Notícia
19/12/2023

“O Brasil assume a presidência do G20 com grande responsabilidade, mas também com entusiasmo”, diz diretora do BC, Fernanda Guardado

Brasil assume presidência do G20 com foco em sustentabilidade, inovação financeira e redução da desigualdade.

Sob a presidência do Brasil, a nova rodada de encontros das principais economias do mundo, o G20, ocorreu entre segunda e sexta-feira da semana que passou, no Palácio do Itamaraty. Visto que o Banco Central terá participação fundamental na presidência brasileira do G20, a Diretora de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos do Banco Central (BC), Fernanda Guardado, participou de toda a programação, que incluiu a primeira reunião de Sherpas, representantes dos chefes de governo que coordenam a agenda da cúpula, e as reuniões conjuntas das trilhas de Sherpas e das Finanças do G20 Brasil – foi a primeira vez que as duas trilhas fizeram reunião conjunta na fase inicial de discussões do G20.

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Em discurso na abertura da reunião da Trilha de Finanças do G20, Fernanda afirmou que o Brasil assume a presidência do G20 “com grande responsabilidade, mas também com entusiasmo”. “O Brasil teve o prazer de sediar o G20 em 2008 em seu formato original, como um fórum de ministros da Economia e presidentes de bancos centrais, pouco antes de ser elevado à categoria de fórum de Chefes de Estado, em 2009”, lembrou, em companhia do embaixador Maurício Carvalho Lyrio, Secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Ministério das Relações Exteriores, e de Tatiana Rosito, Secretária de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda.
 
“Desde então, o grupo tem desempenhado um papel importante na estrutura de governança do sistema econômico e financeiro internacional, permitindo aos membros, aos países convidados e às organizações internacionais coordenar políticas, compartilhar experiências e trocar opiniões sobre importantes questões globais”, completou a diretora.
 
Ela lembrou que, mais recentemente, durante a pandemia da Covid-19, “o G20 desempenhou um papel fundamental ao coordenar o financiamento de ações para conter a crise sanitária e no desenvolvimento de programas de apoio aos mais vulneráveis”. Além de apoiar o fortalecimento das reservas internacionais dos países e direcionar recursos financeiros adicionais para os países mais necessitados.
 
Ao falar sobre os planos do Banco Central para o ano que vem, Fernanda disse que “manter a taxa de inflação baixa, estável e previsível é a melhor contribuição que a política monetária do BC pode fazer para o crescimento econômico sustentável e a melhora nas condições de vida da população”.

“Lutar contra a pobreza e a desigualdade está no centro das propostas brasileiras para o G20 em 2024”. “Reduzir a desigualdade é a chave para obter estabilidade financeira”, emendou.
 
Parceria
Sobre a parceria entre Fazenda e BC no G20, ela comentou que “o Banco Central sempre esteve totalmente engajado na Trilha Financeira do G20”. “E esperamos trabalhar em conjunto para melhorar a coordenação entre as duas trilhas”, complementou.
 
Segundo a diretora, o BC trabalhou em estreita colaboração com a pasta do Ministro Haddad para obter as prioridades propostas para serem discutidas no evento do G20. “Esperamos receber o feedback de vocês no decorrer das reuniões e construir uma agenda significativa para 2024 que reflita tanto as nossas prioridades desejadas quanto as questões que os membros consideram mais relevantes”, apontou.
 
Sustentabilidade
A Trilha Financeira do G20 também tem dedicado especial atenção às questões de sustentabilidade, apontou Fernanda, procurando, segundo ela, soluções técnicas e promovendo a mobilização de recursos financeiros para enfrentar as mudanças climáticas. “Fizemos muito e vamos fazer ainda mais”, destacou.
 
O Banco Central brasileiro foi reconhecido pela implementação de uma série de medidas com foco na promoção da sustentabilidade socioambiental, lembrou Fernanda. “Nossas ações estão alinhadas com a agenda global de sustentabilidade e com as iniciativas e melhores práticas de outros bancos centrais. Estivemos entre os primeiros a apoiar as recomendações do TCFD (Task Force on Climate related Financial Disclosures) e um dos primeiros a torná-las obrigatórias na nossa regulamentação”, explicou.
 
“Acreditamos que é fundamental continuar avançando na padronização da divulgação de informações relacionadas à sustentabilidade”, ressaltou em seu discurso.
 
