Artigo
18/08/2025

IAS 7: Tudo sobre Demonstração dos Fluxos de Caixa

Explica requisitos, classificações e métodos de apresentação da demonstração dos fluxos de caixa segundo a IAS 7.

Imagem de capa do artigo

1. Breve Histórico

A Norma Internacional de Contabilidade IAS 7 - Demonstração dos Fluxos de Caixa foi emitida originalmente pelo Comitê de Normas Internacionais de Contabilidade (IASC) em 1992 e posteriormente adotada pelo Conselho de Normas Internacionais de Contabilidade (IASB).

A norma estabelece requisitos para a apresentação da demonstração dos fluxos de caixa, que tem como objetivo fornecer informações sobre as movimentações de caixa e equivalentes de caixa de uma entidade ao longo de um período.

2. Objetivo

O objetivo da IAS 7 é exigir a apresentação de informações sobre os fluxos de caixa da entidade durante o período, classificando-os em atividades operacionais, de investimento e de financiamento.

3. Alcance

A IAS 7 se aplica a todas as entidades que preparam e apresentam demonstrações financeiras de acordo com as IFRS. A norma não faz distinção entre empresas de diferentes setores ou tamanhos, garantindo uma base padronizada para a análise dos fluxos de caixa.

4. Benefícios das Informações sobre os Fluxos de Caixa

Avaliação da liquidez da empresa, solvência e capacidade da empresa de gerar caixa e equivalentes de caixa.

5. Definições

  • Caixa: Caixa compreende numerário em espécie e depósitos à vista.

  • Equivalentes de Caixa: são investimentos de curto prazo e de alta liquidez, que podem ser imediatamente convertidos em caixa e que estão sujeitos a um risco insignificante de mudança no valor.

  • Fluxos de caixa: são entradas e saídas de caixa e equivalentes de caixa.

  • Atividades operacionais: são as principais atividades geradoras de receita de uma entidade e outras que não sejam atividades de investimento ou de financiamento.

  • Atividades de investimento: são a aquisição e alienação de ativos de longo prazo e outros investimentos não incluídos em equivalentes de caixa.

  • Atividades de financiamento: são atividades que resultam em mudanças no tamanho e composição do patrimônio líquido contribuído e no endividamento da entidade.

6. Apresentação de uma Demonstração dos Fluxos de Caixa

Os fluxos de caixa devem ser classificados em:

6.1 Atividades Operacionais

Refletem as principais atividades geradoras de receita da entidade. Exemplo: recebimentos de clientes e pagamentos a fornecedores e salários.

6.2 Atividades de Investimento

Envolvem aquisição e venda de ativos de longo prazo e outros investimentos, são gastos que resultam em um ativo reconhecido na demonstração da posição financeira (Balanço Patrimonial). Exemplo: compra de imobilizado, imóveis, plantas e equipamentos.

6.3 Atividades de Financiamento

Dizem respeito às mudanças na estrutura de capital da entidade. Exemplo: emissão ou compra de ações, emissão ou amortização de instrumentos de dívidas ou empréstimos de longo prazo.

7. Divulgação dos Fluxos de Caixa

A entidade deverá divulgar os fluxos de caixa de atividades operacionais usando: 

  • Método direto: são divulgadas as principais classes de recebimentos brutos à vista e pagamentos brutos à vista;

  • Método indireto: o lucro ou prejuízo é ajustado para refletir os efeitos de transações de natureza não monetária, quaisquer diferimentos ou provisionamentos de recebimentos ou pagamentos de caixa operacional passado ou futuro e itens de receita ou despesa associados ao investimento ou financiamento de fluxos de caixa.

  • Atividades de investimento e financiamento: Especificando entradas e saídas de caixa.

  • Fluxos de caixa em base líquida: Permitido quando os recebimentos e pagamentos forem de alta rotatividade, montantes elevados e curto prazo.

  • Fluxos de caixa em moeda estrangeira: Convertidos para a moeda funcional utilizando a taxa de câmbio vigente na data do fluxo.

  • Juros e dividendos: Devem ser divulgados separadamente, e classificados coerentemente como atividades operacionais, de investimento ou de financiamento.

