Importante estar sempre bem informado e ligado no que está acontecendo na área que atua. Então, estava outro dia lendo um artigo (em inglês) chamado de: Horst Simon The Original Risk Culture Builder que aborda de forma diferente o conceito de Gerenciamento Radical de Riscos, propondo uma abordagem digamos bem diferente e quem sabe até revolucionária sobre a forma como as empresas encaram e gerenciam riscos.
Este novo modelo proposto desafia as noções tradicionais, rejeitando a ideia de que é possível identificar e mitigar todos os riscos de forma proativa através de processos e relatórios de risco baseados no passado e em dados históricos. Em vez disso, enfatiza a importância de uma cultura de risco eficaz, centrada: na consciência situacional, simulação mental, tomada de decisão naturalista e execução de resposta. Que vou tentar explicar mais abaixo, ainda que seja complexo à primeira vista.
A chamada: "Gestão Radical de Riscos" rompe com o paradigma de "quanto menor o risco, melhor", substituindo-o por um processo mental que valoriza a inteligência de risco, a adaptabilidade e a capacidade de resposta em tempo real.
Este processo se apoia em quatro pilares fundamentais:
- Consciência Situacional: Compreensão profunda do ambiente atual, antecipando o que pode acontecer com base na percepção dos elementos ao redor e na compreensão de seu significado.
- Simulação Mental: Habilidade de imaginar ações específicas e seus resultados prováveis antes de agir, melhorando a capacidade de resolução de problemas e tomada de decisão.
- Tomada de Decisão Naturalista: Processo de tomada de decisão baseado no entendimento da situação e em um pensamento controlado, adaptado às condições reais e urgentes.
- Execução de Resposta: A capacidade de responder adequadamente uma vez que a decisão é tomada, exigindo coordenação eficaz e oportuna para otimizar os resultados.
Segundo o autor a implementação bem-sucedida de uma Gestão Radical de Riscos depende de uma cultura de risco robusta, onde:
- Inteligência de Risco é valorizada, exigindo a coleta e análise de informações de todas as fontes possíveis, não apenas relatórios de risco desatualizados.
- Sistema Nervoso de Risco facilita o fluxo de informações por toda a organização, permitindo uma resposta rápida e informada a qualquer situação de risco.
- Competências e Habilidades são desenvolvidas entre todos os funcionários, capacitando-os a gerenciar os riscos associados às suas funções diárias.
A Inteligência de Risco constitui um pilar central no conceito de Gestão Radical de Riscos, aonde este conceito se distingue pela ênfase em uma compreensão profunda e processamento da informação, direcionada especificamente para atender às necessidades dos usuários dentro de uma empresa. Ele comenta sobre o livro: "Intelligence: From Secrets to Policy" do Mark M. Lowenthal, aonde há uma definição clara que destaca a diferença entre informações genéricas e inteligência específica:
"Informação é tudo que pode ser conhecido, independentemente de como é descoberto. Inteligência refere-se à informação que atende às necessidades declaradas ou compreendidas dos [usuários] e foi coletada, processada e delimitada para atender a essas necessidades. Inteligência é um subconjunto da categoria mais ampla de informação. Inteligência e todo o processo pelo qual ela é identificada, obtida e analisada respondem às necessidades dos [usuários]. Toda inteligência é informação; nem toda informação é inteligência."
Em uma cultura de risco eficaz, a importância de se pensar proativamente sobre os riscos associados a suas funções antes de tomar decisões diárias é paramount. Este nível de diligência e cuidado reflete uma verdadeira inteligência de risco, onde cada membro da organização age não apenas como funcionário, mas como um gestor de risco em si. Essa abordagem permite a constante avaliação, controle e otimização dos riscos, fundamentais para a tomada de decisões informadas e construção de uma vantagem competitiva sustentável para a empresa.
Simulação Mental, por outro lado, é a habilidade de nossa mente de imaginar a realização de uma ação específica e simular o resultado provável antes de agir. Esse processo depende de nossa memória, aprendizado via percepção e experiência. A simulação mental nos permite antecipar os resultados de nossas ações, melhorando nossa capacidade de resolver novos problemas. Este processo envolve a criação de imagens mentais da situação e das ações necessárias para alcançar resultados desejados. A imaginação pode incorporar não apenas visuais, mas também outros sentidos, tendo efeitos positivos, como o aumento da autoconfiança, conclusão de tarefas, concentração e enfrentamento.
A aplicação eficaz da técnica de imaginação envolve sete elementos: físico, ambiente, tarefa, tempo, aprendizado, emoção e perspectiva, que demonstrou melhorar significativamente o desempenho em contextos esportivos e pode ser extrapolado para o desempenho em gestão de riscos.
Estes conceitos destacam a importância de um pensamento inovador e proativo na gestão de riscos, enfatizando a necessidade de uma abordagem que vá além dos métodos tradicionais baseados em dados históricos e reportes de risco. A Inteligência de Risco e a Simulação Mental são fundamentais para navegar no ambiente de negócios incerto e volátil de hoje, permitindo às organizações antecipar e responder de maneira eficaz aos desafios emergentes.
A Tomada de Decisão Naturalista é outro componente essencial na abordagem da Gestão Radical de Riscos, que serve para entender como as pessoas tomam decisões e realizam funções cognitivamente complexas em situações do mundo real, que frequentemente envolvem tempo limitado, incerteza, altas apostas, restrições organizacionais e de equipe, condições instáveis e experiências variadas.
Segundo ele a transição para uma abordagem radical na gestão de riscos apresenta vários desafios, incluindo a necessidade de mudança cultural profunda, desenvolvimento de novas competências entre os funcionários e superação da dependência de processos tradicionais de gestão de riscos. No entanto, não existe um modelo único ou um "blueprint" para a implementação; cada empresa deve desenvolver seu próprio processo, alinhado à sua cultura corporativa e estrutura organizacional, focando em comportamentos que deseja incentivar ou desencorajar.
O Gerenciamento Radical de Riscos propõe uma mudança paradigmática no modo como as empresas percebem e lidam com os riscos. Abandonando a dependência de processos tradicionais baseados na identificação e mitigação de riscos através de relatórios históricos, esta abordagem enfatiza a importância de uma cultura de risco proativa, ágil e integrada. Através dos quatro componentes que podem desenvolver uma vantagem competitiva sustentável, cultivando uma verdadeira inteligência de risco e capacidade de resposta em tempo real aos desafios emergentes.
Aos interessados que ficaram curiosos como eu em saber mais, segue abaixo o link para o paper original (em inglês) em: