Artigo
26/07/2025

Inteligência Artificial como Estratégia Nacional: O Plano Americano e o Panorama Brasileiro

Analisa o plano americano de IA e compara com os desafios e iniciativas do Brasil para uma estratégia nacional integrada.

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A Inteligência Artificial (IA) tem ganhado papel central na formulação de políticas públicas e estratégias geopolíticas. O plano “America’s AI Action Plan”, apresentado pela administração Trump em julho de 2025, estabelece uma abordagem ambiciosa voltada para garantir o domínio global dos Estados Unidos nesse campo. Este artigo destaca os principais pilares do plano americano e os compara com os desafios e iniciativas enfrentadas pelo Brasil.

Pilar I – Acelerar a Inovação em IA

Em um cenário cada vez mais competitivo e dinâmico, impulsionar a inovação em inteligência artificial tornou-se não apenas um diferencial estratégico, mas uma necessidade vital para organizações que almejam liderar o futuro. O Pilar I – Acelerar a Inovação em IA representa o compromisso com o avanço tecnológico constante, estimulando o desenvolvimento de soluções inteligentes que transformem dados em decisões, ideias em impacto e pessoas em protagonistas da revolução digital.

Ao colocar a inovação no centro da estratégia, este pilar promove uma cultura de experimentação, aprendizado contínuo e colaboração interdisciplinar — pilares fundamentais para desbloquear o potencial pleno da IA em todas as suas aplicações

Principais ações nos EUA:

  • Remoção de barreiras regulatórias para fomentar inovação no setor privado.
  • Incentivo a modelos de IA abertos (open-source e open-weight).
  • Criação de “sandboxes regulatórios” para testar tecnologias emergentes em setores críticos como saúde e agricultura.
  • Foco em capacitação da força de trabalho, com programas de requalificação e alfabetização em IA.

O Brasil tem iniciativas isoladas, como o Estratégia Brasileira de Inteligência Artificial (EBIA) lançada em 2021. No entanto, a regulamentação ainda é incipiente. A ausência de incentivos específicos para modelos abertos e testes regulatórios limita o ritmo da adoção. A formação de talentos em IA depende fortemente de iniciativas privadas e acadêmicas.

A convergência dos três pilares — Inovação, Infraestrutura e Diplomacia e Segurança — delineia uma estratégia integrada e indispensável para que o Brasil ocupe um papel de protagonismo na era da inteligência artificial.

Pilar II – Construção de Infraestrutura para IA

A verdadeira revolução em inteligência artificial exige mais do que algoritmos poderosos e modelos avançados — ela demanda uma base sólida e escalável. O Pilar II – Construção de Infraestrutura para IA foca na criação de ambientes robustos, seguros e flexíveis que sustentem a inovação tecnológica e ampliem seu alcance de forma consistente.

Esse pilar trata da arquitetura invisível que viabiliza o extraordinário: desde centros de dados modernos e redes de alta performance, até soluções em nuvem e plataformas integradas que facilitam o desenvolvimento, a implantação e a governança da IA. Investir na infraestrutura certa é garantir que o potencial disruptivo da IA possa florescer com velocidade, responsabilidade e impacto sustentável

Principais ações nos EUA:

  • Reformas profundas em leis ambientais e regulatórias para acelerar construção de data centers e fabricação de chips.
  • Incentivos ao desenvolvimento da infraestrutura energética voltada para IA.
  • Estímulo à capacitação de profissionais técnicos para sustentar essa infraestrutura.

Apesar de avanços no setor de tecnologia, como os investimentos em centros de dados em São Paulo, o Brasil enfrenta dificuldades regulatórias, ambientais e logísticas. Projetos de infraestrutura energética e conectividade são lentos e fragmentados. A dependência de importações de semicondutores é crítica, e o país ainda não possui políticas estruturadas para fortalecer essa cadeia produtiva.

Pilar III – Diplomacia Internacional e Segurança em IA

À medida que a inteligência artificial se consolida como força global transformadora, torna-se imprescindível abordar suas implicações éticas, geopolíticas e de segurança. O Pilar III – Diplomacia Internacional e Segurança em IA reconhece que a liderança tecnológica exige responsabilidade compartilhada, transparência e diálogo entre nações, empresas e instituições.

