Artigo
17/04/2025

Boas Práticas na Composição do Conselho de Administração: Exigências Específicas para Empresas Listadas no Novo Mercado

Explica exigências e boas práticas para o Conselho de Administração em empresas do Novo Mercado da B3.

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A composição do Conselho de Administração é um dos pilares centrais da governança corporativa. Um conselho bem estruturado garante transparência, alinha interesses entre gestores e acionistas e contribui para a perenidade da empresa. No Brasil, as empresas listadas no Novo Mercado da B3 devem seguir exigências específicas para assegurar um alto padrão de governança corporativa. Mas o que isso significa na prática?

O Que é o Novo Mercado?

O Novo Mercado é o segmento de listagem da B3 (a Bolsa de Valores do Brasil) que reúne empresas comprometidas com os mais altos padrões de governança corporativa. Criado no ano 2000, esse segmento surgiu para aumentar a transparência, proteger os direitos dos acionistas minoritários e fortalecer o mercado de capitais brasileiro. Diferente de outros segmentos da bolsa, o Novo Mercado impõe regras mais rigorosas para o controle e gestão das empresas, garantindo maior alinhamento entre os interesses dos investidores e da administração.

Uma das principais exigências para que uma empresa seja listada no Novo Mercado é a emissão exclusiva de ações ordinárias (ON), que concedem direito a voto a todos os acionistas. Em outros segmentos da bolsa, companhias podem emitir ações preferenciais (PN), que oferecem prioridade no recebimento de dividendos, mas geralmente não garantem participação nas decisões estratégicas da empresa. No Novo Mercado, essa restrição impede que um grupo seleto de controladores tome decisões sem considerar os interesses de todos os acionistas. Na prática, essa medida reduz conflitos de interesse e melhora a qualidade da governança.

Outro ponto fundamental é a composição do Conselho de Administração. Empresas do Novo Mercado devem ter, no mínimo, cinco conselheiros, sendo pelo menos 20% independentes – ou seja, profissionais sem vínculos com o grupo controlador ou a diretoria executiva. Esse requisito fortalece a fiscalização interna, evita decisões arbitrárias e garante que o conselho atue de forma equilibrada e técnica. Além disso, a transparência é levada a um nível superior: companhias desse segmento precisam divulgar demonstrações financeiras detalhadas, aderir a um padrão contábil internacional (IFRS) e manter um canal eficiente de comunicação com investidores.

Essas exigências fazem com que as empresas do Novo Mercado sejam vistas como mais confiáveis e bem administradas, o que, por sua vez, atrai um maior número de investidores institucionais, como fundos de pensão e gestores internacionais. A valorização das ações tende a ser mais sustentável ao longo do tempo, pois o mercado precifica positivamente práticas de governança sólidas. Além disso, empresas desse segmento encontram melhores condições para levantar capital, seja por meio da emissão de novas ações (follow-on) ou por financiamentos bancários, já que a transparência reduz riscos para credores e investidores.

Em suma, o Novo Mercado não é apenas um selo de qualidade, mas um compromisso real com boas práticas de governança. As regras mais rígidas impõem desafios iniciais para as empresas, mas os benefícios no longo prazo – maior credibilidade, acesso a capital e valorização das ações – justificam o investimento em governança. Esse modelo tem sido um dos pilares para o amadurecimento do mercado de capitais no Brasil e para o fortalecimento da relação entre empresas e investidores.

Composição do Conselho: Exigências e Melhores Práticas

As empresas do Novo Mercado devem cumprir diretrizes específicas quanto à formação de seus conselhos. Entre as principais exigências, destacam-se:

  1. Conselho com maioria de membros independentes: Pelo menos 2 conselheiros ou 20% do total devem ser independentes. Isso significa que não podem ter vínculos significativos com a empresa, garantindo imparcialidade na tomada de decisões.

  2. Mandatos limitados e reeleições: Para evitar a perpetuação no poder, as empresas do Novo Mercado devem estabelecer mandatos fixos para os conselheiros, promovendo a renovação e a diversidade de ideias.

  3. Presença de conselheiros com experiência comprovada: É recomendável que os membros possuam experiência relevante em gestão empresarial, mercado financeiro ou setores estratégicos para a empresa.

  4. Separacão entre CEO e Presidente do Conselho: Para evitar conflitos de interesse e garantir um sistema de "checks and balances", as regras do Novo Mercado proíbem que o diretor-presidente da empresa acumule a função de presidente do conselho.

  5. Adoção de Comitês de Apoio: Embora não seja uma obrigatoriedade formal, é uma boa prática a criação de comitês especializados, como os de Auditoria, Riscos e Remuneração, para aprofundar a análise de temas críticos.

