Artigo
24/01/2025

Analisando os Requisitos da Estrutura de Gerenciamento de Riscos

Explica os requisitos da estrutura de gerenciamento de riscos para instituições financeiras conforme a Resolução CMN 4.557/17.

Imagem de capa do artigo

Resolução CMN 4.557/17 é o marco regulatório para a gestão de riscos nas instituições financeiras brasileiras. Ao estabelecer uma estrutura abrangente para identificar, medir, monitorar e mitigar riscos, essa norma visa fortalecer a resiliência do sistema financeiro. Neste artigo, vamos desvendar os principais requisitos da estrutura de gerenciamento de riscos e apresentar um guia prático para sua implementação eficaz, auxiliando as instituições a protegerem seu patrimônio e a garantirem a continuidade de seus negócios.

Compreendendo o Artigo 6º da Resolução - Estrutura de gerenciamento de riscos

O artigo 6º da resolução estabelece um conjunto robusto de requisitos para a estrutura de gerenciamento de riscos de uma instituição financeira. Essa estrutura deve ser capaz de identificar, medir, avaliar, monitorar, reportar, controlar e mitigar os principais tipos de riscos aos quais a instituição está exposta.

Os principais riscos abordados na resolução são:

  • Risco de Crédito: Relacionado à possibilidade de uma contraparte (cliente, fornecedor, etc.) não honrar suas obrigações financeiras;
  • Risco de Mercado: Decorrente de flutuações nos preços de mercado (ações, títulos, commodities, etc.), taxas de câmbio e taxas de juros;
  • Risco de Taxa de Juros (IRRBB): Associado à variação das taxas de juros sobre os instrumentos financeiros da carteira bancária;
  • Risco Operacional: Resultante de falhas nos processos internos, pessoas e sistemas, ou eventos externos;
  • Risco de Liquidez: Relacionado à capacidade da instituição de honrar suas obrigações financeiras à vista ou em curto prazo
  • Risco Social: Relacionado a temas como tratamento igualitário, direitos humanos e combate a trabalho escravo;
  • Risco Ambiental: Oriundo de impactos ambientais nos produtos e serviços ou como esses podem impactar o meio ambiente;
  • Risco Climático: Decorrente dos impactos climáticos de longo prazo através de mudanças perenes; e
  • Risco País e de transferência.

Um ponto essencial que a norma trás é que esses riscos não devem ser analisados de forma individual e segregada, já que muitas vezes vamos ver que um processo, serviço ou produto não abrange apenas um risco, mas sim uma comunhão de impactos com diferentes pesos e abordagens. Portanto, o gerenciamento de riscos deve ser integrado, holístico e dinâmico.

Vamos abaixo entender um pouco mais destes conceitos:

Holística: Abrangência e Visão Sistêmica

  • Todos os aspectos do negócio: A gestão de riscos não se limita a áreas específicas, como finanças. Deve englobar todas as operações, desde a cadeia de suprimentos até a gestão de pessoas;
  • Interconexões: É preciso considerar como os diferentes riscos se interligam e se amplificam mutuamente. Por exemplo, um problema operacional pode gerar um risco de reputação, que por sua vez pode afetar o crédito da empresa; e
  • Cenários complexos: A estrutura deve ser capaz de lidar com cenários complexos e interdependentes, como crises globais ou mudanças climáticas.

Dinâmica: Flexibilidade e Adaptabilidade

  • Evolução constante: Os riscos emergem e se transformam rapidamente. A estrutura de gerenciamento deve ser ágil para acompanhar essas mudanças;
  • Monitoramento contínuo: É fundamental monitorar o ambiente interno e externo da empresa de forma contínua para identificar novos riscos e reavaliar os existentes; e
  • Atualização periódica: A estrutura deve ser revisada e atualizada periodicamente para garantir sua adequação às novas realidades.

Integrada: Alinhamento com os Processos de Negócio

  • Incorporação aos processos: A gestão de riscos não deve ser um processo isolado. Deve estar integrada aos processos de planejamento, execução e controle da empresa;
  • Cultura organizacional: É essencial que a gestão de riscos seja parte da cultura organizacional, com todos os colaboradores engajados na identificação e mitigação de riscos;
  • Tomada de decisão: A gestão de riscos deve influenciar as decisões estratégicas e operacionais da empresa.

Políticas e Estratégias de Gerenciamento de Riscos

  • Documentação clara: A documentação deve ser precisa e concisa, detalhando os procedimentos a serem seguidos em cada etapa do processo de gestão de riscos;
  • Limites e procedimentos: A definição de limites claros para cada tipo de risco é fundamental para garantir que a exposição da organização esteja dentro do aceitável. Os procedimentos devem descrever como esses limites serão monitorados e como agir em caso de desvios; e
  • Alinhamento com a RAS (Declaração de Apetite a Risco): Todas as políticas e estratégias devem estar alinhadas com a RAS, que define o nível de risco que a organização está disposta a assumir.

