Para estabelecer uma governança climática efetiva nos conselhos de administração é importante integrar a compreensão de riscos e oportunidades relacionados ao clima na estrutura de governança corporativa.
A governança climática já não é apenas um tema emergente, mas uma necessidade urgente nas agendas de conselhos de administração e seus comitês de riscos e sustentabilidade, e, por que não, quando não existem estes dois, no próprio de Auditoria, especialmente diante dos impactos físicos e de transição causados pelas mudanças climáticas, onde tais impactos podem representar riscos e oportunidades financeiras significativas para as empresas. Podemos afirmar, felizmente, que tem se tornado um dos principais focos das discussões nos conselhos de administração em todo o mundo, à medida que os impactos das mudanças climáticas se tornam mais evidentes e pressionam as empresas a se adaptarem a novas realidades regulatórias e econômicas.
Portanto, a governança climática deve ser tratada com a mesma seriedade que outros riscos estratégicos para a continuidade dos negócios. Isso significa incorporar o clima na estrutura de análise de riscos, nas decisões estratégicas e nos processos de governança de toda a empresa, promovendo resiliência no longo prazo. O papel do Conselho e de seus comitês é fundamental na supervisão de riscos e oportunidades associados às mudanças climáticas.
Por isto mesmo, os conselhos têm que assumir uma responsabilidade proativa em relação ao clima, integrando-o de maneira estratégica às suas práticas de governança, o que significa que as decisões empresariais não podem ser tomadas sem considerar os riscos de longo prazo associados às mudanças climáticas e à transição para uma economia de baixo carbono. Além disso, a ausência de diretrizes práticas claras tem sido um dos principais obstáculos para que os conselhos adotem uma postura mais ativa em relação à governança climática. Apesar da urgência do tema, muitos conselhos ainda carecem de orientações específicas sobre como integrar o clima às suas análises de risco e decisões estratégicas, o que reforça a necessidade de frameworks bem definidos.
A governança climática deve ser intrínseca à boa governança corporativa, ou seja, não deve ser tratada como uma questão isolada, pois sabemos que empresas que tratam o clima como um tema desconexo de suas estratégias correm o risco de comprometer sua sustentabilidade e resiliência no longo prazo.
A abordagem climática deve estar presente em todas as esferas de tomada de decisão, desde a análise de riscos materiais até o planejamento estratégico e a avaliação de desempenho dos executivos.
Os conselhos enfrentam desafios únicos ao abordar as mudanças climáticas, devido à complexidade do tema e aos horizontes temporais longos. O conceito da "Tragédia do Horizonte", mencionado no documento, é um exemplo desse dilema: conselhos muitas vezes precisam equilibrar as pressões por resultados de curto prazo com a necessidade de planejar para riscos climáticos que se materializam ao longo de décadas.
No contexto global, as mudanças climáticas têm se tornado um fator determinante no ambiente de negócios. O Acordo de Paris, assinado por 184 países, é um marco importante que estabelece metas claras para limitar o aquecimento global a no máximo 2°C, com o objetivo ideal de manter o aumento da temperatura em 1,5°C em relação aos níveis pré-industriais. Esse acordo sinaliza uma mudança global em direção à mitigação dos impactos das mudanças climáticas e à transição para uma economia de baixo carbono, o que impõe desafios e oportunidades às empresas. Os conselhos de administração precisam estar atentos a esse cenário regulatório, pois ele influencia diretamente a forma como as empresas devem operar para garantir conformidade e competitividade.
No cenário de riscos climáticos, os conselhos precisam estar cientes dos impactos tanto físicos quanto de transição. O aumento da frequência e intensidade de eventos climáticos extremos, como inundações, incêndios e secas, já resulta em perdas financeiras expressivas para as empresas. Além disso, a transição para uma economia de baixo carbono, impulsionada por regulamentações e mudanças nas expectativas dos consumidores, representa um risco de transição que precisa ser gerenciado de forma adequada. Empresas que não se adaptarem a essas novas realidades correm o risco de enfrentar consequências financeiras, reputacionais e regulatórias severas.
