Artigo
22/06/2023
Atualizado em 10/04/2026

Pequisa da KMPG sobre a Práticas de Gestão em ESG nas Empresas de Capital Aberto

Estudo da KPMG analisa práticas de ESG em 200 empresas de capital aberto no Brasil, destacando avanços, desafios no setor financeiro e recomendações para implementação eficaz.

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Cada vez mais as empresas estão preocupadas com as práticas de gestão alinhadas ao conceito de ESG (Environmental, Social, and Governance), que traduzido significa Ambiental, Social e Governança.

O ESG abrange três dimensões principais:

  • Ambiental (E): foca no impacto ambiental de uma empresa. As áreas de interesse incluem uso de recursos naturais, gestão de resíduos, mudanças climáticas, biodiversidade e histórico de incidentes ambientais.
  • Social (S): envolve a relação da empresa com os seus stakeholders. Isso inclui gestão de colaboradores, relacionamento com clientes, gestão de fornecedores e interação com as comunidades locais.
  • Governança (G): refere-se a como a empresa é gerida internamente. Inclui a integração dos fatores ESG à estratégia da empresa, a transparência na divulgação de informações, a estrutura acionária, e práticas de conduta e combate à corrupção.

Queria comentar sobre um recente estudo que a KPMG Brasil denominou: "ESG Yearbook Brasil 2023" que mostra uma análise aprofundada sobre as práticas de gestão em ESG divulgadas pelas empresas de capital aberto brasileiras. O estudo analisou 200 das maiores empresas listadas na B3.

Queria destacar alguns dos resultados deste estudo, e aproveitar para dar exemplos e dicas práticas sobre como implementar uma gestão eficaz em ESG, além de abordar erros comuns cometidos por profissionais da área.

A metodologia ESG Research da KPMG avalia as práticas de gestão em ESG de empresas com base em informações públicas, como relatórios de sustentabilidade e documentos de governança, que faz uma avaliação que abrange três dimensões: Ambiental, Social e Governança, com cinco temas em cada. As dimensões do ESG incluem: Ambiental, que abrange o uso de recursos, gestão de resíduos, impacto climático, preservação da biodiversidade e histórico de incidentes ambientais; Social, focando na gestão de colaboradores, relacionamento com clientes e comunidades, gestão de fornecedores e histórico de incidentes com stakeholders; e Governança, que trata da integração de ESG na estratégia, transparência, estrutura acionária, atuação do conselho de administração e combate à corrupção.

As principais conclusões do estudo de ESG Research realizado pela KPMG entre 2018 e 2022 podem ser resumidas nos seguintes pontos:

Aumento Significativo no Número de Empresas Analisadas

O estudo registrou um aumento substancial no número de empresas analisadas, de 114 em 2018 para 200 em 2022. Este aumento pode ser atribuído à abertura de capital, aumento da liquidez de algumas companhias e demandas de gestores de investimentos para inclusões específicas.

Aprimoramento das Práticas de ESG

O score ESG médio das empresas apresentou uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de 0,96% ao longo dos cinco anos. Quando considerando apenas as empresas analisadas desde o início, essa taxa sobe para 2,12%. Isso reflete uma tendência de aprimoramento das práticas ESG, especialmente nas empresas que faziam parte do universo inicial de análise.

Elevada Exigência de Práticas de ESG para Empresas de Maior Representatividade

Empresas que compõem índices como Ibovespa (atual B3), IBX-100 e Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) são naturalmente submetidas a maiores demandas em relação à integração de práticas ESG devido ao seu histórico e representatividade no mercado. Essas empresas apresentaram maior detalhamento e profundidade na divulgação de práticas e resultados ESG, como evidenciado pelo aumento de 35% na publicação de relatórios de sustentabilidade.

Setor de Bancos e Serviços Financeiros como Líder em ESG

Este setor apresentou um histórico consistente de desempenho em ESG. A necessidade de financiar atividades, setores e projetos que geram benefícios socioambientais coloca o setor em posição de destaque na alocação de capital para a agenda ESG. Regulações e normas de instituições como Banco Central, CVM, Previc e Susep impulsionaram a integração de ESG no processo de decisão financeira.

