Artigo
29/06/2025

Estrutura de Apetite à Risco para Riscos Não Financeiros e sua Governança

Explica como estruturar e governar o apetite a riscos não financeiros em organizações.

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Uma Estrutura de Apetite à Risco (Risk Appetite Framework - RAF) define o nível máximo de risco que uma organização está disposta a aceitar para perseguir o seu plano de negócios e objetivos estratégicos de longo prazo, tendo em conta os interesses das partes interessadas e os requisitos regulamentares específicos de risco. Seu desenho e parametrização devem envolver todas as Três Linhas de Defesa uma vez que, dado o seu propósito estratégico, incorporar uma avaliação organizacional completa é essencial para tornar a Estrutura de Apetite à Risco uma ferramenta de orientação eficiente.

O conceito de apetite à risco evoluiu muito ao longo dos últimos anos, atingindo a maturidade não só através de novas normas regulamentares, mas também dos esforços práticos e dos ajustes contínuos das organizações. Atualmente, os conceitos fundamentais subjacentes a uma Estrutura de Apetite à Risco padrão, reconhecidos por unanimidade pelos reguladores e aplicados transversalmente aos riscos financeiros e não financeiros, são: “apetite”, “capacidade” e “limite”. Esses conceitos expressam como o risco é medido e os limites relevantes são monitorados, ou seja:

• Apetite à Risco: Declaração expressa e formal relativa aos níveis de riscos que uma entidade está disposta a aceitar no seu esforço para atingir os seus objetivos estratégicos. Pode ser expresso como uma medida quantitativa ou como uma frase qualitativa. Quando detalhado a nível de métrica / indicador, é frequentemente identificado como “alvo” e fornece o limiar de referência para o desenvolvimento e orientação do negócio, indicando o nível de risco considerado ideal para a organização.

• Capacidade de Risco: Entendida como o nível máximo de risco que pode ser tolerado pela entidade, antes de violar restrições relevantes (regulatórias ou internas). Valores superiores a esse são considerados inaceitáveis, e tanto a alta administração como o conselho devem levar isso em consideração ao tomarem decisões de risco, tanto em condições normais como em condições de estresse.

• Meta / Atenção / Limite de Risco: Limites quantitativos que propagam o apetite à risco agregado no nível operacional da organização (linha de negócios, departamento, etc.). Eles representam o desvio máximo aceitável do nível-alvo e devem ser definidos deixando espaço suficiente para operar também em condições de estresse.

Os Três Níveis de uma Estrutura de Apetite à Risco

Considerando as definições acima, as organizações normalmente definem três níveis diferentes nas suas Estrutura de Apetite à Risco:

Nível 1: Declaração Geral de Apetite à Risco (Risk Appetite Statement - RAS)

É uma declaração formal de alto nível que define os tipos e níveis de riscos que podem ser assumidos na perseguição dos objetivos estratégicos de negócio, para cada tipo de risco. Para que uma RAS seja acionável, ela deve conter uma indicação expressa de:

Princípios fundamentais que orientam a resposta aos riscos não financeiros, a serem transpostos para métricas de apetite ao risco.

Atividades proibidas para a organização às quais se aplica “tolerância zero”.

Essa declaração, e, especial para riscos não financeiros, desempenha um papel fundamental, e, portanto, deve ser suficientemente estruturada e específica para fornecer orientação e implicações acionáveis para as decisões de gestão de risco.

Como boa prática, os seguintes quatro elementos devem ser abordados na declaração para cada tipo de risco:

  • Definir a ambição da organização em relação à conformidade regulamentar (por exemplo, conformidade com os requisitos mínimos aplicáveis versus a conformidade total com os requisitos não obrigatórios).

  • Traduzir ambição em objetivos, expressos, por exemplo, em termos de operações internas e interações com clientes.

  • Expressão de mecanismos de monitoramento através dos quais é possível reconhecer o progresso em direção ao objetivo.

  • Identificação dos padrões pelos quais a organização mede o seu desempenho.

Abaixo segue um exemplo de uma Declaração Geral de Apetite à Risco de uma instituição financeira relacionada ao risco de conformidade (compliance):

A Instituição Financeira está empenhada em cumprir todos os regulamentos e legislação aplicáveis ao longo das suas operações e em cooperar com as autoridades para identificar, prevenir e eliminar atividades, práticas e comportamentos que conduzam a violações. A Organização monitoriza continuamente o seu desempenho de conformidade e inicia ações corretivas conforme necessário, sempre de acordo com as normas nacionais e internacionais estabelecidas.”

