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10/08/2025

IAS 20: Tudo sobre Subvenções Governamentais

Explica critérios de reconhecimento e divulgação de subvenções e assistência governamental segundo a IAS 20.

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1. Breve Histórico

A norma IAS 20 foi emitida pelo International Accounting Standards Committee (IASC) em 1983 e revisada posteriormente pelo International Accounting Standards Board (IASB). Ela tem como objetivo padronizar a contabilização e divulgação de subvenções governamentais e de assistência governamental, promovendo transparência e consistência nas demonstrações financeiras.

2. Objetivo

O principal objetivo da IAS 20 é prescrever a forma como subvenções governamentais e assistência governamental devem ser reconhecidas e divulgadas nas demonstrações financeiras. A norma busca assegurar que os benefícios das subvenções sejam refletidos de forma apropriada, evitando sua manipulação para distorções de desempenho.

3. Alcance

A IAS 20 aplica-se a todas as entidades que recebem subvenções governamentais e outras formas de assistência governamental. No entanto, não se aplica a benefícios fiscais especiais, incentivos fiscais ou investimentos governamentais diretos em entidades, e subvenções governamentais tratados em normas específicas.

4. Definições

  • Governo: são agências governamentais e órgãos similares, sejam eles locais, nacionais ou internacionais.

  • Subvenções governamentais: São auxílios do governo, na forma de transferência de recursos para uma entidade em compensação por cumprimento passado ou futuro de certas condições relacionadas às atividades operacionais da entidade.

  • Assistência governamental: Ações do governo destinadas a fornecer benefícios econômicos específicos a uma entidade que cumpra determinados requisitos.

  • Restituição de subvenções: Devolução de subvenções ao governo devido ao descumprimento de condições.

  • Subvenções relacionadas a ativos: quando a condição principal para que a entidade se qualifique é a de que ela compre, construa ou, de outra forma, adquira ativos de longo prazo.

  • Subvenções relacionadas a receitas: quando não são relativas a ativos.

  • Empréstimos perdoáveis: são empréstimos em que o credor se compromete a renunciar à restituição, sob certas condições estabelecidas.

  • Valor justo: é o preço que seria recebido pela venda de um ativo ou que seria pago pela transferência de um passivo em uma transação ordenada entre participantes do mercado na data de mensuração.

5. Subvenções Governamentais

Subsídios governamentais são reconhecidos somente quando há certeza razoável de que uma entidade cumprirá as condições vinculadas ao subsídio. As subvenções são reconhecidas como receita ao longo do período necessário para combiná-las com os custos relacionados que pretendem compensar. As subvenções não são reconhecidas no patrimônio líquido.

Uma subvenção a receber como compensação por despesas já incorridas é reconhecida como receita quando se torna recebível.

5.1 Subvenções governamentais não monetárias

As subvenções governamentais podem ser concedidas na forma de ativos não monetários, como terrenos ou equipamentos. Nessas situações, a norma permite a mensuração pelo valor justo ou pelo valor nominal do ativo recebido.

5.2. Apresentação de subvenções relacionadas a ativos

A IAS 20 permite duas abordagens para a apresentação de subvenções relacionadas a ativos:

  1. Como receita diferida, reconhecida sistematicamente ao longo da vida útil do ativo.

  2. Como uma redução do valor contábil do ativo, impactando a depreciação.

5.3 Apresentação de subvenções relacionadas a receitas

Essas subvenções são apresentadas como:

  1. “Outras Receitas” separada na demonstração de resultados.

  2. Deduzidas da despesa relacionada.

5.4 Restituição de subvenções governamentais

Quando os subsídios se tornam reembolsáveis, eles são tratados como uma alteração na estimativa contábil, conforme IAS 8 – Políticas Contábeis, Mudanças nas Estimativas Contábeis e Erros.

A restituição de uma receita será aplicada, em primeiro lugar, contra qualquer passivo diferido não amortizado. Quando não houver passivo diferido, a restituição será reconhecida imediatamente em lucro ou prejuízo (receita diferida).

A restituição de um ativo será reconhecida pelo aumento do valor contábil do ativo ou redução do saldo de receita diferida pelo valor restituível. A depreciação adicional acumulada que teria sido reconhecida em lucro ou prejuízo até a presente data na ausência da subvenção será reconhecida imediatamente em lucro ou prejuízo.

6. Assistência Governamental

A assistência governamental refere-se a medidas que proporcionam benefícios econômicos indiretos sem exigir conformidade com condições específicas. A norma requer divulgação adequada desses benefícios para garantir transparência e entendimento da situação econômica da entidade.

