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Tokenização e stablecoins com Helena Margarido - Fintechs e Inovação

Helena Margarido, bacharel em Direito pela PUC-SP e cofundadora de uma das primeiras exchanges de criptomoedas do Brasil, compartilha sua experiência e conhecimento sobre tokens, stablecoins e o potencial das moedas digitais emitidas por bancos centrais.

Transcrição

A Helena margarido é bacharel em direito pela PUC de São Paulo. Ela é Leme pela universidade de Illinois. Ela começou a carreira em 2005, trabalhando em bancos, empresas de consultoria, escritórios de advogados e eu me interessei pelo trabalho da Helena, porque ela escreve, cria muito conteúdo sobre criptomoedas blockchain e também porque Ela Foi cofundadora de uma das primeiras exchanges de criptomoeda aqui do do Brasil, né? E o assunto que a gente vai conversar, que é justamente sobre tokens e stable coins. Então, Helena, eu vou pedir para você me complementar aqui se tem alguma coisa de. Destaque que eu não coloquei aqui Na Na nessa introdução e pedir para você falar um pouquinho do trabalho que você desenvolve hoje. Tá certo, bom, como você disse, né? Eu estou nesse universo já faz algum tempo. Eu comecei a trabalhar com criptos em 2012, né? Isso daí foi uma das primeiras pessoas do Brasil e da América Latina, tanto a me aprofundar no tema como a palestrar, a fazer eventos, uma série de de coisas EE iniciativas relacionadas a esse setor. E hoje em dia. Desde 2017, eu comecei na, comecei a trabalhar como analista de criptomoedas como researcher. Então o meu papel é basicamente parece pouco, né? Mas tem 13000 criptomoedas hoje. Então eu pesquiso muitas criptomoedas, os projetos, vou tentando achar boas oportunidades de cripto como investimento e faço muita análise também, né? Então, hoje em dia eu sou sócia, cofundadora da Monet, que é um streaming digital. Com o conteúdo para a educação financeira, eu sou responsável por toda a frente de cripto aqui da Monet. Legal, 13000 é bastante coisa, Hein? Mais de 13000. Bom, nós estamos falando do ambiente blockchain, né? Ou seja, é uma tecnologia relativamente nova. Ainda é que foi criada pra transacionar 11 criptomoeda chamada bitcoin. Essa tecnologia, Ela Foi replicada e evoluiu, né? Dando origem a outras plataformas de blockchain, como a etherium, por exemplo. Tem muitos, é muitas outras, é outros aplicativos sendo criados aí sobre essa plataforma, né? Não só AA negociação pura de de cripto moedas. Então, nesse sentido, Helena, eu gostaria de saber o que é um token? E como se cria um token, então? Um Tolkien, genericamente falando, ele é a representação é de algo que te dá direito a transacionar dentro de determinada blockchain, tá? A acepção técnica do termo es acontece o seguinte antes, né? Até o surgimento do do ethereum EE algumas evoluções que aconteceram nele, a única maneira de você. Ter um token, se você tivesse um criptoprotocolo, e aí então o criptoprotocolo precisava necessariamente amarrar a mineração com uma blockchain específica com esse token que era emitido é como recompensa para os mineradores. Isso dentro de um algoritmo fechado com o do bitcoin, como o do ethereum, como o da dash e de vários outros. Acontece que o ethereum ele criou um padrão de contrato inteligente lá para meados de 2015 2016, chamado ERC 20. Esse é o nome do padrão. Né? E o que que ele permitia? E ainda permite que você, dentro de um contrato inteligente, que roda no ethereum, que você emitisse quantos tolkens você quisesse com o nome que você quisesse e denominando o que você bem entendesse, né? E esse processo todo? É o processo de foi o processo básico, como Do Nada você poderia criar uma criptomoeda na recepção ampla do termo, né? Uma criptomoeda nova, então toukins em criptomoedas na acepção genérica, eles são praticamente sinónimos, né? Uhum. O que que acontece hoje em dia? É, é óbvio que você pode ir lá, entrar Na Na, na plataforma do ethereum, programar um contrato inteligente e emitir um bilhão de Helena tolkens, né? Isso daí não vai valer nada, né? A questão toda é que tem projetos tecnológicos amarrados com a criação desses talkings e aí sim, a gente está falando de inovações tecnológicas. Drásticas, né? Que utilizaram e ainda utilizam esse padrão? Depois, o padrão ERC 20. Vieram vários outros padrões de de você emitir tokens não só na blockchain do ethereum, como na blockchain. Na da byne smart, como em solana, como em outros criptoprotocolos, né? Então o Tolkien, a acepção dele é isso, né? Ele, em tese, te dá direito a transacional dentro de determinada