Artigo
17/06/2025

IFRS 13 Mensuração pelo Valor Justo

Explica conceitos, métodos e requisitos de divulgação do valor justo conforme IFRS 13.

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1.     BREVE HISTÓRICO

A norma IFRS 13, intitulada "Mensuração do Valor Justo", foi emitida pelo International Accounting Standards Board (IASB) em maio de 2011, com vigência a partir de 1º de janeiro de 2013. Essa norma foi criada para fornecer uma definição única de valor justo e um conjunto abrangente de diretrizes para sua mensuração e divulgação, substituindo as orientações dispersas anteriormente contidas em diversas IFRS. Alterações subsequentes foram introduzidas por outras normas, como a IAS 19 (Benefícios aos Empregados), IFRS 9 (Instrumentos Financeiros), IFRS 16 (Arrendamentos) e melhorias anuais.

2.     OBJETIVO

A IFRS 13 tem como principal objetivo definir o conceito de valor justo, estabelecer uma estrutura para sua mensuração e determinar os requisitos de divulgação. A norma visa melhorar a consistência e a comparabilidade das mensurações do valor justo e das informações divulgadas nas demonstrações financeiras.

3.     ALCANCE

A norma IFRS 13 aplica-se a todas as IFRS que requerem ou permitem a mensuração do valor justo, exceto em casos específicos, como:

  • Pagamentos baseados em ações (IFRS 2);

  • Transações de arrendamento (IFRS 16);

  • Medidas que tenham como base o valor justo, mas não sejam valor justo conforme definido na norma (exemplo: o valor líquido realizável da IAS 2 – Estoques ou valor em uso IAS 36 – Redução ao Valor Recuperável de Ativos).

4.     MENSURAÇÃO

4.1. Definições

  • Valor justo: é o preço que seria recebido pela venda de um ativo ou pago pela transferência de um passivo em uma transação ordenada entre participantes do mercado na data de mensuração.

  • mercado principal: Mercado com o maior volume e nível de atividade para o ativo ou passivo.

  • mercado mais vantajoso: Mercado que maximiza o valor que seria recebido para vender o ativo ou que minimiza o valor que seria pago para transferir o passivo, após levar em consideração os custos de transação e os custos de transporte.

  • transação ordenada: Transação que presume exposição ao mercado por um período antes da data de mensuração para permitir atividades de marketing que são usuais e habituais para transações envolvendo esses ativos ou passivos; não se trata de uma transação forçada (por exemplo, uma liquidação forçada ou venda em situação adversa).

  • Informações de Nível 1: Preços cotados (não ajustados) em mercados ativos para ativos ou passivos idênticos a que a entidade possa ter acesso na data de mensuração.

  • Informações de Nível 2: Informações que são observáveis para o ativo ou passivo, seja direta ou indiretamente, exceto preços cotados incluídos no Nível 1.

  • Informações de Nível 3: Dados não observáveis para o ativo ou passivo.

4.2. O ativo ou passivo

A mensuração do valor justo deve considerar as características do ativo ou passivo que seriam relevantes aos participantes do mercado, como localização, condição e restrições.

4.3. A transação

Trata-se de uma transação ordenada entre participantes do mercado para venda do ativo ou transferência do passivo, e ocorre no mercado principal ou, na sua ausência, no mercado mais vantajoso na data de mensuração. A entidade deve ter acesso a esse mercado.

4.4. Participantes do mercado

Os participantes do mercado são definidos como agentes independentes, conhecedores, capazes e motivados para transacionar. As premissas de mensuração devem refletir as que esses participantes utilizariam.

4.5. O preço

O preço considerado deve ser aquele no mercado principal ou mais vantajoso, na data da mensuração, sem ajustes para custos de transação. Se aplicável, deve considerar custos de transporte.

4.6. Aplicação a ativos não financeiros

Utiliza o conceito de melhor uso (highest and best use), que considera aspectos físicos, legais e financeiros.