7. Divulgação

A norma exige divulgação detalhada de:

  1. Políticas contábeis aplicadas para subvenções.

  2. Natureza e valores das subvenções reconhecidas.

  3. Condições não cumpridas e outras contingências inerentes à assistência governamental que foi reconhecida.

8. Comparativo com as Normas Contábeis Brasileiras

No Brasil, a norma equivalente é o Pronunciamento Técnico CPC 07 (R1) - Subvenção e Assistência Governamentais, que segue os princípios da IAS 20. Entretanto, a legislação fiscal brasileira impõe restrições adicionais, exigindo que certos incentivos governamentais sejam reconhecidos diretamente no patrimônio líquido.

A principal diferença reside na questão tributária: no Brasil, as subvenções para investimento podem ser registradas como reserva de incentivos fiscais, enquanto a IAS 20 não possui essa exigência.

As opiniões dos autores convidados da nossa comunidade são independentes e não necessariamente representam a opinião da Okai.

Perguntas e respostas

O que é a norma IAS 20 e qual seu objetivo principal?
A norma IAS 20 foi emitida originalmente pelo International Accounting Standards Committee (IASC) em 1983 e revisada posteriormente pelo International Accounting Standards Board (IASB).Seu principal objetivo é padronizar a contabilização e divulgação de subvenções governamentais e de assistência governamental, prescrevendo como devem ser reconhecidas e divulgadas nas demonstrações financeiras. A norma visa promover transparência, consistência e assegurar que os benefícios das subvenções sejam refletidos de forma apropriada, evitando manipulações que distorçam o desempenho das entidades.
Quando a norma IAS 20 foi emitida e por qual órgão?
A norma IAS 20 foi emitida pelo International Accounting Standards Committee (IASC) em 1983. Posteriormente, foi revisada pelo International Accounting Standards Board (IASB).
A quais entidades a norma IAS 20 se aplica?
A norma IAS 20 aplica-se a todas as entidades que recebem subvenções governamentais e outras formas de assistência governamental.
Quais são as exceções ao alcance da norma IAS 20?
A norma IAS 20 não se aplica a benefícios fiscais especiais, incentivos fiscais ou investimentos governamentais diretos em entidades. Também não se aplica a subvenções governamentais que são tratadas em normas específicas.
Como a IAS 20 define "Governo"?
Segundo a IAS 20, "Governo" refere-se a agências governamentais e órgãos similares, sejam eles locais, nacionais ou internacionais.
O que são "Subvenções governamentais" de acordo com a IAS 20?
De acordo com a IAS 20, "Subvenções governamentais" são auxílios do governo na forma de transferência de recursos para uma entidade. Essa transferência ocorre em compensação pelo cumprimento, passado ou futuro, de certas condições relacionadas às atividades operacionais da entidade.
O que se entende por "Assistência governamental" no contexto da IAS 20?
No contexto da IAS 20, "Assistência governamental" são ações do governo destinadas a fornecer benefícios econômicos específicos a uma entidade que cumpra determinados requisitos.
O que significa "Restituição de subvenções"?
"Restituição de subvenções" é a devolução de subvenções ao governo que ocorre devido ao descumprimento, por parte da entidade, das condições associadas à concessão dessas subvenções.
O que são "Subvenções relacionadas a ativos"?
"Subvenções relacionadas a ativos" são subvenções governamentais cuja condição principal para que a entidade se qualifique para recebê-las é a de que ela compre, construa ou, de alguma outra forma, adquira ativos de longo prazo.
O que caracteriza as "Subvenções relacionadas a receitas"?
"Subvenções relacionadas a receitas" são todas as subvenções governamentais que não se enquadram na definição de subvenções relacionadas a ativos.
O que são "Empréstimos perdoáveis" conforme as definições contábeis?
"Empréstimos perdoáveis" são empréstimos em que o credor (neste contexto, geralmente o governo) se compromete a renunciar à restituição do valor emprestado, desde que certas condições estabelecidas sejam cumpridas pela entidade devedora.
Como o conceito de "Valor justo" é definido?
"Valor justo" é definido como o preço que seria recebido pela venda de um ativo ou que seria pago pela transferência de um passivo em uma transação ordenada entre participantes do mercado na data de mensuração.
Quais são os critérios para o reconhecimento de subvenções governamentais?
As subvenções governamentais são reconhecidas nas demonstrações financeiras somente quando há certeza razoável de que a entidade cumprirá as condições vinculadas ao subsídio.
Como as subvenções governamentais devem ser reconhecidas em relação à receita e ao patrimônio líquido?
As subvenções governamentais são reconhecidas como receita ao longo dos períodos necessários para que sejam confrontadas com os custos relacionados que elas pretendem compensar.É importante destacar que as subvenções não devem ser reconhecidas diretamente no patrimônio líquido.
