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02/08/2025

Tudo sobre IAS 23: Custos de Empréstimos

Explica as regras de capitalização dos custos de empréstimos para ativos qualificáveis segundo a IAS 23.

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Breve Histórico

A norma IAS 23 - Custos de Empréstimos foi originalmente emitida pelo International Accounting Standards Committee (IASC) em 1984 e revisada pelo International Accounting Standards Board (IASB) em 1993. A versão revisada, emitida em 2007, eliminou a opção de reconhecer os custos de empréstimos diretamente como despesa, tornando obrigatória a capitalização desses custos quando relacionados a ativos qualificáveis.

Princípio Básico

A IAS 23 estabelece que os custos de empréstimos diretamente atribuíveis à aquisição, construção ou produção de um ativo qualificável devem ser capitalizados como parte do custo desse ativo. Todos os outros custos de empréstimos devem ser reconhecidos como despesa no período em que forem incorridos.

Alcance

A norma se aplica a todas as entidades que incorram em custos de empréstimos relacionados a ativos qualificáveis. Entretanto, ela não se aplica ao custo do capital de patrimônio líquido, a ativos medidos ao valor justo ou estoques que sejam manufaturados de forma repetitiva em grandes quantidades.

Definições

Custos de empréstimos: são juros e outros custos incorridos por uma entidade em relação ao empréstimo de recursos. Os custos de empréstimos podem incluir: despesa de juros calculada utilizando-se o método de juros efetivos, juros em relação aos arrendamentos financeiros e diferenças de câmbio resultantes de empréstimos obtidos em moeda estrangeira, na medida em que forem considerados como um ajuste aos custos de juros.

Ativo qualificável: é um ativo que necessariamente leva um período de tempo substancial para ficar pronto para seu uso pretendido ou para venda.

Reconhecimento

Custos de empréstimos elegíveis para capitalização

Apenas os custos de empréstimos diretamente atribuíveis à aquisição, construção ou produção de um ativo qualificável devem ser capitalizados durante o período em que o ativo está sendo preparado para uso ou venda. Os custos reais de empréstimos incorridos durante o período de capitalização devem ser deduzidos de qualquer valor referente à receita de investimento sobre a aplicação temporária desses empréstimos.

A taxa de capitalização será a média ponderada dos custos de empréstimos aplicável a todos os empréstimos da entidade que estiverem pendentes durante o período de preparação desse ativo, sendo excluídos os valores de ativo que já estejam disponíveis para o uso pretendido ou venda.

Excedente do valor contábil do ativo qualificado em relação ao valor recuperável

Caso o valor contábil do ativo qualificável exceda seu valor recuperável, uma perda por desvalorização deve ser reconhecida.

Início da capitalização

A capitalização dos custos de empréstimos inicia-se quando:

  • Os gastos com o ativo são incorridos;
  • Os custos de empréstimos são incorridos;
  • Atividades necessárias para preparar o ativo para seu uso pretendido ou venda estão em andamento.

Suspensão da capitalização

A capitalização deve ser temporariamente suspensa durante períodos em que o desenvolvimento do ativo qualificável estiver interrompido.

Cessação da capitalização

A capitalização deve cessar quando substancialmente todas as atividades necessárias para preparar o ativo para seu uso pretendido ou venda forem concluídas.

Divulgação

As entidades devem divulgar:

  • O montante de custos de empréstimos capitalizados durante o período;
  • A taxa de capitalização utilizada para determinar o montante dos custos de empréstimos capitalizados.

Comparativo com as Normas Brasileiras

No Brasil, a norma IAS 23 foi incorporada ao CPC 20 (R1) - Custos de Empréstimos, emitido pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis. O CPC 20 segue a mesma abordagem da IAS 23, tornando obrigatória a capitalização dos custos de empréstimos relacionados a ativos qualificáveis. As exigências de divulgação também são similares, garantindo harmonização com as normas internacionais de contabilidade.

A principal diferença entre a IAS 23 e o CPC 20 está na contextualização da norma dentro do ambiente regulatório brasileiro, especialmente no que se refere à interação com normas fiscais e requisitos específicos da Receita Federal do Brasil.

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Para saber mais sobre IFRS, acesse: youtube.com/@Deboramartinsdeluca

As opiniões dos autores convidados da nossa comunidade são independentes e não necessariamente representam a opinião da Okai.

