O Programa Empresa Pró-Ética, conduzido pela Controladoria-Geral da União (CGU), sempre ocupou posição central no fomento à integridade corporativa no Brasil. Desde suas primeiras edições, o programa atuou como um instrumento indutor, incentivando empresas a estruturarem programas de integridade alinhados à Lei nº 12.846/2013.
A edição 2025–2026, no entanto, marca um salto qualitativo relevante. Mais do que reconhecer estruturas formais, o Pró-Ética passa a exigir evidências robustas de efetividade, governança, integração estratégica e maturidade do Programa de Compliance, aproximando-se de padrões internacionais e das melhores práticas consolidadas em normas como a ISO 37301 e orientações da OCDE.
Enquanto o Pacto Brasil trabalha majoritariamente com autoavaliação declaratória, voltada a medir a existência de requisitos mínimos de integridade, o Pró-Ética exige:
Fortalecimento do papel da Alta Direção: do discurso à governança ativa
A Área I – Comprometimento da Alta Direção foi significativamente aprofundada.
Não basta mais:
Agora, a avaliação exige comprovação de que a Alta Direção:
Esse avanço demonstra que o Pró-Ética passa a tratar a liderança não apenas como patrocinadora simbólica, mas como instância efetiva de governança do programa.
Compliance como função estruturada, independente e estratégica
Na Área II – Instância Interna Responsável pelo Programa, observa-se um claro amadurecimento conceitual.
O novo modelo avalia:
Um ponto simbólico dessa evolução é a introdução de perguntas sobre uso de inteligência artificial no compliance, ainda sem peso significativo, mas que sinaliza a visão prospectiva da CGU.
Gestão de riscos: da formalidade ao ciclo completo de tratamento
A Área III – Gestão de Riscos para a Integridade deixa de tratar a matriz de riscos como documento isolado e passa a exigir:
Além disso, a inclusão explícita de riscos de direitos humanos, ambientais e climáticos amplia o escopo tradicional do compliance anticorrupção, alinhando o Pró-Ética a uma visão integrada de integridade e sustentabilidade.
Integração entre Compliance, ESG e cultura organizacional
Outro avanço relevante é a incorporação definitiva das dimensões social e ambiental ao Programa de Integridade.
Temas como:
deixam de ser periféricos e passam a influenciar diretamente a pontuação e a análise do programa.
Isso reforça a compreensão de que integridade não se limita à relação com o poder público, mas envolve o impacto ético das decisões empresariais sobre pessoas, comunidades e o meio ambiente.
Lógica de pontuação e redistribuição
O novo Manual de Pontuações e Regras de Redistribuição traz maior sofisticação metodológica ao processo avaliativo.
Destacam-se:
Para o mercado brasileiro, o Pró-Ética consolida-se não apenas como um selo de reconhecimento, mas como um referencial técnico de maturidade em integridade corporativa.