Quando uma subvenção governamental a receber como compensação por despesas ou perdas já incorridas deve ser reconhecida?
Uma subvenção governamental a receber como compensação por despesas ou perdas já incorridas é reconhecida como receita do período em que se torna recebível.
Como são tratadas as subvenções governamentais não monetárias?
As subvenções governamentais podem ser concedidas na forma de ativos não monetários, como terrenos ou equipamentos. Nessas situações, a norma IAS 20 permite que a entidade mensure o ativo recebido pelo seu valor justo ou pelo seu valor nominal.
Quais são as abordagens permitidas pela IAS 20 para a apresentação de subvenções relacionadas a ativos?
A IAS 20 permite duas abordagens para a apresentação de subvenções relacionadas a ativos nas demonstrações financeiras:1. Apresentar a subvenção como receita diferida, que é reconhecida de forma sistemática como receita ao longo da vida útil do ativo.2. Deduzir o valor da subvenção do valor contábil do ativo. Nesse caso, a subvenção é reconhecida em resultado via uma redução na despesa de depreciação.
Como devem ser apresentadas as subvenções relacionadas a receitas?
As subvenções relacionadas a receitas podem ser apresentadas na demonstração do resultado de duas maneiras:1. Como "Outras Receitas", apresentadas de forma separada.2. Deduzidas da despesa relacionada que a subvenção visa compensar.
Como é tratada a restituição de subvenções governamentais?
Quando uma subvenção governamental se torna reembolsável (restituível), ela é tratada contabilmente como uma alteração na estimativa contábil. Esse tratamento deve seguir as diretrizes da norma IAS 8 – Políticas Contábeis, Mudanças nas Estimativas Contábeis e Erros.
Como se contabiliza a restituição de uma subvenção governamental que foi originalmente classificada como relacionada a uma receita?
A restituição de uma subvenção relacionada a uma receita deve ser aplicada, em primeiro lugar, contra qualquer saldo de passivo diferido (receita diferida) não amortizado que tenha sido estabelecido para a subvenção.Na medida em que a restituição exceder esse saldo de passivo diferido, ou se não houver tal saldo, a restituição deve ser reconhecida imediatamente em lucro ou prejuízo (receita diferida).
Como é contabilizada a restituição de uma subvenção governamental que foi originalmente classificada como relacionada a um ativo?
A restituição de uma subvenção relacionada a um ativo deve ser reconhecida pelo aumento do valor contábil do ativo ou pela redução do saldo de receita diferida pelo valor a ser restituído. A forma de contabilização dependerá de como a subvenção foi originalmente apresentada.Adicionalmente, a depreciação adicional acumulada que teria sido reconhecida em lucro ou prejuízo até a data da restituição, caso a subvenção não tivesse sido recebida (ou seja, se o ativo tivesse sido depreciado pelo seu custo original sem a dedução da subvenção), deve ser reconhecida imediatamente em lucro ou prejuízo.
O que é assistência governamental e qual a principal exigência de divulgação da IAS 20 sobre ela?
A assistência governamental refere-se a ações do governo que proporcionam benefícios econômicos indiretos a uma entidade, sem que, para tal, a entidade precise cumprir condições específicas relacionadas às suas atividades operacionais.A norma IAS 20 requer a divulgação adequada da natureza, extensão e duração desses benefícios para garantir transparência e permitir um melhor entendimento da situação econômica da entidade.
Quais informações a IAS 20 exige que sejam divulgadas em relação a subvenções e assistência governamental?
A norma IAS 20 exige a divulgação detalhada dos seguintes itens:1. As políticas contábeis adotadas para as subvenções governamentais, incluindo os métodos de apresentação adotados nas demonstrações financeiras.2. A natureza e os valores das subvenções governamentais reconhecidas nas demonstrações financeiras, bem como uma indicação de outras formas de assistência governamental das quais a entidade tenha se beneficiado diretamente.3. As condições não cumpridas e outras contingências relacionadas à assistência governamental que foi reconhecida.
Existe uma norma contábil brasileira equivalente à IAS 20 e quais são as principais diferenças?
Sim, no Brasil, a norma equivalente à IAS 20 é o Pronunciamento Técnico CPC 07 (R1) - Subvenção e Assistência Governamentais. Este pronunciamento, em geral, segue os princípios da IAS 20.Uma diferença principal reside no tratamento tributário: a legislação fiscal brasileira impõe restrições adicionais, exigindo que certos incentivos governamentais, como as subvenções para investimento, sejam reconhecidos diretamente no patrimônio líquido como reserva de incentivos fiscais. A IAS 20, por sua vez, não permite o reconhecimento de subvenções diretamente no patrimônio líquido.

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Débora Martins De Luca

Contadora | Controladoria Financeira | Auditoria, Controles Internos e Compliance