4.7. Aplicação a passivos e aos instrumentos de patrimônio próprios da entidade

O valor justo de passivos deve considerar a transferência do passivo e não sua liquidação.

4.8. Aplicação a ativos financeiros e passivos financeiros com posições de compensação em riscos de mercado ou risco de crédito da contraparte

Para instrumentos financeiros compensados, a mensuração pode ser baseada no preço de um grupo de instrumentos financeiros no mercado. Permite-se a mensuração com base na exposição líquida aos riscos de mercado e crédito, desde que geridos dessa forma e revelados adequadamente.

4.9. Valor justo no reconhecimento inicial

A transação inicial geralmente representa o valor justo, salvo evidências contrárias.

 4.10. Técnicas de avaliação

As técnicas de avaliação utilizadas para mensurar o valor justo maximizarão o uso de dados observáveis relevantes e minimizará o uso de dados não observáveis.

As técnicas mais comuns incluem:

  • Abordagem de mercado: utiliza preços e outras informações relevantes geradas por transações de mercado envolvendo ativos, passivos ou um grupo de ativos e passivos idênticos ou comparáveis;

  • Abordagem de custo: reflete o valor que seria exigido atualmente para substituir a capacidade de serviço de um ativo, considerando ajustes para refletir a obsolescência;

  • Abordagem de receita: converte valores futuros (fluxos de caixa ou receitas e despesas) em um valor único atual (descontado). Reflete as expectativas de mercado atuais em relação a esses valores futuros.

Essas técnicas podem ser utilizadas isoladamente ou em conjunto.

4.11. Informações para técnicas de avaliação

A norma exige o uso das melhores informações disponíveis, a maximização do uso de dados observáveis e minimizar os não observáveis.

Segue exemplos de mercados observáveis: Mercado bursáteis (bolsa de valores), Mercados de revendedores (Mercados de balcão), Mercados intermediados (corretores, redes de comunicação eletrônica e mercados de imóveis residenciais) e Mercados não intermediados (negociações de forma independente). Poucas informações sobre essas transações podem ser disponibilizadas ao público.

4.12. Hierarquia de valor justo

A IFRS 13 estabelece uma hierarquia para as entradas utilizadas na mensuração:

  • Nível 1: são preços cotados (não ajustados) em um mercado principal, ou na sua ausência, no mercado mais vantajoso para ativos ou passivos idênticos a que a entidade possa ter acesso na data de mensuração. Esse preço oferece a evidência mais confiável do valor justo e será utilizado sem ajuste para mensurar o valor justo sempre que disponível;

  • Nível 2: são informações que são observáveis para o ativo ou passivo, seja direta ou indiretamente, exceto preços cotados incluídos no Nível 1. Os ajustes a informações de Nível 2 variarão dependendo de fatores como: a condição ou localização do ativo, em que medida as informações estão relacionadas a itens que são comparáveis ao ativo ou passivo, e o volume ou nível de atividade nos mercados em que as informações são observadas.

Um ajuste a uma informação de Nível 2 que seja significativa para a mensuração como um todo pode resultar em uma mensuração do valor justo classificada no Nível 3 da hierarquia de valor justo se esse ajuste utilizar dados não observáveis significativos.

  • Nível 3: são dados não observáveis para o ativo ou passivo, com maior grau de subjetividade. Esse modelo de mensuração será utilizado na medida em que dados observáveis relevantes não estejam disponíveis, admitindo assim situações em que há pouca ou nenhuma atividade de mercado para o ativo ou passivo na data de mensuração, e deve incluir premissas sobre risco.

