Artigo
12/07/2025

Regulação ESG em Foco

Explica a obrigatoriedade dos padrões ISSB para divulgação de dados ESG por empresas brasileiras a partir de 2027.

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Em 2023, o Brasil tomou uma decisão histórica. Foi mais do que um avanço. Foi um passo ousado e pioneiro. Nosso país se tornou o primeiro do mundo a tornar obrigatória a adoção dos padrões do ISSB – International Sustainability Standards Board.

Isso significa que o Brasil saiu na frente na regulação da sustentabilidade empresarial. Enquanto muitos países ainda discutem se vão adotar esses padrões, o Brasil já decidiu que vai adotar. E mais: tornou obrigatório o uso desses critérios por empresas listadas na bolsa de valores.

Essa decisão coloca o país como referência global em transparência e responsabilidade corporativa. E mostra que o Brasil está comprometido com um modelo de desenvolvimento que une crescimento econômico, responsabilidade ambiental e justiça social.

Não é só uma mudança de regra. É uma mudança de mentalidade. É o começo de uma nova era para os negócios no Brasil.

Mas o que isso quer dizer na prática? Vou explicar ponto por ponto.

O que é ESG?

ESG é uma sigla em inglês. Significa Environmental, Social and Governance. Em português: Ambiental, Social e Governança.

Esses três temas são hoje essenciais para qualquer empresa. Não basta mais apenas dar lucro. A empresa precisa mostrar como atua na sociedade. Vamos entender cada uma dessas letras:

  • E – Ambiental: Refere-se ao impacto da empresa no meio ambiente. Por exemplo: Como ela usa energia e água? Emite gases de efeito estufa? Desmata? Polui o ar, a terra ou a água?

  • S – Social: Diz respeito às pessoas. Como a empresa trata seus funcionários, fornecedores e a comunidade. Envolve temas como: Direitos humanos, Diversidade, Segurança do trabalho, Relação com vizinhos e parceiros.

  • G – Governança: Fala da administração da empresa. Ou seja, da forma como as decisões são tomadas. A empresa é transparente? Tem ética? Combate a corrupção? O conselho de administração funciona bem?

Esses três pilares formam o ESG. É com base neles que se mede a responsabilidade corporativa hoje em dia.

O que é o ISSB?

O ISSB é o International Sustainability Standards Board. Ou, em português, Conselho Internacional de Padrões de Sustentabilidade.

Ele foi criado para padronizar a forma como as empresas informam seus dados ESG. Ou seja, para criar um modelo único, usado no mundo todo. Com esse padrão, as empresas terão que divulgar informações claras, confiáveis e comparáveis. Isso é importante para que os investidores, clientes e a sociedade entendam o que a empresa realmente faz.

Antes, cada empresa publicava os dados de ESG de um jeito. Era difícil comparar. Faltava clareza. Agora, isso deve mudar.

O que muda para o Brasil?

A decisão foi anunciada em 2023. Mas a exigência valerá mesmo a partir de 2027. Até lá, as empresas terão quatro anos para se preparar. É um tempo de transição, para fazer ajustes e implementar melhorias.

Mas atenção: A partir de 2027, as empresas listadas na bolsa de valores terão que seguir o novo padrão.

Isso significa que deverão divulgar suas práticas e riscos ESG com o mesmo cuidado e rigor que divulgam seus dados financeiros.

O que isso significa para as empresas?

Significa que relatórios ESG deixam de ser opcionais. Antes, era uma boa prática. Ajudava a atrair investidores e melhorar a reputação.

Agora, será uma obrigação legal. As empresas que não se adaptarem podem ter problemas, como:

  • Dificuldade para captar dinheiro no mercado,

  • Perda de credibilidade,

  • Riscos jurídicos,

  • Danos à imagem.

O maior desafio: os dados

O grande obstáculo é a organização dos dados ESG. Muitas empresas ainda não sabem:

  • O que precisam medir,

  • Como medir,

  • Onde estão os dados,

  • E como transformá-los em relatórios confiáveis.

Falta processo. Falta estrutura. Falta integração com a gestão. Além disso, muitas ainda não tratam ESG como parte do compliance. Ou seja, como um compromisso com normas, regras e leis.

Mas isso vai precisar mudar. A partir de 2027, relatórios ESG terão que ser auditáveis. Como um balanço financeiro. Com dados claros, precisos, consistentes e verificados.

O que as empresas devem fazer agora?

2027 parece longe. Mas passa rápido. As empresas que querem estar prontas precisam agir já. Veja alguns passos essenciais:

  • Mapear os dados disponíveis Saber o que já existe e o que está faltando.

  • Capacitar as equipes Os profissionais precisam entender ESG, os indicadores e os novos padrões.

  • Criar uma estrutura interna de governança ESG Ter responsáveis, metas, processos e indicadores.

  • Integrar ESG na estratégia A sustentabilidade precisa fazer parte das decisões do dia a dia.

Quem começar antes, terá vantagem. Quem deixar para depois, pode enfrentar custos altos e riscos desnecessários.

Essa nova regulação não tira a liberdade das empresas. Pelo contrário. Ela fortalece a confiança no mercado. Hoje, investidores não querem apenas promessas. Querem compromisso com o futuro. Querem números. Querem responsabilidade.

Como sua organização está lidando com esse novo desafio? Já começou a se preparar? Será que ela está pronta para mostrar, com clareza e dados, que leva a sustentabilidade a sério?

Fontes:

As opiniões dos autores convidados da nossa comunidade são independentes e não necessariamente representam a opinião da Okai.

