Artigo
23/02/2021
Atualizado em 24/02/2021

Até onde devem ir os investimentos em ESG

Investimentos em ESG devem equilibrar os pilares ambiental, social e financeiro, priorizando projetos viáveis e alinhados à legislação para garantir sustentabilidade empresarial eficaz.

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Por Luiz Otávio Goi Jr.*

Uma das maiores dúvidas quando falamos em sustentabilidade e ESG no meio empresarial é o custo das atividades para chegar a um resultado consistente. Normalmente essa questão chega na frente de qualquer proposta de trabalho que seja sustentável e com isso, talvez esteja um dos maiores erros cometidos no mundo corporativo.

Todos já sabemos que a sustentabilidade empresarial ou ESG (como vem sendo dito ultimamente) é um ramo de atuação que veio para ficar e com isso, que seus projetos de trabalho precisam estar apoiados nos três pilares da sustentabilidade ou TBL (triple bottom line) como são conhecidos: Ambiental, social e financeiro. Tudo isso serve como direcionamento para as atividades nesse meio e caso algum desses pilares não esteja atendido a contento, o programa deve ser estudado novamente.

O que ocorre é que os levantamentos de investimentos são feitos costumeiramente sem antes existir uma avaliação mais aprofundada da comparação do cenário atual ao futuro e com isso, os programas costumam perder o interesse por apresentarem altos custos.

Quando o levantamento de dados não compara os impactos atuais ou previstos – Um dos erros mais comuns nesse tipo de avaliação é a falta de visão geral da situação atual para comparar com um projeto proposto. Vejo exemplos de empresa que comparam um projeto de gestão de resíduos a uma metodologia sustentável de coletas olhando para seu cenário atual que pode não estar atendendo a PNRS. Comparar um programa futuro a uma situação que não atende a legislação vigente pode interferir diretamente no resultado das avaliações da empresa, destruindo a aplicação de um projeto pela falta de visão completa do cenário atual.

Quando o projeto previsto é mais do que o escopo atual – Outro problema que também interfere muito na implementação de projetos em ESG é que são propostos projetos com escopos mais completos do que o existente na empresa e com isso, o pilar financeiro fica aparentemente desfavorável. Isso também é muito comum em empresas que não estão sempre atualizadas quanto às legislações ambientais vigentes e quando precisam implementar um projeto, esse precisa ser somado a todo o GAP que foi criado pelo hiato gerado durante o período sem avaliação. Esse tipo de situação também é comum e requer atenção para implementar.

Quando o projeto tem custo fora da realidade – Ao verificar um projeto novo, antes de ser apresentado para a empresa é importante que sejam realizadas várias avaliações com propostas dos mais variados fornecedores de serviços, para evitar um distanciamento muito grande da realidade. Orçamentos unitários costumam fazer a empresa perder o nivelamento de mercado, gerando o risco da perda do projeto pelo orçamento fora da curva.

Quando o projeto não é o fator principal – Uma outra questão que precisa ser pensada nos investimentos em ESG é a priorização de projetos a serem implementados. Muitas vezes, pela falta de um inventário de riscos, projetos com menor impacto e maior custo tomam a frente na ordem de implementação e toda a atividade de sustentabilidade fica desacreditada. Existe um mito que paira por sobre as empresas quanto ao custo de se ter medidas sustentáveis e isso ocorre porque projetos pouco prioritários são apresentados antes de outros mais importantes, gerando descrédito. Os projetos devem ser desenvolvidos de acordo com uma priorização que deve ser obtida através de um levantamento de riscos.

Quando o projeto só tem foco em um dos pilares ou dois – Existem ainda projetos que prezam por um ou dois pilares apenas da sustentabilidade empresarial, e esses devem ser deixados para o final da lista de implementação. Projetos ambientalmente corretos e socialmente justos, mas que são inviáveis financeiramente, existem aos montes e nessa concepção os projetos não são genuinamente sustentáveis. Portanto, busque frentes de trabalho que poderão ser viáveis financeiramente também, pois o lucro é parte foco de um negócio e precisa estar presente em todas as decisões quando o assunto for escolher onde investir.

Como vemos, é fácil cometer erros nos investimentos em sustentabilidade. Esses erros são cometidos normalmente não só pela falta de viabilidade econômica, mas principalmente pela falta de visão do todo, onde seus benefícios poderão ser vistos de outras formas, que precisarão estar computadas em seu projeto para que ele tenha uma aprovação. Projetos de sustentabilidade cada vez mais precisarão acontecer e o aquecimento do mercado gera concorrência, o que auxilia no tabelamento de custos. Fazer o projeto certo é saber que os três pilares foram atendidos e com isso, entender que realmente as prioridades em ESG serão atendidas plenamente.

Sobre o autor

Luiz Otávio Goi Jr. tem formação na área ambiental, especialista em Educação, Saúde e Segurança do Trabalho, Sustentabilidade Empresarial e MBA em Gestão Empresarial. Tem expressiva vivência em gestão no ramo da indústria, na qual soma mais de 15 anos de experiência nos ramos automobilístico, energia e bens de consumo. Atualmente, é executivo em sistemas de gestão em indústria de grande porte, autor dos livros “Administrando sistemas, gerindo processos e engajando pessoas” e “Aprimorando sistemas, otimizando processos e desenvolvimento pessoas”, e publica artigos periódicos voltados a sistemas de gestão, sustentabilidade, gestão empresarial e corporativa em revistas e páginas de gestão.

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Luiz Goi

Especialista em ESG e gestão | Autor de 5 livros | Mais de 40.000 alunos | 20 anos de experiência de mercado