Em 2023, o Brasil tomou uma decisão histórica. Foi mais do que um avanço. Foi um passo ousado e pioneiro. Nosso país se tornou o primeiro do mundo a tornar obrigatória a adoção dos padrões do ISSB – International Sustainability Standards Board.
Isso significa que o Brasil saiu na frente na regulação da sustentabilidade empresarial. Enquanto muitos países ainda discutem se vão adotar esses padrões, o Brasil já decidiu que vai adotar. E mais: tornou obrigatório o uso desses critérios por empresas listadas na bolsa de valores.
Essa decisão coloca o país como referência global em transparência e responsabilidade corporativa. E mostra que o Brasil está comprometido com um modelo de desenvolvimento que une crescimento econômico, responsabilidade ambiental e justiça social.
Não é só uma mudança de regra. É uma mudança de mentalidade. É o começo de uma nova era para os negócios no Brasil.
Mas o que isso quer dizer na prática? Vou explicar ponto por ponto.
O que é ESG?
ESG é uma sigla em inglês. Significa Environmental, Social and Governance. Em português: Ambiental, Social e Governança.
Esses três temas são hoje essenciais para qualquer empresa. Não basta mais apenas dar lucro. A empresa precisa mostrar como atua na sociedade. Vamos entender cada uma dessas letras:
E – Ambiental: Refere-se ao impacto da empresa no meio ambiente. Por exemplo: Como ela usa energia e água? Emite gases de efeito estufa? Desmata? Polui o ar, a terra ou a água?
S – Social: Diz respeito às pessoas. Como a empresa trata seus funcionários, fornecedores e a comunidade. Envolve temas como: Direitos humanos, Diversidade, Segurança do trabalho, Relação com vizinhos e parceiros.
G – Governança: Fala da administração da empresa. Ou seja, da forma como as decisões são tomadas. A empresa é transparente? Tem ética? Combate a corrupção? O conselho de administração funciona bem?
Esses três pilares formam o ESG. É com base neles que se mede a responsabilidade corporativa hoje em dia.
O que é o ISSB?
O ISSB é o International Sustainability Standards Board. Ou, em português, Conselho Internacional de Padrões de Sustentabilidade.
Ele foi criado para padronizar a forma como as empresas informam seus dados ESG. Ou seja, para criar um modelo único, usado no mundo todo. Com esse padrão, as empresas terão que divulgar informações claras, confiáveis e comparáveis. Isso é importante para que os investidores, clientes e a sociedade entendam o que a empresa realmente faz.
Antes, cada empresa publicava os dados de ESG de um jeito. Era difícil comparar. Faltava clareza. Agora, isso deve mudar.
O que muda para o Brasil?
A decisão foi anunciada em 2023. Mas a exigência valerá mesmo a partir de 2027. Até lá, as empresas terão quatro anos para se preparar. É um tempo de transição, para fazer ajustes e implementar melhorias.
Mas atenção: A partir de 2027, as empresas listadas na bolsa de valores terão que seguir o novo padrão.
Isso significa que deverão divulgar suas práticas e riscos ESG com o mesmo cuidado e rigor que divulgam seus dados financeiros.
O que isso significa para as empresas?
Significa que relatórios ESG deixam de ser opcionais. Antes, era uma boa prática. Ajudava a atrair investidores e melhorar a reputação.
Agora, será uma obrigação legal. As empresas que não se adaptarem podem ter problemas, como:
Dificuldade para captar dinheiro no mercado,
Perda de credibilidade,
Riscos jurídicos,
Danos à imagem.
O maior desafio: os dados
O grande obstáculo é a organização dos dados ESG. Muitas empresas ainda não sabem:
O que precisam medir,
Como medir,
Onde estão os dados,
E como transformá-los em relatórios confiáveis.
Falta processo. Falta estrutura. Falta integração com a gestão. Além disso, muitas ainda não tratam ESG como parte do compliance. Ou seja, como um compromisso com normas, regras e leis.
Mas isso vai precisar mudar. A partir de 2027, relatórios ESG terão que ser auditáveis. Como um balanço financeiro. Com dados claros, precisos, consistentes e verificados.
O que as empresas devem fazer agora?
2027 parece longe. Mas passa rápido. As empresas que querem estar prontas precisam agir já. Veja alguns passos essenciais:
Mapear os dados disponíveis Saber o que já existe e o que está faltando.
Capacitar as equipes Os profissionais precisam entender ESG, os indicadores e os novos padrões.
Criar uma estrutura interna de governança ESG Ter responsáveis, metas, processos e indicadores.
Integrar ESG na estratégia A sustentabilidade precisa fazer parte das decisões do dia a dia.
Quem começar antes, terá vantagem. Quem deixar para depois, pode enfrentar custos altos e riscos desnecessários.
Essa nova regulação não tira a liberdade das empresas. Pelo contrário. Ela fortalece a confiança no mercado. Hoje, investidores não querem apenas promessas. Querem compromisso com o futuro. Querem números. Querem responsabilidade.
Como sua organização está lidando com esse novo desafio? Já começou a se preparar? Será que ela está pronta para mostrar, com clareza e dados, que leva a sustentabilidade a sério?
Fontes:
Resolução CVM nº 193/2023
Implementação das Normas IFRS S1 e S2
https://www.ifrs.org/groups/international-sustainability-standards-board/