Artigo
31/05/2025

Mineração brasileira: o desafio de crescer com responsabilidade

Analisa o desafio da mineração brasileira de crescer com responsabilidade ambiental, social e de governança.

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A mineração sempre ocupou uma posição estratégica no desenvolvimento econômico do Brasil.

Durante o século XVIII, o ciclo do ouro foi responsável por impulsionar a ocupação do interior do país, especialmente em Minas Gerais. Esse período marcou o início da formação de cidades, da infraestrutura colonial e da organização de uma economia voltada à exportação de recursos naturais.

Com o passar dos séculos, outros minerais passaram a ganhar protagonismo. No século XX, por exemplo, o ferro, a bauxita, o manganês e mais recentemente o níquel, o cobre e o lítio colocaram o Brasil entre os maiores produtores minerais do mundo.

Hoje, a mineração brasileira continua sendo um dos principais motores da economia nacional. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM, 2024), o setor representa aproximadamente 4% do Produto Interno Bruto (PIB) e é responsável por mais de 20% das exportações do país, contribuindo significativamente para o equilíbrio da balança comercial.

Além disso, o setor emprega diretamente mais de 200 mil pessoas e movimenta bilhões em arrecadação tributária, royalties e investimentos em infraestrutura e inovação. As cadeias produtivas ligadas à mineração também geram milhões de empregos indiretos, impactando positivamente a indústria, a logística e o comércio.

No entanto, o que antes era visto apenas como uma atividade extrativa essencial para o crescimento econômico passou a ser também objeto de cobrança por responsabilidade socioambiental. A sociedade, os investidores e os reguladores agora exigem que o setor atue não apenas com eficiência produtiva, mas com ética, transparência e compromisso com a sustentabilidade.

A mineração brasileira, portanto, enfrenta hoje um novo desafio: continuar crescendo, mas com responsabilidade ambiental, social e de governança (ESG), garantindo o uso inteligente dos recursos naturais e o bem-estar das comunidades afetadas.

Um novo ciclo começa

Os desastres ocorridos em Mariana (2015) e Brumadinho (2019) marcaram um ponto de inflexão na história da mineração brasileira. Ambos os episódios — envolvendo o rompimento de barragens de rejeitos operadas pela Vale — resultaram em perdas humanas irreparáveis, destruição ambiental em larga escala e profunda comoção social. Juntos, escancararam deficiências graves na gestão de riscos, na governança corporativa e na capacidade de resposta das empresas diante de eventos críticos.

Essas tragédias mudaram completamente a forma como a sociedade, os órgãos reguladores e o mercado enxergam o setor. O que antes era tolerado como parte dos "custos" de uma atividade econômica intensa passou a ser duramente questionado. A mineração deixou de ser apenas uma atividade produtiva e passou a ser vista como uma atividade de alto impacto socioambiental, que precisa de controle, responsabilidade e diálogo.

A partir desses eventos, cresceu significativamente a pressão por transparência nos processos, compromisso socioambiental real e maior engajamento com a sociedade civil, especialmente com as comunidades diretamente afetadas pelas operações.

Foi nesse novo cenário que ganhou força o conceito de “licença social para operar”. Trata-se de uma autorização simbólica, porém decisiva: não basta mais a empresa ter autorização legal e ambiental dos órgãos públicos. É preciso conquistar e manter a confiança de quem vive, trabalha ou investe no entorno do empreendimento. Essa confiança se constrói com práticas consistentes de diálogo, respeito, prestação de contas e responsabilidade contínua.

Hoje, cumprir a lei é apenas o ponto de partida. A nova expectativa é que as mineradoras adotem uma postura proativa, ética e transparente. Isso exige mais do que tecnologia ou sistemas de monitoramento. Exige uma mudança profunda de cultura organizacional — com foco em governança efetiva, valores sustentáveis, e compromissos de longo prazo com a sociedade e o meio ambiente.

Esse é o novo ciclo da mineração: mais consciente, mais cobrado e, sobretudo, mais responsável.

Governança e compliance: o alicerce da mudança

Para crescer de forma sustentável, a mineração precisa de estruturas de governança sólidas. Isso inclui:

  • Conselhos atuantes e independentes;

  • Processos decisórios claros;

  • Gestão de riscos ambientais e sociais;

  • Canais de diálogo com as comunidades.

Além disso, compliance ambiental deixou de ser uma formalidade. Virou estratégia de negócios. Empresas que adotam boas práticas ESG têm hoje:

  • Maior acesso a crédito;

  • Menor exposição a multas e processos;

  • Mais valorização no mercado.

E mais: operam com estabilidade e previsibilidade. Dois ativos preciosos em tempos de crise climática e novas regulações.

Alguns Exemplos

Algumas empresas brasileiras já entenderam essa virada de chave.