Outro ponto crucial é o aumento da conscientização entre investidores institucionais sobre os riscos climáticos. Grandes investidores, como a BlackRock e a State Street Global Advisors, estão pressionando as empresas a incorporar a governança climática em suas estratégias. Eles esperam que os conselhos de administração estejam capacitados para supervisionar a gestão desses riscos e para alinhar suas decisões de longo prazo com as metas de sustentabilidade. Esse movimento reflete uma crescente exigência de transparência por parte dos investidores, que estão cada vez mais dispostos a retirar capital de empresas que não demonstram compromisso com a governança climática.
Além disso, a tendência global é de aumento na regulamentação e nas exigências de divulgação de informações relacionadas ao clima. O Task Force on Climate-Related Financial Disclosures (TCFD) tem sido uma das iniciativas mais influentes nesse sentido, estabelecendo recomendações para padronizar a divulgação de riscos e oportunidades climáticas. Para os conselhos de administração, isso significa que a transparência sobre os riscos climáticos não é apenas uma boa prática de governança, mas também uma obrigação crescente, uma vez que a falta de divulgação pode resultar em perda de confiança dos investidores e, em última instância, em sanções regulatórias.
Por fim, as oportunidades financeiras podem surgir para as empresas que adotam uma postura proativa em relação à governança climática. Embora os impactos financeiros das mudanças climáticas possam ser devastadores, com estimativas de perdas que variam de US$ 4,2 trilhões a US$ 43 trilhões até 2100, há também um potencial significativo de crescimento para empresas que investem em soluções de baixo carbono. Setores como energia renovável, eficiência energética e infraestrutura sustentável representam grandes oportunidades para empresas que buscam inovação e liderança em uma economia em transformação.
Como podemos ver, o contexto global coloca as mudanças climáticas no centro da agenda de governança corporativa. Os conselhos de administração precisam adaptar suas práticas para enfrentar os riscos climáticos e aproveitar as oportunidades de uma economia em transição. A governança climática eficaz não só garante a resiliência das empresas no longo prazo, mas também oferece vantagens competitivas em um cenário global cada vez mais focado na sustentabilidade.
Feito esta introdução, para contextualizar a importância da governança climática, vou detalhar abaixo ainda mais os princípios norteadores, com algumas perguntas sugeridas para cada um, além dos desafios envolvidos e das melhores práticas para uma implementação efetiva de governança climática, além de fornecer dicas úteis sobre cada ponto. São eles:
Princípio: Responsabilidade Climática nos Conselhos:
A responsabilidade climática refere-se ao papel do conselho em garantir que a empresa esteja preparada para enfrentar riscos e aproveitar as oportunidades relacionadas às mudanças climáticas. A responsabilidade fiduciária inclui a supervisão das decisões de longo prazo, e a resiliência da empresa diante de mudanças climáticas é fundamental para preservar a continuidade dos negócios.
Conselhos que negligenciam a gestão de riscos climáticos podem comprometer a sustentabilidade da empresa a longo prazo e expor os conselheiros a possíveis litígios. Cada vez mais, investidores e reguladores estão exigindo que os conselhos assumam um papel ativo na supervisão climática.
Desafios Comuns:
- Dificuldade em integrar questões climáticas à agenda estratégica, dado que o clima é muitas vezes percebido como um risco de longo prazo.
- Falta de clareza sobre como medir e reportar riscos climáticos.
Perguntas Norteadoras e Sugestões de Melhores Práticas:
- Os membros do seu conselho consideram os riscos e oportunidades climáticas como parte integral de sua responsabilidade fiduciária?
Melhor prática: Estabeleça treinamentos e workshops para que os conselheiros entendam plenamente o impacto das mudanças climáticas em sua responsabilidade fiduciária.
Dica útil: Realize revisões periódicas das obrigações fiduciárias à luz das mudanças climáticas e consulte especialistas legais para garantir conformidade.
- As decisões do conselho são baseadas nas melhores informações disponíveis sobre riscos e oportunidades climáticas?
Melhor prática: Utilize ferramentas de análise de cenário e incorpore os resultados nas reuniões do conselho para fundamentar as decisões.
Dica útil: Contrate consultores climáticos ou analistas de sustentabilidade para fornecer relatórios atualizados sobre riscos emergentes.