Nível 2: Tolerância dos fatores de riscos

Deve-se então definir os fatores de risco (eventos que precisam ocorrer nas atividades / processos da organização para a materialização do risco) nos quais os riscos declarados na RAS podem ser desagregados e seus respectivos limites de tolerância definidos.

Geralmente ligado a medidas de risco residual capturadas por uma avaliação de risco, este é o passo principal para permitir a mensuração e o monitoramento do desempenho da organização em relação aos objetivos e limites de apetite à risco aplicáveis.

Para riscos não financeiros, uma das melhores ferramentas para executar esta etapa é a utilização dos resultados de uma avaliação de risco que permita análises mais profundas sobre riscos específicos, fornecendo ao mesmo tempo uma visão holística dos riscos e seus respectivos níveis de prioridade / criticidade. Uma avaliação de riscos executada através de um Mapa de Calor de Riscos Residuais pode ser uma boa ferramenta para definir os diferentes fatores de risco e seus respectivos limites de tolerância.

Nível 3: Indicadores e limites de risco detalhados

O Nível 3 representa o cascateamento da Estrutura de Apetite à Risco até o nível das linhas de negócio e suporte através de Indicadores Chave de Risco (KRIs) específicos, que permitem a detecção precoce de potenciais desvios dos objetivos de apetite ao risco, facilitando a intervenção tempestiva. Os KRIs permitem à organização medir e monitorar o desempenho das métricas de apetite ao risco definidas e definir limites de tolerância detalhados (meta, atenção, limite) para cada um.

A seguinte sequência de três filtros pode ser usada para selecionar os KRIs que são coletivamente mais significativos para esse processo:

Filtro 1: Identificação dos indicadores candidatos

Aqui deve-se focar nas áreas / operações onde o risco inerente é mais elevado (por exemplo, para o risco de lavagem de dinheiro, selecionar indicadores sobre clientes que operam em setores de alto risco, como jogos e apostas). Além disso, conclusões resultantes de inspeções externas, avaliações internas ou áreas críticas afetadas por alterações regulamentares recentes também podem representar fontes relevantes para a identificação de KRIs.

Pode-se também adotar regras para garantir que os riscos explorados sejam corretamente equilibrados, com o objetivo de alcançar um enfoque adequado no monitoramento de riscos mais críticos. Por exemplo, pode ser decidido que riscos / fatores de risco “médio” não podem ter um número maior de KRIs do que riscos / fatores de risco “alto”.

Filtro 2: Adequabilidade para rastreamento de apetite

A seleção inicial de potenciais KRIs é submetida então a um exame mais aprofundado, com o objetivo de identificar aqueles cujas características têm maior probabilidade de garantir uma mensuração confiável e relevante. Essa avaliação é geralmente realizada em três dimensões:

1. Viabilidade: É fundamental avaliar a facilidade com que cada indicador pode ser medido a partir da informação existente ou a necessidade de implementar novos processos / ferramentas para realizar essa mensuração.

2. Disponibilidade: Indicadores baseados em dados que são significativos e normalmente usados em outros processos podem ser mais facilmente explicados e avaliados quanto à sua consistência.

3. Relevância Regulatória: Os indicadores devem capturar dimensões que são especificamente visadas pelos requisitos regulamentares aplicáveis e que, por esta razão, podem ser áreas típicas de investigação para autoridades e outras funções de controle.

Filtro 3: Julgamento de especialistas

Os especialistas no assunto normalmente refinam a escolha final com base em:

• Riscos emergentes no mercado.

• Identificação de peculiaridades de determinados indicadores (indicadores que possam apresentar variabilidade excessiva ou que não sejam monitoráveis entre diferentes grupos de clientes, por exemplo).

• Identificação de complementaridade entre indicadores, que pode ser explorada para fornecer uma representação mais completa do seu desempenho / risco associado.