A Vale, após os desastres, vem ampliando sua governança e investindo em tecnologias mais seguras, como barragens a seco e monitoramento digital em tempo real.

A CBMM, líder mundial em nióbio, é referência em inovação e sustentabilidade. Investe fortemente em pesquisa, energia limpa e reuso de água.

A Anglo American Brasil tem projetos que utilizam transporte de minério por correias subterrâneas, reduzindo impacto ambiental e emissão de CO₂.

Esses exemplos mostram que é possível minerar com responsabilidade e gerar valor ao mesmo tempo.

Inovação é o futuro — e o presente

Vivemos uma verdadeira revolução na mineração global. A transição energética, impulsionada pela urgência de combater as mudanças climáticas, e a digitalização acelerada da economia estão redesenhando completamente o setor.

Hoje, minerais antes considerados secundários estão no centro das atenções. O lítio, o níquel, o cobre e as chamadas terras raras são essenciais para a fabricação de baterias, veículos elétricos, painéis solares, turbinas eólicas e outras tecnologias verdes que sustentam a economia do futuro.

Neste cenário, o Brasil surge com uma vantagem competitiva única: sua imensa diversidade geológica. Nosso território guarda reservas significativas desses minerais estratégicos, o que pode colocar o país na liderança mundial desse novo ciclo da mineração — uma mineração moderna, limpa e conectada às demandas globais por sustentabilidade.

Mas ser protagonista nesse futuro promissor depende de um ponto crucial: a capacidade de crescer com responsabilidade.

Isso significa que o Brasil não pode apenas extrair mais; precisa extrair melhor. E como fazer isso?

  • Investindo em tecnologias de baixo impacto ambiental, como métodos de extração menos agressivos e processos que reduzem a emissão de poluentes.

  • Priorizando a recuperação de áreas degradadas, devolvendo à natureza os espaços usados e garantindo a biodiversidade.

  • Buscando eficiência extrema no uso da água e da energia, recursos cada vez mais escassos e valorizados.

  • Implementando uma gestão orientada por dados precisos e uma cultura baseada em valores éticos, que transformem o compliance em algo natural e permanente.

Essa combinação de inovação tecnológica, respeito ambiental e ética de gestão é o caminho para transformar o setor mineral brasileiro — não apenas em um pilar econômico, mas em um exemplo mundial de mineração sustentável.

O futuro já chegou. E a mineração brasileira tem a chance histórica de ser protagonista desse novo capítulo.

A mineração brasileira já provou sua força. Agora, precisa mostrar sua maturidade. Crescer, sim. Mas com responsabilidade. É hora de transformar reputação em vantagem competitiva. Sustentabilidade em valor. E compliance em cultura. Esse é o caminho para garantir não só o futuro do setor, mas também a confiança da sociedade.

Fontes:

  1. IBRAM (Instituto Brasileiro de Mineração): https://ibram.org.br

  2. Relatórios ESG e de Sustentabilidade das empresas: Vale S.A.; CBMM (Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração) e Anglo American Brasil

  3. OCDE – Relatórios sobre governança e ESG: https://www.oecd.org

As opiniões dos autores convidados da nossa comunidade são independentes e não necessariamente representam a opinião da Okai.

