Artigo
19/08/2025

A Estrutura Invisível e As Três Atribuições Fundamentais da Função de Risco nas Organizações

Explica as três atribuições centrais da função de risco e a importância da estrutura invisível na gestão integrada.

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Muitas das dificuldades observadas para a implementação de uma estrutura de riscos eficiente em uma organização vêm do esquecimento (ou da falta de entendimento) de uma noção extremamente básica: os riscos devem ser geridos onde surgem – ou seja, ao nível de cada operação ou de cada transação do negócio. Isto quer dizer que a gestão de riscos é de responsabilidade da 1ª Linha de Defesa!

É por isso que eu prefiro o termo “função de risco” a “gestão de risco”. “Função de risco” se refere a um papel dentro da organização, enquanto que “gestão de risco” se refere a uma atividade, atividade essa que deve ser desempenhada pelas áreas de negócio.

Função de Risco – As Três Atribuições Fundamentais

Fundamentalmente, a função de risco possui três atribuições em uma organização: (1) auxiliar na definição do apetite ao risco do negócio e do conselho de administração; (2) monitorar a exposição ao risco dentro do apetite ao risco e ser a responsável pela estrutura de gestão de risco e; (3) desafiar e aconselhar sobre decisões estratégicas de negócios relativas à tomada de riscos. Nada mais do que isso.

No entanto, estas três atribuições requerem conhecimentos especializados em aspectos conceituais e técnicos de identificação, avaliação, mitigação e monitoramento de riscos por parte de profissionais de risco. Necessitam também de um excelente conhecimento das exigências regulamentares para garantir a conformidade do negócio e, por último, devem compreender os processos do negócio, a sua capacidade, restrições e vulnerabilidades.

Atribuição fundamental nº 1 - Definir o apetite ao risco

Tenham isso sempre em mente: a primeira e mais importante responsabilidade da função de risco é estabelecer um processo que permita à organização definir o seu apetite ao risco. Uma gestão adequada de riscos só pode ocorrer quando o apetite para esses riscos está estabelecido. É isso que define todos os demais parâmetros de gestão de risco de uma organização. E definir um apetite ao risco relevante, específico e acionável requer um processo maduro de gestão de riscos.

A avaliação dos riscos que uma empresa está disposta a assumir e a manutenção de sistemas de gestão de riscos e de controle interno para garantir que as exposições a esses riscos fiquem dentro dos limites definidos pelo apetite exigem a identificação dos principais riscos que podem impactar negativamente os objetivos do negócio, a avaliação da exposição atual a esses riscos e a definição de controles adicionais, caso esta exposição for considerada excessiva.

Para que isso ocorra de maneira eficiente, a proporcionalidade e o equilíbrio são fundamentais: uma gestão de riscos voltada ao negócio não implica na ausência de riscos ou controles a todo custo. Da mesma forma, uma boa cultura de risco não significa necessariamente uma maior aversão ao risco. É necessário equilibrar a exposição ao risco e os respectivos controles, com o que estes implicam em termos de custos adicionais, restrições e impactos em processos.

Atribuição fundamental nº 2 - Monitorar a exposição ao risco

Também é atribuição fundamental da função de risco fornecer uma visão consolidada do perfil de risco do negócio, e é sua responsabilidade informar a Comitê Executivo sobre o grau em que o negócio está respeitando – ou violando – os limites definidos pelo apetite ao risco.

Isso exige que a função de risco tenha grande visibilidade sobre a condução das operações no negócio e uma grande compreensão dos fatores de risco que impactam o negócio, bem como das possíveis métricas usadas para medir esses fatores de risco. Somente assim é possível implementar um programa de indicadores chave de risco bem-sucedido. Os indicadores chave de risco são uma forma muito eficaz de controlar o apetite ao risco no nível operacional, alinhando seu limite com as prioridades de negócios e as declarações de tolerância ao risco.

Lembrando que o monitoramento de riscos não se limita aos processos diários de negócio: ele deve se estender aos riscos e ameaças futuras, incluindo as decorrentes de mudanças significativas no ambiente empresarial, sejam elas competitivas, tecnológicas, regulamentares, sociais ou políticas. O monitoramento constante do ambiente regulatório, das tendências futuras e dos pontos de atenção do regulador, do público em geral e dos meios de comunicação social, pode ser de primordial importância na identificação precoce – e mitigação – de potenciais ameaças.

