Artigo
09/06/2023
Atualizado em 10/04/2026

Uma Análise da Visão e Priorização de Importância dos Riscos nas Empresas Brasileiras através da Pesquisa ACI da KPMG com Conselheiros

Pesquisa da KPMG com 132 conselheiros destaca riscos prioritários nas empresas brasileiras, com risco político-econômico e regulatório no topo, seguido por cibernético e reputacional.

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Queria comentar hoje sobre a interessante pesquisa promovida pela KPMG Brasil na 84ª Mesa de Debates do ACI, organizada pelo Sidney Ito e Fernanda Allegretti, e que contou com 132 participantes que são membros do ACI e participam de conselhos e comitês de riscos e auditoria (sendo que eu fui um destes e também respondi e dei minha opinião), e que consideram uma boa representatividade do segmento, que se dedicou a priorizar diversos tipos de riscos, baseando-se em uma escala de avaliação que vai de 1 a 5, com o 5 sendo o mais preocupante e importante, e o 1 em tanto. Os dados de anos anteriores foram também considerados, oferecendo uma perspectiva histórica da mesa 80 de dois anos atrás.

Os resultados brutos estão apresentados na imagem acima.

Mas queria então detalhar abaixo cada um deles e fazer meus comentários sobre as notas de cada um deles, e como evoluiu esta percepção em relação ao anterior de 2 anos atrás, e fazer meus comentários e dar minha opinião pessoal sobre cada um deles, e como os vejo.

Sendo que o número entre parênteses é a posição que o risco teve no estudo sobre gestão de riscos que o ACI fez com todas as empresas listadas em bolsa, baseado no formulário de referência, que podem ter acesso no seguinte link:

https://assets.kpmg.com/content/dam/kpmg/br/pdf/2023/5/gerenciamento-de-riscos-final.pdf

Vamos detalhar abaixo cada um desses riscos:

1) Risco político e econômico no Brasil (2º):

Esse risco se refere à potencial instabilidade política e econômica no Brasil que pode afetar negativamente as operações e a rentabilidade das empresas. Essa instabilidade pode surgir devido a fatores como mudanças de governo, políticas econômicas flutuantes, corrupção, entre outros.

Este risco está em segundo lugar e tem uma pontuação bastante alta, o que sugere uma grande preocupação entre os participantes. Isso pode refletir a incerteza política e econômica atual no Brasil e o impacto potencial que isso pode ter nas operações das empresas.

Apesar de uma pequena diminuição na nota (de 4,09 para 4,05), este risco continua sendo um dos mais importantes para os participantes, possivelmente refletindo a instabilidade política e econômica contínua no país.

2) Riscos cibernéticos e de proteção de dados (10º):

Este é o risco de ataques cibernéticos, violação de dados e outras formas de ameaças à segurança cibernética que podem resultar em perda de dados, violação de privacidade, danos à reputação e penalidades regulatórias.

A classificação deste risco aumentou significativamente em importância, provavelmente refletindo o crescimento do digital e a crescente prevalência de ataques cibernéticos e violações de dados. A pontuação de 3,94 indica um alto grau de preocupação.

A nota caiu de 4,28 para 3,94, o que pode sugerir uma melhoria na capacidade das empresas em gerir esses riscos, ou uma dessensibilização devido à prevalência desses tipos de riscos na sociedade atual.

3) Risco regulatório (1º):

Refere-se à possibilidade de uma mudança nas leis ou regulamentações que poderia impactar adversamente uma empresa. Este risco pode assumir muitas formas, como novas leis tributárias, alterações nas normas ambientais ou aumento do escrutínio regulatório.

Como o risco mais bem classificado, é claro que os participantes veem o ambiente regulatório como um grande desafio. Isso pode ser devido ao ritmo rápido das mudanças regulatórias, bem como à possibilidade de sanções severas por não conformidade.

A percepção deste risco permaneceu quase inalterada (de 3,78 para 3,82), indicando que as preocupações com a conformidade regulatória continuam sendo uma grande preocupação.

4) Risco de imagem e reputação (21º):

Este risco está ligado à possibilidade de ocorrerem eventos que possam prejudicar a imagem pública e a reputação de uma empresa, como escândalos, má gestão de crises, ou produtos e serviços de baixa qualidade.

A importância deste risco parece ter aumentado, talvez devido à crescente conscientização sobre a importância da reputação corporativa e o papel das mídias sociais em moldar a percepção pública.

Houve uma queda significativa na nota deste risco (de 4,23 para 3,7), sugerindo que as empresas podem estar se tornando mais proficientes em gerir sua reputação e responder eficazmente a crises.