Diretrizes para Composição do Conselho nas Empresas do Novo Mercado

Caso Magazine Luiza

A Magazine Luiza é um dos exemplos mais emblemáticos de empresa que adotou práticas avançadas de governança corporativa no Brasil. Listada no Novo Mercado da B3 desde 2011, a companhia se destaca pelo compromisso com transparência, equidade e responsabilidade corporativa. Um dos pontos centrais dessa governança é a composição do seu Conselho de Administração, que segue critérios rigorosos para garantir diversidade, independência e alinhamento com os interesses de acionistas e stakeholders. A estrutura do conselho reflete a busca por um equilíbrio entre experiência de mercado e inovação, elementos essenciais para sustentar o crescimento acelerado da varejista no ambiente digital e físico.

Um dos diferenciais do Conselho da Magazine Luiza é a presença de membros independentes, que representam mais de um terço dos assentos, conforme exigido pelas regras do Novo Mercado. Essa característica fortalece a supervisão da gestão e reduz potenciais conflitos de interesse. Além disso, a empresa adota boas práticas na seleção dos conselheiros, priorizando diversidade de formação e experiência. Em 2021, por exemplo, a nomeação de especialistas em tecnologia e inovação reforçou o direcionamento estratégico da companhia para a digitalização do varejo. A presença de mulheres no conselho também é um destaque, contribuindo para decisões mais plurais e alinhadas às expectativas do mercado e da sociedade.

Outro ponto relevante é a atuação ativa do conselho no desenvolvimento de políticas ESG (ambientais, sociais e de governança). O Magazine Luiza tem um histórico de compromissos com inclusão e responsabilidade social, refletidos tanto em sua cultura organizacional quanto em estratégias comerciais. Um caso marcante foi a iniciativa de criação do marketplace Parceiro Magalu, que incentivou pequenos empreendedores a venderem online durante a pandemia, mitigando impactos econômicos da crise. O Conselho de Administração teve um papel fundamental na validação dessa estratégia, garantindo que a empresa mantivesse seu compromisso com crescimento sustentável e impacto positivo na sociedade.

A estrutura do Conselho de Administração é um fator decisivo para a solidez e credibilidade de uma empresa. No Novo Mercado, onde a governança corporativa é um diferencial competitivo, as exigências impostas garantem maior transparência, equidade e responsabilidade na gestão empresarial. Empresas que adotam boas práticas na composição do conselho não apenas cumprem regulações, mas também ganham a confiança do mercado e dos investidores.

O Conselho de Administração é muito mais do que um órgão formal dentro das empresas; ele é o alicerce da governança corporativa e um fator determinante para a confiança dos investidores. No ambiente dinâmico do mercado de capitais, conselhos bem estruturados fazem toda a diferença para o sucesso e a perenidade dos negócios.

As opiniões dos autores convidados da nossa comunidade são independentes e não necessariamente representam a opinião da Okai.