Atribuição fundamental nº 3 – Desafiar e aconselhar

A terceira atribuição fundamental da função de risco é atuar como caixa de ressonância do negócio em relação a decisões que possam alterar o perfil de risco da organização. Tais decisões empresariais podem dizer respeito a novos empreendimentos, acordos comerciais ou aquisições, novos produtos ou novos mercados, investimentos ou desinvestimentos.

Porém, para cumprir o seu papel de desafiar o negócio, a função de risco precisa de ter autoridade delegada suficiente para congelar decisões da organização que possam contradizer os requisitos regulamentares ou um possível escrutínio regulamentar futuro, ou exceder o apetite risco, sem o devido reconhecimento do aconselhamento.

A Estrutura Invisível de Gestão de Riscos

As três atribuições da função de risco são, portanto, importantes e complexas, até pela sua posição transversal em toda a organização, tendo que coordenar vários negócios e personalidades de gestão, e convencendo os indivíduos sobre os benefícios de executar uma gestão de risco eficiente e alinhada ao seu apetite de riscos. E para conseguir executar essas atribuições de maneira eficaz, a função de risco deve definir e implementar uma estrutura de gestão de risco adequada.

As estruturas de gestão de risco nada mais são que arcabouços técnicos que ajudam os profissionais de risco a compreender como os riscos e os controles funcionam ou deveriam operar dentro de uma organização. Mas essas estruturas não precisam e nem devem ser uma preocupação ou um fardo para o negócio. Pelo contrário: os profissionais de risco que são capazes de alcançar com sucesso as suas atribuições fundamentais estão na verdade operando uma “estrutura invisível”.

E o que é uma estrutura invisível? Uma estrutura invisível nada mais é que o conteúdo sobre a forma, ou seja: o conteúdo e a intenção da gestão de risco substituem termos e ferramentas técnicas, para chegar a um ponto em que todos os colaboradores façam a gestão do seu risco implicitamente, como parte das suas atividades diárias, sem necessariamente pensar nisso. Em outras palavras, trata-se de uma estrutura que permite aos especialistas em risco atingir níveis suficientes de conhecimento e conforto na manipulação de conceitos e técnicas de gestão de riscos para que possam comunicar seus requisitos e prioridades ao negócio sem o peso do jargão e da técnica, tornando efetivamente a estrutura de gestão de riscos “invisível”.

Três atitudes conscientes da função de risco podem ajudar as organizações a operar uma estrutura invisível de gestão de riscos: (1) utilizar a linguagem do negócio; (2) alavancar processos e práticas existentes e; (3) fornecer orientação e usar sistemas para coletar e analisar informações.

Utilizar a linguagem do negócio

Muitas vezes a utilização de jargão e vocabulário técnico específico de risco acaba atrapalhando um relacionamento construtivo entre a função de risco e os executivos de negócios, reforçando ainda mais a falsa (e comum) impressão de que a gestão de riscos é uma atribuição da função de risco. Não há necessidade de sobrecarregar o negócio com linguagem específica de risco. Aliás, é um desafio interessante tentar falar sobre gestão de riscos sem mencionar o termo “risco”.

Sem chegar a esse extremo, há muitas maneiras de traduzir terminologias de risco em questões concretas orientadas para os negócios. “Quais são os seus principais riscos?” pode, por exemplo, ser transformado em “O que poderia acontecer que poderia impactar o alcance de seus objetivos?” ou “Quais são as suas principais preocupações para o seu negócio?”

Workshops de cenários poderiam começar com “Quais são os maiores incidentes que você sofreu nos últimos anos?” e “Quais são as piores coisas que podem acontecer ao seu negócio?” As discussões sobre limites de apetite ao risco poderiam ser traduzidas em “Com o que você se sente confortável?” ou “Quanto dinheiro você está pronto para colocar em jogo?”

