A República da Sérvia é um país do sudeste europeu localizado na Península Balcânica, e faz fronteira com a Macedônia, ao sul; com Bósnia-Herzegovina, a oeste; com a Hungria, ao norte; e com a Romênia, a leste, entre outros países. Até 2003, ela integrou a Iugoslávia, juntamente com a Bósnia-Herzegovina, a Croácia, a Eslovênia, a Macedônia e Montenegro. E formou uma única nação com Montenegro até 2006. A Sérvia tem mais de 10 milhões de habitantes, uma área de mais de 88 mil km² e sua capital é Belgrado.
A moeda utilizada no país é o dinar sérvio, que começou a ser utilizado em 2003, logo após a Iugoslávia ser renomeada oficialmente Sérvia e Montenegro. O Museu de Valores do BC possui em seu acervo a série mais recente do dinar sérvio, que apresenta personalidades históricas em suas cédulas, e que pode ser conferida na exposição Os Valores do Futebol, inaugurada em 12 de junho. Saiba mais sobre elas e sobre o país que o Brasil enfrenta hoje, pela Copa do Mundo.
A cédula de 10 dinares, de 2013, estampa em seu anverso o jovem Vuk Stefanovic Karadžić (1787-1864), linguista e principal reformador da língua sérvia. Um dos principais filologistas de seu tempo, Karadzic padronizou o alfabeto cirílico sérvio com base nos princípios fonêmicos do modelo alemão. Suas reformas modernizaram o idioma, afastando-o do da língua litúrgica sérvia e russa, aproximando o idioma da fala do povo, mais especificamente para o dialeto da Herzegovínia Oriental, que ele falava. No plano de fundo do anverso, está a imagem de um livro aberto e objetos da coleção permanente do Museu dedicado à Vuk Karadzic e Dositej Obradovic. No reverso da cédula, o linguista é representado mais velho, junto a participantes do Primeiro Congresso realizado em Praga, no ano de 1848.
Já a cédula de 20 dinares, de 2013, homenageia Petar II Petrovic Njegos (1813-1851), nomeado governador de Montenegro em 1831, aos 17 anos, após a morte de seu tio, Petar I, que expressou em seu testamento a vontade de ver o sobrinho sucedê-lo. O governo de Petar II foi marcado por constantes conflitos políticos e militares com o Império Otomano, tentativas de expandir seu território e esforço para libertar e unificar todos os sérvios. Ele introduziu taxas e leis em substituição às leis impostas por seus antecessores, o que o tornou muito impopular entre as tribos de Montenegro, gerando um grande número de rebeliões durante o seu reinado. Petar II também foi filósofo, poeta e bispo.
O compositor e educador musical Stevan Stevanovic Mokranjac (1856 – 1914) estampa a cédula de 50 dinares, de 2014. O compositor se tornou o maestro do coro da Sociedade de Belgrado, foi fundador da Escola de Música Sérvia e do primeiro quarteto de cordas sérvio, no qual ele tocava violoncelo. Muitas vezes, é chamado o "pai da música sérvia" e a "figura mais importante do romantismo musical sérvio".
No reverso da cédula, há a representação de uma ilustração do Evangelho de Miroslav, uma obra litúrgica considerada a mais importante e o mais belo dos livros manuscritos sérvios, criado por volta de 1180 por dois monges estudantes para o Duque Miroslav, grande príncipe do estado sérvio medieval de Rascia. Escrito em pergaminho em cirílico uncial (a escrita cirílica que se desenvolveu do grego no século IX), o evangelho é um monumento à primeira alfabetização sérvia. A obra é decorada com cerca de 300 miniaturas estilizadas, resultantes da fusão de elementos ocidentais (Italiano) e orientais (bizantino). Por muito séculos, o Evangelho de Miroslav foi mantido no mosteiro Hilandar da Igreja Ortodoxa Sérvia no Monte Athos, na Grécia. Atualmente, está guardado no Museu Nacional da Sérvia, em Belgrado, sob preservação da Biblioteca Nacional da Sérvia. Em 2005, o Evangelho de Miroslav foi anexado ao registro "Memória do Mundo" da Unesco.
O inventor, físico e engenheiro elétrico sérvio-americano Nikola Tesla (1856-1943) é o personagem da cédula de 100 dinares, de 2013. Famoso por suas contribuições para o projeto de sistemas de eletricidade de corrente alternada e por diversas invenções, Tesla tornou-se engenheiro e, em 1882, descobriu o campo magnético rotativo, base de todos os dispositivos que usam correntes alternadas. Trabalhou na Companhia Continental Edison em Paris e com Thomas Edson, em Nova Iorque.
Em 1887, abriu sua própria companhia, a Tesla Eletric Company, onde pôde trabalhar suas primeiras correntes alternadas polifásicas. O inventor registrou cerca de 40 patentes nos Estados Unidos e várias outras no mundo todo, sempre baseando suas invenções na utilização de eletricidade e magnetismo, como por exemplo, a lâmpada fluorescente, o controle remoto, a transmissão via rádio entre outras. No anverso da cédula estão representações gráficas de uma descarga elétrica, uma bobina e a fórmula matemática para cálculo da unidade de densidade de fluxo magnético ao fundo. No reverso, um esboço do motor de indução eletromagnética e a pomba de Tesla ao fundo.