- O conselho realiza avaliações internas e independentes de desempenho que incluam aspectos climáticos?
Melhor prática: Inclua métricas climáticas nas avaliações de desempenho do conselho e dos executivos, incentivando a responsabilidade por ações sustentáveis.
Dica útil: Use benchmarks de melhores práticas globais para comparar o desempenho climático da empresa com o de outras líderes de mercado.
Princípio: Domínio do Tema das Mudanças Climáticas:
Este princípio aborda a necessidade de o conselho possuir um conhecimento profundo sobre as mudanças climáticas. A composição do conselho deve refletir diversidade de habilidades e conhecimento sobre o impacto das questões climáticas no negócio.
As mudanças climáticas afetam todos os setores de maneira distinta. Um conselho bem-informado pode agir de forma proativa e evitar perdas financeiras significativas, ao mesmo tempo que identifica novas oportunidades no contexto da economia de baixo carbono.
Desafios Comuns:
- Falta de especialistas em clima no conselho.
- Dificuldade em traduzir dados climáticos complexos em estratégias de negócios.
Perguntas Norteadoras e Sugestões de Melhores Práticas:
- Seu conselho tem conhecimento robusto sobre como as mudanças climáticas podem afetar a empresa?
Melhor prática: Promova treinamentos regulares e capacitação sobre riscos climáticos, tanto para os conselheiros quanto para os executivos.
Dica útil: Crie um glossário ou guia interno sobre mudanças climáticas e seus impactos setoriais para os membros do conselho.
- Foi realizada uma avaliação de lacunas de competências climáticas no conselho?
Melhor prática: Contrate especialistas externos para realizar uma avaliação independente das habilidades do conselho.
Dica útil: Use questionários e avaliações para identificar pontos fracos no entendimento climático e promova a capacitação em áreas de lacuna.
- O conselho tem um plano de sucessão que assegure a continuidade da conscientização climática?
Melhor prática: Inclua a competência climática como um critério ao recrutar novos conselheiros.
Dica útil: Incentive o desenvolvimento de lideranças internas que possam assumir responsabilidades climáticas no futuro.
Princípio: Estrutura do Conselho:
A estrutura do conselho deve acomodar a inclusão de questões climáticas de forma eficiente, seja através de comitês existentes (como o de risco ou sustentabilidade) ou por meio da criação de novos comitês especializados.
A estrutura do conselho define como os riscos e oportunidades climáticos serão monitorados e integrados na governança corporativa. Estruturas mal organizadas podem resultar em negligência do tema e decisões fragmentadas.
Desafios Comuns:
- Dificuldade em definir responsabilidades claras para a governança climática dentro do conselho.
- Resistência em criar novos comitês ou cargos relacionados ao clima.
Perguntas Norteadoras e Sugestões de Melhores Práticas:
- O conselho já definiu como integrar aspectos climáticos às estruturas de seus comitês?
Melhor prática: Adapte comitês existentes, como o de risco, para incorporar responsabilidades climáticas ou crie um comitê específico para tratar do tema.
Dica útil: Defina claramente as funções de cada comitê e como eles abordarão o clima, garantindo que todos os riscos relevantes sejam cobertos.
- Como o conselho garante que as questões climáticas recebam atenção suficiente?
Melhor prática: Agende discussões regulares sobre mudanças climáticas nas pautas das reuniões do conselho.
Dica útil: Utilize indicadores-chave de desempenho (KPIs) climáticos para monitorar as discussões e as decisões tomadas pelo conselho.
- O conselho pensa em contratar um especialista em clima ou criar um comitê consultivo informal?
Melhor prática: Considere a criação de um conselho consultivo de especialistas climáticos para aconselhar o conselho em questões estratégicas.
Dica útil: Traga especialistas externos para fornecer insights sobre como tendências climáticas podem impactar diretamente a empresa.
Princípio: Análise de Riscos e Oportunidades Materiais:
Este princípio assegura que o conselho está continuamente avaliando a relevância dos riscos e oportunidades relacionados ao clima, garantindo que as respostas da empresa sejam proporcionais à sua exposição.
Riscos climáticos materiais, como desastres naturais ou regulamentações de carbono, podem ter impactos profundos nos negócios. Ignorar esses riscos pode comprometer seriamente a capacidade da empresa de operar de forma sustentável no longo prazo.
Desafios Comuns:
- Falta de clareza sobre como medir a materialidade dos riscos climáticos.
- Dificuldade em projetar cenários climáticos de longo prazo.
Perguntas Norteadoras e Sugestões de Melhores Práticas:
- O clima está incluído nas análises de riscos e oportunidades materiais?
Melhor prática: Use metodologias de análise de materialidade reconhecidas, como as propostas pela TCFD, para medir a exposição ao risco climático.
Dica útil: Realize workshops com as principais partes interessadas para discutir a materialidade de riscos e oportunidades climáticos.
- As análises de materialidade incluem diferentes horizontes de tempo?
Melhor prática: Incorpore análises de curto, médio e longo prazo para entender os impactos climáticos futuros.
Dica útil: Utilize cenários climáticos desenvolvidos por instituições como o IPCC para prever impactos em diferentes períodos.
- Os cenários climáticos são usados para fundamentar a análise de materialidade?
Melhor prática: Implemente análises de cenários como parte do processo de planejamento estratégico.
Dica útil: A revisão contínua desses cenários é essencial para garantir que a empresa esteja sempre atualizada com as melhores previsões disponíveis.
Princípio: Integração Estratégica:
A integração estratégica refere-se à incorporação dos riscos e oportunidades climáticas em todos os processos de tomada de decisão, planejamento estratégico e gerenciamento de riscos.
Incorporar o clima à estratégia é importante para garantir que as decisões de curto prazo não comprometam a resiliência de longo prazo da empresa. Decisões estratégicas fundamentadas em análises climáticas ajudam a preservar a continuidade e a competitividade da empresa no futuro.
Desafios Comuns:
- Risco de tratar questões climáticas de forma isolada, sem integração real à estratégia.
- Falta de ferramentas de medição adequadas para alinhar as decisões estratégicas aos cenários climáticos.
Perguntas Norteadoras e Sugestões de Melhores Práticas:
- Sua estratégia corporativa inclui uma estratégia climática holística?
Melhor prática: Desenvolva uma estratégia integrada que considere tanto a mitigação quanto a adaptação aos impactos climáticos.
Dica útil: Utilize ferramentas como a análise de impacto climático para fundamentar a estratégia de negócios.
- Os aspectos climáticos são incorporados aos processos de decisão?
Melhor prática: Certifique-se de que as questões climáticas sejam tratadas em todas as decisões de investimento e planejamento estratégico.
Dica útil: Incorpore os cenários climáticos nas discussões estratégicas de novos projetos, usando ferramentas como a análise de custo-benefício para avaliar a resiliência das iniciativas frente às mudanças climáticas. Sempre considere impactos de longo prazo ao tomar decisões de curto prazo.
Princípio: Incentivos:
Os incentivos devem estar alinhados com a promoção de resultados sustentáveis a longo prazo. O conselho deve garantir que os modelos de remuneração executiva incluam metas climáticas claras e alinhadas à saúde e resiliência da empresa.
Incentivos apropriados motivam a alta administração a considerar o impacto das mudanças climáticas em suas decisões e a implementar estratégias sustentáveis. Sem incentivos adequados, há o risco de decisões de curto prazo prevalecerem, colocando em risco o futuro da empresa.
Desafios Comuns:
- Dificuldade em definir e medir KPIs climáticos apropriados.
- Resistência interna ao integrar metas climáticas aos incentivos financeiros.
Perguntas Norteadoras e Sugestões de Melhores Práticas:
- Os incentivos executivos promovem a criação de valor sustentável ao longo do tempo?
Melhor prática: Alinhe a remuneração variável a metas de desempenho climático, como a redução de emissões de carbono e a adaptação a riscos climáticos.
Dica útil: Estabeleça metas claras e mensuráveis para garantir que o progresso climático seja monitorado com rigor.
- Metas climáticas estão integradas ao modelo de incentivos?
Melhor prática: Inclua KPIs relacionados à sustentabilidade, como metas de emissões líquidas zero, no modelo de incentivos.