Mesmo que os gestores seniores estejam frequentemente familiarizados com a maior parte da linguagem do risco, muitos dos demais colaboradores não estão. Traduzir termos técnicos para discussões da vida real é uma forma poderosa de obter informações relevantes.

Aproveitar as práticas existentes

Sendo a função de risco uma função de suporte, ela será melhor aceita se tender a se ajustar às preocupações do negócio e não o contrário. As práticas de gestão de risco mais bem sucedidas, aceitas e incorporadas são aquelas que abrangem as prioridades e preocupações do negócio, e não aquelas que tentam adaptar o negócio às opiniões e preocupações da função de risco.

A operacionalização de uma estrutura invisível exige capacidades avançadas da função de risco, não apenas na sua disciplina central (risco), mas também na demonstração de compreensão suficiente do negócio de forma a se colocarem no lugar dos seus pares na 1ª linha e se relacionarem com as suas prioridades.

Por exemplo, a razão para completar um reporte de incidente não é tanto a conformidade regulamentar, mas sim a proteção dos ativos da empresa, dos objetivos de lucros e perdas e da entrega da estratégia. A análise de cenários surge muito mais da necessidade de proteção contra grandes perdas potenciais do que da necessidade de cálculos de capital. A conformidade com os regulamentos é importante, mas não deve estar na vanguarda do argumento da função de riscos. Proteger os ativos e objetivos da empresa é uma meta principal melhor para o gerenciamento de riscos.

Fornecer orientação e suporte via sistemas

Todos precisamos estarmos dispostos e sermos capazes de agir: orientação é tão importante quanto motivação e inspiração para influenciar comportamentos. Quando os especialistas em risco exigem que a organização “monitore os seus riscos” ou “avalie os seus riscos” sem explicar adequadamente o que isso significa, como fazê-lo concretamente e apoiá-los ao longo do processo, é muito provável que esse processo resulte em pouco valor.

Numa estrutura invisível de gestão de risco, tarefas como a realização de workshops de identificação de riscos, autoavaliação de riscos e controles e análise de cenários não são simplesmente delegadas para a 1ª linha. Elas são facilitadas pela função de risco – com o envolvimento do negócio, claro, mas com orientação, preparação e informação de base suficientes da função de risco.

Além disso, a tecnologia integrada, o suporte via sistemas e, em particular, a estrutura de comunicação de riscos e incidentes são de primordial importância para garantir um processo de comunicação contínuo sobre eventos, riscos e controles. Aqui, novamente, quaisquer requisitos de relatórios e informações que aproveitem usos pré-existentes pela organização têm muito mais probabilidade de serem adotados com sucesso, destacando os benefícios de uma estrutura invisível.

Conclusão

Eu realmente acredito que a função de risco tem muito mais chances de ser aceita e respeitada se mantiver a estrutura de risco entre suas próprias preocupações e interagir com o negócio em seu próprio terreno, adotando sua perspectiva e linguagem sem perder de vista o objetivo final: um negócio mais seguro, com excelência operacional e rentabilidade à longo prazo.  Ao operar uma estrutura invisível, os profissionais de risco podem manter os seus aspectos técnicos para si e fornecer assistência eficaz e de valor agregado às linhas de negócio, melhorando a adesão, a cultura de risco e a conformidade.

As opiniões dos autores convidados da nossa comunidade são independentes e não necessariamente representam a opinião da Okai.