 5. DIVULGAÇÃO E APRESENTAÇÃO

As entidades devem divulgar:

  • as técnicas de avaliação e informações de ativos e passivos para mensurações ao valor justo;

  • para mensurações do valor justo recorrentes que utilizem dados não observáveis significativos (Nível 3), o efeito das mensurações sobre o lucro ou prejuízo ou outros resultados abrangentes para o período;

  • a natureza, características e riscos do ativo ou passivo;

  • O nível de hierarquia aplicada para cada mensuração do valor justo, e políticas de transferência entre níveis da hierarquia;

  • Mudanças significativas nas mensurações;

  • Sensibilidade das mensurações a mudanças em pressupostos significativos;

  • Conciliação de saldos iniciais com finais para itens do Nível 3;

  • Melhor uso atual versus prático.

6. COMPARATIVO COM AS NORMAS BRASILEIRAS

No Brasil, a norma equivalente é o CPC 46 - Mensuração do Valor Justo, que segue os mesmos princípios da IFRS 13. É adotado obrigatoriamente pela CVM, CFC e BACEN. Embora haja convergência formal, a maturidade do mercado e acesso a dados observáveis impactam a aplicação prática no Brasil. É recomendável que os profissionais estejam atentos às orientações da CVM e da Receita Federal quanto à interpretação de "valor justo" em contextos fiscais e regulatórios.

As opiniões dos autores convidados da nossa comunidade são independentes e não necessariamente representam a opinião da Okai.