  • Impostos sobre a renda: Devem ser divulgados separadamente e classificados como fluxos de caixa de atividades operacionais, a menos que possam ser especificamente associados a atividades de financiamento e investimento.

8. Investimentos em Subsidiárias, Coligadas e Empreendimentos em Conjunto (Joint Ventures)

Os fluxos de caixa referentes a essas investidas devem ser apresentados separadamente quando relevantes para a compreensão da posição financeira da entidade.

9. Mudanças nas Participações Societárias em Subsidiárias e Outros Negócios

Quando a entidade adquire ou perde controle de subsidiárias ou de outros negócios deverão ser apresentados separadamente e classificados como atividades de investimento.

10. Transações Não Monetárias

Transações de investimento e financiamento que não exigem o uso de caixa e equivalentes de caixa serão excluídas da demonstração dos fluxos de caixa.

11. Alterações no Passivo Decorrentes de Atividades de Financiamento

As entidades devem divulgar uma reconciliação entre os saldos iniciais e finais do passivo decorrente de atividades de financiamento, incluindo tanto alterações decorrentes de fluxos de caixa como alterações não monetárias.

12. Componentes de Caixa e Equivalentes de Caixa

A entidade deve divulgar a composição dos saldos de caixa e equivalentes de caixa apresentados no balanço patrimonial.

13. Outras Divulgações

Informar qualquer restrição ao uso dos recursos e explicar mudanças significativas nos fluxos de caixa.

14. Comparativo com as Normas Brasileiras

A norma brasileira equivalente à IAS 7 é o CPC 03 - Demonstração dos Fluxos de Caixa, emitido pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis. Ambos compartilham os mesmos princípios fundamentais, com diferenças sutis, como a exigência do método indireto para atividades operacionais no Brasil.

Conclusão

A IAS 7 é fundamental para garantir a transparência financeira das entidades, permitindo uma melhor compreensão da capacidade da empresa de gerar e utilizar recursos. Sua adoção facilita a comparabilidade internacional e melhora a qualidade das informações financeiras.

As opiniões dos autores convidados da nossa comunidade são independentes e não necessariamente representam a opinião da Okai.

