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Conceito de Fraudes (Riscos e Compliance)

Analisa perfil do fraudador, causas e impactos das fraudes em empresas com base em pesquisas da KPMG.

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Perguntas e respostas

Qual é o perfil típico do fraudador corporativo segundo a pesquisa "Who is the Typical Fraudster?" da KPMG (2ª edição, dados de 2008-2010)?
De acordo com a análise de 348 investigações em 69 países (2008-2010), o fraudador típico é homem (87%), possui entre 36 e 45 anos (41%), ocupa cargo de gerência (53%), atua no financeiro (35%) ou em área operacional (25%) e trabalha na empresa há mais de 10 anos (33%).
Por que a permanência prolongada do funcionário na empresa aumenta o risco de fraude interna?
Funcionários com muitos anos de casa conhecem profundamente os processos, identificam brechas de controle e sabem onde os mecanismos de supervisão são frágeis. Esse conhecimento facilita a execução e o encobrimento de fraudes.
Qual foi a evolução da participação de CEOs em fraudes corporativas, segundo comparativo entre as pesquisas da KPMG de 2007 e 2011?
Em 2007, apenas 11% dos casos analisados envolviam o CEO. Na atualização de 2011, essa participação subiu para 26%, ou seja, cerca de um quarto das fraudes passaram a contar com o principal executivo da empresa.
Quais fatores motivaram os fraudadores e como eles mudaram entre 2007 e 2011?
Em 2007, 50% dos fraudadores citaram controles internos ineficientes como principal motivação. Em 2011, após a crise econômica de 2008 e os cortes de custos em áreas de risco e controle, esse motivo saltou para 74%, indicando que fragilidades nos controles tornaram-se ainda mais atrativas para a prática de fraude.
A pesquisa da KPMG identificou conluio em fraudes internas?
Sim. 61% dos casos analisados envolveram mais de uma pessoa, evidenciando que o conluio entre colaboradores de áreas diferentes (por exemplo, financeiro e operacional) torna a fraude mais fácil de executar e encobrir.
Qual foi o impacto da crise de 2008 nas equipes de riscos e controles e no aumento das fraudes?
Depois da crise financeira de 2008, muitas empresas reduziram custos demitindo profissionais de risco e controle. A pesquisa de 2011 indica que essa decisão contribuiu para o aumento das fraudes, pois fragilizou os sistemas de prevenção e detecção.
O que a pesquisa global de 2019 da KPMG revelou sobre fraudes externas e internas?
Mais da metade dos entrevistados reportou aumento no valor ou volume de fraudes externas, impulsionadas por ataques cibernéticos, roubo de identidade, aquisição de contas e golpes de pagamento. Já as fraudes internas permaneceram estáveis ou diminuíram, mas muitos golpes externos tinham origem em conivência de funcionários internos.
Qual o papel dos clientes na prevenção e detecção de fraudes, segundo o levantamento de 2019?
Os clientes passaram a ser parte essencial do processo: como muitos golpes envolvem seus dados ou contas, a comunicação ativa com eles ajuda a identificar transações suspeitas rapidamente e reduzir perdas.
Quais foram as características da fraude que levou a WorldCom a pedir concordata em 2002?
A WorldCom, empresa de telecomunicações com cerca de US$ 107 bilhões em ativos, capitalizou 3,6 bilhões de dólares como investimentos em vez de despesas. Esse artifício contábil inflou artificialmente o lucro, gerou um rombo bilionário e culminou no pedido de concordata.
Como ocorreu a fraude contábil que resultou na falência da Enron em 2001?
A Enron, então uma das maiores empresas de eletricidade dos EUA (≈ US$ 63 bilhões em ativos), ocultava perdas e dívidas usando entidades supostamente independentes e registrava receitas futuras como se fossem atuais. Quando o esquema foi exposto, as perdas foram tão grandes que a companhia entrou em concordata e posteriormente faliu.
Por que fraudes contábeis como as da Enron e da WorldCom afetam gravemente investidores individuais?
No mercado norte-americano, é comum que pessoas físicas invistam parte de suas economias em ações. Quando fraudes contábeis inflacionam artificialmente o desempenho de uma empresa, o preço das ações sobe injustificadamente. Ao serem reveladas, as fraudes provocam queda brusca do valor das ações, gerando perdas substanciais para investidores, inclusive aposentados e famílias que confiavam nesses papéis.
Qual é a relação entre governança corporativa, gestão de riscos e a prevenção de fraudes?
Uma governança sólida e uma gestão de riscos bem estruturada estabelecem controles internos eficazes. Esses controles reduzem espaços para desvios, desincentivam a ação de fraudadores e permitem detecção precoce, minimizando impactos financeiros e reputacionais.

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Rodrigo Vogliotti

Especialista em Riscos Bancários | Mentor de Carreira | Fundador da Elite Bancária