Correlação entre Porte das Instituições Financeiras e Score ESG

As grandes instituições financeiras apresentaram um score ESG mais elevado em comparação à média do setor. Em 2022, enquanto a média das instituições avaliadas foi de 61,5%, os grandes bancos tiveram desempenho médio de 72,8%.

Lacuna no Relacionamento com os Colaboradores

O estudo identificou que o setor de bancos e serviços financeiros tem uma lacuna no que diz respeito ao relacionamento com os colaboradores. Monitoramento do clima organizacional e práticas de diversidade foram identificados como áreas que necessitam de mais atenção, especialmente no que se refere a diversidade além do gênero.

Crescente Conscientização e Sensibilidade às Demandas ESG

As empresas têm demonstrado crescente conscientização sobre a importância de práticas ESG e têm respondido positivamente à pressão de investidores e outros stakeholders para melhorar suas práticas e resultados.

Impactos Indiretos e Responsabilidade do Setor Financeiro

O estudo destacou que os impactos do setor financeiro são predominantemente indiretos e refletem as carteiras de crédito, gestão de recursos e ativos segurados. As instituições financeiras podem ser corresponsabilizadas por danos ligados às suas operações no mercado, o que aumenta a importância de uma abordagem ESG robusta.

O estudo da KPMG sugere uma tendência positiva na adoção e aprimoramento de práticas de ESG no Brasil, com destaque para o setor de bancos e serviços financeiros. No entanto, existem áreas, como o relacionamento com colaboradores, que ainda requerem atenção e melhorias.

Podem baixar o documento em:

https://assets.kpmg.com/content/dam/kpmg/br/pdf/2023/6/KPMG-ESG-Yearbook-Brasil-2023-Sumario-Executivo.pdf

Aproveitando a oportunidade segue abaixo a dica de um Passo a Passo para Implementação de ESG:

  1. Compreensão e Compromisso: Assegure que a liderança entenda a importância do ESG e esteja comprometida com a sua implementação.
  2. Análise de Diagnóstico: Faça uma análise inicial para entender a posição atual da empresa em relação ao ESG.
  3. Estabelecimento de Metas e Indicadores: Defina metas realistas para as três dimensões do ESG e estabeleça indicadores-chave de desempenho.
  4. Desenvolvimento de Políticas e Procedimentos: Crie políticas internas que suportem os objetivos de ESG.
  5. Educação e Treinamento: Ofereça treinamento e conscientização em ESG para todos os funcionários.
  6. Monitoramento e Reporte: Monitore regularmente o progresso e divulgue relatórios transparentes e abrangentes.
  7. Engajamento com Stakeholders: Mantenha diálogo aberto com os stakeholders, incluindo investidores, funcionários, clientes e comunidades.
  8. Avaliação e Ajustes: Faça avaliações periódicas das iniciativas de ESG e ajuste as estratégias conforme necessário.

Queria também comentar alguns dos Erros Comuns cometidos:

  1. Falta de Comprometimento da Liderança: Sem o apoio da alta administração, as iniciativas de ESG tendem a ser superficiais.
  2. Focar Apenas em Curto Prazo: ESG é um compromisso de longo prazo, e focar apenas em ganhos de curto prazo pode ser prejudicial.
  3. Comunicação Inadequada: Falhar em comunicar de maneira transparente e regular sobre as iniciativas e desempenho de ESG.
  4. Não Engajar Stakeholders: Negligenciar o engajamento de stakeholders pode resultar em falta de alinhamento e apoio às iniciativas de ESG.
As opiniões dos autores convidados da nossa comunidade são independentes e não necessariamente representam a opinião da Okai.

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Luiz Henrique Lobo

Membro Independente de Conselhos | Comitê de Riscos da Caixa e de Auditoria da BR Partners | Consultor e Palestrante