Norma
16/01/2013
#66954

Instrução Normativa RFB nº 1322, de 16 de janeiro de 2013

Altera regras sobre preços praticados em operações entre pessoas vinculadas residentes no Brasil e no exterior.

Altera a Instrução Normativa RFB nº 1.312, de 28 de dezembro de 2012, que dispõe sobre os preços a serem praticados nas operações de compra e de venda de bens, serviços ou direitos efetuados por pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no Brasil, com pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, consideradas vinculadas.

A SECRETÁRIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL SUBSTITUTA, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 280 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012, e tendo em vista o disposto no art. 22 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, no art. 45 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, no art. 48 da Lei nº 12.715, de 17 de setembro de 2012, e no art. 5º da Lei nº 12.766, de 27 de dezembro de 2012, resolve:
Art. 1º Os arts. 9º, 12, 22, 38, 48 e 58 da Instrução Normativa RFB nº 1.312, de 28 de dezembro de 2012, passam a vigorar com a seguinte redação:
“Art. 9º ...................................................................................
§ 3º Na hipótese prevista no § 2º, não sendo comprovada a aplicação consistente de uma taxa, o ajuste será efetuado com base nas taxas previstas no art. 38-A.
........................................................................................” (NR)
“Art. 12. ...............................................................................
§ 8º Na hipótese prevista no § 7º, não sendo comprovada a aplicação consistente de uma taxa, o ajuste será efetuado com base nas taxas previstas no art. 38-A.
........................................................................................” (NR)
“Art. 22. .............................................................................
§ 3º Na hipótese prevista no § 2º, não sendo comprovada a aplicação consistente de uma taxa, o ajuste será efetuado com base nas taxas previstas no art. 38-A.
........................................................................................” (NR)
“Art. 38. Para os contratos firmados no ano-calendário de 2012, os juros pagos ou creditados a pessoa vinculada, quando decorrentes de contrato de mútuo, serão dedutíveis, para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, somente até o montante que não exceda o valor calculado com base na taxa London lnterbank Offered Rate (Libor), para depósitos em dólares dos Estados Unidos da América pelo prazo de 6 (seis) meses, acrescida de 3% (três por cento) anuais a título de spread, proporcionalizados em função do período a que se referirem os juros.
..............................................................................................
§ 11. O disposto neste artigo aplica-se somente na hipótese de opção nos termos do art. 56.” (NR)
“Art. 48. A partir de 1º de janeiro de 2013, a pessoa jurídica que comprovar haver apurado lucro líquido antes da provisão do imposto sobre a renda e da CSLL decorrente das receitas de vendas nas exportações para pessoas jurídicas vinculadas, em valor equivalente a, no mínimo, 10% (dez por cento) do total dessas receitas, considerando-se a média anual do período de apuração e dos 2 (dois) anos precedentes, poderá comprovar a adequação dos preços praticados nas exportações, do período de apuração, exclusivamente, com os documentos relacionados com a própria operação.
........................................................................................” (NR)
“Art. 58. Para os contratos firmados até 31 de dezembro de 2012, os juros pagos ou creditados a pessoa vinculada, quando decorrentes de contrato não registrado no Banco Central do Brasil, somente serão dedutíveis para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL até o montante que não exceda o valor calculado com base na taxa Libor, para depósitos em dólares dos Estados Unidos da América pelo prazo de 6 (seis) meses, acrescida de 3% (três por cento) anuais a título de spread, proporcionalizados em função do período a que se referirem os juros.
........................................................................................” (NR)
Art. 2º A Instrução Normativa RFB nº 1.312, de 2012, passa a vigorar acrescida do art. 38-A:
“Art. 38-A. A partir de 1º de janeiro de 2013, os juros pagos ou creditados a pessoa vinculada somente serão dedutíveis para fins de determinação do lucro real até o montante que não exceda ao valor calculado com base em taxa determinada conforme este artigo acrescida de margem percentual a título de spread, a ser definida por ato do Ministro de Estado da Fazenda com base na média de mercado, proporcionalizados em função do período a que se referirem os juros.