Perguntas e respostas

O que é o Novo Mercado?
O Novo Mercado é um segmento de listagem da B3, a Bolsa de Valores do Brasil, que foi criado no ano 2000. Ele é destinado a empresas que se comprometem voluntariamente a adotar os mais altos padrões de governança corporativa.
Quais são os principais objetivos que levaram à criação do Novo Mercado?
O Novo Mercado foi estabelecido com a finalidade principal de aumentar a transparência das empresas listadas, proteger os direitos dos acionistas minoritários e, como resultado, fortalecer o mercado de capitais brasileiro.
Que tipo de ações as empresas listadas no Novo Mercado da B3 devem emitir exclusivamente e por quê?
As empresas listadas no Novo Mercado devem emitir exclusivamente ações ordinárias (ON). Essa exigência tem como objetivo conceder direito a voto a todos os acionistas, o que contribui para reduzir conflitos de interesse e melhora a qualidade da governança, ao impedir que um grupo restrito de controladores tome decisões sem considerar os interesses de todos os investidores.
Qual a diferença fundamental entre ações ordinárias (ON) e ações preferenciais (PN) em termos de direitos dos acionistas?
As ações ordinárias (ON) concedem direito a voto a todos os acionistas, permitindo sua participação nas decisões estratégicas da empresa. Em contrapartida, as ações preferenciais (PN), que podem ser emitidas por companhias em outros segmentos da bolsa, geralmente oferecem prioridade no recebimento de dividendos, mas frequentemente não garantem direito a voto. O Novo Mercado exige a emissão exclusiva de ações ON.
Quais são as exigências mínimas para a composição do Conselho de Administração de uma empresa no Novo Mercado?
Empresas que fazem parte do Novo Mercado devem ter um Conselho de Administração composto por, no mínimo, cinco conselheiros. Dentre eles, pelo menos 20% devem ser conselheiros independentes.
O que caracteriza um conselheiro como "independente" no contexto do Novo Mercado?
No âmbito do Novo Mercado, um conselheiro é considerado independente quando não possui vínculos significativos com o grupo controlador da empresa ou com sua diretoria executiva. Essa independência é vista como crucial para assegurar imparcialidade na tomada de decisões e para fortalecer a fiscalização interna.
Além da composição do conselho, que outras práticas de transparência são exigidas das empresas do Novo Mercado?
As empresas listadas no Novo Mercado são requeridas a divulgar demonstrações financeiras detalhadas, a aderir a um padrão contábil internacional, como o International Financial Reporting Standards (IFRS), e a manter um canal de comunicação eficiente com os investidores.
Quais são os benefícios percebidos pelas empresas que aderem às práticas do Novo Mercado?
Empresas do Novo Mercado tendem a ser percebidas pelo mercado como mais confiáveis e bem administradas. Essa percepção pode atrair um volume maior de investidores institucionais, como fundos de pensão e gestores internacionais. Além disso, pode levar a uma valorização mais sustentável das ações ao longo do tempo e facilitar o acesso a melhores condições para captação de recursos, seja por meio de novas emissões de ações (conhecidas como follow-on) ou por financiamentos bancários, já que a transparência reduz riscos para credores e investidores.
Quais são algumas diretrizes e melhores práticas para a formação de Conselhos de Administração em empresas do Novo Mercado?
Algumas diretrizes e melhores práticas importantes para a composição de Conselhos de Administração em empresas do Novo Mercado incluem:1. Ter pelo menos 2 conselheiros ou 20% do total de membros como independentes, garantindo imparcialidade.2. Estabelecer mandatos fixos para os conselheiros, com o objetivo de promover a renovação e a diversidade de ideias.3. Recomendar que os membros do conselho possuam experiência comprovada em gestão empresarial, mercado financeiro ou outros setores estratégicos para a empresa.4. Proibir que o diretor-presidente (CEO) da empresa acumule a função de presidente do conselho, para evitar conflitos de interesse.5. Considerar a adoção de Comitês de Apoio especializados (como Auditoria, Riscos e Remuneração) como uma boa prática para aprofundar a análise de temas críticos, embora não seja uma obrigatoriedade formal.
O Diretor-Presidente (CEO) de uma empresa do Novo Mercado pode também ser o Presidente do Conselho de Administração?
Não, as regras do Novo Mercado proíbem que o Diretor-Presidente (CEO) de uma empresa acumule a função de Presidente do Conselho de Administração. Esta medida visa evitar conflitos de interesse e assegurar um sistema de freios e contrapesos (checks and balances) na gestão da companhia.
O que são Comitês de Apoio ao Conselho de Administração e qual sua relevância na governança corporativa?
Comitês de Apoio são estruturas especializadas, como por exemplo Comitês de Auditoria, Riscos e Remuneração, que têm como função auxiliar o Conselho de Administração na análise aprofundada de temas críticos e específicos para a empresa. Embora a criação formal desses comitês não seja apresentada como uma obrigatoriedade para todas as empresas do Novo Mercado, ela é considerada uma boa prática de governança corporativa, pois contribui para decisões mais embasadas e eficazes.
Como a Magazine Luiza é citada em relação às práticas de governança corporativa do Novo Mercado?
A Magazine Luiza é apresentada como um exemplo de empresa que adotou práticas avançadas de governança corporativa. Listada no Novo Mercado da B3 desde 2011, a companhia se destaca pelo compromisso com transparência, equidade e responsabilidade corporativa. Seu Conselho de Administração possui mais de um terço de seus assentos ocupados por membros independentes, superando a exigência mínima de 20%. Além disso, a empresa prioriza a diversidade de formação e experiência na seleção de conselheiros, como evidenciado pela nomeação, em 2021, de especialistas em tecnologia e inovação, e também se destaca pela presença de mulheres no conselho.