blockchain. Só que quando você só que você pode ter um token proprietário de um criptoprotocolo, né, que são esses daí o token do pra o próprio bitcoin, né? OOETH, que é o éter, que é o token da do ethereum, você pode ter solana, pode ter outros como você pode ter um token, vamos dizer assim, derivado, né? O toking, programado lá dentro da decisão. Desses cryptoprotocolos? Você falou se. Hipoteticamente, você emitisse um Helena tolken, ele não valeria nada. Mas se esse Helena atuou, quem tivesse vinculado? Se você vincular ele a um projeto que AAA? Heleno, a empresa da Helena está desenvolvendo um projeto tecnológico, as pessoas podem colocar dinheiro nesse nesse tolken é esperando algum benefício económico em relação a esse projeto, né? Sim, vários projetos começaram dessa maneira, porquê é muito mais fácil você emitir um token dentro de um contrato inteligente padrão que é OERC 20. No que você criar uma tecnologia inteira nova de um criptoprotocolo só para emitir o teu poker, né? Então, muitos projetos começaram assim, depois migraram para um criptoprotocolo próprio. Aí você teve uma troca ali de moedas. E tem alguns que eles começaram e permanecem e permanecerão assim, né? Um exemplo que eu gosto muito, um projeto que eu gosto muito, que é um tolken. RC 20 achar em link, né? De pouca gente, sabe que é 11 padrão RC 20, o que que é? Tinha link. Ele é um projeto tecnológico para criar uma rede de centralizada de oráculos, oráculos são o quê? Repositórios de informação, tá? E aí? A ideia toda de criar esses oráculos de centralizados, o que é que é você conseguir ter? Uma rede de apoio, né? Que vai conseguir pegar dados externos de blockchain e imputar dentro de uma blockchain com reputação e aí o token de team link, que é um ERC 20. Ele serve pra quê? Pra dar direito de você utilizar esses oráculos, ele é um Toquinho utilitário, né? Então, ele faz sentido dentro desse contexto de um projeto tecnológico maior que precisa desse token pra ser utilizado, né? Legal. É, é contabilmente o termo ativo. Ele é usado como uma referência a um item que traz retorno financeiro. Ou a gente fala muito benefícios econômicos, né? Pra pra uma entidade, mas é. É dentro desse desse mundo de tolkens, né? A gente usa muito o termo ativos digitais. Aí por exemplo, recentemente eu vi que que o meu time, o grande São Paulo futebol clube, ele também. Você também, eu também o São Paulo. Ele foi um dos clubes brasileiros que emitiu o phantokens, né? E No No na notícia que eu vi ali falar, Ah, os é quem adquiriu fan tokens do São Paulo tem direito de é participar de algumas enquetes, dar opiniões tal. Eu não vi nada assim. Claro que eu. Eu não estudei o projeto a fundo. Eu só peguei a informação que saiu na imprensa, tá? É, mas é. Comum isso a gente ter ativos digitais que não, que não estão vinculados a retorno financeiro, como esses fantocos. Ele travou, travou a imagem ou. Eric travou desculpa, tá bom, é você estava no meio da sua pergunta? É comum a gente ter tokens que são ativos digitais. Boa, eu vou. Eu vou repetir de novo, então. Então, AA minha questão é se é comum a gente ter esses tolkens como os fantolkins, né que não estão vinculados a retorno financeiro? Tá que tem algum outro tipo de de benefício? Eu queria que você falasse um pouquinho como? É que funciona isso se é comum e como é que funciona isso? É, se existe um mercado secundário para esses ativos que de repente o fan Talking do São Paulo, por exemplo, ele, ele não dá um retorno financeiro. Mas se eu negociar ele em um mercado secundário, talvez eu tenha um valor de revenda. Bom, é o seguinte, é a distinção, pelo menos a distinção clássica que eu sempre utilizei de ativo para passivo. Por isso que eu pessoalmente, falo muito em criptoativos, também é ativo, é algo que te dá direito, algum tipo de direito, né? Seja direito de uso direito de propriedade, de direitos. No geral são ativos, né? Passivos são obrigações, né? Então, dentro desse contexto, o tolkens podem ser classificados como ativos, porque eles sempre vão te dar direito a alguma coisa, pode ser direito de. Utilizar determinada blockchain, mas você tem esse direito, né? E aí você tem a acepção econômica, de quanto vale esse direito? E aí você entra na questão toda de precificação dos tolkens das criptomoedas e tudo mais. Pois bem, dentro do dentro do do, dos tokens e das criptomoedas você tem a possibilidade delas terem um valor econômico como é na verdade. Assim é a mesma coisa de é. É muito parecido, né? Não é a mesma coisa, mas é muito parecido com uma ação, né? Você tem OA acepção