Artigo
16/05/2025

Preparação da DFC – passo a passo

Mostra como elaborar a Demonstração dos Fluxos de Caixa pelo método indireto, com exemplos práticos.

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Uma empresa apresenta suas demonstrações contábeis abaixo: balanço patrimonial e demonstração de resultado do exercício. É preciso elaborar a Demonstração dos Fluxos de Caixa desta empresa, para o exercício de X4. Para isso, são apresentadas as seguintes informações complementares:

  1. Valor das compras no exercício= R$ 1.615.000,00;
  2. Todo o valor da PECLD do ano anterior foi efetivamente perdido, e foi suficiente para cobrir as perdas;
  3. Toda despesa financeira foi efetivamente paga no exercício;
  4. O veículo foi vendido por R$ 25.000,00;
  5. Houve compra de uma máquina, à vista;
  6. Houve compra de veículo à vista por R$ 10.000,00;
  7. Não houve outra movimentação no imobilizado além das citadas;
  8. Dividendos do ano anterior foram pagos. Do próprio ano houve pagamento/antecipação de parte do total;
  9. A variação da conta de financiamento equivale a pagamentos no período e reclassificação entre grupos.
Balanço patrimonial dos exercícios encerrados em 31 de dezembro - R$

Demonstração de Resultado do exercício terminado em 31 de dezembro de X4 - R$

1º passo: Identificar no balanço patrimonial e na DRE as contas relacionadas a cada uma das três atividades (operações, investimento, financiamento)

Exemplo de DFC - Balanço patrimonial dos exercícios encerrados em 31 de dezembro - R$ - Passo 1

Exemplo de DFC - Demonstração de Resultado do exercício terminado em 31 de dezembro de X4 - R$ - Passo 1

2º passo: identificar as movimentações das contas contábeis

Exemplo de DFC - Identificação de movimentações das contas contábeis - Exemplo 1

O valor das perdas de 500,00 veio do detalhamento da conta de PECLD. O único valor que faltava era o do recebimento, e fazemos a conta para encontra-lo.


Exemplo de DFC - Identificação de movimentações das contas contábeis - Exemplo 2

O valor das novas estimativas está na DRE, e o valor da baixa por perda encontramos por ser o único valor que faltava.


Exemplo de DFC - Identificação de movimentações das contas contábeis - Exemplo 3

O valor das aquisições está no enunciado, e o valor das baixas encontramos por ser o único valor que faltava.


Exemplo de DFC - Identificação de movimentações das contas contábeis - Exemplo 4

Exemplo de DFC - Identificação de movimentações das contas contábeis - Exemplo 5

O valor da despesa do exercício está na DRE, e o valor da baixa encontramos por ser o único valor que faltava.


Exemplo de DFC - Identificação de movimentações das contas contábeis - Exemplo 6

O valor das compras está na movimentação do estoque e também no enunciado, e o valor dos pagamentos encontramos por ser o único valor que faltava.


Exemplo de DFC - Identificação de movimentações das contas contábeis - Exemplo 7

O valor das despesas está DRE, e o valor dos pagamentos encontramos por ser o único valor que faltava.


Exemplo de DFC - Identificação de movimentações das contas contábeis - Exemplo 8

O valor das despesas está DRE, e o valor dos pagamentos encontramos por ser o único valor que faltava.


Exemplo de DFC - Identificação de movimentações das contas contábeis - Exemplo 9

Esta conta não aparece no Balanço Patrimonial por não possuir saldo inicial e saldo final. Mas este detalhamento permite a identificação do valor pago no período, que no caso se refere à totalidade da despesa.


Exemplo de DFC - Identificação de movimentações das contas contábeis - Exemplo 10

Esta conta não aparece no Balanço Patrimonial por não possuir saldo inicial e saldo final. Mas este detalhamento permite a identificação do valor pago no período, que no caso se refere à totalidade da aquisição.


Exemplo de DFC - Identificação de movimentações das contas contábeis - Exemplo 11

Para encontrarmos o valor do pagamento, primeiro precisamos descobrir o valor que foi destinado a esta conta no período. Isso conseguimos pela identificação da movimentação da conta de lucros acumulados.


Exemplo de DFC - Identificação de movimentações das contas contábeis - Exemplo 12

Aqui estão somados os saldos do circulante e do não circulante. Não há novos financiamentos pelo enunciado.


Exemplo de DFC - Identificação de movimentações das contas contábeis - Exemplo 13

Não há indicação de alteração no capital pelo enunciado, o que é comprovado pelos saldos da conta.


