Notícia
09/03/2016

“Se o cenário macro melhorar, poderemos ter surpresas no segundo semestre”

Analisa o mercado de fusões e aquisições em 2016 com potencial crescimento condicionado à melhora do cenário macroeconômico.

O mercado de fusões e aquisições tende a ser aquecido em 2016, com a consolidação de setores como financeiro e de infraestrutura e o aumento do apetite dos investidores estrangeiros pelo Brasil, com a desvalorização cambial. A análise é do coordenador do nosso subcomitê de Fusões e Aquisições Ubiratan Machado, ao comentar o Boletim de Fusões e Aquisições divulgado nesta quarta-feira, com o balanço das operações de 2015.
 
 

“Os investidores asiáticos estão olhando oportunidades no longo prazo, especialmente no setor elétrico, e a tendência é que esse movimento se estenda para outros setores da economia. Não acredito em número recorde de operações, mas se o cenário macroeconômico se definir melhor, poderemos ter surpresas positivas no segundo semestre”, afirma.

Em 2015, os anúncios de fusões e aquisições, ofertas públicas de aquisições de ações (OPAs) e reestruturações societárias alcançaram R$ 109,5 bilhões. O volume apresentou uma queda de 43,2% em relação ao ano anterior e foi o menor valor dos últimos seis anos. O volume médio das operações de fusões e aquisições foi de R$ 1 bilhão, inferior apenas ao volume médio observado nos anos de 2014 e 2010, ambos de R$ 1,3 bilhão. Com isso, embora as dez maiores operações de 2015 tenham respondido por mais da metade do volume, com peso de 54,6%, a participação relativa desse grupo caiu em comparação a 2014, quando respondeu por 62,6% do total. 
 
Além das operações do HSBC e da Souza Cruz, destacaram-se no ano os anúncios de aquisição da Moy Park, Eneva, a compra de ativos da Cargil pela JBS, Ecorodovias e a venda das Minerações Brasileiras Reunidas pela Vale, todas operações com volumes entre R$ 4 e R$ 4,6 bilhões.
 
As aquisições de empresas brasileiras por companhias estrangeiras responderam pela maior fatia do volume, com peso de 43% do total, o equivalente a R$ 47,1 bilhões. Entre as estrangeiras, mereceu destaque a participação de empresas europeias e norte americanas, com 38,4% e 37,7% do total, respectivamente.

Já as empresas provenientes da Ásia e da América Latina tiveram participação de 20,3% e 3,6%, respectivamente, nas aquisições. Ainda com relação à origem do capital, também foram relevantes as compras de empresas estrangeiras por companhias brasileiras, que somaram R$ 32,1 bilhões, equivalentes a 29,3% do total.