A Governança de uma Estrutura de Apetite à Risco

Para permitir o apoio às decisões de negócio, a Estrutura de Apetite à Risco de uma organização deve ser apoiada por uma governança forte, com papéis claros para todas as partes interessadas envolvidas em todos os seus níveis (conselho de administração, alta gestão, linhas de negócio, funções de risco e controle, entidades jurídicas, etc.). Como parte do quadro global de governança corporativa, espera-se que as declarações de apetite a risco sejam utilizadas para promover discussões robustas sobre riscos e questões estratégicas, não apenas no âmbito do conselho de administração, mas também em conjunto com as funções de gestão de risco e de conformidade.

A Estrutura de Apetite à Risco também deve ser divulgada dentro da organização. Isto significa que, idealmente, devem ser estabelecidas também declarações de apetite a risco para linhas de negócio e áreas de suporte, de forma a garantir que a sua estratégia e limites de risco estejam alinhados com a declaração de apetite a risco geral da organização.

Os componentes de uma Estrutura de Apetite à Risco devem ser revisados periodicamente (em geral, anualmente), para garantir que sejam significativos, completos e atualizados. Além disso, o regulador também exige revisões independentes periódicas da Estrutura de Apetite à Risco pela função de auditoria interna.

Processo de Escalamento

Caso algum indicador viole os limiares de “atenção” (amarelo) ou “limite” (vermelho), são ativados processos de escalamento para gerir os riscos relacionados, onde devem ser enviadas comunicações para informar as áreas afetadas notificando a violação e dando início à investigação das suas causas.

Diferentes processos de escalamento são projetados para refletir a urgência específica, tempestividade e gravidade da violação, diferenciando assim entre aqueles desencadeados por uma violação do limiar de "atenção" (normalmente envolvendo comitês de risco) e aqueles desencadeados por uma violação do limiar de "limite" (normalmente envolvendo o conselho de administração). Os processos de escalonamento devem ser desenhados considerando:

• Princípios e critérios para escalamento (por exemplo, materialidade confirmada do risco, consistência com outros alertas, etc.).

• Escopo da escalada (por exemplo, em nível local, regional ou matriz).

• Envolvimento do proprietário no tipo apropriado de risco.

• Identificação de potenciais estratégias de risco a adotar (por exemplo: nenhuma ação / mitigação / eliminação / transferência).

Em relação às ações tomadas quando um indicador específico excede o limiar:

• As funções de negócio / suporte relevantes devem ser envolvidas e informadas em tempo hábil para concentrar a atenção na situação crítica e induzir uma abordagem mais prudente, mesmo antes da concepção e adoção de medidas corretivas.

• Potenciais ações corretivas devem ser propostas e definidas em conjunto com todas as áreas afetadas.

• As ações corretivas acordadas devem ser prontamente ativadas e monitoradas.

• Após a conclusão, a ação corretiva deve ser revisada pela 2ª / 3ª linhas de defesa antes das ações serem encerradas.

As opiniões dos autores convidados da nossa comunidade são independentes e não necessariamente representam a opinião da Okai.