económica dela. Geralmente, quem vai dar isso é um mercado, porque a gente está falando de um ambiente totalmente descentralizado e não regulado, né? Você não tem um Balanço por trás de uma criptomoeda para você conseguir? Achar o fair Merck valil dela é é bem mais complexo que isso. No bitcoin dá para ver o custo de mineração no ethereum até o momento que ele passar por professores, que também dá para ver cursos de mineração em algumas outras variáveis, mas em algumas criptos não. E aí você tem outras variáveis para determinar o valor económico daquilo? Pois bem, isso é o direito económico que você tem sobre aquilo. Tá o direito econômico quem vai te dar é o mercado. Você também tem o direitos políticos, né? Você pode ter direitos políticos, então quando você é detentor de um fã token que foi o exemplo que você deu este fantoken, ele foi programado para dar para o detentor dele determinados direitos políticos. O que é que é direito político é direito de participar de determinadas votações. Opções, tá? Eu não sei exatamente quais são os direitos que estão embutidos dentro do fantock indo São Paulo ou de outros times de futebol. Mas eu sei que você tem direito de votar e de opinar e de ter teu voto contabilizado pra uma série de questões que eles têm. Um pipeline ali pra pra apostar, né? E aí essa é a parte Superinteressante, essa é a parte que entra muito No No aspecto de down, né, de descentralize autonomas organizations, que são organizações autónomas distribuídas. Porquê? Porque, eventualmente, você conseguiria programar uma ação de uma empresa para ser representada por um token e a votação acontecer via token, né? E aí, qual que é a graça? Por que que você? Teria uma ação dessa pelo mesmo motivo que você teria uma ação normal da empresa, né? E por que que alguém gostaria de ter direitos políticos sobre isso? Talvez de um toquezinho? Não, mas talvez você tenha interesse em adquirir 11 cota maior, uma participação maior, para você ter uma maior ingerência dentro de um assunto que te interessa, né? Você poder de fato, não só dar o seu votozinho, mas o teu voto tem um peso relevante, né? Você ser 11 acionista relevante daquele token daquela iniciativa. Então, é. Eu acho que assim, dentro desses fan tokens, há a minha opinião é que a grande valorização deles acontece, né? Em muitos casos Na Na listagem dão uma supervalorizada. Não sei se você chegou a acompanhar algumas alguns outros lançamentos na binance do Porto. Acho que do Milan não, se não me engano, deram uma paulada. Eu acho que primeiro de tudo vem a precificação do mercado secundário daquilo lá, com um souvenir mesmo algo do teu time para você levar um item colecionado. Né? Mas, em segundo lugar, podem vir essas questões de governança, que são importantes, dependendo do tipo de assunto que você pretende abordar dentro desses projetos. Então pode ser bem interessante o futuro daqui pra frente. Por conta dessa dessas questões. Legal isso que você falou sobre. Essa tokenização de ações, né? De de ativos financeiros. Você já viu algum projeto? Projeto sobre isso aqui no. Ou em outros lugares do Brasil de tokenização de, seja de ações de debêntures ou de outros títulos, né? De ativos financeiros já já e existe inclusive um grupo de estudos bem forte e ativo aqui no Brasil, no sentido de de dessas iniciativas de tokenização de valores. Mobilirios, né? Porque a partir do momento que você consiga ter isso num ambiente tokenizável. Você tem um mercado descentralizado que funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana, né? E o mercado secundário global imediatamente, né? Ao passo que se enquanto você está negociando ações AB 3, você tem de segunda a sexta-feira de abertura até o fechamento e é só negociado no Brasil e tem todas as regras para isso. É óbvio que quando a gente está lidando com o ambiente irregulado, não é simplesmente você falar agora. É uma ação minha da vale, vale uma ação minha da Petrobras. Caso vai só pra não mudar redundância, uma são minha da Petrobras, vale um Tolkien e tomem negociem aí não é fácil assim, né? Você tem uma série de de legislações que precisam ser seguidas para para isso tomar forma da maneira como o regulador exige. Mas existem várias iniciativas no Brasil e no mundo sobre tocanização de valores mobilirios sim, EE aí sobre. Tocanização de ativos. No geral, também tá, e aí eu estou falando de tokenizar, porco tokenizar, soja, tokennizar, enfim, o que vocês quiserem, né, é? Às vezes faz muito sentido dentro de um projeto e aí vai depender muito do projeto e do racional económico, que