Artigo
15/08/2025

Relatório Anual 2024 do Open Finance

Resume avanços, resultados e agenda estratégica do Open Finance no Brasil em 2024.

Imagem de capa do artigo

O Relatório Anual 2024, publicado em maio de 2025, é um documento que indica o avanço desse ecossistema, incluindo seus resultados, desafios e direções futuras. Por ele, é possível identificar oportunidades, ajustar estratégias e se posicionar diante de um mercado cada vez mais aberto, competitivo e regulado.

A criação da Associação Open Finance

O principal marco de 2024 foi a criação da Associação Open Finance Brasil (AOF), instituída oficialmente em dezembro daquele ano, com CNPJ próprio e estrutura de governança independente. Trata-se de uma entidade sem fins lucrativos, que substitui o antigo modelo deliberativo. Esse movimento, respaldado pela Resolução BCB nº 400/2024, representa um salto de maturidade.

A Associação passa a ser responsável pela gestão operacional, pela evolução técnica das soluções, pelo monitoramento de desempenho, pela padronização dos processos e pela interação com reguladores e a sociedade. Pela primeira vez, bancos, associações e demais participantes contam com uma instância institucional estável para liderar o Open Finance com eficiência, segurança e autonomia.

Indicadores e resultados concretos

O documento traz dados robustos sobre a adoção do Open Finance até dezembro/2024:

  • Mais de 60 milhões de consentimentos ativos;
  • Expansão contínua das chamadas de APIs, com melhoria nos índices de sucesso e estabilidade;
  • Maior participação de ITPs e novos players;
  • Ampliação da cobertura de dados (inclusive PJ);
  • Evolução dos painéis de monitoramento e transparência pública.

A estrutura técnica também foi aprimorada com ferramentas como:

  • FVP (Ferramenta de Validação em Produção);
  • MQD (Motor de Qualidade de Dados);
  • Painel de Desconformidades;
  • PCM (Plataforma de Coleta de Métricas);
  • Regras de cibersegurança e governança de dados.

Essas medidas garantem não apenas eficiência técnica, mas também alinhamento com boas práticas regulatórias e com a estabilidade do sistema.

Casos de uso

O capítulo “Open Finance na vida real” traz exemplos de como o sistema já impacta a vida de pessoas e empresas:

Para o consumidor: unificação de contas, alertas financeiros inteligentes, propostas de portabilidade com melhores taxas, parcelamento via Pix sem cartão.

Para empresas: acesso mais fácil e rápido a crédito, gestão bancária integrada, uso de dados financeiros para folha, cobrança e câmbio.

Os relatos vão desde pequenos negócios do agronegócio até empresas de turismo e tecnologia, indicando como a abertura de dados financeiros cria valor tangível para o setor produtivo.

A jornada das fases

O relatório sistematiza as 4 fases do Open Finance:

  • Fase 1: dados públicos de produtos e tarifas;
  • Fase 2: dados cadastrais e transacionais (mediante consentimento);
  • Fase 3: iniciação de pagamentos e proposta de crédito;
  • Fase 4: dados de investimentos, seguros, previdência e câmbio.

Em 2024, destacam-se a liberação do Pix Automático, a Transferência Inteligente e a Jornada Sem Redirecionamento (JSR), que promete maior fluidez para o usuário e novas oportunidades de modelo de negócio.

Direções para 2025

A agenda futura do Open Finance está ancorada em 5 frentes:

  • Governança e sustentabilidade da nova estrutura institucional;
  • Melhoria da experiência do usuário, com jornadas mais simples e intuitivas;
  • Monitoramento e desempenho, com foco em indicadores claros e auditáveis;
  • Adaptação regulatória, com foco em Open Insurance, DREX e integração com outros sistemas;
  • Inovação e novos produtos, incluindo soluções PJ, garantias e títulos digitais.

O relatório também destaca o Open Finance como um dos mais completos e avançados do mundo, com base em seu escopo, cobertura e arquitetura técnica.

Onde Consultar

O Relatório Anual 2024, elaborado pelo Chicago Advisory Partners e pelo Conselho Deliberativo e de Administração do Open Finance Brasil, pode ser consultado em: https://lnkd.in/dDCExzZF

As opiniões dos autores convidados da nossa comunidade são independentes e não necessariamente representam a opinião da Okai.

Autor

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Thiago do Amaral Santos

Sócio BTLaw | Professor FGV e Insper | Fintech, Meios de Pagamento, Bancos Digitais