Artigo
16/11/2023
Atualizado em 16/04/2026

Apetite a Riscos

Apetite ao risco é a quantidade de risco que uma organização aceita para alcançar seus objetivos estratégicos, influenciando decisões, cultura e alocação de recursos de forma alinhada e transparente.

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Este é um tema que me interessa bastante, mas que vejo que nem sempre tem um bom entendimento, por isto queria falar um pouco mais respeito do tema abaixo.

Começo trazendo a definição do que é o tal do Apetite ao Risco, que nada mais é do que a quantidade de risco que uma organização está disposta a aceitar em sua busca de alcançar os seus objetivos estratégicos.

De acordo com o ISO 73:2009, apetite ao risco é a “quantidade e tipo de risco que uma empresa está disposta a buscar, manter ou assumir”. Importante destacar que os riscos assumidos possuem um propósito e têm como objetivo final ajudar a alcançar os objetivos estratégicos da empresa.

Essa definição reflete a filosofia de gestão de riscos que um Conselho de Administração deseja que a empresa adote, influenciando diretamente na cultura de risco, estilo operacional e tomada de decisão.

Por isto mesmo o apetite ao risco, definido pelo Conselho de ADM, deve estar alinhado com os objetivos estratégicos da empresa, sendo assim se tem objetivos estratégicos mais ambiciosos, isto significa geralmente ter também um maior apetite ao risco. O retorno normalmente é proporcional ao risco corrido. Como dizem por aí: não tem almoço grátis!

Para ser eficaz, o apetite ao risco deve ser específico, acionável e refletir as expectativas das partes interessadas. Além disso, é importante ter métodos objetivos para medir o apetite ao risco, para que possa ser agregado em relatórios.

Queria falar agora de algumas das vantagens de definir bem o seu apetite ao risco, que precisa estar bem documentado de forma clara, até para que seja colocado em prática por todos da empresa, para tomar os níveis apropriados de riscos de forma alcançar os objetivos estratégicos aprovados pelo Conselho. Também auxilia na alocação de recursos de forma mais eficiente e ajustada ao risco, além de promover alinhamento entre todas as partes interessadas em torno de um padrão comum para tomada de decisões de "risco x retorno" de forma consistente e transparente.

Quando não se tem esta definição do apetite, o que acontece é que acaba mostrando a falta de importância do tema de risco para a empresa, além de não levar à redução do nível de risco.

A gestão eficaz de riscos geralmente requer para começar o entendimento do risco, suas causas raízes e impacto. Assim como a compreensão das fontes de risco. Importante acompanhar este apetite e ter assim uma maneira transparente e objetiva de medir o nível de risco, através de sua gestão com ações mitigadoras para gerenciar os riscos. Acaba que estes KPIs do apetite ajudam bastante na gestão.

O conceito do apetite ao risco se aplica não apenas ao setor de serviços financeiros, mas pode ajudar todas as empresas a entender e gerenciar o desempenho de forma mais eficaz.

O apetite ao risco está no coração do processo de tomada de decisões, sendo importante também para determinar a necessidade de uma decisão.

O apetite ao risco é mais do que apenas uma métrica. Embora muitas vezes seja tratado como parte de uma abordagem onde cada métrica recebe uma meta, uma aplicação mais avançada e prospectiva conecta o apetite ao risco à estratégia para ações futuras.

O apetite ao risco ajuda a aumentar a transparência, elevando a conscientização sobre os riscos que a empresa está disposta a assumir, bem como sobre os riscos que pretende limitar.

