A governança ambiental, social e corporativa (ESG) está no centro das discussões do mundo corporativo e social. Mas será que estamos transformando o tema em algo sério ou em mais uma moda que enche discursos, mas não muda a prática? De organizações a vendedores de infoprodutos, o ESG virou um passaporte para monetização rápida, onde o peso da responsabilidade foi substituído por curtidas e certificações vazias.
O problema está no "como". Certificados sem contexto, ações pontuais para mascarar problemas estruturais e cursos milagrosos prometendo senioridade em quatro horas: essa é a realidade de quem brinca de ESG. O conceito, que deveria estar no centro da estratégia corporativa, muitas vezes é tratado como acessório, algo para preencher relatórios bonitos, mas sem vínculo com a essência do negócio.
Estamos vendo organizações criando um "teatro ESG", onde práticas isoladas são exaltadas enquanto os grandes problemas – aqueles que exigem trabalho duro e estratégia robusta – são ignorados. Pior ainda, narrativas artificiais, alimentadas por algoritmos e estratégias de marketing, perpetuam a desinformação. Parece que vivemos um ciclo onde a aparência importa mais que a transformação. Greenwashing institucionalizado.
Quando uma empresa reconhecida por sua "gestão de pessoas" forma cartéis para nivelar salários; ou quando instituições que deveriam liderar a implementação da Agenda 2030 enfrentam denúncias de injúrias raciais e éticas, percebemos que algo está muito errado. Não é diferente com profissionais que vendem ilusões sobre ESG enquanto entregam conteúdos rasos ou plagiados. O resultado? Um mercado inflado por falsas promessas e vazios de integridade.
Eventos e prêmios: real impacto ou autopromoção?
Os eventos ESG tornaram-se vitrines corporativas financiadas por quem tem mais interesse em se autopromover. Enquanto isso, os reais desafios são varridos para debaixo do tapete, e as fragilidades, que deveriam ser analisadas, são esquecidas. Até as premiações viraram commodities, criadas para inflar egos e gerar receita, mas sem lastro na transformação que o ESG propõe.
A pergunta que incomoda. Por que você quer que sua empresa estruture uma agenda ESG? Para ganhar likes e criar uma fachada ou para garantir perenidade e resultados sólidos? Se for a primeira opção, o caminho está claro: confetes, mídia paga e narrativas editadas para massagear o ego.
Mas lembre-se: essa conta chega – e ela será alta. Agora, se você realmente quer proteger o resultado financeiro e a reputação do seu negócio, é hora de questionar o que parece fácil demais. ESG não é um truque de marketing. É uma estrutura estratégica complexa, que exige pensamento crítico, resiliência e conexão genuína com os objetivos da empresa. É basicamente uma forma de estruturar negócios pensando em todas as variáveis internas e externas e não simplesmente um empilhado de ações bonitinhas.
Virar a chave começa aqui.
Chegamos ao ponto em que não dá mais para ignorar. O mínimo que a sociedade merece é o respeito pela verdade e pela transparência. Continuar a fingir é enganar quem acredita na transformação. Pior ainda, é perpetuar práticas que são mais nocivas do que a ausência de ação. Nesse momento, precisamos disseminar cada vez mais a origem das ações que fazemos e, principalmente, questionar a profundidade daqueles que nos demonstram tais ações.
E você? Vai continuar aceitando o "faz de conta"? Se acredita que chegou a hora de fazer diferente, comece questionando o superficial e investindo no profundo. O futuro exige responsabilidade – e ele começa hoje. O falso sentimento de que "todo mundo está fazendo ESG" é o maior risco que podemos correr.