está amarrando aquilo tudo, a forma como aquilo lá é conceituado e estruturado. Já vi projetos de organização de imóvel no Brasil e fora, têm inclusive uma startup a real ponto. OIO, se eu não me engano, que só se dedica a isso, né? E tem tem assim, o céu é o limite. Quando a gente está falando de tokenização. Para um usuário, você acha que é é. É fácil fazer isso, pô, vamos. Vamos pegar um exemplo aqui é quando eu estava conversando com o professor do Insper sobre blockchain em uma dessas gravações, o Raul Ikea tava conversando sobre blockchain, aí ele eu estava com alguns instrumentos musicais. Assim, no fundo, ele deu o exemplo de tokenizar, um baixo que eu tinha, eu supondo que eu tivesse um instrumento musical raro. Né? E eu decidi se tokennizar esse instrumento é, você sabe se esse esse processo é algo simples, 1111, simples, mortal, consegue fazer isso ou é algo que eu precisaria de um especialista pra me ajudar a fazer. Olha a parte da tokenização em si, que escreveu o contrato inteligente e colocar ele para rodar. E o teu contrato inteligente basicamente vai dizer, eu estou emitindo um token, esse token vale o violoncelo raro XPTOE isso tudo aqui, o detentor vai ficar na carteira, é o detentor da carteira tal e transferir esse token. Esta partezinha, ela é trivial, ela é fácil. Porque é um padrão de contrato IRC 20, que você pode usar no etéreo, né? Uhum. Agora tem formas mais complexas de fazer isso. Do ponto de vista tecnológico, por exemplo, a gente está falando de um item que é um item raro e um item único, né? Então, talvez a melhor maneira de emitir isso não seja no padrão RC 20, seja em outro padrão de emissão de NFT, então talvez a melhor forma de organização disso seja emitir uma NFT desse violoncelo. Só que daí para você lançar isso no mundo real não é no mercado real, fazer as pessoas comprarem o teu token ou frações do seu token é se você vai lançar aquilo lá, como um token ou como sem token. Cada um valendo 1% do violoncelo. A parte jurídica que você precisa amarrar para isso tudo, ter ter validade e a parte de auditoria para que alguém vai ter que chegar e garantir que. Ó este um violoncelo, ele está depositado dentro da Galeria XPTOO detentor é o Eric, é o Eric, ele tem todo o direito de titularidade sobre isso. Este titular, ele decidiu emitir esse token para aferir isso. É uma auditoria, né, específica? Então todos esse espaçozinhos para você tirar isso do mundo das ideias. E fazer o teu token de fato, ser percebido pelo mercado como algo incrivelmente Sério e a percepção de quem está comprando um token ou um pedaço dele, né? Porque você pode quebrar em n casas decimais é de. Comprando aquele ativo raro, é um caminho ainda relativamente longo, então não é que um reles mortal não possa fazer isso. Eu acho que todo mundo tem capacidade para fazer isso, mas não sozinho. Eu acho que você precisa de vários expertises aí. É Unidos para colocar um projeto desse de pé e geralmente é assim que funciona. É até para dar confiança, né? Exatamente só só vou, vou fazer um parênteses aqui, como você usou AA sigla ONFT, né NFT está se referindo a to quem? Não fungível, né? Normalmente é usado quando a gente tem um item raro ou único, né? Não substituível é isso, né? É OANFT, ela basicamente é um token, só que imagina assim, imagina que no bitcoin, se você pegou, se você está com bitcoin que foi minerado no bloco 548000 ou com bitcoin minerado no bloco um? Tanto faz o valor do teu bitcoin é o mesmo, o teu bitcoin representa exatamente a mesma coisa, né? Na NFT não. Você emite um pouquinho e aquele token é um número 1234 e aquele token 1234 representa. O violoncelo, raro raro do Eric. Entendeu? Ele é um token absolutamente único. Se você pegar o token 1235, ele não vai representar a mesma coisa. Ele é diferente, eles são é geralmente utilizados para ativos únicos ou ou muito escassos, né? Você pode ter NT? NFTS de iguais, vai de de determinadas coisas, mas em pouca quantidade. Acho que teve. Foi um ténis da Gucci que se eu não me engano, que emitiram em NFTE. Foram pouquíssimas unidades. Né? Então você tem essa essa possibilidade também, mas aí é um outro padrão de contrato inteligente que ele é um pouco mais complexo do que um padrão ERC 20. E aí isso traz um pouco mais de complexidade dentro da parte tecnológica também. Perfeito. Bom nesse mundo que surgem é você fala de moeda digital, criptomoeda, né? A gente começa a ter que diferenciar alguns termos. É como moeda fiduciária, moeda fiduciária, é o que a gente já tinha, né? Que são moedas baseadas em confiança, né? A gente