Notícia
11/02/2026

Área técnica publica estudo sobre internalização de ordens e recomenda priorização de liquidez e transparência

Publica estudo sobre internalização de ordens com recomendações para priorizar liquidez e transparência no mercado de ações.

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PUBLICAÇÃO

A Assessoria de Análise Econômica, Gestão de Riscos e Integridade (ASA) da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) publica hoje, 11/2/2026, a conclusão do estudo de Avaliação de Impacto Regulatório (AIR) sobre internalização de ordens.

O objetivo do estudo é qualificar a posição regulatória da CVM acerca do tema, conforme estabelecido na Resolução CVM 135. O estudo oferece recomendações de diretrizes regulatórias sobre internalização de ordens no mercado de valores mobiliários, com foco nos instrumentos negociados nos mercados à vista de renda variável, em especial ações e assemelhados.

"A análise de impacto regulatório é o compromisso da CVM de regular com base em evidências e dados empíricos. Recebemos valiosas contribuições e promovemos um amplo diálogo com o mercado, por meio da tomada pública de subsídios. O estudo se debruçou sobre a escolha entre a eventual redução dos custos de transação para o investidor de varejo e a preservação da liquidez e integridade na formação dos preços de negociação. É um trabalho denso, complexo, e que oferecerá subsídio importante para a tomada de decisão."

Bruno Luna, chefe da Assessoria de Análise Econômica, Gestão de Riscos e Integridade (ASA) da CVM

O estudo elaborado foi desenvolvido em etapas, conforme estabelecido pelo Decreto 10.411/20. Em 2024, a ASA publicou o resultado parcial da pesquisa e lançou o Edital para Tomada Pública de Subsídios ASA/CVM 01/24. No mesmo ano, foram divulgadas as contribuições ao edital.

Após avaliar diversas alternativas, o presente estudo recomenda a manutenção da internalização circunscrita aos procedimentos específicos de negociação em ambiente de bolsa, como o mecanismo de Retail Liquidity Provider (RLP), mas com flexibilizações relevantes. As principais propostas de mudança incluem:

"O ponto central da análise foi o conflito entre a redução de custos de transação para o investidor de varejo e os possíveis danos à formação de preços e liquidez dos livros de ordens visíveis. Modelagens econométricas indicaram que uma internalização irrestrita poderia elevar demasiadamente os custos implícitos (spreads) para todos os investidores ao esvaziar os ambientes de livre acesso, essenciais para os preços de referência nas negociações."

Rafael Arroyo, Inspetor da CVM e coordenador do estudo na ASA. 

O estudo também recomenda não permitir neste momento a internalização em ambientes de balcão organizado. A análise concluiu que os riscos operacionais e os custos de observância (compliance, regulação/autorregulação e ressarcimentos) poderiam anular os potenciais ganhos líquidos para o varejo.

Caso a recomendação seja acatada, o estudo recomenda uma Avaliação de Resultado Regulatório (ARR) em até cinco anos após a implementação das medidas para verificar empiricamente se eventuais benefícios ao varejo se concretizaram de forma benigna em relação ao mercado como um todo. Estudos adicionais sobre fracionamento de tick-size e fitas consolidadas também permanecem no radar da CVM.

Por fim, a recomendação da Avaliação de Impacto Regulatório (AIR) sobre novos padrões de divulgação acerca de melhor execução ainda seguirá os ritos internos até serem eventualmente implantados.

Acesso o estudo de Avaliação de Impacto Regulatório (AIR) sobre internalização de ordens.