Este pilar defende uma abordagem cooperativa para o desenvolvimento de normas, tratados e mecanismos que garantam o uso seguro, justo e confiável da IA em escala mundial. Ao fomentar alianças estratégicas, promover discussões multilaterais e antecipar riscos, ele estabelece as bases para uma governança global que preserve valores humanos, proteja sociedades e promova a inovação com integridade

Principais ações nos EUA:

  • Exportação da cadeia completa de tecnologia de IA para países aliados.
  • Imposição de controles rígidos à exportação de semicondutores e à influência chinesa em órgãos reguladores internacionais.
  • Avaliação de riscos em modelos de IA voltados para segurança nacional.
  • Fortalecimento de políticas de biossegurança frente a potenciais ameaças biológicas habilitadas por IA.

O país participa de fóruns internacionais como a UNESCO e a OCDE, mas ainda atua de forma reativa às diretrizes globais. Não há um programa nacional de exportação tecnológica voltado para IA, nem políticas consolidadas de segurança voltadas à IA em defesa ou saúde pública. A atuação diplomática brasileira é mais voltada à regulação ética e uso responsável, com foco em direitos humanos e inclusão.

O plano americano demonstra uma visão clara, propositiva e agressiva: utilizar a IA como catalisador de inovação, segurança nacional e supremacia econômica. Já o Brasil, embora reconheça o papel estratégico da IA, carece de uma abordagem integrada e ambiciosa. Para não ficar à margem da revolução tecnológica, o país precisa:

  • Fortalecer suas políticas de incentivo à inovação.
  • Modernizar marcos regulatórios.
  • Investir em infraestrutura própria.
  • Garantir soberania e protagonismo internacional.

A Urgência de Posicionar o Brasil na Vanguarda da IA

A convergência dos três pilares — Inovação, Infraestrutura e Diplomacia e Segurança — delineia uma estratégia integrada e indispensável para que o Brasil ocupe um papel de protagonismo na era da inteligência artificial. Em um cenário global em que potências como os Estados Unidos, União Europeia e China investem agressivamente em pesquisa, regulação e expansão tecnológica, o tempo para agir é agora — e cada dia de inércia representa uma oportunidade perdida.

O Brasil, com sua riqueza cultural, capacidade científica e força demográfica, tem o potencial de se tornar não apenas consumidor de soluções de IA, mas também criador de tecnologias éticas, inclusivas e contextualizadas às nossas realidades. Isso demanda um pacto nacional — entre governo, iniciativa privada, academia e sociedade civil — que una investimento estratégico, marcos regulatórios modernos e um olhar voltado à cooperação internacional.

A urgência está posta: fortalecer a inovação, construir a infraestrutura necessária e assumir uma posição ativa nas discussões geopolíticas sobre IA não é apenas uma escolha estratégica — é uma responsabilidade histórica. O futuro da inteligência artificial será moldado por quem ousar agir hoje. O Brasil precisa estar à mesa, não no menu.

As opiniões dos autores convidados da nossa comunidade são independentes e não necessariamente representam a opinião da Okai.