Qual é a importância de um Conselho de Administração bem estruturado para uma organização empresarial?
Um Conselho de Administração bem estruturado é considerado um pilar central da governança corporativa. Sua importância reside na capacidade de garantir transparência nas operações, alinhar os interesses entre os gestores e os acionistas, e contribuir para a sustentabilidade e perenidade da empresa a longo prazo. É visto como o alicerce da governança e um fator determinante para a confiança dos investidores.
De que maneira a exigência de emissão exclusiva de ações ordinárias (ON) no Novo Mercado impacta a governança das empresas?
A exigência de que empresas do Novo Mercado emitam exclusivamente ações ordinárias (ON) tem um impacto significativo na governança, pois esse tipo de ação concede direito a voto a todos os acionistas. Isso impede que um grupo seleto de controladores tome decisões de forma isolada, sem considerar os interesses de todos os investidores, o que, na prática, reduz conflitos de interesse e melhora a qualidade geral da governança corporativa.
Como a presença de conselheiros independentes no Conselho de Administração beneficia a governança de uma empresa do Novo Mercado?
A presença de conselheiros independentes, exigida no Novo Mercado, fortalece a fiscalização interna da empresa. Além disso, ajuda a evitar decisões arbitrárias e assegura que o conselho atue de forma mais equilibrada, técnica e imparcial, o que contribui para uma governança corporativa mais sólida e eficaz.
Qual tem sido o papel do Novo Mercado no desenvolvimento do mercado de capitais brasileiro?
O Novo Mercado tem sido um dos elementos fundamentais para o amadurecimento do mercado de capitais no Brasil. Ao estabelecer padrões mais elevados de governança corporativa para as empresas listadas, ele contribui para o fortalecimento da relação de confiança entre as companhias e os investidores.
O que se entende por governança corporativa, com base nos seus objetivos e pilares mencionados?
Governança corporativa refere-se ao sistema pelo qual as empresas são dirigidas e monitoradas, visando garantir que sejam geridas de forma transparente e com responsabilidade. Seus objetivos principais incluem o alinhamento dos interesses entre gestores e acionistas e a proteção dos direitos dos acionistas minoritários. Os pilares da governança corporativa destacados incluem transparência, equidade e responsabilidade corporativa, sendo que a adoção de boas práticas de governança contribui para a perenidade da empresa e para a confiança dos investidores.Nota: Esta descrição é construída a partir dos elementos e objetivos da governança corporativa que são implicitamente e explicitamente mencionados em relação ao Novo Mercado e suas exigências. O conteúdo original não fornece uma definição formal única e concisa do termo.
Como o Conselho de Administração da Magazine Luiza demonstrou envolvimento em iniciativas de ESG (ambientais, sociais e de governança)?
O Conselho de Administração da Magazine Luiza demonstra uma atuação ativa no desenvolvimento e implementação de políticas ambientais, sociais e de governança (ESG). Um exemplo notável foi seu papel crucial na validação da estratégia de criação do marketplace Parceiro Magalu. Essa iniciativa incentivou pequenos empreendedores a migrarem para vendas online durante o período da pandemia de COVID-19, mitigando impactos econômicos e refletindo o compromisso da empresa com o crescimento sustentável e o impacto social positivo.
Quais são os critérios principais para que uma empresa possa ser listada no segmento Novo Mercado da B3?
Para ser listada no Novo Mercado da B3, uma empresa precisa aderir a um conjunto de rigorosos padrões de governança corporativa. Entre as principais exigências estão: a emissão exclusiva de ações ordinárias (ON), que garantem direito a voto a todos os acionistas; a composição do Conselho de Administração com um mínimo de cinco membros, dos quais pelo menos 20% devem ser independentes; a divulgação de demonstrações financeiras detalhadas, em conformidade com um padrão contábil internacional como o IFRS (International Financial Reporting Standards); e a manutenção de um canal de comunicação eficiente e transparente com os investidores.
Qual o impacto da adoção de um padrão contábil internacional, como o IFRS, por empresas do Novo Mercado?
A adesão a um padrão contábil internacional, como o International Financial Reporting Standards (IFRS), por empresas do Novo Mercado é uma prática que eleva significativamente o nível de transparência. A utilização do IFRS resulta em demonstrações financeiras mais detalhadas e padronizadas globalmente, o que facilita a comparabilidade entre empresas e a análise por parte dos investidores, especialmente os internacionais, aumentando a confiança no mercado.
Quando foi criado o Novo Mercado da B3?
O Novo Mercado, que é o segmento de listagem da B3 (a Bolsa de Valores do Brasil) com os mais altos padrões de governança corporativa, foi criado no ano 2000.
O que significa o termo "follow-on" no contexto do mercado de capitais?
No contexto do mercado de capitais, o termo "follow-on" refere-se a uma oferta subsequente de ações, ou seja, a emissão de novas ações por uma empresa que já possui capital aberto e suas ações já são negociadas em bolsa. É uma maneira pela qual a empresa pode levantar capital adicional no mercado após sua oferta pública inicial (IPO).Nota: Esta definição é baseada na menção do termo no contexto de formas de levantar capital. O conteúdo original cita "emissão de novas ações (follow-on)" sem fornecer uma explicação detalhada.

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Mónica Sofia Polaco Vieira

Economista | Governança Corporativa | Finanças | Transformação | Estratégia e Desenvolvimento de Negócios | Treinamentos e Palestras in Company