Perguntas e respostas

O que é a norma IFRS 13?
A norma IFRS 13, intitulada "Mensuração do Valor Justo", foi emitida pelo International Accounting Standards Board (IASB) em maio de 2011, com vigência a partir de 1º de janeiro de 2013.
Qual foi o propósito da criação da norma IFRS 13?
A IFRS 13 foi criada para fornecer uma definição única de valor justo e um conjunto abrangente de diretrizes para sua mensuração e divulgação, substituindo as orientações que anteriormente estavam dispersas em diversas outras normas IFRS.
A norma IFRS 13 sofreu alterações desde sua emissão em maio de 2011?
Sim, alterações subsequentes à IFRS 13 foram introduzidas por outras normas, como a IAS 19 (Benefícios aos Empregados), IFRS 9 (Instrumentos Financeiros), IFRS 16 (Arrendamentos) e por meio de melhorias anuais às IFRS.
Qual é o objetivo principal da norma IFRS 13?
O principal objetivo da IFRS 13 é definir o conceito de valor justo, estabelecer uma estrutura para sua mensuração e determinar os requisitos de divulgação relacionados.
O que a IFRS 13 visa alcançar em relação às demonstrações financeiras?
A norma IFRS 13 visa melhorar a consistência e a comparabilidade das mensurações do valor justo e das informações divulgadas sobre ele nas demonstrações financeiras.
A quais normas a IFRS 13 se aplica?
A norma IFRS 13 aplica-se a todas as IFRS que requerem ou permitem a mensuração ou divulgação do valor justo.
Existem exceções à aplicação da IFRS 13?
Sim, a IFRS 13 não se aplica em casos específicos, como:
  • Pagamentos baseados em ações, que são tratados pela IFRS 2;
  • Transações de arrendamento, abordadas pela IFRS 16;
  • Medidas que, embora tenham alguma semelhança com o valor justo, não são definidas como tal pela norma. Exemplos incluem o valor líquido realizável conforme a IAS 2 – Estoques, ou o valor em uso conforme a IAS 36 – Redução ao Valor Recuperável de Ativos.
Como a IFRS 13 define "valor justo"?
Valor justo é definido como o preço que seria recebido pela venda de um ativo ou pago pela transferência de um passivo em uma transação ordenada entre participantes do mercado na data de mensuração.
O que é "mercado principal" no contexto da mensuração do valor justo?
No contexto da mensuração do valor justo, o "mercado principal" é aquele que apresenta o maior volume e nível de atividade para o ativo ou passivo que está sendo mensurado.
O que se entende por "mercado mais vantajoso" na mensuração do valor justo?
O "mercado mais vantajoso" é o mercado que maximiza o valor que seria recebido pela venda do ativo ou que minimiza o valor que seria pago para transferir o passivo. Essa determinação é feita após levar em consideração os custos de transação e os custos de transporte.
O que caracteriza uma "transação ordenada" para fins de mensuração do valor justo?
Uma "transação ordenada" é aquela que presume exposição ao mercado por um período, antes da data de mensuração, suficiente para permitir atividades de marketing que são usuais e habituais para transações envolvendo tais ativos ou passivos. Importante destacar que não se trata de uma transação forçada, como uma liquidação forçada ou uma venda realizada em situação adversa.
O que são "Informações de Nível 1" na hierarquia de valor justo?
"Informações de Nível 1" são preços cotados (não ajustados) em mercados ativos para ativos ou passivos idênticos aos quais a entidade possa ter acesso na data de mensuração.
O que são "Informações de Nível 2" na hierarquia de valor justo?
"Informações de Nível 2" são informações observáveis para o ativo ou passivo, seja direta ou indiretamente, que não se enquadram como preços cotados incluídos no Nível 1.
O que são "Informações de Nível 3" na hierarquia de valor justo?
"Informações de Nível 3" são dados não observáveis para o ativo ou passivo, ou seja, informações que não são obtidas de fontes de mercado externas.
Quais características do ativo ou passivo devem ser consideradas na mensuração do valor justo?
A mensuração do valor justo deve levar em consideração as características do ativo ou passivo que seriam relevantes para os participantes do mercado ao precificá-lo. Isso inclui, por exemplo, a condição e a localização do ativo, bem como quaisquer restrições sobre sua venda ou uso.
Como a transação é considerada na mensuração do valor justo?
A mensuração do valor justo pressupõe uma transação ordenada que ocorre no mercado principal para o ativo ou passivo ou, na ausência de um mercado principal, no mercado mais vantajoso. Essa transação é hipotética e ocorre na data de mensuração, e a entidade deve ter acesso a esse mercado.
Quem são os "participantes do mercado" na mensuração do valor justo?
Os "participantes do mercado" são definidos como compradores e vendedores no mercado principal (ou mais vantajoso) para o ativo ou passivo, que são independentes entre si, conhecedores, capazes de transacionar e motivados a fazê-lo, mas não forçados. As premissas utilizadas na mensuração do valor justo devem refletir aquelas que esses participantes utilizariam.