Exemplo de DFC - Identificação de movimentações das contas contábeis - Exemplo 14

Para que o saldo final seja o que está no Balanço Patrimonial, e não havendo outras transações, este é o único valor possível destinado da conta de lucros acumulados para a reserva de lucros.


Exemplo de DFC - Identificação de movimentações das contas contábeis - Exemplo 15

Não há saldo inicial e saldo final nesta conta. Pela movimentação foi identificado o valor destinado a reserva de lucros. O restante então é destinado à conta de dividendos a pagar.


Exemplo de DFC - Identificação de movimentações das contas contábeis - Exemplo 16

Aqui a movimentação é informativa, pois todos os valores já estão identificados. Mas eventualmente poderíamos não ter a informação do valor da venda de imobilizado. Seria possível identificar este valor a partir da movimentação das contas do imobilizado (baixas), e valor do resultado apurado (DRE).


Resumo da movimentação de caixa e equivalentes

Aqui segue, de acordo com as movimentações das contas, os valores que transitaram pelo caixa e pelos equivalentes de caixa. Fizemos todo esse caminho pois não temos maiores informações, o que não acontece nas empresas. Nas empresas, por meio do detalhamento das contas de caixa e equivalentes de caixa (razão das contas) conseguimos obter tais informações.

Exemplo de DFC - Resumo de movimentação de caixa e equivalentes

Estas são as informações para se elaborar a DFC pelo método direto. A partir deste resumo classifica-se a movimentação em uma das três atividades: operações, investimentos ou financiamentos.

3º passo: classificar as movimentações das contas Contábeis na DFC

Balanço patrimonial dos exercícios encerrados em 31 de dezembro - R$ - Passo 3

Para elaborarmos a DFC pelo método indireto, devemos lembrar que não há diferenças na divulgação das atividades de investimento e de financiamento, quando comparadas com a DFC pelo método direto. Assim, deveremos elaborar de maneira diferente apenas a parte das atividades operacionais.

Vamos partir do lucro líquido: R$ 102.300.

Faremos os ajustes previstos:

  1. Lucro na venda de imobilizado: R$ 10.000. Este valor entrou na DRE aumentando o lucro. Aqui deveremos anular este efeito, retirando este valor. Isso porque ele já está contido na linha “venda de imobilizado” em atividades de investimento, e se não fizermos isso este valor acaba aparecendo em duplicidade.
  2. Depreciação: R$ 15.000. Este valor entrou na DRE reduzindo o lucro. Aqui devemos anular este efeito, adicionando este valor. Isso porque a depreciação não tem efeito no caixa e nos equivalentes de caixa no período. Realizados os ajustes, vamos inserir as variações nas contas operacionais do balanço patrimonial, e devemos tomar cuidado para identificar corretamente se gera ou consome caixa.
Ajustes

Desta forma já conseguimos apresentar a DFC pelo método indireto:

Apresentação pelo método indireto

Referências:
BRASIL. Lei nº 6.404, de 15 de Dezembro de 1976.
Constituição da República Federativa do Brasil de 1988.
Lei Complementar nº 87, de 13 de Setembro de 1.996.
Lei nº 11.638, de 28 de Dezembro de 2.007.
COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS. Pronunciamento CPC PME – Contabilidade para Pequenas e Médias Empresas, de 04 de Dezembro de 2009.
COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS. Pronunciamento Técnico CPC 03 (R2) – Demonstração dos Fluxos de Caixa, de 03 de Setembro de 2010.
Pronunciamento Técnico CPC 26 (R1) – Apresentação das Demonstrações Contábeis, de 02 de Dezembro de 2011.
CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. Resolução CFC nº 1.418/12, de 05 de Dezembro de 2012
GELBCKE, Ernesto Rubens; SANTOS, Ariovaldo dos; IUDÍCIBUS, Sérgio de; MARTINS, Eliseu. Manual de Contabilidade Societária: aplicável a todas as sociedades de acordo com as Normas Internacionais e do CPC. 3. ed., São Paulo: Atlas, 2018.

As opiniões dos autores convidados da nossa comunidade são independentes e não necessariamente representam a opinião da Okai.