Perguntas e respostas

O que é uma Estrutura de Apetite à Risco (RAF)?
Uma Estrutura de Apetite à Risco (RAF), do inglês Risk Appetite Framework, define o nível máximo de risco que uma organização está disposta a aceitar para perseguir seu plano de negócios e objetivos estratégicos de longo prazo. Essa definição leva em consideração os interesses das partes interessadas e os requisitos regulamentares específicos de risco.
Quem deve participar do desenho e parametrização de uma Estrutura de Apetite à Risco (RAF)?
O desenho e a parametrização de uma Estrutura de Apetite à Risco (RAF) devem envolver todas as Três Linhas de Defesa de uma organização. Isso é essencial porque, dado o propósito estratégico da RAF, incorporar uma avaliação organizacional completa é crucial para torná-la uma ferramenta de orientação eficiente.
Quais são os conceitos fundamentais de uma Estrutura de Apetite à Risco (RAF) padrão?
Os conceitos fundamentais subjacentes a uma Estrutura de Apetite à Risco (RAF) padrão, reconhecidos por reguladores e aplicados transversalmente aos riscos financeiros e não financeiros, são: “apetite”, “capacidade” e “limite”. Esses conceitos expressam como o risco é medido e como os limites relevantes são monitorados.
O que significa "Apetite à Risco" no contexto de uma Estrutura de Apetite à Risco (RAF)?
“Apetite à Risco” é uma declaração expressa e formal relativa aos níveis de riscos que uma entidade está disposta a aceitar no seu esforço para atingir os seus objetivos estratégicos. Pode ser expresso como uma medida quantitativa ou como uma frase qualitativa. Quando detalhado a nível de métrica ou indicador, é frequentemente identificado como “alvo” e fornece o limiar de referência para o desenvolvimento e orientação do negócio, indicando o nível de risco considerado ideal para a organização.
O que é "Capacidade de Risco" em uma Estrutura de Apetite à Risco (RAF)?
“Capacidade de Risco” é entendida como o nível máximo de risco que pode ser tolerado pela entidade, antes de violar restrições relevantes, sejam elas regulatórias ou internas. Valores superiores a essa capacidade são considerados inaceitáveis. Tanto a alta administração como o conselho devem levar a capacidade de risco em consideração ao tomarem decisões de risco, tanto em condições normais como em condições de estresse.
O que são "Meta / Atenção / Limite de Risco" em uma Estrutura de Apetite à Risco (RAF)?
“Meta / Atenção / Limite de Risco” são limites quantitativos que propagam o apetite à risco agregado no nível operacional da organização, como linhas de negócio ou departamentos. Eles representam o desvio máximo aceitável do nível-alvo e devem ser definidos de forma a deixar espaço suficiente para operar também em condições de estresse.
Quais são os três níveis de uma Estrutura de Apetite à Risco (RAF)?
As organizações normalmente definem três níveis diferentes nas suas Estruturas de Apetite à Risco (RAF):1. Nível 1: Declaração Geral de Apetite à Risco (Risk Appetite Statement - RAS)2. Nível 2: Tolerância dos fatores de riscos3. Nível 3: Indicadores e limites de risco detalhados
O que é uma Declaração Geral de Apetite à Risco (RAS) e o que ela deve conter?
A Declaração Geral de Apetite à Risco (RAS), do inglês Risk Appetite Statement, é uma declaração formal de alto nível que define os tipos e níveis de riscos que podem ser assumidos na perseguição dos objetivos estratégicos de negócio, para cada tipo de risco. Para que uma RAS seja acionável, ela deve conter uma indicação expressa de:• Princípios fundamentais que orientam a resposta aos riscos não financeiros, a serem transpostos para métricas de apetite ao risco.• Atividades proibidas para a organização às quais se aplica “tolerância zero”.Essa declaração, especialmente para riscos não financeiros, desempenha um papel fundamental e, portanto, deve ser suficientemente estruturada e específica para fornecer orientação e implicações acionáveis para as decisões de gestão de risco.
Quais elementos devem ser abordados em uma Declaração Geral de Apetite à Risco (RAS) para cada tipo de risco, como boa prática?
Como boa prática, os seguintes quatro elementos devem ser abordados na Declaração Geral de Apetite à Risco (RAS) para cada tipo de risco:1. Definir a ambição da organização em relação à conformidade regulamentar (por exemplo, conformidade com os requisitos mínimos aplicáveis versus a conformidade total com os requisitos não obrigatórios).2. Traduzir essa ambição em objetivos, expressos, por exemplo, em termos de operações internas e interações com clientes.3. Expressar os mecanismos de monitoramento através dos quais é possível reconhecer o progresso em direção ao objetivo.4. Identificar os padrões pelos quais a organização mede o seu desempenho.
O que é o nível de "Tolerância dos fatores de riscos" em uma Estrutura de Apetite à Risco (RAF)?
