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A gestão do risco de auditoria exige avaliação contínua de riscos, materialidade, controles, evidências e ceticismo profissional para reduzir a chance de distorções materiais não detectadas.
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Normalmente a terceira linha de defesa, que é a área de auditoria, também tem seus próprios riscos, e assim como as demais áreas da empresa, é importante que antes de mais nada se conheça estes seus riscos, sua origem, e logicamente saiba como mitigá-los.
Uma pergunta recente do último ano que muitos devem se fazer é por que os auditores internos e externos não detectaram os problemas nas contas das Americanas?
Pois é exatamente sobre os aspectos fundamentais e técnicas de mitigação associadas ao risco de auditoria, em especial nas declarações financeiras, que queria falar, incluindo a possibilidade por exemplo de o auditor expressar uma opinião inapropriada quando as demonstrações financeiras contêm distorções materiais significativas.
Vamos começar com alguns conceitos básicos, até para entender a importância destes riscos de auditoria abaixo.
Objetivo como sempre é reduzir o risco, neste caso de auditoria, sempre a um nível aceitavelmente baixo, através de um processo metódico que inclui aqui o planejamento da auditoria, a compreensão do negócio, a avaliação dos riscos, o desenho dos procedimentos de auditoria, a obtenção de evidências e, finalmente, a avaliação das evidências coletadas.
O risco de auditoria é um produto do risco inerente, do risco de controle e do risco de detecção, que vou detalhar mais abaixo.
O risco inerente é uma medida da suscetibilidade de uma afirmação nas demonstrações financeiras a uma distorção material, assumindo que não existam controles internos relacionados.
Esse risco é intrinsecamente ligado à natureza da atividade empresarial ou ao tipo específico de transação ou saldo de conta.
Por exemplo, empresas que operam em setores altamente regulamentados ou com transações complexas e inovadoras apresentam um risco inerente maior.
Olha aí as operações de sacado das Americanas....
Fatores Influenciadores: Incluem complexidade das transações, mudanças no mercado ou na regulamentação, julgamentos gerenciais na aplicação de políticas contábeis e áreas propensas a erros ou fraudes.
Estratégias de Mitigação: Uma abordagem detalhada no entendimento do negócio, da indústria e dos fatores externos que impactam a entidade. Utilização de especialistas em áreas complexas e avaliação rigorosa das estimativas contábeis.
O risco de controle é a probabilidade de que distorções materiais não sejam prevenidas, ou detectadas e corrigidas a tempo, pelos controles internos da entidade.
Olha o risco das Americanas aí....
Esse risco avalia a eficácia dos procedimentos de controle estabelecidos pela gestão para assegurar a precisão e a integridade das informações financeiras.
Fatores Influenciadores: Incluem a designação inadequada de controles, falhas na implementação de controles ou a não adaptação dos controles frente a mudanças significativas no negócio ou no ambiente operacional.
Estratégias de Mitigação: Avaliação da eficácia dos controles internos através de testes de controle, fortalecimento dos controles onde deficiências são identificadas, e a promoção de uma cultura organizacional que valorize o controle interno e a correção de falhas detectadas.
O risco de detecção se refere à possibilidade de os procedimentos de auditoria implementados não capturarem uma distorção material que existe nas demonstrações financeiras.
Esse risco é influenciado pela adequação e pela aplicação eficaz dos procedimentos de auditoria.
Mais uma vez podemos enquadrar o caso Americanas aqui....
Fatores Influenciadores: Seleção inadequada de procedimentos de auditoria, definição errônea do tamanho da amostra para testes, ou interpretação incorreta dos resultados da auditoria.
Estratégias de Mitigação: Seleção cuidadosa dos procedimentos de auditoria com base na avaliação dos riscos inerente e de controle, aumento do tamanho da amostra ou do número de amostras para testes em áreas de alto risco, e aplicação de ceticismo profissional ao avaliar os resultados dos testes de auditoria.
A gestão eficaz dos riscos de auditoria requer um processo contínuo de avaliação de risco que começa com o entendimento detalhado da entidade e de seu ambiente, incluindo a estrutura de governança, o modelo de negócios, os riscos de negócio e o sistema de controle interno.
Outro ponto sempre importante quando se vai auditar é o conceito da materialidade, cujo conceito é um aspecto fundamental do processo de auditoria, guiando a identificação de distorções que possam influenciar as decisões econômicas dos usuários das demonstrações financeiras.
Mas como então mitigar este risco da materialidade?
A avaliação de risco é uma etapa contínua no processo de auditoria que requer atualização e ajuste conforme novas informações são obtidas e à medida que a auditoria avança. A implementação efetiva de procedimentos de auditoria é essencial para abordar os riscos identificados e inclui:
Outro ponto que merece atenção aqui nos riscos de auditoria é a comunicação eficaz com a gestão e com os responsáveis pela governança, que é fundamental, especialmente em relação à seleção dos critérios de materialidade e à discussão sobre os riscos significativos identificados durante a auditoria. Esta comunicação inclui a discussão sobre as áreas de maior risco de distorção material e as ações planejadas para abordá-las.
Bom sempre reforçar a importância de realizar uma avaliação de risco detalhada, que inclui entender a entidade e seu ambiente, bem como o sistema de controle interno da entidade. Esta avaliação ajuda a identificar as áreas de maior risco de distorção material e a planejar procedimentos de auditoria que sejam eficazes e eficientes.
A auditoria também envolve a aplicação de ceticismo profissional e a execução de procedimentos analíticos, que são essenciais para identificar transações incomuns que possam indicar distorções materiais. Estes procedimentos incluem a análise de relações financeiras e não financeiras, comparações com períodos anteriores, expectativas do auditor e informações do setor.
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Membro Independente de Conselhos | Comitê de Riscos da Caixa e de Auditoria da BR Partners | Consultor e Palestrante
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