Vigente Comunicado
21/06/2023
#74783

Comunicado N° 40.311

Define a meta da Taxa Selic em 13,75% ao ano e apresenta avaliação do cenário econômico e riscos inflacionários.

Em reunião realizada nesta data, de acordo com o Regulamento anexo à Resolução BCB nº 61, de 13 de janeiro de 2021, o Comitê de Política Monetária (Copom) definiu que a meta para a Taxa Selic será de 13,75% (treze inteiros e setenta e cinco centésimos por cento) ao ano, a partir de 22 de junho de 2023.

O Copom emitiu a seguinte nota informativa ao público:

“O ambiente externo se mantém adverso, ainda que com revisões positivas para o crescimento do ano. Apesar da atenuação do estresse envolvendo bancos nos EUA e na Europa, a situação segue demandando monitoramento. Os bancos centrais das principais economias permanecem determinados em promover a convergência das taxas de inflação para suas metas, inclusive com a retomada de ciclos de elevação de juros em algumas economias, em um ambiente em que a inflação se mostra resiliente.

Em relação ao cenário doméstico, o conjunto dos indicadores mais recentes de atividade econômica segue consistente com um cenário de desaceleração da economia nos próximos trimestres. O crescimento acima do esperado no primeiro trimestre refletiu principalmente o forte desempenho do setor agropecuário. Não obstante o arrefecimento recente dos índices de inflação cheia ao consumidor, antecipa-se uma elevação da inflação acumulada em doze meses ao longo do segundo semestre. Ademais, diversas medidas de inflação subjacente seguem acima do intervalo compatível com o cumprimento da meta para a inflação. As expectativas de inflação para 2023 e 2024 apuradas pela pesquisa Focus recuaram e encontram-se em torno de 5,1% e 4,0%, respectivamente.

As projeções de inflação do Copom em seu cenário de referência* situam-se em 5,0% em 2023 e 3,4% em 2024. As projeções para a inflação de preços administrados são de 9,0% em 2023 e 4,6% em 2024.

O Comitê ressalta que, em seus cenários para a inflação, permanecem fatores de risco em ambas as direções. Entre os riscos de alta para o cenário inflacionário e as expectativas de inflação, destacam-se (i) uma maior persistência das pressões inflacionárias globais; (ii) alguma incerteza residual sobre o desenho final do arcabouço fiscal a ser aprovado pelo Congresso Nacional e, de forma mais relevante para a condução da política monetária, seus impactos sobre as expectativas para as trajetórias da dívida pública e da inflação, e sobre os ativos de risco; e (iii) uma desancoragem maior, ou mais duradoura, das expectativas de inflação para prazos mais longos. Entre os riscos de baixa, ressaltam-se (i) uma queda adicional dos preços das commodities internacionais em moeda local, ainda que parte importante desse movimento já tenha sido verificado; (ii) uma desaceleração da atividade econômica global mais acentuada do que a projetada, em particular em função de condições adversas no sistema financeiro global; e (iii) uma desaceleração na concessão doméstica de crédito maior do que seria compatível com o atual estágio do ciclo de política monetária.  

Considerando os cenários avaliados, o balanço de riscos e o amplo conjunto de informações disponíveis, o Copom decidiu manter a taxa básica de juros em 13,75% a.a. e entende que essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante, que inclui o ano de 2024. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego.

A conjuntura atual, caracterizada por um estágio do processo desinflacionário que tende a ser mais lento e por expectativas de inflação desancoradas, segue demandando cautela e parcimônia. O Copom conduzirá a política monetária necessária para o cumprimento das metas e avalia que a estratégia de manutenção da taxa básica de juros por período prolongado tem se mostrado adequada para assegurar a convergência da inflação. O Comitê reforça que irá perseverar até que se consolide não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas em torno de suas metas. O Comitê avalia que a conjuntura demanda paciência e serenidade na condução da política monetária e relembra que os passos futuros da política monetária dependerão da evolução da dinâmica inflacionária, em especial dos componentes mais sensíveis à política monetária e à atividade econômica, das expectativas de inflação, em particular as de maior prazo, de suas projeções de inflação, do hiato do produto e do balanço de riscos.

Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Roberto de Oliveira Campos Neto (presidente), Carolina de Assis Barros, Diogo Abry Guillen, Fernanda Magalhães Rumenos Guardado, Maurício Costa de Moura, Otávio Ribeiro Damaso, Paulo Sérgio Neves de Souza e Renato Dias de Brito Gomes.”

Conforme estabelece o Comunicado nº 38.783, de 20 de junho de 2022, o Copom voltará a se reunir, ordinariamente, em 1º e 2 de agosto de 2023, para as apresentações técnicas sobre a conjuntura econômica e na tarde do dia 2 de agosto de 2023 para deliberar sobre as diretrizes de política monetária.

 

               Diogo Abry Guillen
                      Diretor de Política Monetária

 

* No cenário de referência, a trajetória para a taxa de juros é extraída da pesquisa Focus e a taxa de câmbio parte de USD/BRL 4,85, evoluindo segundo a paridade do poder de compra (PPC). O preço do petróleo segue aproximadamente a curva futura pelos próximos seis meses e passa a aumentar 2% ao ano posteriormente. Além disso, adota-se a hipótese de bandeira tarifária "verde" em dezembro de 2023 e de 2024. O valor para o câmbio é obtido pelo procedimento usual de arredondar a cotação média da taxa de câmbio USD/BRL observada nos cinco dias úteis encerrados no último dia da semana anterior à da reunião do Copom.

Plataforma de consulta: Okai.

Perguntas e respostas

Quais são as projeções de inflação do Copom para 2023 e 2024?
As projeções de inflação do Copom para 2023 são de 5,0% e para 2024 são de 3,4%. Para a inflação de preços administrados, as projeções são de 9,0% em 2023 e 4,6% em 2024.
O que é a Taxa Selic?
A Taxa Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira, utilizada como referência para as demais taxas de juros no país. Ela é definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil.
Quem são os membros do Copom que votaram pela decisão de manter a taxa básica de juros em 13,75% a.a.?
Os membros do Copom que votaram pela decisão de manter a taxa básica de juros em 13,75% a.a. foram: Roberto de Oliveira Campos Neto (presidente), Carolina de Assis Barros, Diogo Abry Guillen, Fernanda Magalhães Rumenos Guardado, Maurício Costa de Moura, Otávio Ribeiro Damaso, Paulo Sérgio Neves de Souza e Renato Dias de Brito Gomes.
Qual foi a meta para a Taxa Selic definida pelo Copom em 21 de junho de 2023?
A meta para a Taxa Selic definida pelo Copom em 21 de junho de 2023 foi de 13,75% ao ano, a partir de 22 de junho de 2023.
Qual é o objetivo fundamental do Copom ao definir a taxa básica de juros?
O objetivo fundamental do Copom ao definir a taxa básica de juros é assegurar a estabilidade de preços, promovendo a convergência da inflação para a meta estabelecida.
O que é a pesquisa Focus?
A pesquisa Focus é uma pesquisa realizada pelo Banco Central do Brasil que coleta as expectativas de mercado sobre diversos indicadores econômicos, como inflação, taxa de câmbio e taxa de juros.
O que é o cenário de referência utilizado pelo Copom?
O cenário de referência utilizado pelo Copom inclui a trajetória para a taxa de juros extraída da pesquisa Focus, a taxa de câmbio partindo de USD/BRL 4,85 e evoluindo segundo a paridade do poder de compra (PPC), o preço do petróleo seguindo a curva futura pelos próximos seis meses e aumentando 2% ao ano posteriormente, e a hipótese de bandeira tarifária "verde" em dezembro de 2023 e 2024.
Quando o Copom voltará a se reunir após a reunião de 21 de junho de 2023?
O Copom voltará a se reunir ordinariamente em 1º e 2 de agosto de 2023 para as apresentações técnicas sobre a conjuntura econômica e na tarde do dia 2 de agosto de 2023 para deliberar sobre as diretrizes de política monetária.
Quais são os principais fatores de risco para a inflação mencionados pelo Copom?
Os principais fatores de risco para a inflação mencionados pelo Copom incluem: persistência das pressões inflacionárias globais, incerteza sobre o arcabouço fiscal a ser aprovado pelo Congresso Nacional, desancoragem das expectativas de inflação para prazos mais longos, queda adicional dos preços das commodities internacionais, desaceleração da atividade econômica global e desaceleração na concessão doméstica de crédito.