Desatualizado Artigo
09/05/2025

Hedge accounting de dívidas no exterior

Explica como empresas brasileiras usam hedge accounting e swaps para mitigar riscos cambiais em dívidas no exterior.

Desatualizado Verificado em 16/07/2026

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A explicação sobre swaps, hedge de valor justo e hedge de fluxo de caixa permanece compatível com o CPC 48/IFRS 9. Na contextualização regulatória das dívidas externas, porém, a Lei nº 14.286/2021, vigente desde 30/12/2022, revogou dispositivos centrais da Lei nº 4.131 relacionados a capital estrangeiro e crédito externo, e a Resolução BCB nº 278/2022 passou a regulamentar essas operações. A FAQ e as referências à Lei nº 4.131 devem ser lidas conforme esse regime posterior.

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Muitas empresas no Brasil acessam linhas de crédito no exterior, onde o custo da dívida historicamente é mais barato, uma vez que as taxas de juros internacionais eram bastante menores do que a taxa de juros nacional. Boa parte dessas operações de crédito eram realizadas com base na Lei 4.131.

Embora essas dívidas possuam taxas de juros menores, as empresas brasileiras ficam expostas à variação cambial, pois geralmente as linhas de crédito são contratadas em dólar. Assim, um choque de alta na paridade cambial do dólar em relação ao real torna o empréstimo mais caro. Para não correr esse risco, grande parte das empresas contratam operações de hedge para trocar o risco de variação cambial por um risco de taxa de juros em reais.

Entre os instrumentos financeiros mais utilizados para esse tipo de hedge, está o swap, contrato realizado sobre um valor base (nocional), o qual da origem a um direito e a uma obrigação remunerados a taxas e moedas pré-determinadas. Para proteger um passivo em dólar e que também é remunerado a uma taxa de juros prefixada (USD + taxa), contrata-se um swap com leg ativa (direito) de USD + taxa. Na leg passiva (obrigação), teremos uma remuneração em reais (BRL), que será pré ou pós-fixada. Na tabela abaixo podemos visualizar de forma mais clara o mecanismo do hedge:

Partindo do pressuposto que as características tanto do instrumento (swap) quanto do objeto de hedge (dívida) são idênticas, a exposição resultante do hedge será exatamente a ponta passiva do swap.

Já sob o ponto de vista contábil, há um descasamento que surge pela diferença entre bases de mensuração, conforme tabela abaixo:

Tal diferença gera volatilidade no resultado contábil, o que não representa da forma mais fidedigna o relacionamento do hedge nas demonstrações financeiras. Se designarmos essa relação como um hedge contábil, teríamos os seguintes efeitos teóricos no resultado contábil:

Tanto o hedge de valor justo quanto o hedge de fluxo de caixa eliminam ou reduzem o descasamento contábil, porém cada um possui um método de contabilização particular.

Especificamente para o hedge de fluxo de caixa, a variação do valor justo represada no PL é somente aquela que é considerada efetiva (eventuais inefetividades afetam a DRE), e é baixada para resultado à medida que o principal da dívida é liquidado. Leia também nosso artigo sobre contabilização de hedge de valor justo e hedge de fluxo de caixa.

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Perguntas e respostas

Por que muitas empresas no Brasil acessam linhas de crédito no exterior?
Muitas empresas no Brasil acessam linhas de crédito no exterior porque o custo da dívida historicamente é mais barato, devido às taxas de juros internacionais serem menores do que a taxa de juros nacional.
O que é a Lei 4.131?
A Lei 4.131 é uma legislação brasileira que regula operações de crédito realizadas no exterior.
Qual é o risco associado às dívidas em dólar para empresas brasileiras?
O risco associado às dívidas em dólar para empresas brasileiras é a variação cambial, que pode tornar o empréstimo mais caro se houver uma alta na paridade cambial do dólar em relação ao real.
O que é um hedge e por que as empresas o utilizam?
Um hedge é uma operação financeira utilizada para proteger contra riscos, como a variação cambial. As empresas utilizam hedge para trocar o risco de variação cambial por um risco de taxa de juros em reais.
O que é um swap e como ele funciona no contexto de hedge?
Um swap é um contrato financeiro realizado sobre um valor base (nocional), que dá origem a um direito e a uma obrigação remunerados a taxas e moedas pré-determinadas. No contexto de hedge, um swap pode proteger um passivo em dólar ao trocar a remuneração em dólar por uma remuneração em reais.
Qual é a exposição resultante do hedge quando as características do instrumento e do objeto de hedge são idênticas?
Quando as características do instrumento (swap) e do objeto de hedge (dívida) são idênticas, a exposição resultante do hedge será exatamente a ponta passiva do swap.
O que causa volatilidade no resultado contábil em operações de hedge?
A volatilidade no resultado contábil em operações de hedge é causada pelo descasamento entre bases de mensuração do instrumento de hedge e do objeto de hedge.
Como o hedge contábil pode afetar o resultado contábil?
O hedge contábil pode eliminar ou reduzir o descasamento contábil, proporcionando uma representação mais fidedigna do relacionamento do hedge nas demonstrações financeiras.
Quais são os dois tipos de hedge mencionados e como eles diferem na contabilização?
Os dois tipos de hedge mencionados são o hedge de valor justo e o hedge de fluxo de caixa. Cada um possui um método de contabilização particular, sendo que o hedge de fluxo de caixa represada no PL a variação do valor justo considerada efetiva, baixando-a para resultado à medida que o principal da dívida é liquidado.
Onde posso encontrar mais informações sobre a contabilização de hedge de valor justo e hedge de fluxo de caixa?
Mais informações sobre a contabilização de hedge de valor justo e hedge de fluxo de caixa podem ser encontradas no artigo contabilização de hedge de valor justo e hedge de fluxo de caixa.

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Autor

WC

Wesley Carvalho

Professor da M2M SABER e consultor em instrumentos financeiros, hedge accounting, derivativos e temas contábeis complexos.