). O desafio foi grande tanto para a gente quanto para as instituições, que também tiveram que desenvolver seus sistemas”, contou.
 
“Optamos por um sistema novo, mais leve, porque pelo STR já transitava muita coisa. A infraestrutura do sistema financeiro como um todo e a relação entre as instituições financeiras passam por ele”, completou Rogério.

Tudo ao mesmo tempo
O grande desafio do Pix, do ponto de vista tecnológico, é ser um serviço crítico, de alta performance e grande volume de transações, que funciona 24 horas por dia, sete dias por semana. “Não temos uma janela para manutenção. Temos que ‘trocar a turbina com o avião voando’”, disse Haroldo.
 
Para garantir que o serviço desse certo, o BC estudou a experiência de diversos países que já contavam com serviços de pagamentos instantâneos. Um deles foi o da Suécia, que até então contava com uma das principais ferramentas desse tipo no mundo.

“Recentemente, os suecos estiveram aqui. Queriam aprender com o sucesso do Pix, que já superou o mecanismo criado por eles”, contou Angelo.

Segurança
Desde o início, os aspectos ligados à segurança estão entre os principais destaques do Pix. São diversos times, de várias áreas do banco, além dos sistemas de comunicação e processamento voltados à segurança das operações dos usuários. Utilização de rede privada, criptografia e assinatura digital das transações são alguns dos mecanismos de segurança observados.



Pandemia de Covid-19
Como se já não bastasse o tamanho do desafio, ainda houve a pandemia de Covid-19, que eclodiu em pleno desenvolvimento da ferramenta.

“O BC estava preparado para o trabalho remoto. As equipes trabalharam muito, no final de semana, até tarde da noite ... No final, conseguimos cumprir os prazos apesar da pandemia.", disse Angelo José Mont Alverne Duarte, Chefe do Departamento de Competição e de Estrutura do Mercado Financeiro do BC.

“O desenvolvimento do Pix foi muito intenso, pessoas com problemas de saúde, com crises de relacionamento em casa por conta do excesso de trabalho. Em paralelo a isso, o BC tinha que manter a economia girando, lançamos mão de várias medidas de liquidez. Foi um desafio e tanto”, relembrou Rogério.
 
Presente e futuro
Como eles lembraram, o Pix possui uma agenda evolutiva que está em curso. Em 2024, será lançado o Pix Automático, avisou Angelo.
 
Ao Pix se somam os outros produtos inovadores hoje em desenvolvimento pelo BC: Drex e Open Finance. As diversas possibilidades de integrações entre eles são estudadas constantemente. “Hoje, por exemplo, já posso iniciar um pagamento pelo aplicativo de um banco em que não tenho conta. É uma mudança de paradigma”, explicou Angelo.
 
Susto, mas tudo sob controle
Quase ao final da live, a rede do Banco Central caiu, e o programa ficou fora do ar por alguns minutos. Por causa do imprevisto, Haroldo Jayme Martins Froes Cruz, Chefe do Departamento de Tecnologia da Informação, brincou que eles haviam caído, mas o Pix não.
 
Vale a pena ver de novo
Veja a íntegra da live aqui. Para saber mais sobre o Pix, acesse o site do Banco Central.