Vigente Impacto Baixo Comunicado
19/06/2024
#73721

Comunicado N° 41.762

Define a meta da taxa Selic em 10,50% ao ano e apresenta avaliação do cenário econômico e riscos para a política monetária.

Em reunião realizada nesta data, de acordo com o Regulamento anexo à Resolução BCB nº 61, de 13 de janeiro de 2021, o Comitê de Política Monetária (Copom) definiu que a meta para a Taxa Selic será de 10,50% (dez inteiros e cinquenta centésimos por cento) ao ano, a partir de 20 de junho de 2024.

O Copom emitiu a seguinte nota informativa ao público:

“O ambiente externo mantém-se adverso, em função da incerteza elevada e persistente sobre a flexibilização da política monetária nos Estados Unidos e quanto à velocidade com que se observará a queda da inflação de forma sustentada em diversos países. Os bancos centrais das principais economias permanecem determinados em promover a convergência das taxas de inflação para suas metas em um ambiente marcado por pressões nos mercados de trabalho. O Comitê avalia que o cenário segue exigindo cautela por parte de países emergentes.

Em relação ao cenário doméstico, o conjunto dos indicadores de atividade econômica e do mercado de trabalho segue apresentando dinamismo maior do que o esperado. A inflação cheia ao consumidor tem apresentado trajetória de desinflação, enquanto medidas de inflação subjacente se situaram acima da meta para a inflação nas divulgações mais recentes.

As expectativas de inflação para 2024 e 2025 apuradas pela pesquisa Focus encontram-se em torno de 4,0% e 3,8%, respectivamente.

As projeções de inflação do Copom em seu cenário de referência* situam-se em 4,0% em 2024 e 3,4% em 2025. As projeções para a inflação de preços administrados são de 4,4% em 2024 e 4,0% em 2025. Em cenário alternativo, no qual a taxa Selic é mantida constante ao longo do horizonte relevante, as projeções de inflação situam-se em 4,0% para 2024 e 3,1% para 2025.

O Comitê ressalta que, em seus cenários para a inflação, permanecem fatores de risco em ambas as direções. Entre os riscos de alta para o cenário inflacionário e as expectativas de inflação, destacam-se (i) uma maior persistência das pressões inflacionárias globais; e (ii) uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais apertado. Entre os riscos de baixa, ressaltam-se (i) uma desaceleração da atividade econômica global mais acentuada do que a projetada; e (ii) os impactos do aperto monetário sincronizado sobre a desinflação global se mostrarem mais fortes do que o esperado. O Comitê avalia que as conjunturas doméstica e internacional seguem mais incertas, exigindo maior cautela na condução da política monetária.

O Comitê monitora com atenção como os desenvolvimentos recentes da política fiscal impactam a política monetária e os ativos financeiros. O Comitê reafirma que uma política fiscal crível e comprometida com a sustentabilidade da dívida contribui para a ancoragem das expectativas de inflação e para a redução dos prêmios de risco dos ativos financeiros, consequentemente impactando a política monetária. 

Considerando a evolução do processo de desinflação, os cenários avaliados, o balanço de riscos e o amplo conjunto de informações disponíveis, o Copom decidiu manter a taxa básica de juros em 10,50% a.a. e entende que essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante, que inclui o ano de 2025. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego.

A conjuntura atual, caracterizada por um estágio do processo desinflacionário que tende a ser mais lento, ampliação da desancoragem das expectativas de inflação e um cenário global desafiador, demanda serenidade e moderação na condução da política monetária.

O Comitê, unanimemente, optou por interromper o ciclo de queda de juros, destacando que o cenário global incerto e o cenário doméstico marcado por resiliência na atividade, elevação das projeções de inflação e expectativas desancoradas demandam maior cautela. Ressalta, ademais, que a política monetária deve se manter contracionista por tempo suficiente em patamar que consolide não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas em torno de suas metas. O Comitê se manterá vigilante e relembra, como usual, que eventuais ajustes futuros na taxa de juros serão ditados pelo firme compromisso de convergência da inflação à meta.

Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Roberto de Oliveira Campos Neto (presidente), Ailton de Aquino Santos, Carolina de Assis Barros, Diogo Abry Guillen, Gabriel Muricca Galípolo, Otávio Ribeiro Damaso, Paulo Picchetti, Renato Dias de Brito Gomes e Rodrigo Alves Teixeira.”