Perguntas e respostas

O que é a Norma Internacional de Contabilidade IAS 7 e quando foi emitida?
A Norma Internacional de Contabilidade IAS 7 - Demonstração dos Fluxos de Caixa foi emitida originalmente em 1992 pelo Comitê de Normas Internacionais de Contabilidade (IASC). Posteriormente, foi adotada pelo Conselho de Normas Internacionais de Contabilidade (IASB). A norma estabelece os requisitos para a apresentação da demonstração dos fluxos de caixa, que tem como objetivo fornecer informações sobre as movimentações de caixa e equivalentes de caixa de uma entidade ao longo de um período.
Qual é o objetivo da IAS 7?
O objetivo da IAS 7 é exigir a apresentação de informações sobre os fluxos de caixa de uma entidade durante um determinado período. Esses fluxos de caixa devem ser classificados em atividades operacionais, de investimento e de financiamento.
A quem se aplica a norma IAS 7?
A IAS 7 se aplica a todas as entidades que preparam e apresentam demonstrações financeiras de acordo com as Normas Internacionais de Relatório Financeiro (IFRS). A norma não faz distinção entre empresas de diferentes setores ou tamanhos, visando garantir uma base padronizada para a análise dos fluxos de caixa.
Quais são os benefícios das informações sobre os fluxos de caixa fornecidas pela IAS 7?
As informações sobre os fluxos de caixa, conforme orientadas pela IAS 7, permitem a avaliação da liquidez e solvência da empresa. Além disso, auxiliam na análise da capacidade da empresa de gerar caixa e equivalentes de caixa.
Como a IAS 7 define 'caixa'?
De acordo com a IAS 7, 'caixa' compreende numerário em espécie e depósitos bancários disponíveis, também conhecidos como depósitos à vista.
O que são 'equivalentes de caixa' segundo a IAS 7?
Segundo a IAS 7, 'equivalentes de caixa' são investimentos de curto prazo e de alta liquidez. Esses investimentos devem ser prontamente conversíveis em um montante conhecido de caixa e estar sujeitos a um risco insignificante de mudança no seu valor.
O que são 'fluxos de caixa' de acordo com a IAS 7?
De acordo com a IAS 7, 'fluxos de caixa' são as entradas e saídas de caixa e de equivalentes de caixa.
O que são 'atividades operacionais' conforme a IAS 7?
Conforme a IAS 7, 'atividades operacionais' são as principais atividades geradoras de receita de uma entidade. Incluem também outras atividades que não sejam classificadas como atividades de investimento ou de financiamento.
O que são 'atividades de investimento' de acordo com a IAS 7?
De acordo com a IAS 7, 'atividades de investimento' compreendem a aquisição e a alienação (venda) de ativos de longo prazo e outros investimentos que não são incluídos na definição de equivalentes de caixa.
O que são 'atividades de financiamento' segundo a IAS 7?
Segundo a IAS 7, 'atividades de financiamento' são aquelas que resultam em mudanças no tamanho e na composição do patrimônio líquido contribuído (capital próprio) e no endividamento da entidade.
Como devem ser classificados os fluxos de caixa na Demonstração dos Fluxos de Caixa, segundo a IAS 7?
Segundo a IAS 7, os fluxos de caixa devem ser classificados em três categorias na Demonstração dos Fluxos de Caixa: atividades operacionais, atividades de investimento e atividades de financiamento.
Poderia dar exemplos de fluxos de caixa de atividades operacionais?
As atividades operacionais refletem as principais atividades geradoras de receita da entidade. Exemplos de fluxos de caixa provenientes dessas atividades incluem recebimentos de clientes, pagamentos a fornecedores e pagamentos de salários.
Quais são exemplos de fluxos de caixa de atividades de investimento?
As atividades de investimento envolvem a aquisição e venda de ativos de longo prazo e outros investimentos. Esses gastos normalmente resultam em um ativo reconhecido na demonstração da posição financeira (Balanço Patrimonial). Um exemplo é a compra de imobilizado, como imóveis, plantas e equipamentos.
Poderia citar exemplos de fluxos de caixa de atividades de financiamento?
As atividades de financiamento dizem respeito às mudanças na estrutura de capital da entidade. Exemplos incluem a emissão ou recompra de ações da própria empresa, a emissão ou amortização de instrumentos de dívida, ou a obtenção e pagamento de empréstimos de longo prazo.
Quais métodos a IAS 7 permite para a divulgação dos fluxos de caixa de atividades operacionais?
A IAS 7 permite que a entidade divulgue os fluxos de caixa de atividades operacionais utilizando um dos seguintes métodos: o método direto ou o método indireto.
O que caracteriza o método direto de divulgação dos fluxos de caixa operacionais, conforme a IAS 7?
Conforme a IAS 7, no método direto, são divulgadas as principais classes de recebimentos brutos à vista e pagamentos brutos à vista relacionados às atividades operacionais.
Como funciona o método indireto para divulgar os fluxos de caixa operacionais, segundo a IAS 7?
Segundo a IAS 7, no método indireto, o lucro ou prejuízo do período é ajustado para refletir os efeitos de transações de natureza não monetária. Também são considerados quaisquer diferimentos ou provisões de recebimentos ou pagamentos de caixa operacional, passados ou futuros, e itens de receita ou despesa associados a fluxos de caixa de investimento ou financiamento.