A cédula de 200 dinares, de 2013, é estampada com Nadezda Petrovic (1873-1915), considerada a mais famosa e mais importante pintora sérvia do final do século XIX e do início do século XX. A artista buscava o mundo moderno em suas pinturas, destacando-se no impressionismo. Seu trabalho como artista introduziu a pintura sérvia nas tendências da arte moderna da Europa. No anverso da cédula, é representada também uma escultura em sua homenagem, a silhueta do Mosteiro Gracanica e um pincel de pintura em segundo plano. No reverso, a figura de Nadezda Petrovic como enfermeira voluntária durante a Primeira Guerra Balcânica, além do detalhe de uma pintura da artista em segundo plano.
Jovan Cvijić (1865-1927) foi um geógrafo e etnólogo sérvio, considerado o fundador da geografia na Sérvia. Ele também foi presidente da Academia Real de Ciências da Sérvia e reitor da Universidade de Belgrado. A cédula de 500 dinares, de 2012, traz uma grade cartográfica de meridianos e paralelos em seu anverso e a imagem do geógrafo, além de motivos étnicos estilizados no seu reverso.
O industrial de ascendência alemã Dorde Vajfert (1850-1937) chefiou o Banco Nacional da Sérvia (1890-1902 e 1912-1918). Durante o período em que esteve no comando, Vajfert adquiriu boa reputação por manter o valor do dinar sérvio e o mesmo em crédito. Por isso, depois de 1918, foi conduzido ao comando do Banco Nacional da Iugoslávia. Seu feito mais conhecido no cargo foi a conversão da coroa austro-húngara para o novo dinar iugoslavo. Ele estampa a cédula de 1000 dinares de 2013.
Desde muito jovem, Vajfert trabalhou com seu pai na fabricação de cervejas. A eles pertence a primeira cervejaria da Sérvia. Com os lucros da expansão da cervejaria da família, comprou uma mina de carvão em Kostolac, uma mina de cobre em Bor e posteriormente uma mina de ouro, todas na Sérvia. Com os rendimentos das minas, se tornou o homem mais rico do país, além de ter sido considerado o maior industrial da Iugoslávia e fundador do moderno setor de mineração da Sérvia. No reverso da cédula, além da imagem do industrial, é possível ver detalhes do interior do edifício principal do Banco Nacional da Sérvia e a medalha de São Jorge matando um dragão em segundo plano.
A cédula de 2000 dinares, de 2012, traz Milutin Milankovic (1879-1958), matemático, astrônomo, climatologista, geofísico, engenheiro civil, doutor em tecnologia, professor universitário e divulgador da ciência sérvio. Milankovic deu duas contribuições fundamentais para a ciência global: a primeira é a "Canon de insolação da Terra", que caracteriza o clima de todos os planetas do sistema solar. A segunda é a explicação das alterações climáticas a longo prazo da Terra, causadas por mudanças na posição do planeta em relação ao Sol, agora conhecido como ciclos de Milankovitch.
No anverso da cédula, o astrônomo é representado, também, em sua mesa de trabalho. Abaixo, está a apresentação gráfica dos seus cálculos de movimento da linha de neve para a porção anterior do Quaternário de 600.000 anos, além de uma imagem estilizada da "Torre de Babel de técnica moderna" (o último artigo científico de Milutin Milankovic no campo da construção). No reverso, há um fragmento de uma apresentação estilizada do disco solar, e na parte central, apresentação do trabalho de Milankovic "O Caminho do Pólo Norte Celestial". Um dos elementos de segurança da cédula, o registro coincidente, traz a representação estilizada da trajetória dos planetas do Sistema Solar com o Sol ao meio.
A cédula de 5000 dinares, de 2003, é estampada com a imagem de Slobodan Jovanović (1869-1958), um dos mais prolíficos juristas, historiadores, sociólogos, jornalistas e críticos literários da Sérvia. Ele se destacou com um estilo de escrita caracteristicamente claro e nítido, mais tarde chamado de "estilo de Belgrado". Foi um liberal em seus pontos de vista social e político; e também foi, por quase meio século, um dos líderes da inteligência sérvia. Foi também primeiro-ministro iugoslavo no exílio em Londres, durante a Segunda Guerra Mundial. O reverso da cédula apresenta, além da silhueta da Assembleia Nacional, um detalhe ornamental do prédio da Academia Sérvia de Artes e Ciências, a academia nacional e mais proeminente instituição sérvia, fundada em 1841. São membros da Academia Josif Pančić, Stojan Novaković, Branislav Petronijević e Nikola Tesla, entre vários outros cientistas, eruditos e artistas da Sérvia e de outros países. 