Conforme estabelece o Comunicado nº 40.330, de 26 de junho de 2023, o Copom voltará a se reunir, ordinariamente, em 30 e 31 de julho de 2024, para as apresentações técnicas sobre a conjuntura econômica e na tarde do dia 31 de julho de 2024 para deliberar sobre as diretrizes de política monetária.

 

               GABRIEL MURICCA GALÍPOLO
                          Diretor de Política Monetária


* No cenário de referência, a trajetória para a taxa de juros é extraída da pesquisa Focus e a taxa de câmbio parte de R$5,30/US$, evoluindo segundo a paridade do poder de compra (PPC). O preço do petróleo segue aproximadamente a curva futura pelos próximos seis meses e passa a aumentar 2% ao ano posteriormente. Além disso, adota-se a hipótese de bandeira tarifária "verde" em dezembro de 2024 e de 2025. O valor para o câmbio foi obtido pelo procedimento, que passou a ser adotado na 258ª reunião, de arredondar a cotação média da taxa de câmbio observada nos dez dias úteis encerrados no último dia da semana anterior à da reunião do Copom.

Conteúdo acessado em okai.com.br.

Perguntas e respostas

Quais são as expectativas de inflação para 2024 e 2025 segundo a pesquisa Focus?
As expectativas de inflação para 2024 e 2025 segundo a pesquisa Focus são de 4,0% e 3,8%, respectivamente.
O que significa que a política monetária deve se manter contracionista?
Manter a política monetária contracionista significa que o Copom pretende manter a taxa de juros em um nível elevado por tempo suficiente para consolidar o processo de desinflação e ancorar as expectativas de inflação em torno de suas metas.
O que é o cenário de referência utilizado pelo Copom?
O cenário de referência utilizado pelo Copom considera a trajetória para a taxa de juros extraída da pesquisa Focus, a taxa de câmbio partindo de R$5,30/US$ e evoluindo segundo a paridade do poder de compra (PPC), o preço do petróleo seguindo a curva futura pelos próximos seis meses e aumentando 2% ao ano posteriormente, e a hipótese de bandeira tarifária "verde" em dezembro de 2024 e 2025.
O que o Copom monitora em relação à política fiscal?
O Copom monitora como os desenvolvimentos recentes da política fiscal impactam a política monetária e os ativos financeiros, reafirmando que uma política fiscal crível e comprometida com a sustentabilidade da dívida contribui para a ancoragem das expectativas de inflação e para a redução dos prêmios de risco dos ativos financeiros.
O que é o Copom?
O Copom, ou Comitê de Política Monetária, é um órgão do Banco Central do Brasil responsável por definir a meta da Taxa Selic e conduzir a política monetária do país.
Quais são os riscos de baixa para o cenário inflacionário mencionados pelo Copom?
Os riscos de baixa para o cenário inflacionário mencionados pelo Copom incluem uma desaceleração da atividade econômica global mais acentuada do que a projetada e os impactos do aperto monetário sincronizado sobre a desinflação global se mostrarem mais fortes do que o esperado.
O que é a Taxa Selic?
A Taxa Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira, utilizada como referência para as demais taxas de juros do mercado. Ela é definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom).
Quando será a próxima reunião ordinária do Copom após 19 de junho de 2024?
A próxima reunião ordinária do Copom após 19 de junho de 2024 será realizada em 30 e 31 de julho de 2024.
Quais são as projeções de inflação do Copom para 2024 e 2025 em seu cenário de referência?
As projeções de inflação do Copom em seu cenário de referência são de 4,0% para 2024 e 3,4% para 2025.
Qual foi a meta para a Taxa Selic definida pelo Copom em 19 de junho de 2024?
A meta para a Taxa Selic definida pelo Copom em 19 de junho de 2024 foi de 10,50% ao ano, a partir de 20 de junho de 2024.
Quais são os riscos de alta para o cenário inflacionário mencionados pelo Copom?
Os riscos de alta para o cenário inflacionário mencionados pelo Copom incluem uma maior persistência das pressões inflacionárias globais e uma maior resiliência na inflação de serviços devido a um hiato do produto mais apertado.