Perguntas e respostas

O que é ESG?
ESG é a sigla em inglês para Environmental, Social and Governance, que em português significa Ambiental, Social e Governança. Esses três temas são considerados essenciais para avaliar o desempenho de uma empresa para além do seu resultado financeiro.O conceito de ESG propõe que uma companhia deve também ser analisada por sua atuação e impacto na sociedade e no meio ambiente, refletindo um novo paradigma de responsabilidade corporativa.
Quais são os três pilares do ESG?
Os três pilares do ESG (Ambiental, Social e Governança) representam as áreas fundamentais para medir a responsabilidade corporativa de uma organização:E – Ambiental (Environmental): Refere-se ao impacto das atividades da empresa no meio ambiente. Isso inclui questões como o uso de recursos naturais (energia e água), a emissão de gases de efeito estufa, o desmatamento e a poluição do ar, da água e do solo.S – Social: Diz respeito à forma como a empresa se relaciona com as pessoas, incluindo seus funcionários, fornecedores, clientes e a comunidade em geral. Abrange temas como direitos humanos, diversidade e inclusão, segurança no trabalho e o relacionamento com parceiros e comunidades locais.G – Governança (Governance): Relaciona-se à administração e aos processos de tomada de decisão da empresa. Envolve a transparência das operações, a ética nos negócios, o combate à corrupção e a eficácia do conselho de administração.
O que é o ISSB (International Sustainability Standards Board)?
O ISSB, ou International Sustainability Standards Board (Conselho Internacional de Padrões de Sustentabilidade), é um órgão criado com o objetivo de desenvolver um padrão global e unificado para a divulgação de informações relacionadas à sustentabilidade por parte das empresas.A finalidade desses padrões é garantir que as companhias reportem seus dados de ESG de forma clara, confiável e, principalmente, comparável. Isso permite que investidores, clientes e a sociedade em geral possam analisar e compreender melhor o desempenho e o compromisso de uma empresa com a sustentabilidade. Para mais informações, consulte a página oficial do International Sustainability Standards Board.
Qual a principal mudança na regulação de sustentabilidade no Brasil anunciada em 2023?
Em 2023, o Brasil se tornou o primeiro país do mundo a determinar a adoção obrigatória dos padrões de divulgação de informações de sustentabilidade emitidos pelo International Sustainability Standards Board (ISSB).Essa decisão, formalizada pela Resolução CVM nº 193/2023, exige que as empresas listadas na bolsa de valores passem a reportar suas práticas e riscos ESG com o mesmo rigor e transparência aplicados às suas informações financeiras. Com isso, os relatórios de sustentabilidade deixam de ser uma prática voluntária para se tornarem uma obrigação legal.
Quando a adoção dos padrões do ISSB se tornará obrigatória no Brasil para empresas listadas em bolsa?
A obrigatoriedade de seguir os padrões do International Sustainability Standards Board (ISSB) para as empresas listadas na bolsa de valores no Brasil entrará em vigor a partir de 2027. O período até lá, iniciado com o anúncio da medida em 2023, funciona como um tempo de transição para que as companhias possam se preparar, realizar os ajustes necessários e implementar as melhorias exigidas pela nova regulamentação.
Quais as consequências para as empresas que não se adaptarem à obrigatoriedade dos relatórios ESG?
A não adaptação à obrigatoriedade dos relatórios ESG, que passam a ter status de obrigação legal, pode expor as empresas a uma série de problemas e riscos significativos. Entre as principais consequências estão:
  • Dificuldade para captar recursos financeiros no mercado;
  • Perda de credibilidade junto a investidores, clientes e à sociedade;
  • Exposição a riscos jurídicos decorrentes do não cumprimento da norma;
  • Danos à imagem e reputação da empresa.
Qual o principal desafio para as empresas na implementação dos padrões de relatórios ESG?
O principal desafio para as empresas na implementação dos padrões de relatórios ESG é a organização dos dados. Muitas organizações ainda não possuem processos e estruturas definidos para coletar, medir e transformar informações de sustentabilidade em relatórios confiáveis e auditáveis.As dificuldades mais comuns incluem não saber exatamente quais dados medir, como fazer essa medição, onde as informações estão localizadas dentro da empresa e como garantir sua consistência e precisão. Além disso, muitas empresas ainda não tratam a gestão de dados ESG como parte do seu programa de compliance, o que será essencial, já que a partir de 2027 os relatórios deverão ser auditáveis, assim como os balanços financeiros.
O que as empresas devem fazer para se preparar para a obrigatoriedade dos relatórios ESG?
Para se prepararem para a obrigatoriedade dos relatórios ESG, as empresas devem começar a agir o quanto antes, mesmo que o prazo final seja 2027. Alguns passos essenciais nesse processo de adaptação incluem:
  • Mapear os dados disponíveis: Identificar quais informações de sustentabilidade a empresa já possui e quais ainda precisam ser coletadas.
  • Capacitar as equipes: Garantir que os profissionais compreendam os conceitos de ESG, os novos indicadores e os padrões de relatório exigidos.
  • Criar uma estrutura de governança ESG: Definir responsáveis, metas, processos e indicadores claros para a gestão da sustentabilidade.
  • Integrar ESG na estratégia: Incorporar a sustentabilidade nas decisões de negócio do dia a dia, tratando-a como um pilar estratégico da companhia.

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Mónica Sofia Polaco Vieira

Economista | Governança Corporativa | Finanças | Transformação | Estratégia e Desenvolvimento de Negócios | Treinamentos e Palestras in Company