Dica útil: Realize revisões anuais dos incentivos para garantir que continuem relevantes diante das novas regulamentações e expectativas do mercado.
- Quais KPIs climáticos são usados nos modelos de incentivo da administração?
Melhor prática: Utilize indicadores de desempenho baseados em ciência (Science Based Targets) ou métricas ESG reconhecidas.
Dica útil: Acompanhe índices climáticos externos, como o CDP Climate Disclosure, para comparar o desempenho climático da empresa com os pares da indústria.
Princípio: Relatórios e Divulgação:
O conselho deve garantir que os riscos e oportunidades climáticas sejam divulgados de forma consistente e transparente, utilizando padrões internacionais reconhecidos, como as recomendações da TCFD. A transparência é vital para manter a confiança dos investidores e demais stakeholders.
A divulgação transparente de riscos climáticos é fundamental para que os investidores tomem decisões informadas e para que a empresa demonstre seu compromisso com a sustentabilidade. Empresas que falham na divulgação correm o risco de perder o apoio de investidores institucionais.
Desafios Comuns:
- Falta de padronização nos relatórios climáticos.
- Dificuldade em reunir dados precisos e comparáveis sobre riscos climáticos.
Perguntas Norteadoras e Sugestões de Melhores Práticas:
- Os riscos e oportunidades climáticas são divulgados de forma consistente?
Melhor prática: Aderir às recomendações da TCFD e garantir que a divulgação climática seja incluída nos relatórios financeiros anuais.
Dica útil: Utilize ferramentas de reporte como o GRI (Global Reporting Initiative) ou SASB (Sustainability Accounting Standards Board) para padronizar a divulgação.
- As divulgações estão alinhadas com as melhores práticas de governança climática?
Melhor prática: Envolva consultores especializados para revisar a conformidade dos relatórios com as regulamentações climáticas mais recentes.
Dica útil: Crie painéis de controle internos para acompanhar e ajustar a divulgação climática ao longo do tempo, mantendo-se atualizado com as mudanças regulatórias.
Princípio: Intercâmbio de Conhecimento:
Este princípio sugere que o conselho deve fomentar a troca de conhecimento e melhores práticas com outros conselhos, setores e stakeholders, promovendo uma abordagem colaborativa para enfrentar os desafios climáticos.
O intercâmbio de conhecimento permite que a empresa se beneficie das experiências de outras organizações e fique na vanguarda das melhores práticas em governança climática. Ele também ajuda a alinhar a empresa com expectativas globais em relação às questões climáticas.
Desafios Comuns:
- Falta de iniciativas para compartilhar e aprender com outras empresas.
- Isolamento de algumas empresas em setores menos propensos à troca de informações.
Perguntas Norteadoras e Sugestões de Melhores Práticas:
- O conselho utiliza mecanismos de compartilhamento de conhecimento sobre governança climática?
Melhor prática: Participe de fóruns, conferências e redes de governança climática, como o Chapter Zero ou o CDP.
Dica útil: Estabeleça parcerias estratégicas com outras empresas e ONGs para troca de melhores práticas.
- Como o intercâmbio de melhores práticas está sendo utilizado?
Melhor prática: Incentive a participação de conselheiros e executivos em grupos de trabalho intersetoriais focados em clima e sustentabilidade.
Dica útil: Crie workshops internos para compartilhar aprendizados de eventos e conferências internacionais sobre clima.
Perspectiva Legal sobre Governança Climática:
A perspectiva legal em torno da governança climática está se tornando cada vez mais relevante à medida que o arcabouço regulatório global evolui rapidamente para incorporar riscos e oportunidades relacionados ao clima, até porque em muitos países, governos e órgãos reguladores estão implementando políticas que exigem maior transparência e responsabilidade das empresas em relação ao gerenciamento de riscos climáticos. Aonde essa pressão regulatória decorre do crescente entendimento de que as mudanças climáticas representam um risco sistêmico não só para o meio ambiente, mas também para a estabilidade financeira e para a continuidade dos negócios.