Perguntas e respostas

Qual foi o papel do ciclo do ouro no desenvolvimento inicial do Brasil?
Durante o século XVIII, o ciclo do ouro desempenhou um papel estratégico ao impulsionar a ocupação do interior do Brasil, especialmente na região que hoje corresponde a Minas Gerais.Esse período foi fundamental para o início da formação de cidades, o desenvolvimento da infraestrutura colonial e a organização de uma economia primordialmente voltada à exportação de recursos naturais.
Quais minerais ganharam destaque na economia brasileira após o ciclo do ouro e ao longo do século XX?
Com o passar dos séculos, após o ciclo do ouro, outros minerais passaram a ter grande importância na economia brasileira.No século XX, destacaram-se o ferro, a bauxita e o manganês.Mais recentemente, minerais como o níquel, o cobre e o lítio também ganharam protagonismo, contribuindo para posicionar o Brasil entre os maiores produtores minerais do mundo.
Qual é a representatividade do setor de mineração na economia brasileira, de acordo com dados de 2024?
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) de 2024, o setor de mineração representa aproximadamente 4% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil.Além disso, é responsável por mais de 20% das exportações do país, contribuindo de forma significativa para o equilíbrio da balança comercial brasileira.
Qual o impacto do setor de mineração na geração de empregos no Brasil?
O setor de mineração no Brasil emprega diretamente mais de 200 mil pessoas.Adicionalmente, as cadeias produtivas ligadas à mineração são responsáveis pela geração de milhões de empregos indiretos, o que impacta positivamente diversos outros setores, como a indústria, a logística e o comércio.
De que forma a mineração contribui financeiramente para o país, além de sua participação no PIB e nas exportações?
Além de sua participação no Produto Interno Bruto (PIB) e nas exportações, a mineração contribui financeiramente para o país ao movimentar bilhões de reais em arrecadação tributária e em royalties.O setor também é um importante vetor de investimentos em infraestrutura e inovação.
Como a percepção da atividade de mineração evoluiu em relação à responsabilidade socioambiental?
A atividade de mineração, que antes era vista primordialmente como uma atividade extrativa essencial para o crescimento econômico, passou a ser objeto de intensa cobrança por responsabilidade socioambiental.Atualmente, a sociedade, os investidores e os órgãos reguladores exigem que o setor atue não apenas com eficiência produtiva, mas também com ética, transparência e um firme compromisso com a sustentabilidade.
Qual é o principal desafio enfrentado pela mineração brasileira na atualidade em termos de crescimento e responsabilidade?
O principal desafio enfrentado pela mineração brasileira atualmente é continuar seu crescimento econômico de forma alinhada com a responsabilidade ambiental, social e de governança (ESG).Isso implica a necessidade de garantir o uso inteligente dos recursos naturais e promover o bem-estar das comunidades impactadas por suas operações.
Que eventos são considerados um ponto de inflexão na história da mineração brasileira e por quê?
Os desastres ocorridos em Mariana (2015) e Brumadinho (2019) são considerados um ponto de inflexão na história da mineração brasileira.Ambos os episódios envolveram o rompimento de barragens de rejeitos operadas pela Vale e resultaram em perdas humanas irreparáveis, destruição ambiental em larga escala e profunda comoção social.Essas tragédias expuseram graves deficiências na gestão de riscos, na governança corporativa e na capacidade de resposta das empresas do setor diante de eventos críticos.
Como os desastres de Mariana (2015) e Brumadinho (2019) alteraram a percepção sobre a atividade mineradora?
As tragédias de Mariana (2015) e Brumadinho (2019) mudaram profundamente a maneira como a sociedade, os órgãos reguladores e o mercado financeiro enxergam o setor de mineração.Práticas e riscos que antes poderiam ser tolerados como parte dos "custos" de uma atividade econômica intensa passaram a ser duramente questionados.Consequentemente, a mineração deixou de ser vista apenas como uma atividade produtiva para ser compreendida como uma atividade de alto impacto socioambiental, que exige maior controle, responsabilidade e um diálogo constante com a sociedade.
O que é a "licença social para operar" no contexto da mineração?
A "licença social para operar" é um conceito que se refere a uma autorização simbólica, porém crucial, concedida pela sociedade a um empreendimento de mineração.Isso significa que, além das autorizações legais e ambientais emitidas por órgãos públicos, as empresas mineradoras precisam conquistar e manter a confiança das comunidades que vivem ou trabalham no entorno de suas operações, bem como de outros públicos de interesse.Essa confiança é construída por meio de práticas consistentes de diálogo transparente, respeito mútuo, prestação de contas e uma demonstração contínua de responsabilidade socioambiental.
Qual é a expectativa atual em relação à conduta das empresas mineradoras, para além do cumprimento da legislação?
Atualmente, o simples cumprimento da legislação é visto apenas como o ponto de partida para as empresas mineradoras.A nova expectativa é que elas adotem uma postura proativa, ética e transparente em todas as suas operações.Isso exige mais do que a implementação de tecnologias ou sistemas de monitoramento; demanda uma mudança profunda na cultura organizacional, com foco em governança corporativa efetiva, internalização de valores sustentáveis e o estabelecimento de compromissos de longo prazo com a sociedade e o meio ambiente.
Quais são os pilares de uma estrutura de governança sólida para o setor de mineração sustentável?
Para que o setor de mineração possa crescer de forma sustentável, é fundamental contar com estruturas de governança sólidas.Essas estruturas devem incluir conselhos de administração atuantes e com membros independentes, processos decisórios claros e transparentes, uma gestão de riscos ambientais e sociais eficaz e proativa, e o estabelecimento de canais de diálogo abertos e permanentes com as comunidades impactadas pelas operações.
