Notícia
30/05/2019

Agenda BC#, lançada pelo Banco Central, alia inovação tecnológica à agenda microeconômica da instituição

Apresenta a Agenda BC#, que integra inovação tecnológica e agenda microeconômica para promover inclusão, competitividade, transparência e educação financeira.

​Destravar o crescimento do país e incentivar o aumento da participação do setor privado na economia são os focos da Agenda BC#, lançada nessa quarta-feira (29), em Brasília, pelo presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. A Agenda BC# busca aliar inovação tecnológica a uma agenda microeconômica da instituição. Ela norteará o trabalho do BC durante os próximos anos e está estruturada em quatro dimensões: inclusão, competitividade, transparência e educação financeira.

"O trabalho é fruto da Agenda BC+, na qual avançamos muito em diversos temas. É importante pensar como nós do BC podemos contribuir para o crescimento sustentável da economia", afirmou Roberto Campos Neto.  Confira no vídeo abaixo detalhes da nova agenda.


Clique na imagem para assistir ao vídeo em que o presidente Campos Neto apresenta a Agenda.


Inclusão
A dimensão Inclusão contempla iniciativas para facilitar o acesso de todos ao mercado: pequenos e grandes, investidores e tomadores, brasileiros e estrangeiros. Tendo a inclusão no sistema financeiro como premissa, serão desenvolvidos os temas microcrédito, cooperativismo, conversibilidade e mercado de capitais.

De acordo com Campos Neto, no que diz respeito à inclusão, o BC tem trabalhado com quatro objetivos: democratizar, digitalizar, desburocratizar e desmonetizar. Ele explicou que o microcrédito, por exemplo, terá um papel fundamental nesse objetivo. "É um instrumento que tem o potencial de gerar emprego e educação financeira, e que pode fortalecer a poupança. Além disso, sua concessão hoje pode ser feita por mobile, o que diminui em muito o seu custo", afirmou.

Com relação ao cooperativismo, o propósito será a expansão do segmento. Entre as ações previstas estão a permissão de empréstimo sindicalizado, a realização de depósito interfinanceiro cooperativo, a captação de poupança por cooperativas singulares, o uso de Fundos Constitucionais como funding e uma maior participação dos cooperados nas decisões.

Campos Neto também informou que o BC trabalha em uma minuta de lei sobre o câmbio. O propósito é simplificar e adequar as normas sobre o assunto, ainda regulado por legislações editadas entre 1920 e 1960.

A adequação das regras sobre o câmbio pretende pavimentar o caminho para a conversibilidade do Real, o que possibilitaria à moeda brasileira servir de referência para a região. Segundo Campos Neto, há demanda nesse sentido por parte de países que negociam com o Brasil.

"O Brasil é responsável por grande parte do PIB da América Latina. Se tivermos estabilidade econômica, crescimento e as reformas necessárias, é natural que isso (a conversibilidade) aconteça", disse Campos Neto.

Competitividade
A dimensão Competitividade diz respeito à adequada precificação por meio de instrumentos de acesso competitivo aos mercados. As ações serão desenvolvidas tendo como parâmetros a inovação e a eficiência da alocação das reservas internacionais.

Sobre inovações, o propósito é preparar o sistema financeiro para um futuro tecnológico inclusivo. Estão sendo desenvolvidos estudos e ações sobre pagamentos instantâneos, open banking, blockchain, inteligência artificial e supervisão do risco cibernético.

No que diz respeito às reservas internacionais, o foco está em aumentar a eficiência na gestão desses recursos.

Transparência
"A população, e não apenas quem entende de mercado financeiro, precisa entender o que o Banco Central de fato faz", defendeu Campos Neto.

Na dimensão Transparência o BC busca trabalhar assuntos como o crédito rural, clarificando os subsídios destinados ao agronegócio; o crédito imobiliário; o relacionamento com o Congresso Nacional, para um maior envolvimento dos parlamentares na evolução da Agenda BC# e para o aprimoramento dos instrumentos de comunicação com o Legislativo; e o relacionamento com investidores internacionais.

Também estão previstas ações voltadas à eficiência do mercado – como a proposição de legislação sobre resolução bancária e de infraestruturas do mercado financeiro –, o aumento da frequência dos leilões de operações compromissadas longas, a reavaliação dos incentivos para participação do sistema de dealers de mercado aberto, o fomento ao chamado 'compulsório eficiente', e um plano de comunicação das ações do BC, que inclui o aperfeiçoamento dos instrumentos de comunicação, a ampliação do contato com a mídia e com o público e a intensificação do uso de mídias sociais.

Educação
Já a dimensão Educação tem como objetivo promover a conscientização do cidadão para que todos participem do mercado e cultivem o hábito de poupar. Agentes de mercado e governamentais, cooperativas e agentes do microcrédito também serão envolvidos nesse esforço.

O desenvolvimento do projeto "Educação Financeira nas Escolas" de iniciativas de apoio aos superendividados e de parcerias com instituições financeiras são alguns dos projetos que a autoridade monetária pretende desenvolver sobre o assunto. A criação de um Museu da Economia (presencial e virtual) também está previsto. O BC avalia ainda a criação de uma plataforma na web voltada à educação dos usuários.