chama de moeda fiduciária porque elas não têm Lastro em metais como ouro, como era antigamente, né? E moeda fiduciária é como o dólar, como o real, é a minha. Minha pergunta aqui é, se uma Coin agora vamos falar sobre esse conceito, ela é um token de uma moeda fiduciária ou algo nessa linha? Exatamente isso, exatamente isso. Ela, nada mais uma stable Coin, né? Ela é uma criptomoeda percepção ampla do termo também que. É emitida na paridade de um para um, com uma moeda fiduciária ou moeda Fiat, como a gente chama, né? Então ela nada mais é do que uma tokenização de moedas Fiat. Então você tem estabelle coint de Dollar, que são as mais comuns. Você tem stable coint de euro, você tem estabelec de real, né? E para que é que ela servem? Porque dentro da dinâmica do do universo de cripto você tem 2 pontos que são bem importantes, o primeiro. É você conseguir transacionar isso 24 horas por dia, 7 dias por semana, né? Isso daí dentro de bancos tradicionais, você tem limite de horário, você tem dia útil, você tem 11. Série de restrições que nas estables você não tem. Então esse é um primeiro ponto. O segundo ponto é que eventualmente você quer ter o teu patrimônio em cripto, mas por por algum motivo, naquele determinado momento, você não está aceitando a exposição. Então você não quer estar exposto ao bitcoin, você simplesmente quer deixar teu dinheiro em dólar lá, esperando o melhor momento para comprar. Então, se eventualmente pode ficar. Com uma sabele corre comprada nesses nesses casos. Uhum. Quando a gente falou de ativo financeiro, né? 11 tolken, lastreado em uma ação é ou lastreado em 11 título. A gente a gente cai em 111. Complicação regulatória, né? Seja no mercado americano, tem a SEC aqui no Brasil tem ACVM, né, que regula o mercado de títulos e valores mobilirios, né? E muitas vezes interpretam que esses. Esses tolkens eles são títulos e valores mobilirios, né? Então eles são valores mobilirios, então o emissor precisa ser uma entidade regulada, precisa estar autorizado pela CVM. Quando a gente fala de stablecoin hoje. Hoje, um emissor de stabelle Coin aqui no Brasil, você sabe se ele precisa ter autorização do banco central? Precisa ter algum tipo de de autorização de de regulador? Olha quem controla a política monetária No No Brasil e missão de moeda. E a forma como isso pode ser feito é o banco central, né? E aqui no Brasil? Por ausência de. De legislação? Então a gente tem um princípio aqui no Brasil que é princípio da legalidade, né? Então, se algo pro pros particulares se algo não é proibido, então é permitido como a gente não tem nenhuma legislação aqui no Brasil que proíba você fazer esse tipo de de tokenização, então, ao meu ver ela é permitida, né? Tanto é que a gente tem um caso aí de real, que está rodando, tá inclusive, listada na cripto.com. Nos Estados Unidos, essa questão é muito mais delicada, né? Você tem uma série de, por exemplo, no nos Estados Unidos. Teve uma época que a Disney quis emitir o Disney Dollar. Não sei se você sabe desse caso é, e eles queriam colocar uma notinha para ser a moedinha usada dentro do parque. Eles foram proibidos de fazer isso porque nos Estados Unidos você tem uma legislação muito mais rigorosa e específica sobre a forma como o dinheiro é emitido, né? Tanto é que agora, nesses processos de aprovação de ETF, uma da um dos itens que a SEC está levantando com o item preocupante nos Estados Unidos é exatamente a questão do teter. E aí, o tetter? Para quem não sabe. É a maior forma de stabelle Coin. É a maior stabelle Coin que existe, que é a comparidade no dólar, né? E não é emitido por nenhuma autoridade central nos Estados Unidos, muito pelo contrário, é uma fundação privada, né? Que toma conta disso tudo, então? Depende de cada país. Cada país tem a sua regulamentação específica a respeito desse assunto aqui no Brasil a gente não tem restrição, mas também precisa-se tomar bastante cuidado, né? Com com essas formas de de de token, porque no fim das contas você está sujeito a. Aquela empresa que diz que está emitindo na paridade de um para um, então você está sujeito ao fato dela ter todos aqueles reais depositados em caixa para fazer jus às obrigações dos tokens que foram emitidos, né? É aqui no Brasil, a gente tem algumas coisas interessantes, né? É que até nem nem nem todas as iniciativas rodam em blockchain. Tem coisa? É, é que que, que independe de tecnologia, né? Mas a gente tem algumas. Comunidades que circulam moeda própria, né? Tem. Maricá no Rio de Janeiro, por exemplo, faz algum tempo que eles desenvolveram 11 moeda própria, que