Artigo
27/10/2025

Desafios de Prioridades dos Comitês de Auditoria segundo Pesquisa do ACI Institute da KPMG Brasil

Pesquisa do ACI Institute da KPMG Brasil aponta desafios em riscos cibernéticos, demonstrações financeiras e governança para comitês de auditoria.

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Os comitês de auditoria no Brasil enfrentam desafios significativos em várias áreas, segundo dados da recente pesquisa realizada pelo ACI Institute da KPMG Brazil feita para o debate na 85ª Mesa Redonda, com seus membros locais, com 126 participantes do segmento, que aponta diversas prioridades, algumas das quais merecem atenção particular, e que queria compartilhar aqui com vocês, até porque fui um dos que respondeu à pesquisa dizendo que eles são relevantes e merecem nossa atenção.

Riscos Associados à Segurança de TI, Risco Cibernético e Inovações

Segurança de TI (4,0) e riscos de inovações em TI, como IA e uso da nuvem (4,0), receberam a mais alta prioridade, e fui um deles que também tem esta mesma percepção desta ameaça. Isso evidencia a necessidade de se aprimorar os controles internos de segurança cibernética e de dados, em conformidade com a LGPD. O rápido desenvolvimento tecnológico impõe a necessidade de revisão constante de protocolos, aumentando a complexidade da governança.

Riscos Relacionados às Demonstrações Financeiras

Talvez motivados por recentes escândalos e fraudes financeiras, como das Americanas, com um índice de 4,2, os riscos relacionados às demonstrações financeiras, incluindo a qualidade dos profissionais de contabilidade e as estimativas e julgamentos contábeis, são outra alta prioridade. Isso reforça a importância de processos robustos de auditoria interna e externa e da implementação de controles internos eficazes.

Governança, Risco e Conformidade (GRC)

Sou um dos que acredita, até pela minha experiência prática no segmento, de que estas 3 palavras não conseguem mais andar separadas. Fazem parte do mesmo bloco importante para qualquer empresa, independente do tamanho. Não vão ter sucesso sem ter estas 3 coisas!

Os riscos relacionados ao GRC também são uma área de foco (4,0). O comitê de auditoria deve estar bem alinhado com as políticas regulatórias, práticas de conformidade e deve garantir que controles internos estejam em lugar.

Interação com o Conselho de Administração e outros Comitês

Melhoria na interação do comitê de auditoria com o conselho de administração (4,4) e com a auditoria interna, head de riscos e head de compliance (índice não fornecido) são outras preocupações de alto nível. Isso destaca a necessidade de uma comunicação eficaz entre várias partes interessadas na governança da empresa. Também acho que sem uma boa comunicação e trabalho conjunto com uma visão corporativa alinhada, não atingiremos os objetivos comuns.

Número de Reuniões

Quanto ao número de reuniões previstas para 2023, 29% responderam que terão 10 a 12 reuniões, e outro 29% disseram que terão mais de 12 reuniões. Esse dado demonstra o aumento da carga de trabalho e da responsabilidade dos comitês de auditoria. Isto me preocupa, junto com o aumento de escopo de trabalho, incluindo a parte acima de GRC. O que me faz acreditar de que para muitas empresas de maior tamanho e complexidade, deve-se separar isto e criar um comitê separado para GRC.

ESG e Outros Riscos

Outros riscos como os econômicos, políticos e geopolíticos (3,6) e riscos relacionados ao ESG (índice não fornecido) também são relevantes, mesmo que com menor prioridade comparado aos já citados. A gestão desses novos riscos requer uma estratégia bem definida e práticas robustas de monitoramento.

Como podemos ver acima, os comitês de auditoria no Brasil estão enfrentando um ambiente complexo e em rápida evolução, que exige uma abordagem multifacetada para gerir riscos eficazmente. A expertise em diversas áreas, desde gestão de riscos, passando por TI até contabilidade e regulamentação, torna-se cada vez mais importante na composição deste grupo.