Na perspectiva legal, há duas áreas principais de foco:
- Obrigações Fiduciárias dos Conselhos de Administração Os conselheiros de administração têm o dever fiduciário de atuar no melhor interesse da empresa, o que inclui a consideração de quaisquer riscos materiais que possam impactar a sustentabilidade do negócio. Com as mudanças climáticas sendo amplamente reconhecidas como um risco material, é cada vez mais esperado que os conselhos integrem o clima em suas análises de risco e na tomada de decisões estratégicas. Falhar em considerar os riscos climáticos pode resultar em ações judiciais por negligência fiduciária, especialmente em jurisdições onde há uma expectativa clara de que os conselheiros levem em conta riscos de longo prazo.
- Responsabilidade Civil e Litígios Climáticos O aumento de processos judiciais climáticos em todo o mundo demonstra a crescente tendência de responsabilização legal das empresas por suas ações ou omissões em relação às mudanças climáticas. Grupos ambientalistas e até mesmo investidores têm recorrido aos tribunais para responsabilizar empresas que não conseguem reduzir suas emissões de carbono ou que falham em divulgar adequadamente seus riscos climáticos. O número crescente de litígios climáticos está pressionando as empresas a adotarem uma abordagem mais robusta e transparente em suas políticas de governança climática.
Perspectiva dos Investidores sobre Governança Climática:
A perspectiva dos investidores em relação à governança climática reflete a crescente demanda por transparência e ação climática por parte das empresas. Investidores institucionais, como fundos de pensão e gestores de ativos, estão cada vez mais preocupados com a maneira como as empresas estão gerenciando seus riscos climáticos, pois isso afeta diretamente o valor de seus investimentos.
- Expectativas de Governança Climática pelos Investidores Investidores institucionais têm feito exigências mais rigorosas em relação à governança climática, esperando que as empresas demonstrem claramente como estão integrando os riscos e oportunidades climáticas em suas operações e estratégias de longo prazo. Essa pressão é particularmente forte em setores altamente expostos a riscos climáticos, como energia, transporte e infraestrutura. Empresas que não adotam práticas de governança climática robustas correm o risco de perder o apoio desses investidores, o que pode resultar em menor acesso a capital e em desvalorização de mercado.
- Divulgação de Riscos e Oportunidades Climáticas Um dos principais pontos de atenção dos investidores é a transparência na divulgação de riscos climáticos. Eles esperam que as empresas sigam frameworks reconhecidos internacionalmente, como as recomendações da Task Force on Climate-related Financial Disclosures (TCFD), que orientam as empresas sobre como reportar riscos e oportunidades climáticas de forma clara e comparável. A divulgação adequada permite que os investidores avaliem com precisão o risco que uma empresa enfrenta em relação às mudanças climáticas e como ela está se preparando para mitigar esses riscos.
- Integração Climática nas Decisões de Investimento Outra expectativa importante dos investidores é que as empresas demonstrem como estão integrando os riscos climáticos em suas decisões estratégicas de investimento. Isso significa que as decisões de alocação de capital devem refletir uma análise clara dos impactos climáticos, tanto em termos de riscos quanto de oportunidades. Empresas que não integram essas considerações em suas decisões de investimento correm o risco de alocar capital de forma ineficiente e de perder oportunidades em mercados emergentes relacionados a tecnologias limpas e eficiência energética.
Governança Climática como Pilar de Sustentabilidade Corporativa:
Uma governança climática eficaz é essencial para garantir que os conselhos de administração possam enfrentar com sucesso os desafios das mudanças climáticas, ao mesmo tempo em que capturam oportunidades de crescimento sustentável. Ao adotar os oito princípios discutidos, os conselhos podem se posicionar como agentes de mudança, liderando suas organizações rumo a uma economia de baixo carbono e resiliente a longo prazo.
A chave para o sucesso é garantir que todas as ações, desde a análise de materialidade até a definição de incentivos e a divulgação transparente, estejam plenamente integradas à estratégia de negócios da empresa. Além disso, o compromisso contínuo com a educação, o intercâmbio de melhores práticas e a adaptação às novas realidades regulatórias e de mercado garantirão que o conselho desempenhe seu papel de liderança na transformação sustentável das empresas.
Vejam o material completo no link:
https://conhecimento.ibgc.org.br/Lists/Publicacoes/Attachments/24572/governanca_climatica_P3.pdf