Instituído em 2006 para combater a falsificação de dinheiro no país, o projeto Moeda Falsa é resultado de acordo de cooperação técnica firmado entre o Banco Central e a Polícia Federal. A iniciativa foi premiada nessa quarta-feira (21), durante a segunda edição do Prêmio Ajufe: Boas Práticas de Gestão, que reconhece casos de sucesso e práticas de gestão bem-sucedidas adotadas no âmbito da Justiça Federal. Na avaliação da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), a qualidade dos dados gerados pelo BC tem permitido uma ação mais focada da PF no combate aos falsários e, com isso, houve redução do número de processos judiciais abertos por conta de produção ilegal de cédulas de real.
“O foco do Moeda Falsa está no combate aos grandes grupos que falsificam dinheiro no Brasil, e não no falsário eventual ou em quem repassa cédulas falsas. Esse enfoque faz com que tenhamos resultados mais efetivos e reduz o volume de trabalho no Banco Central, na PF e na Justiça”, afirma Marcia Barbosa Silveira, chefe de subunidade no Mecir que representou o BC na cerimônia de premiação realizada ontem à noite, em São Paulo. Ela explica que cabe ao Banco Central registrar, analisar e catalogar as falsificações identificadas no país. As informações são repassadas para a Polícia Federal, que as utiliza para embasar as operações contra falsários.
Desde que o acordo de cooperação técnica entrou em vigor, o índice de Peças falsas Por Milhão de cédulas em circulação (PPM) tem caído anualmente no Brasil, passando de 169 em 2006 para 78 no ano passado. “O PPM é adotado por bancos centrais em todo o mundo como um indicador consistente sobre a incidência de falsificação. Para fins de comparação, o PPM médio do Euro foi de 47 em 2015. A queda que observamos no indicador nos últimos anos é resultado do trabalho conjunto do BC com a PF”, destaca o chefe do Mecir, João Sidney Figueiredo.
De acordo com João Sidney, além do projeto Moeda Falsa, também tem contribuído para a melhoria do indicador o aprimoramento das características de segurança das cédulas, com o lançamento da segunda família do Real, e as ações de comunicação focadas na divulgação desses elementos.
O BC e a PF ficaram em 1º lugar na categoria aberta ao público em geral do II Prêmio Ajufe: Boas Práticas de Gestão. A premiação busca divulgar iniciativas bem sucedidas no Judiciário brasileiro. Veja a lista completa dos premiados.