Vigente Impacto Médio Legislação
26/07/2018
#279945

DECRETO Nº 9.451, DE 26 DE JULHO DE 2018

Regulamenta preceitos de acessibilidade no projeto e na construção de edificações privadas multifamiliares, incluindo unidades adaptáveis, áreas comuns e vagas de garagem.

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DECRETO Nº 9.451, DE 26 DE JULHO DE 2018

Regulamenta o art. 58 da Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015, que institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência - Estatuto da Pessoa com Deficiência.

     A PRESIDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, no exercício do cargo de PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, caput, inciso IV, da Constituição, e tendo em vista o disposto no art. 58 da Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015,

     DECRETA:

     Art. 1º Este Decreto regulamenta o disposto no art. 58 da Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015, para dispor sobre os preceitos de acessibilidade relativos ao projeto e à construção de edificação de uso privado multifamiliar.

     Art. 2º Para fins do disposto neste Decreto, considera-se:

     I - edificação de uso privado multifamiliar - aquela com duas ou mais unidades autônomas destinadas ao uso residencial, ainda que localizadas em pavimento único;

     II - unidade internamente acessível - unidade autônoma de edificação de uso privado multifamiliar, dotada de características específicas que permitam o uso da unidade por pessoa com deficiência ou com mobilidade reduzida, observado o disposto nos Anexos I e II;

     III - unidade adaptável - unidade autônoma de edificação de uso privado multifamiliar cujas características construtivas permitam a sua adaptação, a partir de alterações de layout, dimensões internas ou quantidade de ambientes, sem que sejam afetadas a estrutura da edificação e as instalações prediais, observado o disposto neste Decreto;

     IV - unidade com adaptação razoável - unidade autônoma de edificação de uso privado multifamiliar, com modificações e ajustes realizados por meio de tecnologia assistiva e de ajuda técnica, a que se refere o Anexo II, que permitam o uso da unidade por pessoa com deficiência auditiva, visual, intelectual ou nanismo; e

     V - data do início da obra - a data de emissão do Cadastro Específico do Instituto Nacional do Seguro Social - INSS - CEI.

     Parágrafo único. A alteração da quantidade de ambientes a que se refere o inciso III do caput somente poderá ser efetuada nas unidades autônomas com área privativa de, no máximo, setenta metros quadrados.

     Art. 3º Os empreendimentos de edificação de uso privado multifamiliar serão projetados com unidades adaptáveis, nos termos do disposto neste Decreto, com condições de adaptação dos ambientes para as características de unidade internamente acessível, observadas as especificações estabelecidas nos Anexos I e II.

     Parágrafo único. Nas unidades autônomas com mais de um pavimento, será previsto espaço para instalação de equipamento de transposição vertical para acesso a todos os pavimentos da mesma unidade autônoma.

     Art. 4º As unidades autônomas das edificações de uso privado multifamiliar deverão ser adaptáveis.

     Art. 5º As unidades autônomas adaptáveis deverão ser convertidas em unidades internamente acessíveis quando solicitado pelo adquirente, por escrito, até a data do início da obra.

     § 1º É vedada a cobrança de valores adicionais para a conversão de que trata o caput.

     § 2º Na hipótese de desistência ou de resolução contratual por inadimplemento do comprador da unidade internamente acessível, o incorporador poderá reter os custos adicionais incorridos devido à adaptação solicitada, desde que previsto expressamente em cláusula contratual.

     Art. 6º Os empreendimentos que adotarem sistema construtivo que não permita alterações posteriores, tais como a alvenaria estrutural, paredes de concreto, impressão 3D ou outros equivalentes, poderão não atender às obrigações previstas nos art. 3º, art. 4º e art. 5º, desde que garantam o percentual mínimo de três por cento de unidades internamente acessíveis, não restritas ao pavimento térreo.

     § 1º Na hipótese de o percentual previsto no caput resultar em número menor do que um, os empreendimentos deverão garantir, no mínimo, uma unidade internamente acessível.

     § 2º Ressalvado o disposto no § 1º, na hipótese de a aplicação do percentual previsto no caput resultar em número fracionado, este será arredondado para o número inteiro subsequentemente superior.

     § 3º O adquirente do imóvel poderá solicitar, por escrito, a adaptação razoável de sua unidade até a data do início da obra, para informar à construtora ou à incorporadora sobre os itens de sua escolha para instalação na unidade adquirida, observadas as especificações estabelecidas no Anexo II.

     § 4º É vedada a cobrança de valores adicionais para a aquisição de unidades internamente acessíveis ou a adaptação razoável da unidade autônoma, observado o percentual previsto no caput.

     Art. 7º As áreas de uso comum das edificações de uso privado multifamiliar deverão ser acessíveis e atender aos requisitos estabelecidos nas normas técnicas de acessibilidade vigentes.

     Art. 8º Serão reservados dois por cento das vagas de garagem ou estacionamento, vinculadas ao empreendimento, para uso comum, para veículos que transportem pessoa com deficiência com comprometimento de mobilidade, sem prejuízo do disposto no art. 47 da Lei nº 13.146, de 2015.

     § 1º Na hipótese de o percentual previsto no caput resultar em número menor do que um, os empreendimentos deverão garantir, no mínimo, a reserva de uma vaga de garagem ao estacionamento para veículos que transportem pessoa com deficiência com comprometimento de mobilidade.

     § 2º Ressalvado o disposto no § 1º, na hipótese de a aplicação do percentual previsto no caput resultar em número fracionado, as casas decimais da fração serão desprezadas.

     § 3º As vagas a que se refere o caput deverão ser localizadas próximo às rotas acessíveis de pedestres ou aos elevadores, atender aos requisitos estabelecidos nas normas técnicas de acessibilidade vigentes e ficar sob a administração do condomínio em área comum.