Perguntas e respostas

O que é a Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC)?
A Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC) é um relatório contábil que apresenta as entradas e saídas de caixa e seus equivalentes em um determinado período, classificadas em três atividades: operações, investimentos e financiamentos.
Quais são as três atividades classificadas na DFC?
As três atividades classificadas na DFC são: operações, investimentos e financiamentos.
Qual é a importância de identificar as contas relacionadas a cada atividade na DFC?
Identificar as contas relacionadas a cada atividade na DFC é importante para classificar corretamente as movimentações de caixa, permitindo uma análise precisa das fontes e usos de recursos financeiros da empresa.
O que significa PECLD?
PECLD significa Provisão para Devedores Duvidosos, que é uma estimativa contábil para cobrir possíveis perdas com inadimplência de clientes.
Como são tratados os valores de depreciação na DFC pelo método indireto?
Na DFC pelo método indireto, os valores de depreciação são adicionados ao lucro líquido, pois a depreciação não tem efeito no caixa e nos equivalentes de caixa no período.
Qual é o impacto da venda de imobilizado na DFC pelo método indireto?
Na DFC pelo método indireto, o lucro na venda de imobilizado é subtraído do lucro líquido, pois já está incluído na linha de atividades de investimento e, se não for ajustado, aparecerá em duplicidade.
Como são ajustadas as variações nas contas operacionais do balanço patrimonial na DFC pelo método indireto?
As variações nas contas operacionais do balanço patrimonial são ajustadas na DFC pelo método indireto para identificar corretamente se geram ou consomem caixa, permitindo uma análise precisa das atividades operacionais.
O que é necessário para elaborar a DFC pelo método direto?
Para elaborar a DFC pelo método direto, é necessário classificar as movimentações de caixa em uma das três atividades: operações, investimentos ou financiamentos, com base no resumo das movimentações das contas contábeis.
Qual é a diferença entre a DFC pelo método direto e pelo método indireto?
A principal diferença entre a DFC pelo método direto e pelo método indireto está na apresentação das atividades operacionais. No método direto, as entradas e saídas de caixa são apresentadas diretamente, enquanto no método indireto, parte-se do lucro líquido e ajusta-se para refletir as variações nas contas operacionais.
Como são tratados os dividendos na DFC?
Os dividendos pagos são classificados como atividades de financiamento na DFC, e é necessário identificar a movimentação da conta de lucros acumulados para determinar o valor destinado a dividendos a pagar.
O que é necessário para identificar o valor das compras no exercício?
Para identificar o valor das compras no exercício, é necessário analisar a movimentação do estoque e as informações complementares fornecidas, como o valor das compras no enunciado.
Como são tratadas as despesas financeiras na DFC?
As despesas financeiras são classificadas como atividades operacionais na DFC, e é necessário ajustar o valor pago no período para refletir corretamente o impacto no caixa.
Qual é o impacto da compra de imobilizado na DFC?
A compra de imobilizado é classificada como atividade de investimento na DFC, e é necessário identificar o valor das aquisições e das baixas para refletir corretamente a movimentação de caixa.
Como são tratadas as variações na conta de financiamento na DFC?
As variações na conta de financiamento são classificadas como atividades de financiamento na DFC, e é necessário identificar os pagamentos no período e a reclassificação entre grupos para refletir corretamente a movimentação de caixa.
O que é necessário para elaborar a DFC pelo método indireto?
Para elaborar a DFC pelo método indireto, é necessário partir do lucro líquido e realizar ajustes para anular efeitos de itens que não afetam o caixa, como depreciação e lucro na venda de imobilizado, além de ajustar as variações nas contas operacionais do balanço patrimonial.
Como são tratadas as reservas de lucros na DFC?
As reservas de lucros são classificadas como atividades de financiamento na DFC, e é necessário identificar a movimentação da conta de lucros acumulados para determinar o valor destinado à reserva de lucros.
Qual é a importância de ajustar o lucro líquido na DFC pelo método indireto?
Ajustar o lucro líquido na DFC pelo método indireto é importante para anular os efeitos de itens que não afetam o caixa, como depreciação e lucro na venda de imobilizado, permitindo uma análise precisa das atividades operacionais.
Como são tratadas as despesas operacionais na DFC?
As despesas operacionais são classificadas como atividades operacionais na DFC, e é necessário ajustar o valor dos pagamentos no período para refletir corretamente o impacto no caixa.
Qual é o impacto da venda de veículos na DFC?
A venda de veículos é classificada como atividade de investimento na DFC, e é necessário identificar o valor da venda e ajustar o lucro na venda de imobilizado para refletir corretamente a movimentação de caixa.
Como são tratadas as variações nas contas de estoque na DFC?
As variações nas contas de estoque são classificadas como atividades operacionais na DFC, e é necessário ajustar o valor das compras e dos pagamentos no período para refletir corretamente a movimentação de caixa.

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Alexandre Gonzales

Professor Insper