Processos Efetivos de Rastreamento e Reporte

  • Rastreamento contínuo: A instituição deve monitorar continuamente os riscos, utilizando indicadores e métricas relevantes;
  • Exceções: Qualquer desvio em relação aos limites e políticas estabelecidos deve ser considerado uma exceção e reportado imediatamente;
  • Relatórios tempestivos: Os relatórios sobre a exposição aos riscos devem ser gerados com frequência e distribuídos para os responsáveis pela tomada de decisão; e
  • Escalonamento: Deve existir um processo claro para escalonar as exceções aos níveis adequados de gestão.

Sistemas, Rotinas e Procedimentos

  • Ferramentas e tecnologias: Abrange a utilização de softwares, sistemas e ferramentas específicas para identificar, medir, monitorar e controlar os riscos;
  • Processos: São os fluxos de trabalho e as atividades que compõem o ciclo de gestão de riscos, desde a identificação até o tratamento dos riscos; e
  • Procedimentos: São as instruções detalhadas para a execução de cada atividade dentro dos processos.

Avaliação Periódica

  • Revisão contínua: A estrutura de gerenciamento de riscos não é estática e deve ser revisada periodicamente para garantir sua adequação às mudanças do ambiente de negócios e às novas regulamentações; e
  • Identificação de deficiências: A avaliação deve identificar as falhas e as oportunidades de melhoria na estrutura de gerenciamento de riscos.

Identificação Prévia de Riscos

  • Novos produtos e serviços: A avaliação dos riscos associados a novos produtos e serviços é fundamental para evitar surpresas e minimizar perdas;
  • Mudanças significativas: Qualquer alteração nos processos, sistemas ou modelo de negócio pode gerar novos riscos ou intensificar os riscos existentes;
  • Estratégias de proteção: As estratégias de hedge e as iniciativas de assunção de riscos devem ser cuidadosamente analisadas quanto aos seus potenciais riscos e benefícios;
  • Reorganizações societárias: As fusões, aquisições e outras reorganizações societárias podem gerar novos riscos e devem ser devidamente avaliadas; e
  • Alterações macroeconômicas: As mudanças no cenário econômico podem impactar significativamente os negócios da instituição e devem ser monitoradas de perto.

Papéis e Responsabilidades

  • Definição de papéis: Cada membro da equipe deve ter suas responsabilidades claramente definidas em relação à gestão de riscos.
  • Prestação de serviços terceirizados: Os prestadores de serviços terceirizados também devem ter suas responsabilidades definidas e devem ser integrados ao processo de gestão de riscos.

Programa de Testes de Estresse

  • Cenários adversos: Os testes de estresse simulam cenários adversos para avaliar a resiliência da instituição e identificar as áreas mais vulneráveis.

Avaliação Contínua da Eficácia

  • Resultados dos testes de estresse: Os resultados dos testes de estresse são uma importante fonte de informação para avaliar a eficácia das estratégias de mitigação de riscos.
  • Outros indicadores: Além dos testes de estresse, outros indicadores de desempenho podem ser utilizados para avaliar a eficácia da gestão de riscos.

Gestão da Continuidade de Negócios

  • Planos de contingência: A instituição deve ter planos de contingência para lidar com eventos que possam interromper suas operações.

Relatórios Gerenciais

  • Transparência: Os relatórios gerenciais devem fornecer uma visão clara e transparente da exposição aos riscos da instituição.
  • Tomada de decisão: Os relatórios devem ser utilizados para informar a diretoria, o comitê de riscos e o conselho de administração e subsidiar a tomada de decisões.

Conclusão

Em resumo, a resolução estabelece um framework sólido para a gestão de riscos, visando proteger a instituição, seus clientes e seus stakeholders. Ao cumprir esses requisitos, as instituições financeiras demonstram um compromisso com a solidez e a sustentabilidade do negócio.

A resolução institui um arcabouço normativo abrangente para a gestão de riscos, objetivando preservar a integridade institucional, a confiança dos clientes e o valor para os stakeholders.

 O cumprimento dos requisitos estabelecidos pela resolução atesta o compromisso das instituições financeiras com a solidez patrimonial, a continuidade operacional e a sustentabilidade a longo prazo.

 Ao adotar a estrutura de gestão de riscos proposta, as instituições financeiras demonstram proatividade na mitigação de riscos, alinhamento com as melhores práticas de mercado e fortalecimento da governança corporativa.

As opiniões dos autores convidados da nossa comunidade são independentes e não necessariamente representam a opinião da Okai.