Fernanda também apontou que é preciso “reconhecer o progresso que fizemos em relação aos riscos relacionados à sustentabilidade, especialmente o trabalho no âmbito do ‘Relatório de Riscos e Oportunidades Sociais, Ambientais e Climáticos do Banco Central (RIS)’”. 
 
“Esta é uma questão que tem ganhado importância na agenda dos supervisores e reguladores nos últimos anos. No entanto, entendemos que é importante reconhecer a forte interligação e o reforço mútuo entre os riscos financeiros relacionados com as mudanças climáticas e os riscos financeiros ambientais e analisá-los a partir de uma abordagem integrada”, disse Fernanda Guardado.
 
Assim, para além do trabalho de implementação do RIS, ela lembrou que o BC propôs ao Comitê de Estabilidade Financeira (FSB) que realizasse um balanço das iniciativas regulamentares e de supervisão associadas à identificação e avaliação dos riscos financeiros relacionados com o meio ambiente com os membros do G20 que já têm trabalhos em curso sobre esse assunto.
 
“Gostaríamos também de conhecer a percepção dos bancos centrais e seus supervisores sobre se consideram a perda de biodiversidade como um risco financeiro relevante nas suas jurisdições.”
 
Inovações
Outra parte importante da agenda do BC para a presidência do Brasil no G20 visa discutir os impactos das inovações digitais no sistema financeiro. “Embora seja importante reconhecer os seus benefícios, é também crucial que os reguladores e os supervisores compreendam os seus riscos e ajustem as suas práticas em conformidade”, afirmou a diretora. 
 
“É por isso que achamos relevante priorizar a discussão sobre as implicações para a estabilidade financeira da tokenização de ativos, DeFi (Pool de Liquidez) e Inteligência Artificial”, continuou. “Neste contexto, sugerimos também uma análise do conceito de tokenização em relação a dinheiro e outros ativos, bem como em explorar a criação de um ambiente tokenizado que se baseie nos melhores atributos do atual sistema monetário e financeiro, ao mesmo tempo que considera possíveis consequências futuras”, completou. 
 
Brasil na Presidência do G20
Desde 1º de dezembro, o Brasil passou a presidir o G20, fórum de cooperação econômica internacional que reúne dezenove das principais economias do mundo, além da União Europeia e alguns convidados eventuais. Essa é uma oportunidade de o país colocar em pauta assuntos que considera prioritários. Durante esse mandato, o Banco Central terá papel de liderança na condução de trabalhos da Trilha de Finanças.
  
O país será responsável pela organização de mais de cem reuniões técnicas e conferências ministeriais que culminarão na 19ª Cúpula do G20, que será realizada em novembro de 2024, no Rio de Janeiro. Alguns dos eventos serão virtuais, mas a maioria será presencial, em diferentes cidades do Brasil. 
 
O G20 está organizado em duas trilhas de atuação paralela, que conversam entre si. A Trilha de Sherpas, comandada pelo Itamaraty, trata de temas como emprego, educação e saúde. Já a Trilha de Finanças, com assuntos macroeconômicos estratégicos, é conduzida pelo Ministério da Fazenda e pelo Banco Central do Brasil. 
 
Nas trilhas, há diversos grupos de trabalho temáticos, que se reúnem regularmente, e o Brasil, em sua posição de presidente, tem o papel de propor prioridades para cada grupo e levá-las para discussão entre os membros e os organismos internacionais. O consenso é necessário em todo o processo de trabalho do G20. 
 
Trilha de Finanças
A Trilha de Finanças possui sete grupos técnicos: Economia Global, Arquitetura Financeira Internacional, Infraestrutura, Finanças Sustentáveis, Taxação Internacional, Inclusão Financeira e Assuntos do Setor Financeiro Internacional. Além desses, conta com uma Força-Tarefa Conjunta de Finanças e Saúde.
 
Trilha de Sherpas
A Trilha de Sherpas possui 15 grupos de trabalho: Agricultura, Anticorrupção, Cultura, Desenvolvimento, Economia Digital, Redução do Risco de Desastres, Educação, Emprego, Transições Energéticas, Sustentabilidade Climática e Ambiental, Saúde, Turismo, Comércio e Investimentos, Empoderamento das Mulheres e Pesquisa e Inovação. Além desses grupos, serão criadas duas forças-tarefas: para o lançamento de uma Aliança Global contra a Fome e a Pobreza e para a Mobilização Global contra a Mudança de Clima. A Trilha também contará com uma iniciativa sobre Bioeconomia. 
 
Para mais informações, acesse: http://www.g20.org/.