§ 1º No caso de mútuo com pessoa vinculada, a pessoa jurídica mutuante, domiciliada no Brasil, deverá reconhecer, como receita financeira correspondente à operação, no mínimo o valor apurado segundo o disposto neste artigo.
§ 2º Para efeito do limite a que se refere este artigo, os juros serão calculados com base no valor da obrigação ou do direito, expresso na moeda objeto do contrato, e convertidos em reais pela taxa de câmbio, divulgada pelo Banco Central do Brasil, para a data do termo final do cálculo dos juros.
§ 3º O valor dos encargos que exceder o limite referido no caput será adicionado ao lucro real e à base de cálculo da CSLL.
§ 4º A diferença de receita apurada na forma do § 2º será adicionada ao lucro real, presumido ou arbitrado e à base de cálculo da CSLL.
§ 5º Nos pagamentos de juros em que a pessoa física ou jurídica remetente assuma o ônus do imposto, o valor deste não será considerado para efeito do limite de dedutibilidade.
§ 6º O cálculo dos juros a que se refere o caput poderá ser efetuado por contrato ou conjunto de operações financeiras com datas, taxas e prazos idênticos.
§ 7º Para efeito do disposto neste artigo, são consideradas operações financeiras aquelas decorrentes de contratos, inclusive os de aplicação de recursos e os de capitalização de linha de crédito, celebrados com pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cuja remessa ou ingresso de principal tenha sido conduzido em moeda estrangeira ou por meio de transferência internacional em moeda nacional.
§ 8º A taxa de que trata o caput será a taxa:
I - de mercado dos títulos soberanos da República Federativa do Brasil emitidos no mercado externo em dólares dos Estados Unidos da América, na hipótese de operações em dólares dos Estados Unidos da América com taxa prefixada;
II - de mercado dos títulos soberanos da República Federativa do Brasil emitidos no mercado externo em reais, na hipótese de operações em reais no exterior com taxa prefixada; e
III - Libor pelo prazo de 6 (seis) meses, nos demais casos.
§ 9º Na hipótese do inciso III do § 8º, para as operações efetuadas em outras moedas nas quais não seja divulgada taxa Libor própria, deverá ser utilizado o valor da taxa Libor para depósitos em dólares dos Estados Unidos da América.
§ 10. A verificação de que trata este artigo deve ser efetuada na data da contratação da operação e será aplicada aos contratos celebrados a partir de 1º de janeiro de 2013.
§ 11. Para fins do disposto no § 10, a novação e a repactuação são consideradas novos contratos.
§ 12. Na hipótese de operações contratadas antes de 31 de dezembro de 2012, a comprovação da data de contratação deverá ser realizada com a demonstração do contrato registrado no Banco Central.
§ 13. Na falta da comprovação do registro, mencionada no § 12, a pessoa jurídica deverá observar o limite de juros, para a despesa ou receita, calculado com base na taxa Libor, para depósitos em dólares dos Estados Unidos da América pelo prazo de 6 (seis) meses, acrescida de 3% (três por cento) anuais a título de spread, conforme disposto no art. 58.”
Art. 3º O Capítulo IX da Instrução Normativa RFB nº 1.312, de 2012, passa a vigorar acrescido da Seção III:
“Seção III Da Dispensa de Comprovação
Art. 58-A. Até 31 de dezembro de 2012, a pessoa jurídica que comprovar haver apurado lucro líquido, antes da provisão da CSLL e do imposto sobre a renda, decorrente das receitas de vendas nas exportações para pessoas jurídicas vinculadas, em valor equivalente a, no mínimo, 5% (cinco por cento) do total dessas receitas, considerando a média anual do período de apuração e dos 2 (dois) anos precedentes, poderá comprovar a adequação dos preços praticados nas exportações, do período de apuração, exclusivamente com os documentos relacionados com a própria operação.
§ 1º Para efeito do disposto neste artigo, o lucro líquido correspondente às exportações para pessoas jurídicas vinculadas será apurado segundo o disposto no art. 187 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e na legislação do imposto sobre a renda.
§ 2º Na apuração do lucro líquido correspondente a essas exportações, os custos e despesas comuns às vendas serão rateados em função das respectivas receitas líquidas.
§ 3º Não devem ser computadas, para fins de determinação do percentual estabelecido no caput, as operações de venda de bens, serviços ou direitos cujas margens de lucro, previstas nos arts. 31, 32 e 33, tenham sido alteradas nos termos dos arts. 45, 46 e 47.”
Art. 4º Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação.
ZAYDA BASTOS MANATTA