Quais são os benefícios para as empresas de mineração que adotam boas práticas de ESG (ambiental, social e de governança)?
Empresas de mineração que adotam boas práticas de ESG (ambiental, social e de governança) tendem a colher diversos benefícios estratégicos.Entre eles, destacam-se um maior acesso a capital e linhas de crédito com melhores condições, menor exposição a multas e processos judiciais, e uma maior valorização de suas ações no mercado.Adicionalmente, essas empresas costumam operar com maior estabilidade e previsibilidade, o que representa um ativo valioso, especialmente em um cenário de crise climática e de crescente rigor regulatório.
Que iniciativas a empresa Vale tem implementado em resposta aos desastres de Mariana e Brumadinho?
Após os desastres de Mariana (2015) e Brumadinho (2019), a empresa Vale tem buscado ampliar seus mecanismos de governança corporativa.Além disso, tem realizado investimentos em tecnologias consideradas mais seguras para suas operações, como a implementação de sistemas de disposição de rejeitos a seco (barragens a seco) e o uso de monitoramento digital em tempo real de suas estruturas.
Em quais áreas a empresa CBMM (Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração) se destaca?
A CBMM (Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração), que é líder mundial na produção e fornecimento de produtos de nióbio, é reconhecida como uma referência em inovação e sustentabilidade no setor de mineração.A empresa realiza investimentos significativos em pesquisa e desenvolvimento, na utilização de fontes de energia limpa em suas operações e em tecnologias para o reuso de água.
Qual exemplo de iniciativa da Anglo American Brasil ilustra a busca por redução de impacto ambiental na mineração?
A empresa Anglo American Brasil possui projetos que utilizam o transporte de minério por meio de correias transportadoras subterrâneas.Essa iniciativa é um exemplo de como a empresa busca reduzir o impacto ambiental de suas operações, incluindo a diminuição da emissão de dióxido de carbono (CO₂).
Quais são os principais vetores de transformação no setor de mineração global atualmente?
O setor de mineração global está passando por uma profunda transformação impulsionada por dois vetores principais.O primeiro é a transição energética, motivada pela urgência global de combater as mudanças climáticas, o que aumenta a demanda por minerais específicos.O segundo é a digitalização acelerada da economia, que também requer novos tipos de materiais e otimiza processos no próprio setor mineral.
Quais minerais ganharam importância estratégica com a transição energética e a digitalização da economia?
Com a transição energética e a digitalização da economia, minerais que antes eram considerados secundários passaram a ter importância estratégica.O lítio, o níquel, o cobre e as chamadas terras raras são exemplos de minerais essenciais para a fabricação de baterias de alta performance, veículos elétricos, painéis solares, turbinas eólicas e diversas outras tecnologias verdes que são fundamentais para a economia do futuro.
Qual é a principal vantagem competitiva do Brasil no contexto do novo ciclo da mineração global?
No contexto do novo ciclo da mineração global, focado em minerais estratégicos para a transição energética e tecnologias verdes, a principal vantagem competitiva do Brasil reside em sua imensa diversidade geológica.O território brasileiro abriga reservas significativas de minerais como lítio, níquel, cobre e terras raras, o que oferece ao país o potencial de assumir uma posição de liderança mundial em uma mineração moderna, limpa e alinhada com as demandas globais por sustentabilidade.
Do que depende a capacidade do Brasil de se tornar protagonista no futuro da mineração sustentável?
A capacidade do Brasil de se tornar um protagonista no promissor futuro da mineração sustentável depende crucialmente de sua habilidade de conciliar crescimento com responsabilidade.Isso significa que o país não deve apenas buscar aumentar a quantidade de minerais extraídos, mas, fundamentalmente, melhorar a forma como essa extração é realizada, priorizando práticas sustentáveis e de baixo impacto.
Quais abordagens são cruciais para o Brasil desenvolver uma mineração mais responsável e sustentável?
Para que o Brasil desenvolva uma mineração mais responsável e sustentável, é crucial adotar uma série de abordagens estratégicas.É necessário investir em tecnologias de baixo impacto ambiental, o que inclui métodos de extração menos agressivos e processos que reduzam a emissão de poluentes.Deve-se priorizar a recuperação de áreas degradadas, devolvendo à natureza os espaços utilizados e assegurando a conservação da biodiversidade.É fundamental buscar eficiência máxima no uso da água e da energia, recursos cada vez mais escassos e valiosos.Finalmente, é essencial implementar uma gestão orientada por dados precisos e fomentar uma cultura organizacional baseada em valores éticos, de forma que o compliance se torne uma prática intrínseca e permanente nas empresas do setor.
O que significa a sigla ESG e qual sua relevância para o setor de mineração?
A sigla ESG refere-se a critérios ambientais (Environmental), sociais (Social) e de governança (Governance).No setor de mineração, a adoção de práticas ESG é cada vez mais crucial, significando que as empresas devem operar não apenas com foco na eficiência produtiva, mas também demonstrar um compromisso com a sustentabilidade, o uso responsável dos recursos naturais, o bem-estar das comunidades afetadas, a transparência em suas ações e uma estrutura de governança corporativa ética e robusta.

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Mónica Sofia Polaco Vieira

Economista | Governança Corporativa | Finanças | Transformação | Estratégia e Desenvolvimento de Negócios | Treinamentos e Palestras in Company