Artigo
16/01/2026

Pró-Ética 2025–2026: a evolução da avaliação de Programas de Compliance no Brasil

O Pró-Ética 2025–2026 desloca a avaliação de compliance de estruturas formais para evidências de efetividade, governança, integração estratégica e maturidade corporativa.

Resumo

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O Programa Empresa Pró-Ética, conduzido pela Controladoria-Geral da União (CGU), sempre ocupou posição central no fomento à integridade corporativa no Brasil. Desde suas primeiras edições, o programa atuou como um instrumento indutor, incentivando empresas a estruturarem programas de integridade alinhados à Lei nº 12.846/2013.

A edição 2025–2026, no entanto, marca um salto qualitativo relevante. Mais do que reconhecer estruturas formais, o Pró-Ética passa a exigir evidências robustas de efetividade, governança, integração estratégica e maturidade do Programa de Compliance, aproximando-se de padrões internacionais e das melhores práticas consolidadas em normas como a ISO 37301 e orientações da OCDE.

Enquanto o Pacto Brasil trabalha majoritariamente com autoavaliação declaratória, voltada a medir a existência de requisitos mínimos de integridade, o Pró-Ética exige:

  • Evidências documentais;
  • Coerência sistêmica entre políticas, processos e resultados;
  • Comprovação da aplicação prática das medidas.

Fortalecimento do papel da Alta Direção: do discurso à governança ativa

A Área I – Comprometimento da Alta Direção foi significativamente aprofundada.

Não basta mais:

  • Mensagens genéricas de apoio;
  • Aprovação formal de políticas.

Agora, a avaliação exige comprovação de que a Alta Direção:

  • Participa de comitês de ética;
  • Avalia relatórios quantitativos e qualitativos;
  • Condiciona remuneração variável a indicadores de integridade;
  • Possui capacitação específica em compliance, assédio, discriminação e temas ESG.

Esse avanço demonstra que o Pró-Ética passa a tratar a liderança não apenas como patrocinadora simbólica, mas como instância efetiva de governança do programa.

Compliance como função estruturada, independente e estratégica

Na Área II – Instância Interna Responsável pelo Programa, observa-se um claro amadurecimento conceitual.

O novo modelo avalia:

  • Independência estrutural da área de compliance;
  • Garantias formais de autonomia e reporte direto à Alta Direção;
  • Orçamento próprio aprovado previamente;
  • Quantitativo de profissionais proporcional aos riscos;
  • Atuação direta ou supervisão das investigações internas.

Um ponto simbólico dessa evolução é a introdução de perguntas sobre uso de inteligência artificial no compliance, ainda sem peso significativo, mas que sinaliza a visão prospectiva da CGU.

Gestão de riscos: da formalidade ao ciclo completo de tratamento

A Área III – Gestão de Riscos para a Integridade deixa de tratar a matriz de riscos como documento isolado e passa a exigir:

  • Metodologia formal;
  • Periodicidade definida;
  • Aprovação pela Alta Direção;
  • Participação ativa da área de compliance;
  • Tratamento dos riscos, com responsáveis, planos de ação e contingências.

Além disso, a inclusão explícita de riscos de direitos humanos, ambientais e climáticos amplia o escopo tradicional do compliance anticorrupção, alinhando o Pró-Ética a uma visão integrada de integridade e sustentabilidade.

Integração entre Compliance, ESG e cultura organizacional

Outro avanço relevante é a incorporação definitiva das dimensões social e ambiental ao Programa de Integridade.

Temas como:

  • Assédio e discriminação;
  • Direitos humanos;
  • Meio ambiente e mudanças climáticas;
  • Transparência socioambiental,

deixam de ser periféricos e passam a influenciar diretamente a pontuação e a análise do programa.

Isso reforça a compreensão de que integridade não se limita à relação com o poder público, mas envolve o impacto ético das decisões empresariais sobre pessoas, comunidades e o meio ambiente.

Lógica de pontuação e redistribuição

O novo Manual de Pontuações e Regras de Redistribuição traz maior sofisticação metodológica ao processo avaliativo.

Destacam-se:

  • Redistribuição automática de pontos quando itens não se aplicam ao perfil da empresa;
  • Avaliação proporcional e contextualizada;
  • Redução de distorções entre empresas de portes e modelos distintos.

Para o mercado brasileiro, o Pró-Ética consolida-se não apenas como um selo de reconhecimento, mas como um referencial técnico de maturidade em integridade corporativa.

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Atualizado Verificado em 16/07/2026

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Perguntas e respostas

O que muda para a alta direção?
Apoio genérico não basta; decisões, recursos, participação e exemplo precisam ser demonstráveis.
Como ele difere de uma autoavaliação declaratória?
Exige documentos, coerência sistêmica e comprovação da aplicação prática das medidas.
Como funciona a proporcionalidade?
Itens não aplicáveis podem ter pontos redistribuídos conforme perfil, porte e modelo da empresa.
Qual é a evolução central do Pró-Ética?
Maior exigência de evidências sobre efetividade, integração estratégica e maturidade do programa.
Por que o programa vai além de um selo?
Ele oferece referência técnica para avaliar maturidade e orientar melhoria contínua em integridade.

Conteúdo gerado com apoio de IA. Não substitui análise profissional.

Autor

GM

Geraldo Medeiros

Autor de conteúdos sobre compliance, integridade, cibersegurança e desafios de conformidade no Brasil.