Perguntas e respostas

O que é o “America’s AI Action Plan”?
O “America’s AI Action Plan” é um plano estratégico apresentado pela administração Trump em julho de 2025. Seu principal objetivo é estabelecer uma abordagem ambiciosa para garantir o domínio global dos Estados Unidos no campo da Inteligência Artificial (IA).O plano se baseia em três pilares centrais: acelerar a inovação em IA, construir a infraestrutura necessária para seu desenvolvimento e fortalecer a diplomacia internacional e a segurança relacionadas à tecnologia.
Qual o objetivo do pilar "Acelerar a Inovação em IA"?
O pilar "Acelerar a Inovação em IA" representa um compromisso com o avanço tecnológico constante, buscando estimular o desenvolvimento de soluções inteligentes que transformem dados em decisões e ideias em impacto.Seu objetivo é promover uma cultura de experimentação, aprendizado contínuo e colaboração interdisciplinar, que são considerados fundamentais para desbloquear o potencial completo da Inteligência Artificial em todas as suas aplicações.
O que são "sandboxes regulatórios" no contexto da Inteligência Artificial?
"Sandboxes regulatórios" são ambientes controlados criados para permitir o teste de tecnologias emergentes. No contexto da Inteligência Artificial, eles funcionam como espaços onde barreiras regulatórias são removidas temporariamente para fomentar a inovação do setor privado.Nos Estados Unidos, por exemplo, o plano de IA de 2025 prevê a criação desses ambientes para testar novas tecnologias em setores críticos como saúde e agricultura.
O que é a Estratégia Brasileira de Inteligência Artificial (EBIA)?
A Estratégia Brasileira de Inteligência Artificial (EBIA) é uma iniciativa lançada pelo Brasil em 2021 para guiar o desenvolvimento e a adoção da IA no país. No entanto, é descrita como uma iniciativa isolada em um cenário onde a regulamentação geral ainda é incipiente. A formação de talentos, por exemplo, ainda depende fortemente de ações dos setores privado e acadêmico.
Qual a importância do pilar "Construção de Infraestrutura para IA"?
O pilar "Construção de Infraestrutura para IA" foca na criação de uma base sólida e escalável, que é essencial para sustentar a inovação em Inteligência Artificial. Ele trata da "arquitetura invisível" que viabiliza o desenvolvimento tecnológico, como centros de dados modernos, redes de alta performance, soluções em nuvem e plataformas integradas.Investir na infraestrutura adequada é visto como um passo crucial para garantir que o potencial disruptivo da IA possa se desenvolver com velocidade, responsabilidade e impacto sustentável.
Que ações os EUA planejam para construir uma infraestrutura de IA, conforme o plano de 2025?
De acordo com o “America’s AI Action Plan” de 2025, as principais ações dos Estados Unidos para a construção de infraestrutura de IA incluem:
  • Reformas em leis ambientais e regulatórias para acelerar a construção de data centers e a fabricação de chips.
  • Incentivos ao desenvolvimento da infraestrutura energética voltada para as demandas da IA.
  • Estímulo à capacitação de profissionais técnicos para projetar e manter essa infraestrutura.
Quais são os desafios do Brasil na construção de infraestrutura para Inteligência Artificial?
Apesar de alguns avanços, como investimentos em centros de dados em São Paulo, o Brasil enfrenta vários desafios para construir uma infraestrutura robusta para IA.Entre as principais dificuldades estão questões regulatórias, ambientais e logísticas que tornam os projetos de infraestrutura energética e de conectividade lentos e fragmentados. Além disso, o país possui uma dependência crítica da importação de semicondutores e ainda não conta com políticas estruturadas para fortalecer essa cadeia produtiva internamente.
Do que trata o pilar "Diplomacia Internacional e Segurança em IA"?
O pilar "Diplomacia Internacional e Segurança em IA" aborda as implicações éticas, geopolíticas e de segurança da Inteligência Artificial. Ele defende uma abordagem cooperativa entre nações, empresas e instituições para desenvolver normas, tratados e mecanismos que garantam o uso seguro, justo e confiável da IA em escala global.O objetivo é estabelecer as bases para uma governança que preserve os valores humanos, proteja as sociedades e promova a inovação com integridade, por meio de alianças estratégicas e discussões multilaterais.
Como a abordagem dos EUA em diplomacia e segurança de IA se diferencia da brasileira?
A abordagem dos Estados Unidos, conforme o plano de 2025, é descrita como propositiva e agressiva, com ações que incluem a exportação de sua cadeia de tecnologia de IA para países aliados e a imposição de controles rígidos sobre a exportação de semicondutores para conter a influência de adversários geopolíticos, como a China. O país também foca na avaliação de riscos em modelos de IA para segurança nacional e no fortalecimento de políticas de biossegurança.Em contraste, a atuação do Brasil é considerada mais reativa, participando de fóruns internacionais como a UNESCO e a OCDE. A diplomacia brasileira concentra-se principalmente na regulação ética e no uso responsável da IA, com ênfase em direitos humanos e inclusão, sem ter um programa nacional de exportação tecnológica ou políticas consolidadas de segurança voltadas à IA.
Quais são os três pilares de uma estratégia integrada de Inteligência Artificial?
Uma estratégia integrada e indispensável para que um país alcance protagonismo na era da Inteligência Artificial é delineada pela convergência de três pilares: Inovação, Infraestrutura e Diplomacia e Segurança.Juntos, eles formam uma abordagem completa que abrange desde o estímulo ao desenvolvimento tecnológico e a construção de uma base sólida para sustentá-lo até a governança de seu uso e sua inserção no cenário geopolítico global.

Autor

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Oerton Fernandes, MsC

Professor MIT | Especialista em Segurança da Informação | Perito Forense Digital | Investigador em Cibersegurança | Auditor Líder | Ethical Hacker | DPO | CPO | DPE | Teólogo