“Acho isso da maior importância, porque um banco central moderno é um banco central transparente”, afirmou. Segundo Meirelles, “já é coisa do passado aquela caixa preta que eram os bancos centrais”. Ele explicou que, no passado, não divulgar informações chegou a ser considerado uma característica das autoridades monetárias. “Isso tem mudado através das última décadas e o Banco Central, cada vez mais, tem adotado uma postura de transparência, de transmissão de informação”, afirmou.
Meirelles explicou que a maior transparência do BC faz parte de todo um processo de mudança que começou na área de administração da política monetária, com a introdução das metas de inflação. Segundo ele, essas metas visam, entre outras coisas, conduzir expectativas. “A meta para a inflação organiza a formação de expectativas da sociedade na formação da estrutura de preços e, portanto, é muito importante que o cidadão e a cidadã, agentes econômicos, estejam informados não só das razões que possam levar os bancos centrais a tomarem determinadas decisões, mas também para que possam tomar suas próprias decisões de maneira informada”, afirmou.
De acordo com Meirelles, o processo de transparência é vital e está cada vez mais integrado à democracia. “O cidadão tem direito à informação e, quanto mais o cidadão tiver informações, melhor será o funcionamento da sociedade como um todo e isso é particularmente verdade no mercado financeiro”, afirmou. Segundo ele, nas últimas décadas o mercado financeiro viveu um interessante processo, semelhante ao da abertura das bibliotecas e da difusão dos livros logo após a Idade Média, ocorrida com a evolução do pensamento, da civilização e da democracia.
“Faz parte do nosso processo manter essa característica de excelência do Banco Central do Brasil, que está claramente se configurando como um dos melhores bancos centrais do mundo sobre todos os aspectos”, afirmou antes de concluir seu discurso elogiando o trabalho realizado pela equipe de servidores que reformulou o site do BC.