5) Risco do capital humano (13º):

Esse risco é associado à gestão de pessoas, como a retenção de talentos, a capacidade de atrair novos talentos, o gerenciamento de questões de saúde e segurança no trabalho, além de problemas relacionados a remuneração e benefícios.

Este risco tem uma pontuação moderada, o que pode refletir a crescente preocupação com questões relacionadas à retenção de talentos, bem-estar dos funcionários e atração de novos talentos.

A nota caiu ligeiramente (de 3,79 para 3,65), o que pode refletir melhorias nas práticas de gestão de pessoas ou mudanças nas preocupações da força de trabalho.

6) Inovação de produtos e do modelo de negócios (8º):

Trata do risco associado à capacidade de uma empresa de se manter competitiva através da inovação de seus produtos e/ou modelo de negócios. Este risco pode ser particularmente alto em setores de rápido avanço tecnológico.

A pontuação deste risco sugere que os participantes estão conscientes da importância da inovação para manter a competitividade, especialmente em um ambiente de negócios em rápida mudança.

A nota diminuiu significativamente (de 4,17 para 3,63), o que pode sugerir que as empresas estão se adaptando melhor à rápida mudança tecnológica e ao ambiente de negócios em evolução.

7) Riscos financeiros e de caixa (6º):

Estes riscos envolvem a gestão financeira da empresa, incluindo fluxo de caixa, gestão de dívidas, volatilidade cambial, inflação, entre outros fatores que podem afetar a saúde financeira da empresa.

A pontuação deste risco sugere uma preocupação moderada com questões como fluxo de caixa, dívidas e volatilidade do mercado.

A pontuação caiu de 3,75 para 3,48, sugerindo que os participantes podem estar se sentindo mais seguros em relação à situação financeira de suas empresas.

8) Riscos operacionais e de gestão (4º):

Este risco se refere à eficiência e eficácia dos processos de negócios da empresa. Isso pode incluir questões como gerenciamento de projetos, produção, qualidade, logística, entre outros.

A pontuação sugere que os participantes estão atentos à importância de processos eficientes e eficazes de gestão e operações.

A nota se manteve estável para esta pesquisa, indicando que as preocupações com a eficácia da gestão e operações continuam sendo uma prioridade.

9) Riscos jurídicos e tributários (5º):

Este risco envolve possíveis problemas legais e tributários que podem afetar uma empresa. Isso pode incluir ações judiciais, alterações na legislação tributária, não conformidade com leis e regulamentos, entre outros.

Este risco tem uma pontuação moderada, refletindo a complexidade do ambiente jurídico e tributário e a importância da conformidade.

Houve uma pequena queda na nota (de 3,74 para 3,33), indicando talvez que as empresas estejam se tornando mais proficientes em lidar com questões legais e tributárias.

10) Riscos socioambientais (14º):

São os riscos associados a questões ambientais e sociais, como mudanças climáticas, desastres naturais, violações de direitos humanos e práticas de trabalho inadequadas.

Esta pontuação sugere um aumento na conscientização e preocupação com as questões socioambientais, especialmente à luz da crescente ênfase na sustentabilidade.

A nota caiu de 3,52 para 3,18, talvez refletindo uma maior familiaridade e capacidade de gerenciar esses tipos de riscos.

11) Risco de cadeia de suprimentos (19º):

Este risco envolve a gestão da cadeia de suprimentos de uma empresa, desde a obtenção de matérias-primas até a entrega do produto final ao consumidor. Isso pode incluir questões como interrupções na cadeia de suprimentos, problemas de qualidade, aumento de custos, entre outros.

A pontuação deste risco sugere uma preocupação moderada com a gestão da cadeia de suprimentos, possivelmente exacerbada por interrupções.

A pontuação caiu de 3,6 para 3,17, sugerindo que as empresas podem ter aprimorado suas práticas de gestão de cadeia de suprimentos ou diminuído sua dependência de fornecedores externos.

12) Risco geopolítico (12º):

Este é o risco associado a eventos políticos internacionais que podem afetar as operações de uma empresa. Isso pode incluir guerras, conflitos, sanções, alterações nas políticas comerciais, entre outros.

A pontuação deste risco sugere uma preocupação moderada com os efeitos da política internacional nas operações comerciais. Isso pode ser influenciado por fatores como tensões comerciais, conflitos e instabilidade política em regiões importantes.

A pontuação caiu significativamente de 3,81 para 3,1, indicando uma diminuição na preocupação com riscos geopolíticos. Isso pode ser resultado de uma situação geopolítica global mais estável.

13) Risco de fraude (22º):

Esse risco está relacionado com a possibilidade de ocorrerem atividades fraudulentas dentro ou fora da empresa, como apropriação indevida de ativos, corrupção, fraude contábil, entre outros.