Se fossemos seguir um roteiro poderia ser esta a sugestão de passos:

  • Conhecimento do Mercado e da Concorrência: É importante entender o setor de atuação e a sua concorrência. Em mercados consolidados como saúde e financeiro, a confiança é fundamental, enquanto em setores em expansão, como tecnologia, pode ser necessário mais ousadia. Também é importante observar oportunidades e riscos assumidos pelos concorrentes.
  • Cultura e Objetivos Organizacionais: Metas ambiciosas geralmente exigem um maior apetite ao risco, mas é importante que os riscos assumidos estejam alinhados com os valores da empresa. Por exemplo, comprometer a qualidade em prol de lucratividade pode ser contraproducente se a qualidade for um valor central da empresa.
  • Mapeamento de Riscos e Probabilidades: Após entender o mercado e os objetivos, é necessário identificar os riscos potenciais e suas probabilidades. Isso auxilia na criação de um plano de mitigação, estabelecendo mecanismos para prevenir e gerenciar os riscos. Uma das fases mais importantes.
  • Alinhamento com a Empresa: O apetite ao risco deve ser compreendido e refletido nas ações diárias de todos na empresa. Isso pode ser alcançado através de políticas de compliance e treinamentos contínuos, garantindo que todos, inclusive novos colaboradores, estejam cientes das diretrizes de risco.
  • Instrumentos de Controle de Danos: Além da política de compliance, ferramentas como um canal de denúncias e um comitê de ética são importantes para monitorar e gerenciar desvios de conduta que possam ameaçar a segurança da empresa. Estes instrumentos ajudam na avaliação de denúncias e na tomada de medidas apropriadas.

Os conceitos de "Apetite ao Risco" e "Tolerância ao Risco" são fundamentais na gestão de riscos, mas possuem diferenças significativas, que vou tentar detalhar mais abaixo:

  • Apetite ao Risco: Definição: O apetite ao risco refere-se à quantidade e tipo de risco que uma organização está disposta a aceitar em busca de seus objetivos estratégicos. Ele define o nível de risco que a organização procura ativamente em suas operações. Características: O apetite ao risco é proativo, parte integrante da estratégia e do planejamento. Ele reflete a disposição da organização em assumir riscos para alcançar suas metas e objetivos. Esse conceito orienta a tomada de decisões e as ações, mostrando até que ponto a organização está preparada para arriscar. Exemplo: Uma empresa pode ter um apetite ao risco alto para investimentos em mercados emergentes, aceitando a possibilidade de volatilidade em troca de potenciais retornos elevados.
  • Tolerância ao Risco: Definição: Tolerância ao risco, por outro lado, é o nível de risco que a organização pode suportar sem que haja impacto significativo em suas operações ou na capacidade de atingir seus objetivos. É um limite para o apetite ao risco.
  • Características: A tolerância ao risco é reativa, funcionando como um mecanismo de segurança. Ela define até que ponto a organização está disposta a suportar variações em relação ao seu apetite ao risco. Esse conceito é crucial para evitar que a organização ultrapasse os limites aceitáveis de risco.
  • Exemplo: Enquanto uma empresa pode estar disposta a investir significativamente em tecnologia inovadora (apetite ao risco), ela pode ter uma tolerância ao risco baixa para falhas tecnológicas que afetem a operação contínua de seus serviços essenciais.

O apetite ao risco é sobre o quanto e que tipo de risco uma organização deseja assumir, enquanto a tolerância ao risco é sobre o quanto de desvio em relação a esse apetite é aceitável. O apetite ao risco define a estratégia para perseguir oportunidades, enquanto a tolerância ao risco estabelece limites para garantir que os riscos assumidos não comprometam a saúde e estabilidade da organização.

Como vimos, o apetite ao risco é uma ferramenta que possibilita uma melhor gestão de riscos. Embora os riscos possam ser gerenciados efetivamente sem um apetite ao risco definido, um apetite claro estabelecido pelo Conselho pode ajudar a alta gerência a tomar melhores decisões de mitigação dos riscos no dia a dia, decidindo o tipo e forma de mitigação e o tempo necessário, bem como a quantidade de recursos a serem alocados para atingir um nível desejado de risco.

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Luiz Henrique Lobo

Membro Independente de Conselhos | Comitê de Riscos da Caixa e de Auditoria da BR Partners | Consultor e Palestrante