A maioria da população brasileira recebe salário e paga suas contas em dinheiro. Isso é o que comprova pesquisa realizada por solicitação do Departamento do Meio Circulante (Mecir) do Banco Central do Brasil. Pelos dados obtidos, 55% da população brasileira recebe seu salário em espécie. Esse percentual sobe para 70% na região nordeste.
No pagamento de dívidas e nas compras é também o dinheiro o principal meio utilizado. Entre os entrevistados, 77% declararam usar o dinheiro nessas transações. O dinheiro em espécie é mais usado para o pagamento de compras de baixo valor, tais como os gastos em padarias e mercadinhos. Na medida em que o gasto vai ficando mais elevado, como a compra de eletrodomésticos ou roupas e calçados, diminui o percentual da população que usa o dinheiro como forma de pagamento.
A pesquisa sobre O Brasileiro e sua Relação com o Dinheiro foi encomendada ao DataFolha e realizada em outubro de 2007. Assim como a pesquisa feita em 2005, o objetivo foi o de avaliar como a sociedade utiliza o dinheiro. Do resultado apontado nos quesitos conservação, hábito de uso de cédulas e moedas e identificação dos elementos de segurança, o BC pode extrair elementos para futuras campanhas sobre o cuidado que se deve ter com o dinheiro ou mesmo ações a cargo do Departamento do Meio Circulante.
Na pesquisa de 2007 foram realizadas 2.041 entrevistas finais. Na amostra foram contempladas todas as 26 capitais brasileiras e o Distrito Federal. As entrevistas foram dirigidas à população e ao comércio e prestadores de serviços.
Cuidado com o dinheiro
A pesquisa indica que a maioria da população brasileira guarda o dinheiro em local adequado. A carteira é usada para guardar o dinheiro por 63% dos entrevistados. Esse percentual era de 61% na pesquisa anterior. Outras formas declaradas de guardar as cédulas são solto na bolsa (10%), em compartimentos dentro da bolsa (7%), em carteirinhas dentro da bolsa (5%) ou em porta níqueis (2%).
Em relação à moeda, 30% dos entrevistadas disseram que guardam as moedinhas no bolso. Outros 26% na carteira e 29% em porta níqueis. Na pesquisa anterior 29% guardavam as moedinhas no bolso, 23% na carteira e 35% em porta níqueis.
Conservação das cédulas
No item estado de conservação das cédulas, a população brasileira considera importante que as mesmas não estejam rasgadas. As notas de maior valor, como por exemplo, as de R$ 100,00 e de R$ 50,00, são consideradas em melhor estado de conservação.
Hábitos de uso
A maioria dos entrevistados costuma levar, diariamente valores médios de até R$ 20 reais, elegendo as notas de R$10 e R$5 como suas preferidas (mais de 50%). Essa preferência contrasta com a disponibilidade de notas em ATM, onde as notas de R$ 5 são encontradas em apenas 11% dos terminais disponibilizados pelos bancos.
Entre as moedas, a faixa de maior concentração de uso está entre R$ 1,00 e R$ 2,00. Cerca de 28% dos entrevistados declararam levar esse valor em moedas diariamente. Chama a atenção o crescimento do valor médio de moedas portadas diariamente que, em 2005, foi de R$ 3,18 e passou para R$ 3,64 em 2007. Os entrevistados declararam que de cada 10 moedas que recebem, usam 75% delas no dia-a-dia. As moedas ficam guardadas em casa por no máximo uma semana, disseram 54% dos entrevistados.
Reconhecimento das cédulas do real
As campanhas já realizadas pelo BC sobre o dinheiro foram importantes para a população identificar os elementos de segurança das cédulas. A pesquisa comprova que 50% dos entrevistados se lembram da divulgação sobre o reconhecimento de cédulas verdadeiras. Mais de um terço dos entrevistados, 36%, viu a propaganda pela televisão.
A freqüência com que se verifica se a nota é verdadeira cresceu entre 2005 e 2007, passando de 53% para 58%. Isso contribui para reduzir a circulação de notas falsas. Quanto mais alto é o valor da cédula maior a preocupação se o dinheiro é verdadeiro ou falso. Entre os elementos de segurança, o verificado com maior freqüência (47%) é a marca d’água das cédulas. O dado é positivo, pois este é o elemento de maior dificuldade para imitação pelo falsário.
Clique para acessar o conteúdo da pesquisa no formato PDF no link O Brasileiro e sua Relação com o Dinheiro
Brasília, 12 de março de 2008
Banco Central do Brasil
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