O nível de "Tolerância dos fatores de riscos" (Nível 2) envolve a definição dos fatores de risco — eventos que precisam ocorrer nas atividades ou processos da organização para a materialização do risco — e seus respectivos limites de tolerância. Estes fatores derivam dos riscos declarados na Declaração Geral de Apetite à Risco (RAS).Este passo é geralmente ligado a medidas de risco residual capturadas por uma avaliação de risco e é fundamental para permitir a mensuração e o monitoramento do desempenho da organização em relação aos objetivos e limites de apetite à risco aplicáveis. Para riscos não financeiros, uma avaliação de riscos que utilize ferramentas como um Mapa de Calor de Riscos Residuais pode ser uma boa ferramenta para definir os diferentes fatores de risco e seus respectivos limites de tolerância.
O que caracteriza o Nível 3, "Indicadores e limites de risco detalhados", de uma Estrutura de Apetite à Risco (RAF)?
O Nível 3, "Indicadores e limites de risco detalhados", representa o cascateamento da Estrutura de Apetite à Risco (RAF) até o nível das linhas de negócio e áreas de suporte. Isso é realizado através de Indicadores Chave de Risco (KRIs) específicos. Os KRIs permitem a detecção precoce de potenciais desvios dos objetivos de apetite ao risco, facilitando uma intervenção tempestiva. Eles também permitem à organização medir e monitorar o desempenho das métricas de apetite ao risco definidas e estabelecer limites de tolerância detalhados (meta, atenção, limite) para cada um.
Como são selecionados os Indicadores Chave de Risco (KRIs) para uma Estrutura de Apetite à Risco?
A seleção dos Indicadores Chave de Risco (KRIs) pode seguir uma sequência de três filtros para identificar aqueles que são coletivamente mais significativos:Filtro 1: Identificação dos indicadores candidatosNesta fase, o foco é direcionado para áreas ou operações onde o risco inerente é mais elevado. Por exemplo, para o risco de lavagem de dinheiro, podem ser selecionados indicadores sobre clientes que operam em setores de alto risco. Conclusões de inspeções externas, avaliações internas ou áreas críticas afetadas por alterações regulamentares recentes também são fontes relevantes. Pode-se adotar regras para equilibrar a exploração dos riscos, como, por exemplo, decidir que riscos ou fatores de risco “médio” não podem ter um número maior de KRIs do que riscos ou fatores de risco “alto”.Filtro 2: Adequabilidade para rastreamento de apetiteOs KRIs potenciais identificados no primeiro filtro passam por um exame mais aprofundado para selecionar aqueles cujas características asseguram uma mensuração confiável e relevante. Esta avaliação é geralmente realizada considerando três dimensões:1. Viabilidade: Avalia-se a facilidade com que cada indicador pode ser medido a partir da informação existente ou a necessidade de implementar novos processos ou ferramentas.2. Disponibilidade: Indicadores baseados em dados significativos e normalmente usados em outros processos podem ser mais facilmente explicados e avaliados quanto à sua consistência.3. Relevância Regulatória: Os indicadores devem capturar dimensões especificamente visadas pelos requisitos regulamentares aplicáveis, que podem ser áreas típicas de investigação para autoridades e outras funções de controle.Filtro 3: Julgamento de especialistasEspecialistas no assunto refinam a escolha final com base em:• Riscos emergentes no mercado.• Identificação de peculiaridades de determinados indicadores (por exemplo, indicadores com variabilidade excessiva ou que não sejam monitoráveis entre diferentes grupos de clientes).• Identificação de complementaridade entre indicadores, que pode ser explorada para fornecer uma representação mais completa do desempenho ou risco associado.
Qual a importância da governança para uma Estrutura de Apetite à Risco (RAF)?
Uma Estrutura de Apetite à Risco (RAF) deve ser apoiada por uma governança forte para permitir o apoio às decisões de negócio. Isso implica ter papéis claros para todas as partes interessadas envolvidas em todos os seus níveis, como o conselho de administração, alta gestão, linhas de negócio, funções de risco e controle, e entidades jurídicas. Como parte do quadro global de governança corporativa, espera-se que as declarações de apetite a risco sejam utilizadas para promover discussões robustas sobre riscos e questões estratégicas, não apenas no âmbito do conselho de administração, mas também em conjunto com as funções de gestão de risco e de conformidade.
Como uma Estrutura de Apetite à Risco (RAF) deve ser divulgada e mantida dentro de uma organização?
A Estrutura de Apetite à Risco (RAF) deve ser divulgada dentro da organização. Idealmente, devem ser estabelecidas declarações de apetite a risco também para linhas de negócio e áreas de suporte, assegurando que sua estratégia e limites de risco estejam alinhados com a declaração de apetite a risco geral da organização.Os componentes de uma RAF devem ser revisados periodicamente, em geral, anualmente, para garantir que sejam significativos, completos e atualizados. Além disso, o regulador também exige revisões independentes periódicas da RAF pela função de auditoria interna.