Este risco tem uma pontuação moderada, refletindo a importância de detectar e prevenir atividades fraudulentas. Este é um risco particularmente relevante para setores como finanças e tecnologia.

A pontuação caiu de 3,62 para 3,03, sugerindo uma melhoria na capacidade de detecção e prevenção de fraudes.

14) Inadimplência (18º):

Este risco se refere à possibilidade de clientes ou parceiros não cumprirem suas obrigações financeiras com a empresa.

A pontuação deste risco sugere uma preocupação moderada com a capacidade dos clientes de pagar por bens e serviços. Isso pode ser influenciado por fatores como a saúde econômica geral e a solvabilidade dos consumidores.

A pontuação caiu de 3,48 para 2,94, possivelmente refletindo uma melhoria na saúde financeira dos clientes e/ou aprimoramento nas práticas de cobrança.

15) Risco de erro e/ou irregularidades nas demonstrações financeiras (29º):

Este risco está relacionado à possibilidade de erros, omissões ou fraudes nas demonstrações financeiras da empresa.

Este risco tem uma pontuação relativamente baixa, sugerindo que os participantes podem sentir que têm controles adequados em vigor para evitar erros ou irregularidades financeiras.

A pontuação caiu de 3,53 para 2,8, sugerindo uma melhoria nas práticas de controle financeiro e auditoria.

16) Riscos relacionados às subsidiárias, controladas e coligadas (20º):

Estes riscos envolvem as operações e a gestão das empresas subsidiárias, controladas e coligadas. Isso pode incluir questões como governança corporativa, conformidade regulatória, gestão de riscos, entre outros.

Esta pontuação é a mais baixa entre os riscos listados, sugerindo que os participantes sentem que têm um bom controle sobre as operações de suas subsidiárias, controladas e coligadas.

A pontuação diminuiu significativamente de 3,12 para 2,38, o que sugere que as empresas podem ter aprimorado a gestão e o controle de suas subsidiárias e afiliadas.

As pontuações e classificações desses riscos refletem as diversas preocupações que os participantes da Mesa de Debates da ACI têm em relação à gestão de riscos em suas organizações. Estes resultados podem ajudar a informar a alocação de recursos para a gestão de riscos e a identificação de áreas que podem exigir maior atenção no futuro.

Queria destacar alguns deles que chamaram mais atenção na minha opinião ao observar os dados apresentados, que queria destacar abaixo:

Risco político e econômico no Brasil (2º) com 4,05

Esta é a pontuação mais alta entre todos os riscos listados, indicando um forte nível de preocupação. O Brasil tem enfrentado instabilidades políticas e econômicas nos últimos anos e isso pode ter grandes implicações para as empresas que operam no país. Portanto, este risco definitivamente merece atenção especial.

Riscos cibernéticos e de proteção de dados (10º) com 3,94

A posição elevada e a alta pontuação deste risco refletem a crescente importância da segurança cibernética e da proteção de dados. As violações de dados podem ter consequências graves, incluindo multas regulatórias, perda de confiança dos clientes e danos à reputação. Este é um risco que deveria receber mais atenção, considerando o aumento da digitalização dos negócios.

Risco regulatório (1º) com 3,82

A posição deste risco como o mais bem classificado na pesquisa sugere que as empresas estão cada vez mais preocupadas com as mudanças regulatórias e o risco de não conformidade. A crescente complexidade do ambiente regulatório torna este um risco crucial a ser monitorado.

Risco de imagem e reputação (21º) com 3,7

A alta pontuação deste risco reflete a importância da reputação corporativa em um mundo cada vez mais conectado e consciente socialmente. Incidentes que prejudicam a reputação de uma empresa podem ter efeitos duradouros e prejudiciais.

Riscos socioambientais (14º) com 3,18

Embora este risco não esteja no topo da lista, a crescente ênfase na sustentabilidade e a conscientização pública sobre as questões ambientais sugere que ele merece na minha opinião mais atenção. As empresas podem enfrentar danos à reputação, penalidades regulatórias e perda de negócios se não gerenciarem adequadamente seus riscos socioambientais.

Essas observações destacam a necessidade das empresas de considerar uma variedade de riscos em suas estratégias de gestão de riscos. Os dados da pesquisa indicam que a percepção de risco pode mudar ao longo do tempo, ressaltando a importância do monitoramento contínuo e da adaptação às mudanças nas circunstâncias.

Pode acessar os resultados da pesquisa no seguinte link abaixo:

https://midia.kpmg.com.br/comunicados/images/2023/714854707/84-md-aci-institute-resultados-votacao-interativa.pdf

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Atualizado Verificado em 16/07/2026

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Autor

LL

Luiz Henrique Lobo

Membro Independente de Conselhos | Comitê de Riscos da Caixa e de Auditoria da BR Partners | Consultor e Palestrante