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O Modelo Antigo: Intangíveis e Impairment vs O Novo Padrão: Escopo da ASU 2023-08 (Criptoativos)

Compara o tratamento contábil antigo de intangíveis e impairment com o novo padrão ASU 2023-08 para criptoativos fungíveis.

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Perguntas e respostas

Como os criptoativos eram contabilizados no modelo antigo do US GAAP?
No modelo antigo, os criptoativos eram tratados como ativos intangíveis de vida útil indefinida sob a ASC 350-30. Eram mensurados ao custo e havia reconhecimento apenas de perdas permanentes por impairment; qualquer alta posterior de preço não podia ser revertida.
Quais principais problemas foram identificados no tratamento antigo de criptoativos?
O reconhecimento apenas de perdas gerava subavaliação do ativo, resultados assimétricos, menor comparabilidade entre empresas e informações pouco úteis ao mercado, pois as oscilações de alta nunca apareciam nas demonstrações.
Qual norma introduziu o novo tratamento contábil para criptoativos e a partir de quando ele se aplica?
O novo tratamento foi estabelecido pela ASU 2023-08, que criou a seção ASC 350-60. Ele se aplica a anos fiscais iniciados em ou após 15 de dezembro de 2024 (na prática, exercícios de 2025 em diante).
Como os criptoativos passam a ser mensurados segundo a ASC 350-60?
Agora eles são mensurados ao fair value (valor justo), com ganhos e perdas reconhecidos diretamente no resultado, refletindo a volatilidade de mercado de forma mais fiel.
O novo modelo permite reverter perdas previamente registradas?
Sim. Como a mensuração é pelo valor justo com reconhecimento de ganhos e perdas no resultado, as reduções de valor podem ser revertidas quando ocorre valorização subsequente.
De que forma o novo modelo assemelha-se à categoria "trading" de instrumentos financeiros?
Assim como os ativos classificados como trading, os criptoativos sob a ASC 350-60 são avaliados a valor justo, e todas as variações (positivas ou negativas) afetam imediatamente o income statement.
O reconhecimento de ganhos e perdas não realizados sobre criptoativos afeta a base de cálculo de impostos nos EUA?
Não. Nos EUA, a contabilidade financeira é separada da contabilidade tributária; ganhos e perdas não realizados não são aceitos para fins fiscais, portanto não alteram o imposto devido.
Quais informações adicionais de disclosure passaram a ser exigidas para criptoativos?
A nova norma requer: segregação do saldo de criptoativos, apresentação de um rollforward (saldo inicial, compras, vendas, ganhos, perdas e saldo final) e divulgação de quaisquer restrições contratuais sobre esses ativos.
Que tipos de criptoativos estão incluídos no escopo da ASC 350-60?
Estão incluídos criptoativos fungíveis mantidos em blockchains públicas e não emitidos pela própria entidade nem por partes relacionadas. Exemplos citados: bitcoin, ethereum, monero e outros tokens fungíveis semelhantes.
Quais criptoativos ou tokens ficam fora do escopo da nova norma?
Ficam excluídos: blockchains privadas, tokens emitidos pela própria entidade, stablecoins classificadas como ativos financeiros ou lastreadas em colateral, NFTs não fungíveis e tokens que conferem direitos a ativos subjacentes (ex.: tokenização de ações ou dívidas).
Quais são as três categorias clássicas de instrumentos financeiros mencionadas e como diferem entre si?
1) Held to Maturity (HTM): mantidos até o vencimento, mensuração ao custo amortizado, sem reconhecimento de ganhos ou perdas não realizadas.
2) Available for Sale (AFS): mensurados a valor justo, com variações registradas em outros resultados abrangentes (patrimônio líquido).
3) Trading: mensurados a valor justo, com todas as variações reconhecidas diretamente no resultado.
Como o novo modelo afeta indicadores financeiros e remuneração de executivos?
Como as variações de valor dos criptoativos agora impactam o resultado, elas podem influenciar dividendos, bônus gerenciais e covenants de empréstimos, alterando métricas de desempenho utilizadas por investidores e credores.
Exemplo prático: como se contabiliza a compra de 1 bitcoin por 60, que cai para 40 e depois sobe para 70?
Modelo antigo: reconhece-se a perda de 20 (de 60 para 40) e o ativo permanece registrado a 40, mesmo que depois valha 70.
Modelo novo: registra-se a perda de 20 quando cai para 40 e, ao subir para 70, reconhece-se um ganho de 30, levando o valor contábil para 70.
Existe diferença entre US GAAP e IFRS na reversão de perdas por impairment?
Sim. No IFRS é permitida a reversão de impairment, enquanto no US GAAP a perda é considerada irrecuperável para qualquer ativo, exceto quando a nova ASC 350-60 permite registrar novamente a valorização dos criptoativos a valor justo.

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Jorge Scarpin

Professor e pesquisador em Contabilidade e Finanças, com experiência internacional.