Como a IAS 7 orienta a divulgação de fluxos de caixa de atividades de investimento e financiamento?
Para as atividades de investimento e financiamento, a IAS 7 orienta que devem ser especificadas as entradas e saídas de caixa relacionadas a essas atividades.
Em que situações a IAS 7 permite a divulgação de fluxos de caixa em base líquida?
A IAS 7 permite a apresentação de fluxos de caixa em base líquida (ou seja, o valor líquido entre entradas e saídas) quando os recebimentos e pagamentos são caracterizados por alta rotatividade, envolvem montantes elevados e possuem prazos curtos.
Como devem ser tratados os fluxos de caixa em moeda estrangeira de acordo com a IAS 7?
De acordo com a IAS 7, os fluxos de caixa em moeda estrangeira devem ser convertidos para a moeda funcional da entidade. Essa conversão deve utilizar a taxa de câmbio vigente na data em que ocorreu o fluxo de caixa.
Como a IAS 7 determina a divulgação e classificação de juros e dividendos?
A IAS 7 determina que juros e dividendos recebidos e pagos devem ser divulgados separadamente. Eles devem ser classificados de forma coerente, período a período, como atividades operacionais, de investimento ou de financiamento.
Como os impostos sobre a renda devem ser divulgados e classificados na Demonstração dos Fluxos de Caixa, segundo a IAS 7?
Segundo a IAS 7, os impostos sobre a renda devem ser divulgados separadamente. Geralmente, são classificados como fluxos de caixa de atividades operacionais, a menos que possam ser especificamente associados a atividades de financiamento e de investimento.
Como a IAS 7 trata a apresentação de fluxos de caixa de investimentos em subsidiárias, coligadas e <em>joint ventures</em>?
De acordo com a IAS 7, os fluxos de caixa referentes a investimentos em subsidiárias, coligadas e empreendimentos em conjunto (joint ventures) devem ser apresentados separadamente quando essa segregação for relevante para a compreensão da posição financeira e dos fluxos de caixa da entidade.
Como devem ser classificados os fluxos de caixa relacionados a mudanças nas participações societárias em subsidiárias e outros negócios, conforme a IAS 7?
Conforme a IAS 7, quando uma entidade adquire ou perde o controle de subsidiárias ou de outros negócios, os fluxos de caixa agregados relacionados a essas transações devem ser apresentados separadamente e classificados como atividades de investimento.
Qual o tratamento dado pela IAS 7 às transações de investimento e financiamento que não envolvem caixa?
A IAS 7 estabelece que transações de investimento e financiamento que não exigem o uso de caixa ou equivalentes de caixa devem ser excluídas da demonstração dos fluxos de caixa. No entanto, essas transações devem ser divulgadas em outras partes das demonstrações financeiras, de forma a fornecer todas as informações relevantes sobre essas atividades.
Que tipo de divulgação a IAS 7 exige sobre alterações no passivo decorrentes de atividades de financiamento?
A IAS 7 exige que as entidades divulguem uma reconciliação entre os saldos iniciais e finais do passivo que surgem de atividades de financiamento. Essa reconciliação deve incluir tanto as alterações decorrentes de fluxos de caixa como as alterações não monetárias.
O que a IAS 7 exige em relação à divulgação dos componentes de caixa e equivalentes de caixa?
A IAS 7 exige que a entidade divulgue a composição dos saldos de caixa e equivalentes de caixa, conforme são apresentados no balanço patrimonial.
Quais outras divulgações são requeridas ou incentivadas pela IAS 7?
A IAS 7 requer que a entidade informe sobre qualquer restrição ao uso dos seus recursos de caixa e equivalentes de caixa. Adicionalmente, devem ser explicadas mudanças significativas nos fluxos de caixa.
Qual é a norma brasileira correlata à IAS 7 e quais são suas principais semelhanças e diferenças?
A norma brasileira equivalente à IAS 7 é o Pronunciamento Técnico CPC 03 - Demonstração dos Fluxos de Caixa, emitido pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC). Ambas as normas compartilham os mesmos princípios fundamentais. Uma diferença sutil reside na exigência, no Brasil, do método indireto para a apuração dos fluxos de caixa das atividades operacionais, enquanto a IAS 7 permite que a entidade escolha entre o método direto e o indireto.
Qual é a importância da IAS 7 para a transparência financeira e comparabilidade internacional?
A IAS 7 é fundamental para garantir a transparência financeira das entidades, pois permite uma melhor compreensão da capacidade da empresa de gerar e utilizar seus recursos de caixa e equivalentes de caixa. Sua adoção facilita a comparabilidade internacional das demonstrações financeiras e melhora a qualidade geral das informações financeiras disponibilizadas aos usuários.
Onde posso encontrar mais informações sobre IFRS?
Para obter mais informações sobre as Normas Internacionais de Relatório Financeiro (IFRS), uma sugestão é acessar o canal youtube.com/@Deboramartinsdeluca.

Autor

Foto de perfil de Débora Martins De Luca

Débora Martins De Luca

Contadora | Controladoria Financeira | Auditoria, Controles Internos e Compliance