é circulada ali, né? Naquele dentro daquele ambiente. Então as moedas sociais, né? Aqui no Brasil, por conta do tamanho do território, é tinha um estudo do Banco Central do Brasil. Se eu não me engano, de 2000. E aí eu lembro que eu vi esse estudo em 2014, mais ou menos, tinham mais de 150 moedas sociais que eles tinham mapeado que circulavam aqui no Brasil. Hoje em dia deve ser mais até. E como? Você bem pontuou, né? Elas não necessariamente, aliás, nesse caso desse estudo, não utilizavam tecnologia blockchain. Mas elas serviam para facilitar os meios de troca dentro de determinadas comunidades, né? Muito bom, eu tenho. Eu tenho mais 2 perguntinhas, só tá? É a primeira delas. Eu queria que você falasse um pouquinho sobre. Tua tua visão sobre o potencial das tableco, né? Pra pra que que ela? Pra que que ela existe, o que é que ela Visa facilitar? Olha. Esse table Coin Visa facilitar as transações em criptomoedas, né? Então é aquilo que eu falei. É a gente dentro de um banco tradicional. Se você quiser comprar bitcoin no sábado às 2:00 da manhã, você não vai conseguir, né? Hoje em dia, com Pix você vem que está com limitação de horário para Pix. Agora, por questão de segurança, então provavelmente você não vai conseguir depositar a real e comprar bitcoin naquele momento, né? Se você estiver com 1 BRL tokenizado já tokenizado um stabel coint real, você vai conseguir comprar naquele momento desde que você deposite No No local correto, né? E faço a transação ali dentro de um ambiente que aceite a tua stablecoin, então isso daí facilita, por um lado, as transações em cripto, né? E por outro, que foi aquele Oo ponto que eu falei também, se eventualmente você vê domingo 4 horas da tarde, é um crash. Se você fala não, pelo amor de Deus, eu não. Não quero ficar exposto em criptomoeda agora, você liquida a tua posição para stayball Coin e fica só esperando para sacar pro teu banco. Né? Você não precisa ficar exposto em bitcoin necessariamente, porque o teu banco não está aberto naquele dia, naquele horário. É então ao meu ver, ele vem para essas 2 coisas, o mundo sem stablecoins em cripto ele era muito mais complicado. Acreditem, ele era muito mais demorado, tinha muito mais reclamação por compensação de DOC e Ted. Não existia Pix ainda, então ele era um mundo muito mais complicado e muito mais caro, né? Imagina cada vez que você precisar depositar e sacar real, as corretoras cobram uma taxa para isso, né? Então não é não, é uma coisa tão trivial e tão fácil assim. Né? Às vezes tem bocões. Elas vieram para facilitar esse processo é todo e por um lado e por outro pra pra garantir que você consiga ter AA exposição do teu patrimônio na moeda que você quiser, seja ela uma criptomoeda perse, né? Seja ela m, sabe Coin? Se você falou de compensação de DOC e Ted, imagina o cheque ainda, né? Lembro que não o cheque, cheque as as as exchanges nem aceitavam, é não, eu tô lembrando aqui no. Num passado remoto, quando eu comecei minha carreira com auditoria é. Fui acompanhar processo de compensação de cheque que a pessoa que IA lá fazendo com com uma mão eu fiquei impressionado por isso que eu memorizei, né? Uma pessoa com uma mão, ele IA passando os vários cheques aqui, né? E com a outra mão ele IA digitando os valores e o cara não errava a soma. O cara tinha tanta habilidade para fazer aquele processo, né? E conversava comigo. Ao mesmo tempo, conversava. Fazia a soma com uma mão, passava os cheques com a outra mão. É processo completamente artesanal, que é que a gente tinha. Vou te fazer mais uma pergunta que é sobre OOA, central Bank digital, currence ou CBDCA. Gente tem visto todos os dias? Praticamente tem saído alguma notinha aí na imprensa falando do real digital. É, eu queria saber a sua visão sobre ACDCBDC, especialmente sobre o real digital, tá? Porque assim eu vejo de um lado Oo banco central, falando de aspectos positivos, né? Do do real digital, e eu imagino que tenha muitos aspectos positivos mesmo, e de outro lado, vejo alguns analistas, mas aí assim, se tem um viés dos 2 lados, né? Tem o banco central dourando a pílula do lado do do regulador e tem o lado. O mercado algumas, é. É. Alguns participantes do mercado que podem perder mercado, né? Algum é participante de banco tradicional falando olha Oo, essa moeda digital emitida por banco por banco centrais. Ela é ruim porque ela trava um Monte de coisa, ela dá uma Liberdade para o banco central de criar taxa de juros negativo, de criar moeda. É pelo pelo gesto. Aí acho que é, é, é nessa. Porque hoje. Hoje, o banco central já pode fazer