O que é o processo de escalamento em uma Estrutura de Apetite à Risco (RAF) e quando ele é ativado?
O processo de escalamento é um mecanismo ativado caso algum indicador de risco viole os limiares de “atenção” (geralmente representado pela cor amarela) ou “limite” (geralmente representado pela cor vermelha). Quando isso ocorre, são iniciados processos para gerir os riscos relacionados. Devem ser enviadas comunicações para informar as áreas afetadas, notificando a violação e dando início à investigação das suas causas.
Como são diferenciados os processos de escalamento em uma Estrutura de Apetite à Risco (RAF)?
Diferentes processos de escalamento são projetados para refletir a urgência específica, a tempestividade e a gravidade da violação do limiar. Assim, há uma diferenciação entre:• Processos desencadeados por uma violação do limiar de "atenção": estes normalmente envolvem comitês de risco.• Processos desencadeados por uma violação do limiar de "limite": estes normalmente envolvem o conselho de administração.Os processos de escalonamento devem ser desenhados considerando: princípios e critérios para escalamento (por exemplo, materialidade confirmada do risco, consistência com outros alertas), escopo da escalada (por exemplo, em nível local, regional ou matriz), envolvimento do proprietário no tipo apropriado de risco, e identificação de potenciais estratégias de risco a adotar (por exemplo: nenhuma ação, mitigação, eliminação, transferência).
Quais ações devem ser tomadas quando um indicador específico excede um limiar em uma Estrutura de Apetite à Risco (RAF)?
Quando um indicador específico excede um limiar estabelecido, as seguintes ações devem ser tomadas:• As funções de negócio ou suporte relevantes devem ser envolvidas e informadas em tempo hábil. O objetivo é concentrar a atenção na situação crítica e induzir uma abordagem mais prudente, mesmo antes da concepção e adoção de medidas corretivas.• Potenciais ações corretivas devem ser propostas e definidas em conjunto com todas as áreas afetadas.• As ações corretivas acordadas devem ser prontamente ativadas e monitoradas.• Após a conclusão, a ação corretiva deve ser revisada pela segunda ou terceira linha de defesa antes que as ações sejam formalmente encerradas.
Qual o papel das Três Linhas de Defesa no desenvolvimento e manutenção de uma Estrutura de Apetite à Risco (RAF)?
O desenho e a parametrização de uma Estrutura de Apetite à Risco (RAF) devem envolver todas as Três Linhas de Defesa. Embora o papel específico de cada linha não seja detalhado exaustivamente, é mencionado que a segunda e a terceira linhas de defesa devem revisar as ações corretivas tomadas após a violação de um limiar, antes que essas ações sejam encerradas. Adicionalmente, a função de auditoria interna, geralmente considerada parte da terceira linha de defesa, é responsável por realizar revisões independentes periódicas da RAF, conforme exigência do regulador.
Como os riscos não financeiros são abordados especificamente em uma Estrutura de Apetite à Risco (RAF)?
Para riscos não financeiros, a Declaração Geral de Apetite à Risco (RAS) desempenha um papel fundamental e deve ser suficientemente estruturada e específica para fornecer orientação e implicações acionáveis para as decisões de gestão de risco. A RAS deve conter uma indicação expressa de princípios fundamentais que orientam a resposta a esses riscos, os quais devem ser transpostos para métricas de apetite ao risco.No Nível 2 da RAF (Tolerância dos fatores de riscos), para riscos não financeiros, uma das melhores ferramentas é a utilização dos resultados de uma avaliação de risco. Isso permite análises mais profundas sobre riscos específicos, fornecendo ao mesmo tempo uma visão holística dos riscos e seus respectivos níveis de prioridade ou criticidade.
O que é um Mapa de Calor de Riscos Residuais e qual sua utilidade em uma Estrutura de Apetite à Risco (RAF)?
Um Mapa de Calor de Riscos Residuais é uma ferramenta que pode ser utilizada na definição dos diferentes fatores de risco e seus respectivos limites de tolerância, especialmente no contexto de riscos não financeiros. Sua utilidade em uma Estrutura de Apetite à Risco (RAF) reside em auxiliar na execução da etapa de "Tolerância dos fatores de riscos" (Nível 2 da RAF). Ao empregar os resultados de uma avaliação de risco apresentados em um Mapa de Calor, as organizações podem realizar análises mais profundas sobre riscos específicos e obter uma visão holística dos riscos, incluindo seus níveis de prioridade ou criticidade. Embora uma definição detalhada do que constitui um Mapa de Calor de Riscos Residuais não seja fornecida, sua aplicação é indicada como uma boa prática para esta etapa da RAF.

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Victor Machado

Director, Risk Management @Mastercard | Turning risks into opportunities | Doing well by doing good