Artigo
01/07/2025

Apostas Esportivas e Benefícios Sociais: impactos na nova decisão judicial para as Instituições Financeiras e de Pagamento

Analisa impactos da liminar e decisões do STF sobre bloqueio de verbas sociais em apostas para instituições financeiras.

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Em 25 junho de 2025, foi concedida liminar em Ação Civil Pública, obrigando diversos Operadores de Apostas a inserirem alertas visíveis em seus sites e aplicativos, informando que é proibido utilizar recursos de programas assistenciais para apostar.

Essa foi a única medida judicialmente imposta até o momento, mas o processo teve um pedido mais amplo: os autores queriam que a União fosse obrigada a compartilhar dados de beneficiários com os Operadores e que as Instituições Financeiras e Instituições de pagamento bloqueassem transferências de recursos para os esses Operadores.

Por que a Justiça recusou o pedido contra as Instituições?

Essa responsabilidade já foi imposta pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em outro processo: as Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) nº 7721 e 7723. Nesses casos, o STF determinou que a União implemente barreiras técnicas, com apoio das Instituições, para impedir que recursos públicos sejam transferidos para plataformas de apostas.

Em vez de compartilhar dados sensíveis, a estratégia adotada é outra: bloquear transações diretamente no sistema bancário, com base na origem dos recursos (ex: conta que recebe Bolsa Família) e no destino (CNPJ dos Operadores de Apostas).

Qual será o papel das Instituições?

O pedido de bloqueio não foi acatado neste processo, mas as Instituições serão diretamente impactas em razão das ADIs nº 7721 e 7723. Elas devem:

  • Identificar contas que recebem benefícios sociais;

  • Rastrear transações com destino aos Operadores de Apostas;

  • Aplicar filtros, bloqueios ou medidas de compliance;

  • Colaborar com a União na implementação das medidas exigidas pelo STF.

Quais medidas deverão ser adotadas, desde já, pelas Instituições?

Ainda que União ainda não tenha concluído a implementação das medidas exigidas pelo STF, recomenda-se que as Instituições, desde já, adotem as seguintes providências:

  1. Mapear contas e fluxos sensíveis;

  2. Atualizar políticas de compliance com foco em integridade de pagamentos;

  3. Incluir cláusulas preventivas em contratos com Operadores de apostas;

  4. Estar atento ao conteúdo das comunicações obrigatórias nas plataformas de seus clientes.

  5. Estar preparado para cooperação com os reguladores (Bacen e SPA/MF)

A liminar foi proferida pelo Juízo da 13ª Vara Cível Federal de São Paulo, nos autos da Ação Civil Pública nº 5013803-02.2025.4.03.6100.

As opiniões dos autores convidados da nossa comunidade são independentes e não necessariamente representam a opinião da Okai.

Perguntas e respostas

O que a Justiça determinou sobre o uso de recursos de programas sociais em sites de apostas?
Em 25 de junho de 2025, foi concedida uma liminar no âmbito da Ação Civil Pública nº 5013803-02.2025.4.03.6100, julgada pela 13ª Vara Cível Federal de São Paulo. A decisão obrigou os Operadores de Apostas a inserirem alertas claros e visíveis em seus sites e aplicativos, informando aos usuários que é proibido utilizar recursos de programas assistenciais para realizar apostas.Esta foi a única medida imposta judicialmente no processo. Outros pedidos, como a obrigação de a União compartilhar dados de beneficiários com os operadores e o bloqueio de transferências por instituições financeiras, não foram acatados nesta ação específica.
Qual é a responsabilidade das instituições financeiras e de pagamento na prevenção do uso de benefícios sociais em apostas?
A responsabilidade de impedir que recursos de programas sociais sejam usados em plataformas de apostas foi determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento das Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) nº 7721 e 7723.Com base nessa decisão, as instituições financeiras e de pagamento devem apoiar a União na implementação de barreiras técnicas para bloquear essas transações. Suas responsabilidades incluem:• Identificar contas que recebem benefícios sociais;• Rastrear transações com destino a Operadores de Apostas;• Aplicar filtros, bloqueios ou outras medidas de compliance;• Colaborar com a União na efetivação das medidas exigidas pelo STF.
Como funcionará o bloqueio de transações de programas sociais para sites de apostas?
A estratégia determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nas ADIs nº 7721 e 7723 prevê o bloqueio das transações diretamente no sistema bancário, em vez do compartilhamento de dados sensíveis dos beneficiários.O mecanismo funcionará com base na identificação da origem dos recursos (por exemplo, uma conta bancária que recebe o Bolsa Família) e do destino da transação (o CNPJ de um Operador de Apostas). Com essas informações, as instituições financeiras e de pagamento, em colaboração com a União, deverão implementar barreiras técnicas para impedir que a transferência seja concluída.
Que medidas preventivas as instituições financeiras podem adotar em relação a apostas feitas com recursos de programas sociais?
Embora a implementação completa das medidas exigidas pelo STF ainda esteja em andamento por parte da União, recomenda-se que as instituições financeiras e de pagamento adotem, de forma proativa, as seguintes providências:1. Mapear contas e fluxos financeiros considerados sensíveis, como aqueles que recebem benefícios sociais;2. Atualizar suas políticas de compliance, com foco especial na integridade dos pagamentos;3. Incluir cláusulas contratuais preventivas nos acordos firmados com Operadores de Apostas;4. Monitorar as comunicações obrigatórias que seus clientes (operadores) devem exibir em suas plataformas;5. Estar preparadas para cooperar com os órgãos reguladores, como o Banco Central (Bacen) e a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda (SPA/MF).
O que são as Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) nº 7721 e 7723 e qual seu impacto no mercado de apostas?
As Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) nº 7721 e 7723 são processos julgados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) que definiram a responsabilidade sobre o controle do uso de recursos públicos em plataformas de apostas.Nessas ações, o STF determinou que a União, com o apoio de instituições financeiras e de pagamento, deve implementar barreiras técnicas para impedir que valores de programas sociais, como o Bolsa Família, sejam transferidos para Operadores de Apostas. Essa decisão estabeleceu a base para o bloqueio de transações diretamente no sistema financeiro, impactando a forma como os pagamentos para essas plataformas são processados.

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Thiago do Amaral Santos

Sócio BTLaw | Professor FGV e Insper | Fintech, Meios de Pagamento, Bancos Digitais