As captações de valores mobiliários chegaram a R$ 124,8 bilhões em 2015 – menor volume nos últimos sete anos. De acordo com o Panorama ANBIMA, o valor reflete o cenário macroeconômico adverso que marcou o ano passado. Neste ambiente, as ofertas ficaram limitadas a aquisições societárias, no caso de emissões de ações, e ao refinanciamento ou postergação de dívidas, nas operações com títulos de renda fixa. O segmento de captações externas foi o que mais influenciou o fraco desempenho de 2015. Já as ofertas de ações foram o único instrumento doméstico de captação com crescimento de 19% em relação a 2014.
No mercado de renda fixa, a possibilidade de elevação da taxa de juros na primeira reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) de 2016 adicionou incerteza a umcenário externo volátil. Esse ambiente reforçou o comportamento de aversão a risco por parte dos investidores e favoreceu a alocação de recursos em operações/ativos de curtíssimo prazo no segmento. Isso provocou um descolamento da valorização das carteiras das LFTs em mercado, refletida pela trajetória do IMA-S. Em 2015, o diferencial da rentabilidade acumulada de 13,3% das LFTs em relação à variação de 7,2% das LTN/NTNFs expôs as restrições do segmento de ativos com remuneração prefixada em um cenário de baixa previsibilidade, indicando a preferência dos investidores por ativos com características de curto prazo e taxas pós-fixadas.
Com relação à indústria de fundos, dezembro registrou resgate líquido de R$ 13,1 bilhões, o segundo maior no ano – o primeiro foi em novembro por conta da cobrança do “come-cotas”. Apenas as classes previdência, entre os fundos com patrimônio relevante, com captação de R$ 6,1 bilhões, e o FIP, com R$ 2,6 bilhões, entre os estruturados, registraram captação positiva no mês. No ano, houve captação líquida de R$ 478 milhões, resultado que consolida uma trajetória de queda desde 2013 e reflete um ambiente de retração da liquidez, dado pela crise econômica. Outro fator impactante é a crescente competição dos fundos com títulos isentos de imposto. Com relação à rentabilidade, destacam-se os fundos do tipo multimercado dinâmico, que buscam retornos no longo prazo por meio da compra de diversas classes de ativos a partir de uma política de alocação flexível. Estes fundos superaram, no ano, um dos seus referenciais de rentabilidade, o IHFA (Índice de Hedge Funds ANBIMA) em quase 100%, alcançando 33,43% contra 17,50% do índice.