Perguntas e respostas

Qual é o histórico da norma contábil internacional IAS 23 - Custos de Empréstimos?
A norma IAS 23 - Custos de Empréstimos foi originalmente emitida pelo International Accounting Standards Committee (IASC) em 1984.Posteriormente, foi revisada pelo International Accounting Standards Board (IASB) em 1993.Uma revisão mais significativa ocorreu em 2007, quando a versão emitida eliminou a opção de reconhecer os custos de empréstimos diretamente como despesa, tornando obrigatória a capitalização desses custos quando relacionados a ativos qualificáveis.
Que alteração fundamental foi introduzida na norma IAS 23 pela revisão de 2007?
A revisão da norma IAS 23, emitida em 2007, introduziu uma mudança fundamental ao eliminar a opção que permitia às entidades reconhecerem os custos de empréstimos diretamente como despesa.Com essa revisão, tornou-se obrigatória a capitalização dos custos de empréstimos que são diretamente atribuíveis à aquisição, construção ou produção de um ativo qualificável.
Qual é o princípio básico estabelecido pela norma IAS 23 para o tratamento contábil dos custos de empréstimos?
O princípio básico da IAS 23 determina que os custos de empréstimos diretamente atribuíveis à aquisição, construção ou produção de um ativo qualificável devem ser capitalizados, ou seja, incluídos como parte do custo desse ativo.Todos os outros custos de empréstimos, que não se enquadram nesses critérios, devem ser reconhecidos como despesa no período em que são incorridos.
A quem se aplica a norma IAS 23 - Custos de Empréstimos?
A norma IAS 23 se aplica a todas as entidades que incorrem em custos de empréstimos relacionados à aquisição, construção ou produção de ativos qualificáveis.
Em que situações específicas a norma IAS 23 - Custos de Empréstimos não é aplicável?
A norma IAS 23 não se aplica ao custo do capital de patrimônio líquido (capital próprio).Também não se aplica a ativos que são medidos ao valor justo.Adicionalmente, a norma não abrange estoques que são manufaturados de forma repetitiva e em grandes quantidades.
Como a norma IAS 23 define "custos de empréstimos"?
De acordo com a IAS 23, custos de empréstimos são juros e outros custos que uma entidade incorre ao tomar recursos emprestados.Exemplos de custos de empréstimos incluem a despesa de juros calculada pelo método de juros efetivos, juros relacionados a arrendamentos financeiros, e também as diferenças de câmbio que surgem de empréstimos em moeda estrangeira, desde que estas sejam consideradas um ajuste aos custos de juros.
O que é considerado um "ativo qualificável" segundo a norma IAS 23?
Um ativo qualificável, conforme definido pela IAS 23, é um ativo que, necessariamente, demanda um período de tempo substancial para estar pronto para seu uso pretendido ou para venda.
Quais custos de empréstimos são considerados elegíveis para capitalização de acordo com a IAS 23?
Conforme a IAS 23, somente os custos de empréstimos que são diretamente atribuíveis à aquisição, construção ou produção de um ativo qualificável devem ser capitalizados.Essa capitalização ocorre durante o período em que o ativo está sendo preparado para seu uso pretendido ou para venda.
De que forma as receitas de investimento provenientes da aplicação temporária de empréstimos afetam a capitalização dos custos desses empréstimos?
Os custos reais de empréstimos incorridos durante o período de capitalização devem ser reduzidos por qualquer receita de investimento obtida com a aplicação temporária desses mesmos empréstimos.Isso significa que o valor a ser capitalizado é o custo de empréstimo líquido dessa receita de investimento.
Como é determinada a taxa de capitalização para os custos de empréstimos?
A taxa de capitalização é calculada como a média ponderada dos custos de empréstimos aplicável a todos os empréstimos da entidade que estiverem pendentes durante o período de preparação do ativo qualificável.Importante notar que, para este cálculo, são excluídos os valores de ativo que já esteja disponível para o uso pretendido ou venda.
Qual procedimento deve ser adotado se o valor contábil de um ativo qualificável, incluindo os custos de empréstimos capitalizados, exceder seu valor recuperável?
Caso o valor contábil de um ativo qualificável ultrapasse seu valor recuperável, deve ser reconhecida uma perda por desvalorização (impairment).Isso garante que o ativo não seja registrado por um valor superior ao que pode ser recuperado através de seu uso ou venda.
Quais são as condições para o início da capitalização dos custos de empréstimos?
A capitalização dos custos de empréstimos como parte do custo de um ativo qualificável deve iniciar-se quando três condições são atendidas simultaneamente.A primeira condição é que os gastos com o ativo estejam sendo incorridos.A segunda é que os custos de empréstimos estejam sendo incorridos.E a terceira condição é que as atividades necessárias para preparar o ativo para seu uso pretendido ou para venda estejam em andamento.
Em que situações a capitalização dos custos de empréstimos deve ser suspensa?
A capitalização dos custos de empréstimos deve ser temporariamente suspensa durante períodos em que o desenvolvimento ativo do ativo qualificável estiver interrompido.
Quando a capitalização dos custos de empréstimos deve ser encerrada?
A capitalização dos custos de empréstimos deve cessar (ser encerrada) quando substancialmente todas as atividades necessárias para preparar o ativo qualificável para seu uso pretendido ou para venda forem concluídas.
Que informações as entidades são obrigadas a divulgar em relação à capitalização de custos de empréstimos?
As entidades devem divulgar o montante de custos de empréstimos capitalizados durante o período.Adicionalmente, devem divulgar a taxa de capitalização utilizada para determinar o montante dos custos de empréstimos capitalizados.
Como a norma internacional IAS 23 - Custos de Empréstimos foi adotada no Brasil?
No Brasil, a norma IAS 23 foi incorporada por meio do Pronunciamento Técnico CPC 20 (R1) - Custos de Empréstimos, emitido pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC).O CPC 20 (R1) adota a mesma abordagem da IAS 23, estabelecendo a obrigatoriedade da capitalização dos custos de empréstimos relacionados a ativos qualificáveis.As exigências de divulgação também são similares, o que promove a harmonização com as normas internacionais de contabilidade.
Qual é a principal distinção entre a norma internacional IAS 23 e a norma brasileira CPC 20 (R1) sobre custos de empréstimos?
A principal diferença entre a IAS 23 e o CPC 20 (R1) reside na contextualização da norma brasileira dentro do ambiente regulatório específico do Brasil.Isso inclui, notadamente, a interação do CPC 20 (R1) com as normas fiscais brasileiras e os requisitos específicos estabelecidos pela Receita Federal do Brasil.

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Débora Martins De Luca

Contadora | Controladoria Financeira | Auditoria, Controles Internos e Compliance