
São Paulo, 09 de março de 2020 – A bolsa do Brasil, B3, realizou ontem a iniciava global de toque de campainha em prol da igualdade de gênero. O evento possui o intuito de conscientizar sobre empoderamento econômico feminino e as oportunidades para o setor privado ao promover a igualdade de gênero e o desenvolvimento sustentável. Realizado há seis anos no mundo e há quatro pela B3, a iniciativa surgiu da parceria entre a Global Compact, Women in ETFs, World Federation of Exchanges (WFE), UN Women, Sustainable Stock Exchanges Initiative (SSE) e International Finance Corporation (IFC).
Este ano, aproximadamente, 80 bolsas no mundo participaram da ação. Na B3, CEOs e representantes de empresas debateram o assunto em uma manhã dividida em três momentos: um primeiro painel com CEOs, no qual Ana Carla Abrão, da Oliver Wyman e conselheira da B3, Marcelo Marangon, do Citi Brasil, e Marcelo Castellanos, da IFC, debateram o tema, mediados pelo presidente da B3, Gilson Finkelsztain.
Na segunda parte da manhã, Nina Silva, da Black Money, trouxe uma fala inspiradora sobre o tema, com dados que comprovam a desigualdade no país quando se fala em mulheres e mulheres negras. “Somos 56% da população brasileira, sendo as mulheres negras, 28,7%. Quando falamos de mercado brasileiro, deixamos de injetar R$ 500 bilhões de reais no PIB por desigualdade salarial entre gêneros. R$880 bilhões por desigualdade étnicos raciais”, comentou Silva.
“Estar aqui hoje é poder sim reverenciar esses 112 milhões de afrodescendentes e essas 56% de mulheres e falar do nosso trabalho em relação a equidade... Nós estamos cansadas e cansados, de sermos julgados e limitados aos espaços que o outro pré-julga que nós devemos ocupar e é por isso que nós criamos esses espaços”, finalizou a fundadora do “Movimento Black Money”.
Antes do tradicional toque de campainha, representantes do Santander, Raízen, Rede Brasil do Pacto Global da ONU, Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), ONU Mulheres e União Europeia, também se reuniram para falar sobre como as empresas podem contribuir para promover a igualdade de gênero.
Para Gilson Finkelsztain, presidente da bolsa do Brasil, a B3 possui um importante papel como promotora de boas práticas e, por esse motivo, realiza iniciativas em prol da agenda de diversidade. “Somos signatários desde 2017 da Women’s Empowerment Principles (WEPs), iniciativa da ONU Mulheres e Pacto Global que ajuda o setor privado a promover igualdade de gênero no ambiente de trabalho, no mercado e na comunidade e apoiamos o Pacto Global de Jovens Inovadores em ODS para aumentar a representatividade do público feminino em cargos de liderança, em linha com as premissas do ODS 5, que trata da igualdade de gênero”, conta o Finkelsztain.
Do lado do negócio “as companhias que compõem o nosso principal índice de sustentabilidade, o ISE, são provocadas a repensar e quantificar essa questão na sua estratégia com uma pergunta sobre o tema. Queremos não apenas incentivar a adoção de políticas e práticas, como também mensurar os resultados para que sejam exemplos para outras companhias. Na outra ponta do negócio, os investidores também querem que as empresas empreendam mudanças que estreitem as diferenças entre homens e mulheres”, aponta o presidente da bolsa brasileira.
Mulheres investidoras
O número de mulheres que investem em renda variável hoje é o dobro em relação ao número de dezembro de 2018. Na época o número de CPFs chegou a ser maior que 179 mil investidoras, hoje o número chega a 466.984 contas cadastradas de investidoras mulheres na B3.
Para mais informações sobre o número de investidores, acesse: http://www.b3.com.br/pt_br/market-data-e-indices/servicos-de-dados/market-data/consultas/mercado-a-vista/historico-pessoas-fisicas/’