Perguntas e respostas

O que é a Instrução Normativa RFB nº 1.312, de 28 de dezembro de 2012?
A Instrução Normativa RFB nº 1.312, de 28 de dezembro de 2012, é um conjunto de normas emitidas pela Receita Federal do Brasil que regulamenta diversos aspectos tributários, incluindo a dedutibilidade de juros pagos ou creditados a pessoas vinculadas e a comprovação de preços praticados em exportações.
O que acontece se não for comprovada a aplicação consistente de uma taxa?
Se não for comprovada a aplicação consistente de uma taxa, o ajuste será efetuado com base nas taxas previstas no art. 38-A da Instrução Normativa RFB nº 1.312.
Como deve ser apurado o lucro líquido para fins de comprovação de preços praticados nas exportações?
O lucro líquido correspondente às exportações para pessoas jurídicas vinculadas deve ser apurado segundo o disposto no art. 187 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e na legislação do imposto sobre a renda. Os custos e despesas comuns às vendas serão rateados em função das respectivas receitas líquidas.
Quando entra em vigor a Instrução Normativa RFB nº 1.312?
A Instrução Normativa RFB nº 1.312 entra em vigor na data de sua publicação.
O que é a taxa Libor?
A taxa Libor (London Interbank Offered Rate) é uma taxa de referência diária baseada nas taxas de juros às quais os principais bancos globais emprestam uns aos outros. No contexto da Instrução Normativa RFB nº 1.312, ela é utilizada como base para calcular a dedutibilidade de juros pagos ou creditados a pessoas vinculadas.
O que é a Seção III do Capítulo IX da Instrução Normativa RFB nº 1.312?
A Seção III do Capítulo IX da Instrução Normativa RFB nº 1.312 trata da dispensa de comprovação. Ela estabelece que, até 31 de dezembro de 2012, a pessoa jurídica que comprovar haver apurado lucro líquido decorrente das receitas de vendas nas exportações para pessoas jurídicas vinculadas, em valor equivalente a, no mínimo, 5% do total dessas receitas, poderá comprovar a adequação dos preços praticados nas exportações exclusivamente com os documentos relacionados com a própria operação.
O que é necessário para a dedutibilidade de juros em mútuos com pessoas vinculadas?
No caso de mútuo com pessoa vinculada, a pessoa jurídica mutuante, domiciliada no Brasil, deve reconhecer como receita financeira, no mínimo, o valor apurado segundo o disposto no art. 38-A da Instrução Normativa RFB nº 1.312.
Quais são as taxas de referência para o cálculo de juros conforme o art. 38-A?
As taxas de referência para o cálculo de juros conforme o art. 38-A são: I - a taxa de mercado dos títulos soberanos da República Federativa do Brasil emitidos no mercado externo em dólares dos Estados Unidos, para operações em dólares com taxa prefixada; II - a taxa de mercado dos títulos soberanos da República Federativa do Brasil emitidos no mercado externo em reais, para operações em reais no exterior com taxa prefixada; e III - a taxa Libor pelo prazo de seis meses, nos demais casos.
Como são tratados os juros pagos ou creditados a pessoas vinculadas em contratos firmados até 31 de dezembro de 2012?
Para contratos firmados até 31 de dezembro de 2012, os juros pagos ou creditados a pessoas vinculadas, quando decorrentes de contrato não registrado no Banco Central do Brasil, são dedutíveis até o montante calculado com base na taxa Libor para depósitos em dólares dos Estados Unidos pelo prazo de seis meses, acrescida de 3% anuais a título de spread, proporcionalizados em função do período a que se referirem os juros.
O que é o art. 38-A da Instrução Normativa RFB nº 1.312?
O art. 38-A, incluído na Instrução Normativa RFB nº 1.312, estabelece que, a partir de 1º de janeiro de 2013, os juros pagos ou creditados a pessoas vinculadas serão dedutíveis para fins de determinação do lucro real até o montante calculado com base em uma taxa determinada conforme o artigo, acrescida de uma margem percentual a título de spread, definida pelo Ministro da Fazenda com base na média de mercado.

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