     § 4º O morador com deficiência com comprometimento de mobilidade e que tenha vaga vinculada à sua unidade autônoma poderá solicitar uma das vagas sob a administração do condomínio a qualquer tempo, hipótese em que o condomínio deverá ceder a posse temporária da vaga acessível em troca da posse da vaga vinculada à unidade autônoma do morador.

     § 5º O disposto neste artigo não se aplica aos empreendimentos que não ofertem vagas de estacionamento vinculadas às unidades autônomas da edificação.

     Art. 9º Ficam dispensados do disposto neste Decreto:

     I - edificações de uso privado multifamiliar cujo projeto tenha sido protocolado no órgão responsável pelo licenciamento anteriormente à data de entrada em vigor deste Decreto;

     II - unidades autônomas com, no máximo, um dormitório e com área útil de, no máximo, trinta e cinco metros quadrados;

     III - unidades autônomas com dois dormitórios e com área útil de, no máximo, quarenta e um metros quadrados;

     IV - reforma e regularização de edificação de uso privado multifamiliar, desde que a construção da edificação original a ser reformada ou regularizada tenha se iniciado anteriormente à data de entrada em vigor deste Decreto;

     V - reforma das unidades autônomas das edificações de uso privado multifamiliar; e

     VI - regularização fundiária de interesse social, desde que o imóvel ou os núcleos informais a serem regularizados tenha se iniciado anteriormente à data de entrada em vigor deste Decreto.

     Art. 10. Ficam excluídos do disposto neste Decreto os empreendimentos a que se refere o art. 32 da Lei nº 13.146, de 2015.

     Art. 11. Este Decreto entra em vigor dezoito meses após a data de sua publicação.

     Brasília, 26 de julho de 2018; 197º da Independência e 130º da República.

CÁRMEN LÚCIA ANTUNES ROCHA
Yana Dumaresq Sobral Alves
Silvani Alves Pereira
Gustavo do Vale Rocha

Perguntas e respostas

Como funciona o regime para sistemas construtivos que não permitem alterações posteriores?
Empreendimentos com sistemas construtivos que não permitam alterações posteriores podem deixar de cumprir as regras gerais de adaptabilidade e conversão, desde que garantam ao menos 3% de unidades internamente acessíveis.Essas unidades não podem ficar restritas ao pavimento térreo.
A quais empreendimentos o Decreto nº 9.451/2018 se aplica?
O Decreto aplica-se ao projeto e à construção de edificações de uso privado multifamiliar, ou seja, edificações com duas ou mais unidades autônomas destinadas ao uso residencial, ainda que em pavimento único.
Quando o adquirente pode solicitar a conversão da unidade em internamente acessível?
O adquirente pode solicitar a conversão por escrito até a data do início da obra.Para o Decreto, a data do início da obra é a data de emissão do Cadastro Específico do INSS - CEI.
A incorporadora pode cobrar valor adicional pela conversão da unidade adaptável?
Não. O Decreto veda a cobrança de valores adicionais pela conversão da unidade adaptável em unidade internamente acessível.
Unidades com mais de um pavimento precisam prever acessibilidade interna?
Sim. Unidades autônomas com mais de um pavimento devem prever espaço para instalação de equipamento de transposição vertical que permita acesso a todos os pavimentos da unidade.
A incorporadora pode reter custos da adaptação se o comprador desistir?
Sim, o incorporador pode reter custos adicionais incorridos com a adaptação se houver desistência ou resolução contratual por inadimplemento do comprador.Essa possibilidade precisa estar prevista expressamente em cláusula contratual.
A adaptação pode alterar a quantidade de ambientes da unidade?
Sim, mas somente em unidades autônomas com área privativa de até 70 m².
Qual é a regra geral para as unidades autônomas em edificações multifamiliares?
As unidades autônomas devem ser projetadas como unidades adaptáveis, de modo que possam ser convertidas em unidades internamente acessíveis conforme os Anexos I e II do Decreto.
O incorporador pode reter custos da adaptação se o comprador desistir ou ficar inadimplente?
Sim. O incorporador pode reter custos adicionais incorridos com a adaptação em caso de desistência ou resolução contratual por inadimplemento, desde que exista cláusula contratual expressa prevendo essa possibilidade.
Quando o adquirente pode solicitar a conversão da unidade adaptável em unidade internamente acessível?
O adquirente deve solicitar a conversão por escrito até a data do início da obra.Para o Decreto, a data do início da obra corresponde à data de emissão do Cadastro Específico do INSS - CEI.
A construtora ou incorporadora pode cobrar valor adicional pela conversão da unidade em internamente acessível?
Não. O Decreto veda a cobrança de valores adicionais pela conversão de unidade adaptável em unidade internamente acessível.
Como o Decreto trata unidades autônomas com mais de um pavimento?
Unidades autônomas com mais de um pavimento devem prever espaço para instalação de equipamento de transposição vertical, de modo a permitir acesso a todos os pavimentos da própria unidade.
Qual é a regra geral para as unidades residenciais em edificações multifamiliares privadas?
Os empreendimentos devem ser projetados com unidades autônomas adaptáveis, capazes de serem convertidas em unidades internamente acessíveis conforme os Anexos I e II do Decreto.
Qual é a regra para sistemas construtivos que não permitem alterações posteriores?
Empreendimentos com sistemas construtivos que não permitam alterações posteriores, como alvenaria estrutural, paredes de concreto, impressão 3D ou equivalentes, podem deixar de cumprir as regras gerais de adaptabilidade e conversão se garantirem ao menos 3% de unidades internamente acessíveis.Essas unidades não podem ficar restritas ao pavimento térreo.