Artigo
04/09/2023
Atualizado em 10/04/2026

Desafios e Prioridades do Comitê de Auditoria: Pesquisa do ACI Institute da KPMG

Texto comenta pesquisa do ACI Institute da KPMG sobre desafios e prioridades de comitês de auditoria, incluindo riscos, ESG, cibersegurança, TI e compliance.

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O ambiente em que os Comitês de Auditoria operam está em constante evolução, por isto mesmo enfrentam constantemente uma série de novos desafios, que vão desde a volatilidade econômica e geopolítica, até mais recentemente as questões ambientais, sociais e de governança da agenda de ESG.

Queria comentar hoje sobre uma interessante e relevante pesquisa que me foi apresentada em primeira mão pessoalmente na sexta passada durante a 85 mesa redonda do ACI Institute e do Board Leadership Center da KPMG Brasil, liderado pelo Sidney Ito e Fernanda Allegretti (parabéns aos dois pelo excelente trabalho e dedicação ao tema, e por compartilhar conosco este conhecimento), que aborda exatamente esses desafios e prioridades.

Este estudo global, foi composto por 760 participantes, sendo dos quais 90 são membros do ACI Institute Brasil (12% do todo) e 179 (23,5%) são da América Latina, incluindo estes 90 do Brasil. Brasil foi o 3º país que mais participou apenas atrás do USA e Japão. Somos relevantes. E o legal que a pesquisa separa os resultados do Brasil, AL e mundo. Mostrando de que modo geral existe um alinhamento, mas em alguns pontos existem diferenças, que depois eu vou comentar.

A pesquisa tinha como objetivo compreender como os membros dos comitês estão ajustando suas responsabilidades e prioridades em um cenário empresarial complexo e incerto cheio de novos riscos.

A pesquisa aponta para uma série de novos desafios, entre eles, a volatilidade econômica, avanços tecnológicos, mudanças climáticas e ameaças cibernéticas são especialmente relevantes. Esses desafios colocam em cheque o gerenciamento de riscos e a robustez da governança corporativa.

Interessante de ver que 59% dos participantes e membros de comitês de auditoria no Brasil (e 53% na América Latina) consideram seus processos de gerenciamento de riscos adequados, o que pessoalmente eu (que também respondi a pesquisa) não acho isto. Entretanto, a confiança pode ser abalada por potenciais falhas na supervisão de riscos emergentes e na retenção e desenvolvimento de talentos, especialmente nas áreas de auditoria interna, financeira e contábil.

Entre os brasileiros a segurança cibernética e Tecnologia da Informação (TI) foram o destaque, apontados por 82% dos participantes como um dos temas mais relevantes que merecem atenção especial, incluindo eu pessoalmente.

A maioria dos participantes aposta em melhorias no fluxo e qualidade da informação proveniente da gestão (48% no Brasil e 39% na América Latina). Também são vistos como cruciais a inclusão de especialistas para tratar de temas específicos e um tempo maior de interação presencial com o conselho de administração e a gestão.

Fazendo um resumo de alguns dos destaques da pesquisa eu traria para sua informação e reflexão os seguintes pontos:

  • Agenda ESG: Aqui 67% dos comitês no Brasil e 65% na América Latina são responsáveis por supervisionar o cumprimento de exigências ESG. Vejo isto cada vez mais presente e relevante nos Coauds que participo.
  • Segurança Cibernética: Questão em alta, ocupando um espaço crescente na agenda dos comitês. Pessoalmente acho um dos maiores riscos de modo geral, e um dos que mais me preocupa, principalmente porque acho que ainda não se deram conta deste risco de forma adequada, dos seus impactos e probabilidade. Está sendo menosprezado indevidamente.
  • Avaliação de Competências: Há um exame detalhado das habilidades e composição dos comitês visando identificar lacunas de expertise. Faltando gente boa. Inclusive com soft skills.
  • Supervisão dos Riscos Críticos: 40% dos participantes brasileiros apontam que essa é uma responsabilidade compartilhada com o conselho de administração. Sem dúvida de que o conselho não pode fugir desta responsabilidade de gestão dos riscos, aonde o comitê de auditoria (ou de riscos quando este existe, e acho que vai crescer o número diante da complexidade e aumento de demanda e trabalho) pode e deve ajudar e muito.
  • Questões de Compliance: Riscos não relacionados às demonstrações financeiras, como questões legais e regulatórias, também estão sob supervisão aprofundada dos comitês. As exigências regulatórias e de mercado têm crescido cada vez mais nesta área, e demandam uma atenção especial.

Os Comitês de Auditoria estão adaptando suas estratégias e focos para enfrentar estes desafios. Neste sentido a pesquisa do ACI Institute e KPMG serve como um importante barômetro para entender como esses comitês estão se adaptando às mudanças e quais áreas necessitam de maior atenção.

Falei hoje acima de modo geral sobre a pesquisa. Mais como uma introdução ao conteúdo que esta pesquisa traz. Mas vou depois nos próximos posts detalhar um pouco mais cada um dos pontos específicos dos resultados. Aguardem.

Enquanto isto podem ter acesso à pesquisa completa no seguinte link abaixo:

https://assets.kpmg.com/content/dam/kpmg/br/pdf/2023/8/Desafios-Prioridades-Comite-Auditoria.pdf

As opiniões dos autores convidados da nossa comunidade são independentes e não necessariamente representam a opinião da Okai.
Atualizado

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Autor

LL

Luiz Henrique Lobo

Membro Independente de Conselhos | Comitê de Riscos da Caixa e de Auditoria da BR Partners | Consultor e Palestrante