Como o preço é determinado na mensuração do valor justo?
O preço utilizado na mensuração do valor justo é o preço no mercado principal (ou, na sua ausência, no mercado mais vantajoso) na data da mensuração. Este preço deve ser considerado sem ajustes para custos de transação, pois estes são uma característica da transação e não do ativo ou passivo. No entanto, se a localização for uma característica do ativo, o preço deve ser ajustado por custos de transporte, se aplicável, para levar o ativo ao seu mercado.
Qual conceito é utilizado na aplicação da mensuração do valor justo a ativos não financeiros?
Na aplicação da mensuração do valor justo a ativos não financeiros, utiliza-se o conceito de "melhor uso" (highest and best use). Este conceito considera o uso do ativo que maximizaria seu valor, levando em conta usos que são fisicamente possíveis, legalmente permitidos e financeiramente viáveis.
Como o valor justo de passivos e instrumentos de patrimônio próprios da entidade é considerado?
O valor justo de um passivo deve refletir o preço que seria pago para transferir o passivo a um participante do mercado na data de mensuração, assumindo que o passivo permanece em aberto e não sua liquidação ou extinção. Para instrumentos de patrimônio próprios da entidade, a mensuração também segue os princípios do valor justo.
Como a mensuração do valor justo se aplica a ativos financeiros e passivos financeiros com posições de compensação?
Para um grupo de ativos financeiros e passivos financeiros gerenciados com base na exposição líquida a riscos de mercado específicos ou ao risco de crédito de uma contraparte específica, permite-se a mensuração do valor justo com base no preço que seria recebido para vender uma posição de risco líquida de ativo para um risco particular ou transferir uma posição de risco líquida de passivo para um risco particular. Essa abordagem é permitida se a entidade gerencia o grupo dessa forma, fornece informações nessa base aos seus principais gestores e atende a outros critérios específicos.
O preço de uma transação inicial geralmente representa o valor justo?
Sim, o preço da transação no reconhecimento inicial de um ativo ou passivo é geralmente considerado o valor justo, a menos que haja evidências contrárias que sugiram que o valor justo na data da transação é diferente.
Qual o princípio fundamental para escolher e aplicar técnicas de avaliação na mensuração do valor justo?
O princípio fundamental é que as técnicas de avaliação utilizadas para mensurar o valor justo devem maximizar o uso de dados observáveis relevantes e minimizar o uso de dados não observáveis.
Quais são as abordagens comuns de técnicas de avaliação para o valor justo?
As técnicas de avaliação mais comuns para mensurar o valor justo incluem:
  • Abordagem de mercado: utiliza preços e outras informações relevantes geradas por transações de mercado envolvendo ativos, passivos ou um grupo de ativos e passivos idênticos ou comparáveis (similares).
  • Abordagem de custo: reflete o valor que seria exigido atualmente para substituir a capacidade de serviço de um ativo (frequentemente referido como custo de reposição corrente). Este valor é ajustado para refletir a obsolescência.
  • Abordagem de receita: converte valores futuros (por exemplo, fluxos de caixa ou receitas e despesas) em um valor único atual (ou seja, descontado). A mensuração do valor justo reflete as expectativas de mercado atuais em relação a esses valores futuros.
Essas abordagens podem ser utilizadas isoladamente ou em combinação, dependendo das circunstâncias e da disponibilidade de dados.
Que tipo de informação deve ser priorizada ao aplicar técnicas de avaliação do valor justo?
Ao aplicar técnicas de avaliação do valor justo, deve-se utilizar as melhores informações disponíveis nas circunstâncias, priorizando a maximização do uso de dados observáveis relevantes e a minimização do uso de dados não observáveis.
Quais são exemplos de mercados onde dados observáveis podem ser encontrados para a mensuração do valor justo?
Exemplos de mercados onde dados observáveis podem ser encontrados incluem:
  • Mercados bursáteis (bolsas de valores);
  • Mercados de revendedores (mercados de balcão, nos quais revendedores estão prontos para negociar, ou seja, comprar ou vender por sua própria conta);
  • Mercados intermediados (nos quais corretores tentam compatibilizar compradores com vendedores, mas não negociam por conta própria, como redes de comunicação eletrônica e mercados de imóveis residenciais);
  • Mercados não intermediados (nos quais as negociações ocorrem diretamente entre as partes, de forma independente).
É importante notar que, em alguns desses mercados, como os não intermediados, poucas informações sobre as transações podem ser disponibilizadas ao público.
O que caracteriza as informações de Nível 1 na hierarquia de valor justo e quando devem ser utilizadas?