essas coisas, ele já tem o controle sobre a moeda. Fidiária, né? Exatamente. Queria que você falasse um pouquinho sobre, eu acho que eu acho que ACBDC no mundo todo. Eu acho que elas são um caminho inevitável. Eu vou explicar o porquê quando você tem uma transação de dinheiro Cash, né? Dinheiro físico, você não tem um carimbo ali na transação. Você não sabe que se foi da Helena para o Eric e do Eric e para o João do João, para o José, você não sabe nada disso, né? A partir do momento que você jogue isso dentro de um ambiente digital e mais com tecnologias de blockchain, por que que é importante a tecnologia de blockchain? Para você ter uma base de de dados que seja pública, auditável e, principalmente, imutável, que você não tenha 11 ente central que consiga desfazer ou deletar ou apagar uma transação que aconteceu ali, tipo. Esse tipo de de controle, né? Quando você está falando de lavagem de dinheiro? Ele é absolutamente fundamental, absolutamente fundamental. Se você souber sempre que tem todas as transações têm origem e destino e você conseguir rastrear quais que foram. Você não precisa saber quem é o dono da carteira Na Na hora que você olha na blockchain, mas na hora que vai surgir uma investigação, uma auditoria, uma apuração de contas, o que quer que seja, você conseguir rastrear isso daí, determinar a origem do dinheiro. Olha, tá aqui, tá vendo, saiu do político corrupto. A foi para essa carteira depois para essa carteira, depois para o político corrupto b. É absolutamente fundamental, fundamental. Tinha umas estatísticas do FMI. No ano de 2016, foi quando eu fiz meu último Ted talk de que se a corrupção fosse um país, ele seria a sétima economia do mundo, né? Como que isto pode ser concebível? Então, assim, eu acho que é absolutamente um caminho sem volta. Eu acho que a partir do momento que você tem tecnologia suficiente, confiável, para se adotar uma iniciativa dessas, eu acho que bancos centrais do mundo inteiro vão ter interesse e vão acabar adotando. Né? Acho que esse é um primeiro ponto, qual que eu acho que vai ser o grande? O grande entrave para isso? Eu acho que vai ser a adoção da tecnologia pelas pessoas, porque na hora que você está do lado de uma população ribeirinha aqui no Brasil, ou de alguém que está marginalizado aqui no Brasil, como que você vai exigir que o cara tenha um smartphone com acesso 4G para conseguir transacionar tudo online? Você não tem como exigir isso das pessoas, né? Então eu acho. Eu acho que o processo de transição do processo do do do engenheiro em papel ele vai acabar acontecendo por conta de uma necessidade. É um nível, assim eu não. Não tenho mais estudo sobre o nível de corrupção atual, mas com o COVID, com esse Monte de exceção, impressão de de exceção de conta pública. Impressão de dinheiro, et cetera, isso daí deve estar descontrolado, absolutamente descontrolado. E é um sistema incrivelmente mais eficiente do que o sistema atual que a gente tem. É óbvio que a gente tem interesses contra isso, né? Hoje o banco está feliz porquê? Porque o dinheiro que você deposita. Nele, ele pega e em nome próprio ele empresta isso para outras pessoas a juros, ele, em nome próprio, deposita no banco central o compulsório e fica emprestando todo o resto que não é compulsório para as pessoas a juros, né? Como que isso vai acontecer dentro de um de um ambiente onde tudo isso esteja digitalizado? Como é que você vai vai passar? Eu acho que dá para acontecer. Na verdade, eu acho que dá para continuar o mesmo sistema horrível que a gente tem hoje, mesmo com com uma moeda nacional tokenizada. Tá, mas Eu Acredito que eles têm, sim grandes preocupações, porque o receio deles é que se mexha nessa estrutura onde do jogo, né? Onde eles sempre estão ganhando. Você tem. Você tem esse tipo de interesse, você tem interesse de quem rouba, corrompe, né? Recebe dinheiro por corrupção, é de quem não faz tudo certinho. Então você. Você tem esses interesses que infelizmente existem, né? E de pessoas poderosas. Então é normal que se criem falácias aí pra pra tentar contornar o assunto. Mas eu acho que é um caminho sem volta. Eu acho que a Questão de Tempo para isso tudo ser adotado. Perfeito, Helena. Muito obrigado. Foi muito legal a conversa. Eu cada conversa dessa eu eu aprendo um pouco mais, então te agradeço bastante. Acho que vai ser muito útil, seja para os, para os nossos alunos aí do do Insper, como para a comunidade geral, porque a gente vai deixar esse esse vídeo aberto para o, para o público geral também. Ah, legal. Um prazer poder ajudar e participar, valeu?