Perguntas e respostas

O que é a Resolução CMN 4.557/17?
A Resolução CMN 4.557/17 é o marco regulatório para a gestão de riscos nas instituições financeiras brasileiras, estabelecendo uma estrutura abrangente para identificar, medir, monitorar e mitigar riscos.
Quais são os principais tipos de riscos abordados pela Resolução CMN 4.557/17?
Os principais riscos abordados são: risco de crédito, risco de mercado, risco de taxa de juros (IRRBB), risco operacional, risco de liquidez, risco social, risco ambiental, risco climático e risco país e de transferência.
O que é risco de crédito?
Risco de crédito está relacionado à possibilidade de uma contraparte (cliente, fornecedor, etc.) não honrar suas obrigações financeiras.
O que é risco de mercado?
Risco de mercado decorre de flutuações nos preços de mercado (ações, títulos, commodities, etc.), taxas de câmbio e taxas de juros.
O que é risco de taxa de juros (IRRBB)?
Risco de taxa de juros (IRRBB) está associado à variação das taxas de juros sobre os instrumentos financeiros da carteira bancária.
O que é risco operacional?
Risco operacional resulta de falhas nos processos internos, pessoas e sistemas, ou eventos externos.
O que é risco de liquidez?
Risco de liquidez está relacionado à capacidade da instituição de honrar suas obrigações financeiras à vista ou em curto prazo.
O que é risco social?
Risco social está relacionado a temas como tratamento igualitário, direitos humanos e combate a trabalho escravo.
O que é risco ambiental?
Risco ambiental é oriundo de impactos ambientais nos produtos e serviços ou como esses podem impactar o meio ambiente.
O que é risco climático?
Risco climático decorre dos impactos climáticos de longo prazo através de mudanças perenes.
O que é risco país e de transferência?
Risco país e de transferência está relacionado a riscos associados a mudanças políticas, econômicas e sociais em um país que podem afetar a capacidade de uma instituição de transferir fundos para fora do país.
Como deve ser o gerenciamento de riscos segundo a Resolução CMN 4.557/17?
O gerenciamento de riscos deve ser integrado, holístico e dinâmico, considerando que um processo, serviço ou produto pode abranger múltiplos riscos com diferentes pesos e abordagens.
O que significa uma abordagem holística na gestão de riscos?
Uma abordagem holística na gestão de riscos envolve considerar todos os aspectos do negócio, as interconexões entre diferentes riscos e a capacidade de lidar com cenários complexos e interdependentes.
O que significa uma abordagem dinâmica na gestão de riscos?
Uma abordagem dinâmica na gestão de riscos implica em evolução constante, monitoramento contínuo do ambiente interno e externo, e atualização periódica da estrutura de gerenciamento de riscos.
O que significa uma abordagem integrada na gestão de riscos?
Uma abordagem integrada na gestão de riscos significa incorporar a gestão de riscos aos processos de planejamento, execução e controle da empresa, alinhando-a com a cultura organizacional e a tomada de decisão.
Quais são os elementos essenciais das políticas e estratégias de gerenciamento de riscos?
Os elementos essenciais incluem documentação clara, definição de limites e procedimentos, e alinhamento com a Declaração de Apetite a Risco (RAS).
O que é a Declaração de Apetite a Risco (RAS)?
A Declaração de Apetite a Risco (RAS) define o nível de risco que a organização está disposta a assumir.
Quais são os processos efetivos de rastreamento e reporte de riscos?
Os processos incluem rastreamento contínuo, reporte de exceções, geração de relatórios tempestivos e escalonamento das exceções aos níveis adequados de gestão.
Quais são os componentes dos sistemas, rotinas e procedimentos de gestão de riscos?
Os componentes incluem ferramentas e tecnologias, processos e procedimentos detalhados para a execução de cada atividade dentro dos processos de gestão de riscos.
Por que é importante a avaliação periódica da estrutura de gerenciamento de riscos?
A avaliação periódica é importante para garantir a adequação da estrutura às mudanças do ambiente de negócios e às novas regulamentações, além de identificar deficiências e oportunidades de melhoria.
Quais são os fatores a serem considerados na identificação prévia de riscos?
Os fatores incluem novos produtos e serviços, mudanças significativas nos processos, estratégias de proteção, reorganizações societárias e alterações macroeconômicas.
Qual a importância da definição de papéis e responsabilidades na gestão de riscos?
A definição de papéis e responsabilidades é essencial para que cada membro da equipe e prestadores de serviços terceirizados saibam suas atribuições em relação à gestão de riscos.
O que é um programa de testes de estresse?
Um programa de testes de estresse simula cenários adversos para avaliar a resiliência da instituição e identificar as áreas mais vulneráveis.
Como avaliar continuamente a eficácia da gestão de riscos?
A eficácia da gestão de riscos pode ser avaliada através dos resultados dos testes de estresse e outros indicadores de desempenho.
O que é gestão da continuidade de negócios?
Gestão da continuidade de negócios envolve a criação de planos de contingência para lidar com eventos que possam interromper as operações da instituição.
Qual a importância dos relatórios gerenciais na gestão de riscos?
Os relatórios gerenciais são importantes para fornecer uma visão clara e transparente da exposição aos riscos e subsidiar a tomada de decisões pela diretoria, comitê de riscos e conselho de administração.

Autor