Artigo
12/12/2024

ESG e Gestão Sustentável - A transição para 2025 e suas expectativas

Analisa desafios, riscos e expectativas para a gestão ESG e sustentabilidade em 2025.

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Estamos finalizando o ano de 2024, e nada mais justo do que refletirmos sobre as realidades que irão direcionar o próximo ano. Não pelo fato de acontecer uma troca mágica de calendário, mas para podermos estabelecer marcos que nos orientem diante de um cenário que vem sendo construído. E se há algo certo, é que 2025 trará novos desafios diferentes, tensões e, claro, oportunidades para aqueles que tiverem coragem de enxergar além das narrativas bonitinhas e cheias de adorno.

As COPs não vão salvar o mundo, e as eleições americanas colocam o clima global em risco

Se você acha que as COPs vão salvar o mundo, prepare-se para a decepção. O próximo ano promete ser de polaridade e imobilismo nas discussões globais sobre o clima, e no Brasil, onde o mercado regulado nacional gera grande expectativa, é provável que o assunto continuará patinando em burocracias, visto que a previsão é que 2025 seja um ano focado em estruturação de políticas, portarias e regras, deixando as promessas para 2030. As eleições nos Estados Unidos trazem um risco alarmante ao cenário climático global, já que políticas públicas e compromissos climáticos devem ser revertidos e o acordo de Paris novamente deve ser deixado pelo país, que focará no protecionismo econômico a todo custo, mesmo que para isso seja necessário aumentar a exploração dos combustíveis fosseis (conforme já citado pelo presidente eleito). E com o poder de impacto americano, a tendência é que outras nações sigam pelo mesmo caminho, colocando em risco a COP30 que teria a previsão de ser um momento de avanço diante de 3 anos apenas com promessas.

Cansaço do ESG “de Instagram”

Sim, ESG está saturado. Frameworks, selos, certificados e ações publicadas para tudo quanto é lado criaram uma bolha. O público está cansado e, honestamente, com razão. Talvez 2025 seja o ano em que os aventureiros larguem o osso do ESG como “Infoproduto” e deixem o espaço para quem realmente quer fazer diferença na agenda. Mas cuidado: maturidade não acontece sozinha. Precisamos questionar e desmascarar os desvios ético que circulam por aí fantasiados de ESG, criando narrativas falsas sobre uma agenda de sucesso instantâneo e sem necessidade de formação ou esforço (quem vive o dia a dia, que o diga).

Capital humano

O risco invisível que grita Riscos relacionados a pessoas estão finalmente batendo à porta das empresas de forma mais intensiva. Psicossociais, climáticos, tecnológicos (e até casa de aposta), tudo converge para um novo entendimento: capital humano não é um "ativo intangível", mas a linha entre sobrevivência e colapso corporativo. Diversidade, equidade e inclusão não são mais campanhas de marketing (apesar de que teremos alguns desavisados que ainda levarão o tema dessa forma); são a diferença entre atrair talentos com visões variadas da sociedade de acordo com suas experiências de vida ou vê-los fugir para concorrentes mais alinhados com suas expectativas (e olha que hoje os concorrentes não são mais as empresas do seu setor, mas vários outros meios de trabalho que você nem imagina que existem, inclusive as mídias sociais).

Greenwashing: o vilão resiliente

A realidade? Greenwashing vai continuar forte. Empresas ainda vão enganar, profissionais vão continuar vendendo promessas vazias e o mercado seguirá absorvendo isso com pouca resistência. Mas não subestime o público: as narrativas falsas estão se desgastando, e 2025 será o ano em que mais pessoas aprenderão a identificar o que é genuíno e a cobrar por isso (se depender de mim, com certeza levarei conteúdo ainda mais intensivo para tirar mais e mais pessoas do mundo do faz de conta).

2025: o ano da provocação necessária

Mais do que nunca, precisamos de vozes que tornem ESG um debate público, real e desconfortável. Selos e certificações não sustentam estratégias. ESG não é sobre exibir ações; é sobre proteger o que importa: reputação, caixa e, no final das contas, pessoas, pois sem elas não há negócios e muito menos resultados.

Se 2025 vai ser diferente, depende de nós. É o momento de darmos um basta nas ações desconectadas; é hora de integrar ESG à estratégia empresarial de forma genuína e não o gerir através de uma agenda paralela. Não podemos mais esperar que "alguém lá em cima" resolva as coisas por nós. Queremos um futuro melhor? Então é melhor começarmos a agir e agora.

“Pequenos desvios de ética hoje são as grandes crises de amanhã. Em 2025, vamos continuar ignorando ou finalmente enfrentar o que realmente importa?”

As opiniões dos autores convidados da nossa comunidade são independentes e não necessariamente representam a opinião da Okai.

Perguntas e respostas

O que são as COPs e qual é a expectativa para 2025?
As COPs (Conferências das Partes) são reuniões globais sobre mudanças climáticas organizadas pela ONU. A expectativa para 2025 é de polaridade e imobilismo nas discussões climáticas, com o Brasil focando em estruturação de políticas e regras, e os Estados Unidos possivelmente revertendo compromissos climáticos, o que pode impactar negativamente a COP30.
Qual é o impacto das eleições americanas no cenário climático global?
As eleições americanas trazem um risco alarmante ao cenário climático global, pois políticas públicas e compromissos climáticos podem ser revertidos. O presidente eleito dos EUA pode focar no protecionismo econômico, aumentando a exploração de combustíveis fósseis e influenciando outras nações a seguir o mesmo caminho, colocando em risco a COP30.
O que é ESG e por que está saturado?
ESG (Environmental, Social, and Governance) refere-se a práticas ambientais, sociais e de governança nas empresas. Está saturado devido ao excesso de frameworks, selos, certificados e ações publicadas, criando uma bolha. O público está cansado de abordagens superficiais e busca por práticas genuínas e impactantes.
Qual é a importância do capital humano nas empresas?
O capital humano é crucial para a sobrevivência e sucesso das empresas. Riscos psicossociais, climáticos e tecnológicos destacam a importância de tratar pessoas não como ativos intangíveis, mas como elementos essenciais. Diversidade, equidade e inclusão são fundamentais para atrair talentos e evitar a fuga para concorrentes mais alinhados com as expectativas dos profissionais.
O que é greenwashing e qual é a expectativa para 2025?
Greenwashing é a prática de empresas enganarem o público com promessas ambientais vazias. A expectativa para 2025 é que essa prática continue forte, mas com um público mais consciente e capaz de identificar e cobrar por ações genuínas.
Por que 2025 é considerado o ano da provocação necessária no contexto ESG?
2025 é considerado o ano da provocação necessária porque é preciso tornar o ESG um debate público, real e desconfortável. Selos e certificações não sustentam estratégias; é necessário integrar ESG à estratégia empresarial de forma genuína para proteger reputação, caixa e pessoas, que são essenciais para os negócios.

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Luiz Goi

Especialista em ESG e gestão | Autor de 5 livros | Mais de 40.000 alunos | 20 anos de experiência de mercado