Perguntas e respostas

Quais dificuldades podem surgir na implementação de uma estrutura de riscos eficiente em uma organização?
Muitas dificuldades na implementação de uma estrutura de riscos eficiente podem surgir do esquecimento ou da falta de entendimento de uma noção básica: os riscos devem ser geridos onde surgem. Isso significa que a gestão de riscos é responsabilidade da 1ª Linha de Defesa, atuando ao nível de cada operação ou transação do negócio.
Onde os riscos devem ser geridos em uma organização e por quê?
Os riscos devem ser geridos onde surgem, ou seja, ao nível de cada operação ou de cada transação do negócio. Isso ocorre porque a gestão de riscos é compreendida como uma responsabilidade da 1ª Linha de Defesa, que atua diretamente nessas operações e transações.
Qual a diferença entre os termos "função de risco" e "gestão de risco"?
O termo "função de risco" se refere a um papel dentro da organização, enquanto "gestão de risco" se refere a uma atividade. A atividade de gestão de risco deve ser desempenhada pelas áreas de negócio (a 1ª Linha de Defesa).
Quais são as três atribuições fundamentais da função de risco em uma organização?
A função de risco possui três atribuições fundamentais em uma organização:1. Auxiliar na definição do apetite ao risco do negócio e do conselho de administração.2. Monitorar a exposição ao risco dentro do apetite ao risco e ser a responsável pela estrutura de gestão de risco.3. Desafiar e aconselhar sobre decisões estratégicas de negócios relativas à tomada de riscos.
Que tipo de conhecimento especializado é necessário para os profissionais de risco cumprirem suas atribuições?
Para cumprir suas atribuições, os profissionais de risco necessitam de conhecimentos especializados em aspectos conceituais e técnicos de identificação, avaliação, mitigação e monitoramento de riscos. Além disso, precisam de um excelente conhecimento das exigências regulamentares para garantir a conformidade do negócio e devem compreender os processos do negócio, sua capacidade, restrições e vulnerabilidades.
Qual é considerada a responsabilidade primordial da função de risco?
A primeira e mais importante responsabilidade da função de risco é estabelecer um processo que permita à organização definir o seu apetite ao risco. Uma gestão adequada de riscos só pode ocorrer quando o apetite para esses riscos está estabelecido, pois isso define todos os demais parâmetros de gestão de risco de uma organização.
O que é necessário para que a definição do apetite ao risco seja relevante, específica e acionável?
Para que a definição do apetite ao risco seja relevante, específica e acionável, é necessário um processo maduro de gestão de riscos.
Quais etapas são envolvidas na avaliação dos riscos que uma empresa está disposta a assumir e na manutenção dos sistemas de gestão de riscos?
A avaliação dos riscos que uma empresa está disposta a assumir e a manutenção de sistemas de gestão de riscos e de controle interno exigem a identificação dos principais riscos que podem impactar negativamente os objetivos do negócio. Também é preciso avaliar a exposição atual a esses riscos e definir controles adicionais, caso esta exposição seja considerada excessiva em relação aos limites definidos pelo apetite ao risco.
Qual a importância da proporcionalidade e do equilíbrio na gestão de riscos voltada ao negócio?
A proporcionalidade e o equilíbrio são fundamentais para uma gestão de riscos eficiente e voltada ao negócio. Isso significa que não se busca a ausência de riscos ou controles a todo custo. É necessário equilibrar a exposição ao risco e os respectivos controles com seus custos, restrições e impactos em processos. Uma boa cultura de risco não implica necessariamente maior aversão ao risco, mas sim esse equilíbrio.
Qual o papel da função de risco no monitoramento da exposição ao risco de uma organização?
É atribuição fundamental da função de risco fornecer uma visão consolidada do perfil de risco do negócio. Além disso, é sua responsabilidade informar o Comitê Executivo sobre o grau em que o negócio está respeitando – ou violando – os limites definidos pelo apetite ao risco.
O que é exigido da função de risco para implementar um programa de indicadores chave de risco bem-sucedido?
Para implementar um programa de indicadores chave de risco bem-sucedido, a função de risco precisa ter grande visibilidade sobre a condução das operações no negócio. Também é necessária uma grande compreensão dos fatores de risco que impactam o negócio, bem como das possíveis métricas usadas para medir esses fatores de risco.
Como os indicadores chave de risco (KRI) contribuem para o controle do apetite ao risco?