Perguntas e respostas

Quem é Helena Margarido?
Helena Margarido é bacharel em direito pela PUC de São Paulo e possui um LLM pela Universidade de Illinois. Ela começou sua carreira em 2005, trabalhando em bancos, empresas de consultoria e escritórios de advocacia. Desde 2012, Helena se dedica ao universo das criptomoedas e blockchain, sendo uma das primeiras pessoas no Brasil e na América Latina a se aprofundar no tema. Atualmente, é sócia e cofundadora da Monet, um streaming digital com conteúdo para educação financeira, onde é responsável pela frente de criptomoedas.
O que é um token?
Um token é uma representação digital que dá direito a transacionar dentro de uma determinada blockchain. Originalmente, a única maneira de ter um token era através de um criptoprotocolo específico. Com o surgimento do padrão ERC-20 no Ethereum, tornou-se possível emitir tokens dentro de contratos inteligentes, permitindo a criação de criptomoedas de forma mais simples.
Como se cria um token?
Para criar um token, especialmente no padrão ERC-20 do Ethereum, é necessário programar um contrato inteligente que define a emissão e as regras do token. Esse processo permite a criação de quantos tokens forem desejados, com nomes e denominações específicas. A criação de tokens pode ser feita em várias blockchains, como Ethereum, Binance Smart Chain e Solana.
Qual a diferença entre tokens proprietários e tokens derivados?
Tokens proprietários são aqueles que pertencem a um criptoprotocolo específico, como o Bitcoin (BTC) ou o Ether (ETH) no Ethereum. Tokens derivados são criados dentro de contratos inteligentes em uma blockchain existente, como os tokens ERC-20 no Ethereum, e podem representar uma variedade de ativos ou direitos.
O que são fan tokens?
Fan tokens são tokens emitidos por organizações, como clubes de futebol, que dão aos detentores direitos específicos, como participar de enquetes e dar opiniões. Esses tokens não necessariamente oferecem retorno financeiro, mas podem ser negociados em mercados secundários, onde seu valor pode variar.
O que são ativos digitais?
Ativos digitais são itens que trazem benefícios econômicos ou direitos específicos para uma entidade. No contexto de tokens, eles podem representar direitos de uso, propriedade ou participação em votações e decisões dentro de uma blockchain ou organização.
O que são NFTs (Non-Fungible Tokens)?
Os NFTs são tokens únicos que representam ativos raros ou únicos, como obras de arte, itens colecionáveis ou ativos digitais específicos. Diferente dos tokens fungíveis, como o Bitcoin, cada NFT tem um valor e características únicas.
O que são stablecoins?
Stablecoins são criptomoedas que têm seu valor atrelado a uma moeda fiduciária, como o dólar ou o euro, na paridade de um para um. Elas são usadas para facilitar transações em criptomoedas e para manter o valor estável, evitando a volatilidade comum em outras criptomoedas.
Qual a regulamentação para emissão de stablecoins no Brasil?
No Brasil, a emissão de stablecoins não é explicitamente proibida, mas está sujeita à regulamentação do Banco Central, que controla a política monetária e a emissão de moeda. A ausência de uma legislação específica permite a emissão, mas é necessário cuidado com a conformidade regulatória.
Qual o potencial das stablecoins?
As stablecoins facilitam transações em criptomoedas, permitindo transações 24/7 e oferecendo uma alternativa estável para manter patrimônio em cripto sem exposição à volatilidade. Elas também reduzem custos e complicações associadas a depósitos e saques em moedas fiduciárias.
O que são CBDCs (Central Bank Digital Currencies)?
CBDCs são moedas digitais emitidas por bancos centrais. Elas visam aumentar a eficiência e a transparência das transações financeiras, facilitando o rastreamento de transações e combatendo a lavagem de dinheiro. A adoção de CBDCs é vista como um caminho inevitável para muitos países.

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Eric Barreto

Partner e Prof. do Insper