As informações de Nível 1 são preços cotados (não ajustados) em mercados ativos para ativos ou passivos idênticos aos quais a entidade pode ter acesso na data de mensuração. Um mercado ativo é aquele em que as transações para o ativo ou passivo ocorrem com frequência e volume suficientes para fornecer informações de precificação de forma contínua. Esses preços cotados oferecem a evidência mais confiável do valor justo e devem ser utilizados sem ajuste para mensurar o valor justo sempre que estiverem disponíveis, exceto em circunstâncias limitadas.
O que são informações de Nível 2 na hierarquia de valor justo e como os ajustes são tratados?
Informações de Nível 2 são dados observáveis para o ativo ou passivo, direta ou indiretamente, que não sejam os preços cotados incluídos no Nível 1. Exemplos incluem preços cotados para ativos ou passivos similares em mercados ativos, preços cotados para ativos ou passivos idênticos ou similares em mercados que não são ativos, e dados observáveis que não sejam preços cotados (como taxas de juros e curvas de rendimento observáveis em intervalos cotados, volatilidades implícitas e spreads de crédito). Os ajustes a informações de Nível 2 podem ser necessários e variarão dependendo de fatores como a condição ou localização do ativo, o grau em que as informações se relacionam a itens comparáveis ao ativo ou passivo, e o volume ou nível de atividade nos mercados em que as informações são observadas. Um ajuste significativo a uma informação de Nível 2 que utilize dados não observáveis significativos pode resultar em uma mensuração do valor justo classificada no Nível 3 da hierarquia.
O que são informações de Nível 3 na hierarquia de valor justo e quando são utilizadas?
Informações de Nível 3 são dados não observáveis para o ativo ou passivo. Esses dados são utilizados para mensurar o valor justo na medida em que dados observáveis relevantes não estejam disponíveis, admitindo assim situações em que há pouca ou nenhuma atividade de mercado para o ativo ou passivo na data de mensuração. As informações de Nível 3 devem refletir as premissas que os participantes do mercado usariam ao precificar o ativo ou passivo, incluindo premissas sobre risco. Por envolverem um maior grau de subjetividade, as mensurações baseadas em dados de Nível 3 exigem divulgações mais extensas.
Que tipo de informações as entidades devem divulgar sobre a mensuração do valor justo?
As entidades devem divulgar informações que ajudem os usuários de suas demonstrações financeiras a avaliar ambos os seguintes aspectos:
  • Para ativos e passivos que são mensurados ao valor justo de forma recorrente ou não recorrente no balanço patrimonial após o reconhecimento inicial, as técnicas de avaliação e as informações (inputs) utilizadas para desenvolver essas mensurações.
  • Para mensurações do valor justo recorrentes que utilizem dados não observáveis significativos (Nível 3), o efeito das mensurações sobre o resultado do período ou outros resultados abrangentes para o período.
Além disso, as divulgações incluem a natureza, características e riscos do ativo ou passivo; o nível da hierarquia de valor justo em que as mensurações do valor justo são classificadas no seu todo; políticas sobre transferências entre os níveis da hierarquia; mudanças significativas nas técnicas de avaliação e nos dados utilizados; a sensibilidade das mensurações a mudanças em pressupostos significativos (especialmente para Nível 3); e uma conciliação dos saldos iniciais com os finais para itens mensurados com base em dados de Nível 3. Para ativos não financeiros, também pode ser necessário divulgar informações sobre o melhor uso atual versus o uso prático.
Qual é a norma brasileira equivalente à IFRS 13 para mensuração do valor justo?
No Brasil, a norma contábil que trata da mensuração do valor justo e é convergente com a IFRS 13 é o Pronunciamento Técnico CPC 46 - Mensuração do Valor Justo.
O CPC 46 - Mensuração do Valor Justo é de adoção obrigatória no Brasil?
Sim, o CPC 46, que espelha os princípios da IFRS 13, é de adoção obrigatória por entidades reguladas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC) para as demais entidades, e pelo Banco Central do Brasil (BACEN) para as instituições sob sua supervisão.
Quais são os desafios na aplicação prática do CPC 46 no Brasil, apesar da convergência com a IFRS 13?
Apesar da convergência formal do CPC 46 com a IFRS 13, a aplicação prática no Brasil pode enfrentar desafios devido à maturidade do mercado local e ao acesso a dados observáveis, que podem ser mais limitados em comparação com mercados mais desenvolvidos. Por isso, é recomendável que os profissionais contábeis e financeiros no Brasil estejam atentos às orientações específicas emitidas pela CVM e pela Receita Federal do Brasil, especialmente no que tange à interpretação do termo "valor justo" em contextos fiscais e regulatórios específicos do país.

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Débora Martins De Luca

Contadora | Controladoria Financeira | Auditoria, Controles Internos e Compliance