Os indicadores chave de risco (KRI) são uma forma muito eficaz de controlar o apetite ao risco no nível operacional. Isso é feito alinhando o limite desses indicadores com as prioridades de negócios e as declarações de tolerância ao risco.
O monitoramento de riscos deve se limitar aos processos diários do negócio?
Não, o monitoramento de riscos não se limita aos processos diários de negócio. Ele deve se estender aos riscos e ameaças futuras, incluindo aquelas decorrentes de mudanças significativas no ambiente empresarial, sejam elas competitivas, tecnológicas, regulamentares, sociais ou políticas. O monitoramento constante do ambiente pode ser de primordial importância na identificação precoce e mitigação de potenciais ameaças.
Qual é a terceira atribuição fundamental da função de risco em relação às decisões de negócio?
A terceira atribuição fundamental da função de risco é atuar como uma caixa de ressonância do negócio em relação a decisões que possam alterar o perfil de risco da organização. Essas decisões empresariais podem envolver novos empreendimentos, acordos comerciais, aquisições, novos produtos ou mercados, investimentos ou desinvestimentos.
O que é necessário para que a função de risco possa efetivamente desafiar as decisões do negócio?
Para cumprir seu papel de desafiar o negócio, a função de risco precisa ter autoridade delegada suficiente. Essa autoridade deve permitir congelar decisões da organização que possam contradizer os requisitos regulamentares, um possível escrutínio regulamentar futuro, ou exceder o apetite ao risco sem o devido reconhecimento do aconselhamento fornecido.
O que são estruturas de gestão de risco?
Estruturas de gestão de risco são arcabouços técnicos que ajudam os profissionais de risco a compreender como os riscos e os controles funcionam ou deveriam operar dentro de uma organização.
Como uma estrutura de gestão de risco deve ser percebida pelas áreas de negócio?
Uma estrutura de gestão de risco não precisa e nem deve ser uma preocupação ou um fardo para as áreas de negócio. Pelo contrário, os profissionais de risco que operam eficientemente podem fazê-la funcionar como uma "estrutura invisível".
O que se entende por "estrutura invisível de gestão de riscos"?
Uma "estrutura invisível de gestão de riscos" prioriza o conteúdo e a intenção da gestão de risco sobre termos e ferramentas técnicas. O objetivo é que todos os colaboradores façam a gestão de seus riscos implicitamente, como parte de suas atividades diárias, sem necessariamente pensar nisso de forma técnica. Trata-se de uma estrutura que permite aos especialistas em risco comunicar requisitos e prioridades ao negócio sem o peso do jargão, tornando a estrutura efetivamente "invisível".
Qual o objetivo de uma estrutura invisível de gestão de riscos em relação à comunicação com o negócio?
O objetivo é permitir que os especialistas em risco atinjam níveis suficientes de conhecimento e conforto na manipulação de conceitos e técnicas de gestão de riscos para que possam comunicar seus requisitos e prioridades ao negócio sem o peso do jargão e da técnica. Isso torna a estrutura de gestão de riscos "invisível" para as áreas de negócio, facilitando a sua adoção.
Quais atitudes da função de risco podem auxiliar as organizações a operar uma "estrutura invisível de gestão de riscos"?
Três atitudes conscientes da função de risco podem ajudar as organizações a operar uma "estrutura invisível de gestão de riscos":1. Utilizar a linguagem do negócio.2. Alavancar processos e práticas existentes.3. Fornecer orientação e usar sistemas para coletar e analisar informações.
Por que é importante para a função de risco utilizar a linguagem do negócio ao invés de jargões técnicos?
A utilização de jargão e vocabulário técnico específico de risco frequentemente atrapalha um relacionamento construtivo entre a função de risco e os executivos de negócios. Isso pode reforçar a falsa impressão de que a gestão de riscos é uma atribuição exclusiva da função de risco. Não há necessidade de sobrecarregar o negócio com linguagem específica de risco; traduzir termos técnicos para discussões da vida real é uma forma poderosa de obter informações relevantes.
Como a função de risco pode traduzir terminologias de risco em questões mais acessíveis para as áreas de negócio?
Existem muitas maneiras de traduzir terminologias de risco em questões concretas e orientadas para os negócios. Por exemplo:
  • A pergunta "Quais são os seus principais riscos?" pode ser transformada em "O que poderia acontecer que poderia impactar o alcance de seus objetivos?" ou "Quais são as suas principais preocupações para o seu negócio?"