Podem ter acesso aos resultados em: https://midia.kpmg.com.br/comunicados/images/2023/769004963/votacao-inscricao-mesa-85.pdf

As opiniões dos autores convidados da nossa comunidade são independentes e não necessariamente representam a opinião da Okai.

Perguntas e respostas

Quais são os principais desafios enfrentados pelos comitês de auditoria no Brasil, segundo a pesquisa do ACI Institute da KPMG Brazil?
Os principais desafios incluem riscos associados à segurança de TI e inovações, riscos relacionados às demonstrações financeiras, governança, risco e conformidade (GRC), interação com o conselho de administração e outros comitês, número de reuniões, e riscos relacionados ao ESG e outros fatores econômicos, políticos e geopolíticos.
Qual é a importância dos controles internos de segurança cibernética para os comitês de auditoria?
Os controles internos de segurança cibernética são essenciais para proteger os dados e sistemas da empresa contra ameaças cibernéticas. A necessidade de aprimorar esses controles é evidenciada pela alta prioridade atribuída à segurança de TI e aos riscos de inovações tecnológicas, tais como IA e uso da nuvem.
Por que os riscos relacionados às demonstrações financeiras são uma prioridade alta para os comitês de auditoria no Brasil?
Os riscos relacionados às demonstrações financeiras são uma prioridade alta devido a recentes escândalos e fraudes financeiras, como o caso das Americanas. A qualidade dos profissionais de contabilidade e as estimativas e julgamentos contábeis também são fatores críticos.
O que os comitês de auditoria devem fazer para garantir uma governança eficaz em Governança, Risco e Conformidade (GRC)?
Para garantir uma governança eficaz em GRC, os comitês de auditoria devem alinhar-se bem com as políticas regulatórias e práticas de conformidade e garantir que os controles internos apropriados estejam em vigor.
Como a interação do comitê de auditoria com o conselho de administração e outros comitês pode ser melhorada?
A interação pode ser melhorada através de uma comunicação eficaz e trabalho conjunto com outras partes interessadas, como o conselho de administração, auditoria interna, head de riscos e head de compliance. Isso é crucial para atingir objetivos comuns na governança corporativa.
Qual é a quantidade típica de reuniões previstas para os comitês de auditoria em 2023?
Em 2023, 29% dos participantes preveem ter entre 10 a 12 reuniões, enquanto outro 29% espera ter mais de 12 reuniões no ano. Isso indica um aumento significativo na carga de trabalho e responsabilidades dos comitês de auditoria.
Por que a criação de um comitê separado para Governança, Risco e Conformidade (GRC) pode ser considerada para empresas maiores?
Para empresas de maior tamanho e complexidade, a criação de um comitê separado para GRC pode ser considerada devido ao aumento da carga de trabalho e responsabilidades no gerenciamento de riscos e conformidades, o que pode exigir uma atenção mais focada e especializada.
Quais são alguns dos riscos menos prioritários, mas ainda relevantes, mencionados na pesquisa?
Riscos relacionados ao ESG e fatores econômicos, políticos e geopolíticos são considerados menos prioritários, mas ainda relevantes. A gestão desses riscos requer uma estratégia bem definida e práticas robustas de monitoramento.
Qual é a importância da expertise em diversas áreas para a composição dos comitês de auditoria no Brasil?
A expertise em diversas áreas, como gestão de riscos, TI, contabilidade e regulamentação, é cada vez mais importante para a composição dos comitês de auditoria, dado o ambiente complexo e em rápida evolução que eles enfrentam. Essa diversidade de conhecimento é crucial para gerenciar riscos de maneira eficaz.
Onde podem ser acessados os resultados da pesquisa mencionada?
Os resultados da pesquisa podem ser acessados através deste link para o documento PDF.

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Luiz Henrique Lobo

Membro Independente de Conselhos | Comitê de Riscos da Caixa e de Auditoria da BR Partners | Consultor e Palestrante