  • Workshops de cenários poderiam começar com perguntas como "Quais são os maiores incidentes que você sofreu nos últimos anos?" e "Quais são as piores coisas que podem acontecer ao seu negócio?"
  • Discussões sobre limites de apetite ao risco poderiam ser traduzidas em "Com o que você se sente confortável?" ou "Quanto dinheiro você está pronto para colocar em jogo?"
Mesmo que gestores seniores estejam familiarizados com a linguagem do risco, muitos outros colaboradores não estão, tornando essa tradução essencial.
De que forma a função de risco pode ser melhor aceita e integrada ao negócio?
Sendo a função de risco uma função de suporte, ela será melhor aceita se tender a se ajustar às preocupações do negócio, e não o contrário. As práticas de gestão de risco mais bem-sucedidas, aceitas e incorporadas são aquelas que abrangem as prioridades e preocupações do negócio, em vez de tentar adaptar o negócio às opiniões e preocupações da função de risco.
Quais capacidades são exigidas da função de risco para operacionalizar uma estrutura invisível e se alinhar com as prioridades do negócio?
A operacionalização de uma estrutura invisível exige capacidades avançadas da função de risco, não apenas em sua disciplina central (risco), mas também na demonstração de compreensão suficiente do negócio. Isso permite que os profissionais de risco se coloquem no lugar de seus pares na 1ª linha de defesa e se relacionem com as suas prioridades.
Qual deve ser o foco principal do argumento da função de riscos ao justificar práticas como reporte de incidentes ou análise de cenários?
O foco principal do argumento da função de riscos deve ser a proteção dos ativos da empresa, dos objetivos de lucros e perdas, e da entrega da estratégia. Por exemplo, a razão para completar um reporte de incidente não é primariamente a conformidade regulamentar, mas sim essa proteção. Da mesma forma, a análise de cenários surge mais da necessidade de proteção contra grandes perdas potenciais do que da necessidade de cálculos de capital. Embora a conformidade com regulamentos seja importante, proteger os ativos e objetivos da empresa é uma meta principal mais eficaz para o gerenciamento de riscos.
Qual a importância da orientação e do suporte da função de risco para as áreas de negócio ao implementar práticas de gestão de riscos?
A orientação é tão importante quanto a motivação e a inspiração para influenciar comportamentos. Quando os especialistas em risco exigem que a organização "monitore os seus riscos" ou "avalie os seus riscos" sem explicar adequadamente o que isso significa, como fazê-lo concretamente e apoiá-los ao longo do processo, é muito provável que esse processo resulte em pouco valor. Todos precisam estar dispostos e serem capazes de agir.
Como a função de risco deve conduzir atividades como <em>workshops</em> de identificação de riscos em uma estrutura invisível?
Numa estrutura invisível de gestão de risco, tarefas como a realização de workshops de identificação de riscos, autoavaliação de riscos e controles, e análise de cenários não são simplesmente delegadas para a 1ª linha de defesa. Elas são facilitadas pela função de risco, com o envolvimento do negócio, mas com orientação, preparação e informação de base suficientes fornecidas pela função de risco.
Qual o papel da tecnologia e dos sistemas de comunicação na garantia de um processo contínuo sobre eventos, riscos e controles?
A tecnologia integrada, o suporte via sistemas e, em particular, a estrutura de comunicação de riscos e incidentes são de primordial importância para garantir um processo de comunicação contínuo sobre eventos, riscos e controles. Requisitos de relatórios e informações que aproveitem usos pré-existentes pela organização têm muito mais probabilidade de serem adotados com sucesso, destacando os benefícios de uma estrutura invisível.
Quais são os benefícios de operar uma "estrutura invisível" de gestão de riscos para a função de risco e para a organização?
Ao operar uma "estrutura invisível", a função de risco tem mais chances de ser aceita e respeitada. Isso ocorre porque ela interage com o negócio em seu próprio terreno, adotando sua perspectiva e linguagem, sem perder de vista o objetivo final: um negócio mais seguro, com excelência operacional e rentabilidade a longo prazo. Os profissionais de risco podem manter os aspectos técnicos para si e fornecer assistência eficaz e de valor agregado às linhas de negócio, resultando na melhoria da adesão, da cultura de risco e da conformidade na organização.

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Victor Machado

Director, Risk Management @Mastercard | Turning risks into opportunities | Doing well by doing good